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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Assunto

O que acontece ao corpo quando faz jejum por 20 horas durante 30 dias

O Braga disputou esta noite, na Pedreira, com o Rangers, o jogo da primeira mão dos quartos de final da Liga Europa. Ganhou por 1-0, mas não é nem o jogo, nem o resultado, que trago aqui. O assunto é outro.

Estamos no Ramadão, período de jejum para os muçulmanos, durante o qual só podem ingerir alimentos após o pôr do sol.  Para os jogadores de futebol, bem como para qualquer praticante de alta competição, a prática deste jejum é algo que, naturalmente, lhes complica seriamente a vida. Mas não apenas a eles, também aos clubes que lhes pagam, e aos treinadores que deles não consigam prescindir. 

O Braga tem no plantel um desses jogadores, o líbio AL Musrati - justamente um dos imprescindíveis para Carlos Carvalhal. Como do imprescindível não se pode prescindir, Carvalhal lançou-o no jogo. Que se iniciou às 20 horas, altura em que por estes dias o sol já não brilhará muito, mas ainda lá está, mesmo que já bem baixo, a dar-nos luz. 

Corria o jogo há 7 ou 8 minutos quando, timidamente, o sol se começou a esconder lá para trás da linha do horizonte. Do nada, surgiu no chão o guarda-redes Matheus, agarrado à perna direita. O árbitro interrompeu o jogo, como manda a lei, e a equipa médica do Braga mandou-se em esfregões e massagens à perna do jogador, que não escondia um esgar de dor e desconforto. 

A realização televisiva ia buscar, em repetição, a última intervenção do guarda-redes. Não se via nada que pudesse ter magoado o guarda-redes bracarense, mas a realização insistia um sugerir às mentes mais criativas uma qualquer relação de causa e efeito entre o ligeiro contacto com um adversário, muito ligeiro e mais leve ainda, e a assistência médica em curso.

No banco do Braga o guarda-redes suplente levantava-se, e movimentava os braços. E as câmaras deslocaram-se da zona da baliza do Braga, onde a equipa médica continuava de volta da perna do Matheus, para o banco, para captar a imagem do guarda-redes suplente, a sugerir a hipótese da necessidade de substituição.

Passaram quatro minutos, afinal o tempo necessário para, sol posto, servir o jantar a AL Musrati. Não terá sido grande repasto, nem à luz da vela. Mas foi tranquilo. E, mais importante, fora da indiscrição das câmaras, com a realização televisiva entretida entre as repetições, a assistência médica e o guarda-redes suplente.

Mais que o insólito, foi a mestria com que o staf do Braga preparou esta operação que fez disto assunto. O assunto!

De uma equipa que não consegue ganhar três jogos consecutivos não se pode esperar a muito

Haverá certamente a tentação de considerar este Braga - Benfica de hoje, na Pedreira, um grande jogo de futebol. Um jogo com cinco golos, a maioria deles em apenas cinco minutos, com voltas e reviravoltas no marcador, tenderá para isso, para um grande jogo. Não me parece que tenha sido. Foi, antes, mais um mau - muito mau mesmo - jogo ... do Benfica.

O Braga aprendeu a lição da goleada (6-1) da Luz, na primeira volta. Quis disputar esse jogo de igual para igual com o Benfica, e acabou goleado. Hoje não caiu nessa tentação. Hoje entrou para o jogo com o claro propósito de se juntar no seu meio campo, com a grande área e baliza bem defendidas. Saía para pressionar a saída de bola , recuava de imediato, em bloco, e esperava pelo erro para sair em contra-ataque, a aproveitar as costas da defesa do Benfica. Que não são bem costas, são mais calcanhar. O calcanhar de Aquiles da equipa.

Não vi todos os jogos do Braga, mas vi muitos. Vi todos os que disputou com o Porto e com o Sporting, e nunca os vi jogar assim, dessa forma. Da forma como jogam todas as equipas pequenas contra o Benfica.

É condenável que Carlos Carvalhal tenha optado por esta estratégia de jogo? Não, claro que não. Toda a gente sabe que a melhor forma de enfrentar este Benfica é essa. Sem espaços, com pressão e intensidade na disputa da bola, esta equipa fica sem saber o que fazer. Circula a bola, por um lado, pelo outro, e para trás, mas na maior parte das vezes não vai a lado nenhum. Muitas vezes começa até a falhar passes fáceis lá estão as costas. Os calcanhares.

A primeira parte correspondeu por inteiro à óbvia e  fácil estratégia do Braga. O Benfica teve bola (69 ou 70%) mas nunca encontrou a baliza do Matheus. Nas três únicas ocasiões em que conseguiu entrar na grande área adversária, e baralhar-lhes a defesa, os dois pontas de lança decidiram ser eles próprios a matar o perigo das jogadas. Primeiro Yaremchuck, que com Rafa liberto à frente da baliza, preferiu ser ele a rematar sem qualquer ângulo para isso, e naturalmente para fora. Depois foi Gonçalo Ramos a decidir rematar contra o defesa que tinha à frente, com o mesmo Rafa na mesma situação. Da última, em boa posição, à frente da baliza, Yaremchuck não teve engenho, nem arte, e nem sequer iniciativa para aproveitar o cruzamento rasteiro, perfeito, de Gilberto. E o Braga acabou até por rematar mais vezes que o Benfica, mesmo sem nunca acertar na baliza de Vlachodimos, que nem uma defesa fez em toda a primeira parte. 

Não fosse a mão de Vertonghen e o jogo não dava em nada. Mas Vertonghen tem mão. Também tem azar,  e também joga mal. Tão mal como hoje, é que nunca vi. A mão é que vem antes de tudo.

Ia a primeira parte a meio quando, num canto, Vertonghen marcou o golo que poderia - ou talvez não, já vimos tanta coisa - dar outro caminho ao jogo. O Hugo Miguel, lá no VAR, viu que a bola lhe raspou na mão. A mão que tinha encostadinha à barriga, mas é o que a lei diz. Quando é golo, tudo o que se sabe sobre a mão não vale de nada.

Logo a seguir, a mesma mão do capitão da selecção belga, que saltava nas alturas a cortar uma bola, e já não a podia ter encostada à barriga, tocou ao de leve no cabelo do Ricardo Horta, cá em baixo, apenas preocupado em empurrar-lhe ... os calcanhares. E o bom do Ricardo Horta, que dizem por aí que é benfiquista do coração e que está para ser contratado, caiu a rebolar-se agarrado à cara. E não foi só dessa vez que tentou enganar - o árbitro, os benfiquistas e até os braguistas.

Luís Godinho, chamou-lhe um figo - assinalou falta, ali em cima da linha da grande área, e mostrou o amarelo ao defesa do Benfica, o quinto. Foi incompetente. Mas não tanto quanto Vlachodimos, que deixou entrar na baliza a bola rematada pelo Yuri na cobrança do pontapé livre. Ah... um livre ali, em zona frontal e mesmo a queimar a linha da grande área, tem boas probabilidade de dar em golo. É verdade. Grandes executantes conseguem fazer a bola contornar a barreira e enfiar-se no cantinho do lado contrário ao do guarda-redes. Só que não foi assim. Foi um remate rasteiro justamente para o único lado que podia ir. Aquele onde estava Vlachodimos.

E lá ficou o Braga a ganhar. Com a incompetência do Luís Godinho e do Vlachodimos, mas sem a mão de Vertonghen era o Benfica que estaria a ganhar. E lá continuou tudo na mesma, até ao fim da primeira parte.

Só mudou na segunda. E como mudou ... Ao intervalo, Nelson Veríssimo tirou Everton e Gonçalo Ramos, para fazer entrar Darwin e .... João Mário. Lembram-se dele? O Yaremchuck continuou por lá, a fazer não se sabe bem o quê. Nem ele saberá. Carvalhal trocou só o Abel Ruiz pelo Vitinha, e acertou. E foi a desgraça. Seguiu-se meia hora tenebrosa. Ninguém ganhava uma bola, e ouviram-se até olés na Pedreira. Ainda o primeiro quarto de hora se não tinha esgotado e os irmãos Horta fizeram o que quiseram da defesa do Benfica, com o André a entrar com a bola pela baliza dentro. Não festejou. Foi só cínico.

A perder por dois, Veríssimo fez entrar Seferovic, Paulo Bernardo e Diogo Gonçalves, tirando Yaremchuk (finalmente), Meité e o desgraçado do Vertonghen, recuando Weigl para o eixo da defesa. Mas nem isso mudaria o jogo, parecia até aumentar o risco de um resultado ainda mais penoso. O que mudou o jogo foi um penálti, essa raridade, que só não caiu do céu porque veio pela mão do André Horta, a desviar uma bola que lhe fugia da coxa.

Darwin converteu-o, e aí sim. O jogo mudou. A equipa acreditou, foi para cima do adversário, e bastaram três minutos para empatar o jogo, por João Mário, assistido pelo Darwin. Acreditou-se então na vitória. O jogo só terminaria 20 minutos depois e, chegados ali, já nada pararia a avalanche do Benfica. 

Nada disso. O Braga já lhe tinha tomado o pulso, e já não tinha medo. Não foi o Braga que nem deixou saborear o golo de João Mário. Foi mais uma vez a equipa. O Braga só fez o que lhe competia - não ajoelhar. A bola foi ao centro e daí praticamente para o remate espontâneo, mas fácil, de Vitinha. Que Vlachodimos defendeu para canto, só porque não estava suficientemente concentrado para fazer melhor. Do canto, a bola ressaltou na costas do Gilberto e ia para sair pela linha lateral do lado contrário quando o AL Musrati a foi tranquilamente buscar para a colocar no lado oposto, para o Vitinha, completamente sozinho na pequena área, nas barbas de Vlachodimos, marcar um golo fácil.

Faltavam 11 minutos para os 90, a que se seguiram mais 7 de descontos. Muito tempo - 18 minutos - mas o Braga regressou à fórmula da primeira parte. Os jogadores do Benfica quiseram, mas não puderam. 

Se ainda havia quem pensasse no apuramento directo para a Champions, já não há. Acabou. Uma equipa que não consegue ganhar três jogos consecutivos não pode aspirar aos lugares da frente de qualquer campeonato minimamente competitivo. Dá para terceiro porque é em Portugal. E porque o quarto também não tem primado pela regularidade. E porque o quinto é o Gil Vicente.

Noite de redenção. Também de ressurreição?

Há noites assim! Em que da mais profunda escuridão emergem raios de luz que a tornam surpreendentemente luminosa, e tão radiante como o mais belo dia de sol.

Foi uma dessas, esta noite da Luz. E de luz.

O Benfica estava perdido na noite escura. Depois de perder a liderança, há uma semana, tinha-se seguido mas uma noite negra em Munique. Seguiram-se fantasmas. Talvez  menos fantasmas do que se quer fazer crer. E seguia-se o Braga  Que, avivava outros fantasmas. Os das duas últimas épocas, cujos desastres tinham justamente começado com o Braga. A penúltima, quando os 7 pontos de vantagem se esfumaram num ápice, com a derrota no Dragão, logo seguida, na Luz, com outra. Com o Braga, de Rúben Amorim. Na última, tudo começou com a derrota no Bessa. E de novo, logo a seguir, novamente com o Braga, agora de Carvalhal. Depois, a derrota na final da Taça, quando parecia que a equipa vinha em recuperação na parte final de temporada, e poderia de alguma forma redimir-se com a conquista daquele que poderia ser o único troféu da época.

O Braga era mais um fantasma, em cima dos fantasmas da semana. E nem a águia Vitória augurava nada de bom. Teimava em não cumprir a sua função, e mesmo depois de finalmente ter pousado no seu sítio resolveu insubordinar-se também, regressando fugidia ao voo.

O jogo começou com o golo do Benfica. Um golo improvável, de Grimaldo ... de cabeça. Mas nem isso afastava os fantasmas da noite, o mesmo acontecera há uma semana no Estoril, e tinha dado no que deu. Até porque o golo não assustou nada o Braga, que vinha decidido a jogar com os fantasmas da Luz. E, sempre com uma pressão muito alta, não deixando os jogadores do Benfica respirar, tomou conta do jogo. Empatou dez minutos depois, e manteve-se a querer mandar em tudo o que acontecia no relvado. E o Benfica parecia o mesmo dos últimos jogos - sem ideias, sem confiança, e sem se conseguir impor ao melhor futebol do Braga. Para agravar as coisas João Mário lesionou-se. E para que se complicassem ainda mais a sua substituição arrastou-se por longos minutos, sem ninguém perceber porquê. Para que tudo corresse ainda pior sucedeu-se, logo a seguir, a lesão - grave ao que parece - de Lucas Veríssimo.

As coisas estavam a correr bem aos bracarenses. Tão bem não tinham dúvidas em fazer dos fantasmas uma estratégia de jogo e, da ambição, soberba. Foi-lhes fatal!

Aos 37 minutos, quando o Braga estava claramente por cima do jogo, o Benfica marcou. Num contra-ataque, Grimaldo - outra vez - rematou forte, no segundo remate do Benfica à baliza . O guarda-redes, Matheus, fez uma grande defesa, mas permitiu a recarga a Darwin, para o golo. O Braga continuou a acreditar em fantasmas, e a expor-se da mesma maneira. Bastaram 10 minutos a Rafa para desbaratar a defesa bracarense, com dois golos. O último já em cima do intervalo, que chegaria com um tão expressivo quanto inesperado 4-1, e com a equipa bracarense já de rastos.

A segunda parte foi então tempo do Benfica atingir fases de grande brilhantismo. As coisas saíam bem, como tinham saído bem as substituições dos infortunados lesionados.  Paulo Bernardo estreou-se, na Luz e no campeonato, depois daqueles 12 minutos em Munique, em que mais parecia ter sido lançado às feras. E que bem jogou o miúdo! E Mourato voltou a confirmar fiabilidade.

E foi tempo de redenção de Everton, que depois de ter assistido Rafa para os seus dois golos, na primeira parte, em sete minutos fez ele próprio dois golos. O primeiro, logo aos 52 minutos,  igualzinho ao primeiro de Rafa - sentando um adversário na área - mas ainda com mais classe na conclusão. E o segundo sete minutos depois, com assistência de Grimaldo.

Em pouco mais de vinte minutos de jogo, o Benfica fazia cinco golos. Faltava mais de meia hora para o final do jogo, e não se sabia onde iria parar o marcador. Afinal parara ali, no 6-1. O Braga juntou-se à frente da sua grande área, para que não se agravasse a goleada a que a sua ambição o condenara, e o Benfica não confirmou em ataque continuado a eficácia que conseguira em contra-ataque. Não terá exactamente levantado o pé, mas o espaço para jogar já não era o mesmo. E, por muito que tudo tenha corrido bem, nada de fundamental tinha mudado. Intensidade no ataque continuado, aquilo a que chamamos asfixiar o adversário em cima da sua grande área, continua ausente do futebol da equipa.

No fim, para além da goleada e dos momentos de bom futebol em transição rápida, fica a redenção de Everton. E provavelmente, dois mil anos depois, a ressurreição de Jesus. Há dois mil anos, diz-se que foi por 40 dias...

 

Zero. Bola, como ele gosta dizer...

 

Aí está. Nem a Taça. Que não salvava coisa nenhuma, mas anestesiava alguma coisa.
 
Pela segunda vez consecutiva em Coimbra, pela segunda vez consecutiva o Benfica a perdeu. Desta vez a somar a tudo o que perdeu nesta época, prometida de arrasadora. Mais uma vez a equipa, e principalmente Jorge Jesus, falha quando não pode falhar. 
 
Sabia-se que esta era a Taça do tudo ou nada. Também para o Braga, e percebeu-se que Carlos Carvalhal, que voltou a dar um banho a Jesus - em quatro jogos ganhou-lhe três, dois deles decisivos - tinha esta final bem preparada. De Jorge Jesus só se tinha percebido a basófia do costume.
 
Claro que há as contingências do jogo. E há contingências que não são assim tão contingenciais. Na verdade as arbitragens de Nuno Almeida nesta época nos jogos do Benfica não são meras contingências. A verdade é que esta época o árbitro algarvio arrumou o Benfica em todos os jogos que arbitrou.
 
Neste fê-lo no fim do primeiro quarto de hora de jogo, de um jogo que estava amarrado, e ainda muito indefinido. Ao primeiro - de muitos - erros defensivos do Benfica, sucede o decisivo erro do árbitro, expulsando o guarda-redes Helton Leite, quando nenhuma imagem confirma que tenha sequer tocado no Abel Ruiz, que também não estava em condições de seguir para a baliza e fazer golo.
 
E o Braga ficava bem cedo a jogar com mais um. E se tinha preparado bem esta final, melhor tinha preparado este jogo, com aquele treino de há umas semanas com o Sporting. Que lhe tinha bem saído bem mal, mas ficou o treino.
 
O Benfica não fez como o Sporting. E daí tirou o Braga mais proveito ainda. Passados os primeiros minutos, o Benfica passou a querer jogar de igual para igual. E a verdade é que não só equilibrou o jogo como, já nos primeiros dois minutos de compensação na primeira parte criou duas oportunidades claras de golo. Só que no terceiro, na última jogada, num inofensivo corte de cabeça de um defesa do Braga, Vlachodimos e Vertonghen entregam a bola a Piazon, que se limitou, com classe, a meter a bola na baliza.
 
Em superioridade numérica, e com o tónico do golo em cima do intervalo, o Braga estava nas suas sete quintas. E no primeiro quarto de hora da segunda parte só não fez mais dois ou três golos porque não calhou. E controlou sempre o jogo porque, do lado do Benfica, nada era feito para mudar o rumo dos acontecimentos. O treinador que mais Taças de Portugal perdeu em Portugal - ganhou apenas uma - até fez as substituições que pareciam as indicadas, mas não mudou nada. 
 
O pecado maior, de todo incompreensível, era a equipa, com menos um jogador, insistir em sair a jogar da sua área. Pensava-se que, com a entrada de Darwin, que garante outra profundidade ao ataque, esse pecado seria expiado, e que o Benfica passasse a explorar essa oportunidade, pudesse fugir à natural pressão alta do Braga, roubar  comodidade ao adversário, e discutir o jogo em moldes diferentes. Mas não. Continuou sempre a insistir em sair com a bola de trás, e a perdê-la, na maioria das vezes, ainda no seu meio campo. 
 
Foi tão sempre assim, que foi até assim que o Braga marcou o segundo golo, já no fim do jogo. Que acabou mal, e feio. Com a expulsão de Taarabt. E de Piazon. Mas não de Eduardo, o antigo guarda-redes do Braga - e até do Benfica - que provocou tudo (e provocou todos durante quase todo o jogo) e foi depois escondido.
 
Mas isto são as contingências. O que se passa no Benfica é que, infelizmente, não é acidental. Se tudo se mantiver na mesma, o que quer dizer com os mesmos, na próxima época cá estaremos para ainda pior que o mesmo. Insistir na incapacidade de Jorge Jesus, um treinador de outro tempo, esgotado e ultrapassado, mas sempre arrogante, e na incompetência - para não dizer mais - de Vieira, Rui Costa e restante corte, é acreditar que os mesmos erros,  nas mesmas circunstâncias, não produzem os mesmos resultados. 
 
Mas talvez ainda haja muita gente que não acredita nas leis da física…
 
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Em estado de recuperação

 

Era a jornada de manifestação contra o racismo, uma luta que infelizmente continua a justificar-se. Em vez do nome, os jogadores ostentavam nas costas "racismo não". Não os de todas as equipas, a equipa do desordeiro - espero sentado pelas reacções da Liga à pouca vergonha de Portimão - não participou nesta manifestação. Dali não dá para esperar manifestações de desportivismo, fair play e outras coisas da educação e do civismo, como se tem visto. Apenas grosseria, deselegância e faltas de respeito!
 
Mas era também a jornada decisiva para o Benfica, com esta deslocação a Braga de grande expectativa. Desde logo porque era decisiva, não ganhando este jogo o Benfica ficaria decisivamente arredado da luta por um lugar de acesso à Champions, com tudo o que isso representa. Mas também para aquilatar se a equipa está realmente em recuperação. Era a prova do algodão, como aqui dissera a semana passada.
 
Este jogo de Braga disse que  - o algodão não engana - o Benfica está em recuperação. Não se pode dizer que esteja recuperado, porque esta época já não tem recuperação possível. Este estado de "em recuperação" já só dá para acalentar esperanças para o segundo lugar e para a Taça.
 
O Benfica entrou bem no jogo, de novo com três centrais e com os jogadores confiantes, a jogar bem. E sempre por cima do Braga. A princípio chegou a parecer que seria um jogo sem balizas, com ambas as equipas a trocarem bem bola, e com boas dinâmicas de jogo, mas sem remates. Ideia que só a partir de meio da primeira parte começou a ser contrariada, mesmo que o primeiro remate tenha surgido aos 7 minutos, e com ele a primeira oportunidade de golo. Para o Benfica, claro. Grimaldi, isolado, permitiu a defesa a Matheus. Porque não rematou de primeira, como devia, e como Rafa, a assistência de Seferovic, fez a fechar a primeira parte, no primeiro golo. 
 
O meio da primeira parte não trouxe apenas os remates. Trouxe também o remake de um facto histórico, com o árbitro Luís Pinheiro a assinalar um penalti a favor do Benfica, infringindo a lei, e com o VAR a voltar a impedir essa infracção. Exactamente como há uma semana. Então o VAR inventou que a falta se marca onde se inicia, e não onde acaba. Agora, com a ajuda das linhas manhosas, inventou um fora de jogo de 10 centímetros a Seferovic, que nem as imagens nem as linhas confirmam. Portanto, tudo normal - não há penaltis a favor do Benfica!
 
Com a expulsão de Fransérgio, com segundo amarelo, a cinco minutos do fim da primeira parte, a superioridade que o Benfica vinha demonstrando acentuou-se ainda mais. Naturalmente, mesmo que o Braga se tenha sempre batido bem.
 
Na segunda parte o tom do jogo manteve-se, e cedo, logo aos 56 minutos o Benfica chegou ao segundo golo, por Seferovic, agora com troca de papéis com Rafa. E fechou o resultado, porque o guarda-redes bracarense negou mais dois ou três golos (a  defesa ao espectacular remate de cabeça de Sefeverovic, aos 67 minutos é de outro mundo). Porque Waldschmidt, Seferovic, Rafa, Taarabt e Pizzi desperdiçaram excelentes ocasiões. Mas também porque num livre de João Novais a bola bateu na barra, sem que Helton Leite pudesse fazer grande coisa para evitar o golo, na segunda e última oportunidade do Braga em todo o jogo.
 
De resto, do jogo, para além da vitória e da subida ao terceiro lugar, ficam três notas. Duas positivas, e uma negativa. A segurança defensiva - o quinto jogo consecutivo sem sofrer golos - e a forma como a equipa controlou o jogo - e o resultado - com bola (contra 10 é mais fácil, bem sei!) contra uma das equipas que melhor sabe estar em campo. Pela negativa, o velho problema da linha de fundo. A equipa continua sem chegar à linha final para cruzar. Neste jogo só lá chegou por uma vez, por Grimaldi. Mas, la chegado, logo a bola voltou para trás. Porque a equipa não está mecanizada para este tipo de lances, fundamentais e decisivos num jogo de futebol.
 
Não está a arrasar, nem lá chegará. Mas está a correr bem. Defender bem impede que o adversário marque na primeira vez que chega à baliza, como acontecia há uns meses, e isso ajuda muito. Vamos a ver se esta paragem para os compromissos das selecções não vai estragar…

Sorte a azar

A BOLA - SC Braga – Benfica DIRETO (Taça da Liga)

Foi em condições muito difíceis que o Benfica chegou a Leiria para disputar esta meia final da Taça da Liga, como é igualmente difícil o cenário que se avizinha para os próximos jogos, no campeonato e na Taça de Portugal. A pandemia, que aterroriza o mundo, e em particular o nosso país, e que no futebol, como, bem, disse ontem o presidente do Sporting, se transformou numa questão de azar, atingiu fortemente toda a equipa, roubando-lhe sete jogadores dos habituais titulares, e espalhando-se por todo o staf técnico.
 
Tem razão o presidente do Sporting. A pandemia, no futebol nacional, é uma questão de azar. E como o azar de uns é a sorte de outros... A do Porto, por exemplo, que na sexta-feira passada jogou com jogadores livres de covid que, no dia seguinte, estavam infectados. E, por sorte, os que mais precisavam de descansar. Por azar, os sete jogadores do Benfica e os elementos da equipa técnica que participaram nesse jogo, ficaram depois infectados. Por sorte e azar os laboratório que a Liga seleccionou para efectuar os testes é o que é, e dirigido por quem é. 
 
Às dificuldades de uma semana sem treinar, de ter que se apresentar sem sete titulares, com uma defesa toda remendada, com jogadores que nunca tinham jogado juntos, e com uma equipa técnica reduzida ao treinador principal, somavam-se as de defrontar a equipa que melhor futebol tem apresentado em Portugal, a mais mecanizada de todas, e a de processos de jogo mais consolidados.
 
Tarefa complicada, pois. Para minimizar os problemas da defesa, Jorge Jesus, que prefere Todibo (vá lá perceber-se por quê, até porque esteve o tempo todo a tentar corrigi-lo) a Ferro, que até já jogou muitas vezes com  o capitão Jardel, acrescentou-lhe Weigl. E a coisa até parecia funcionar, porque o alemão está a atravessar um bom momento, e a confirmar finalmente que tem condições para ser, no Benfica, o grande jogador que promete ser.
 
No arranque da partida o Braga quis confirmar as suas próprias qualidades e as dificuldades do Benfica. Entrou a querer mandar no jogo, e nos primeiros (sete) minutos fez parecer que o conseguia. Foi sol de pouca dura, como é próprio da altura. A partir daí o Benfica tomou conta do jogo, e virou o feitiço contra o feiticeiro. 
 
Era o Benfica que jogava e que criava oportunidades. O Braga resignava-se a espreitar o contra-ataque, em que por duas vezes criou situações de perigo para a baliza de Helton Leite. Só que, na sequência de um livre curto, à beira da meia hora, chegou ao golo. Ricardo Horta recebeu a bola sem marcação e cruzou-a para a área e... primeira falha da defesa do Benfica. Falha no posicionamento e falha na marcação. O Braga colocou três jogadores no sítio onde a bola iria cair, sem nenhum defesa a marcá-los. Dois em posição de fora de jogo, e o terceiro, Abel Ruiz, colocado em jogo por Todibo, que ficou para trás.
 
O Benfica reagiu bem, e o Braga continuou a defender bem, o que não impedia no entanto que as oportunidades de golo continuassem a surgir. A mais clara acabou num excelente remate de Darwin, devolvido pelo poste. As outras iam sendo resolvidas por São Matheus, que em vez de se dedicar aos evangelhos dedicou-se aos milagres. O empate acabaria por surgir já muito perto do final da primeira parte, num penalti (aleluia!) claro, convertido com classe por Pizzi.
 
Do mal, o menos. 
 
A segunda parte foi de nível bem inferior. Logo de entrada Matheus fez mais um milagre, ao evitar novo golo de Pizzi. E pouco depois, mais do mesmo. Quase a papel químico do primeiro, o Braga voltou a marcar. Canto da esquerda, Helton Leite desfaz o cruzamento com uma palmada e a bola foi parar direitinha aos melhores pés do Braga. Esses, de Ricardo Horta que, sem parecer, é dos melhores entre os melhores jogadores do nosso futebol. E claro, novo erro de marcação e de posicionamento. com os mesmos autores. É novamente Todibo que coloca em jogo David Carmo, adiantado a Jardel, que bem se esforçou, ainda raspou com a cabeça na bola, mas não consegui evitar que o defesa bracarense lhe acertasse em cheio. 
 
Estava-se em cima do primeiro quarto de hora, com muito tempo ainda para que o Benfica reagisse. Jorge jesus deu então início às substituições. Três de uma vez. Uma para trocar o infeliz (ou incompetente, saber jogar a bola é muito curto para um central, confirmou-se hoje) Todibo por Ferro. Outra para tirar Rafa (por Pedrinho) que estava a ser, como é geralmente, o maior desequilibrado. E outra para trocar Seferovic por Everton, deixando Darwin sozinho na frente de ataque. Taarabt, esse, continuou lá. A fazer o que sempre faz. Nada. À espera de ser trocado por Chiquinho, de igual rendimento.
 
E o muito tempo que faltava foi passando, com a defesa do Braga a chegar perfeitamente para as encomendas. 
 
E assim acabou um jogo em que não ganhou quem jogou mais. Não ganhou quem mais oportunidades de golo criou. Nem talvez tenha ganho quem mais quis ganhar, porque não se viu falta de vontade nos jogadores do Benfica. Nem ganhou quem mais atacou. Ganhou quem melhor defendeu!
 
Foi a defesa do Braga que ganhou e a do Benfica que perdeu. A defesa bracarense ganhou todas as bolas altas na sua área. A defesa remendada do Benfica não ganhou nenhuma. O guarda-redes do Braga fez quatro ou cinco defesas de golo. O do Benfica fez uma, e já em cima dos noventa minutos.
 
Por isso se percebe que o título não tem nada a ver com o jogo. Nem com o Benfica ter perdido o hábito de ganhar a  Taça da Liga. Tem a ver com o resto!
 
 

Já não há milagres

Jorge Jesus

 

Já vimos este filme. Oito meses, e cem milhões de euros depois, está em reposição na Luz. As cenas iniciais são de reposição pura: derrota no Porto, logo seguida de igual desaire na Luz, com o Braga. O resto, mesmo que o guião falasse de jogar o triplo, e de arrasar, já conhecemos, e sabemos que não tem final feliz.

Este foi o terceiro jogo consecutivo em que o Benfica sofreu três golos, em menos de uma semana. Que resultaram em duas derrotas, no campeonato. A terceira, na Liga Europa, foi evitada por um milagre. E milagres há poucos.

O Benfica tem melhores jogadores que os adversários. Mas nunca foi capaz de ter melhor equipa que qualquer deles. Pior, fez sempre parecer que os adversários tinham melhores jogadores. Quando assim é, quando os jogadores parecem piores do que são, jogam menos que aquilo de que são capazes, a culpa casa sempre com o treinador. Não morre solteira.

Na primeira parte do jogo desta noite na Luz a equipa voltou a ser arrasada. O Braga fez ao Benfica o que já todos os adversários já fazem: roubam-lhe os espaços à frente, e assaltam-lhe o espaço lá atrás. Exactamente como na segunda volta da época passada. Então, a equipa que jogava menos de um terço desta, não tinha plano B, e os jogadores ficavam perdidos em campo. Agora acontece precisamente o mesmo. Só que agora o homem do plano é o mestre da táctica, pago a peso de ouro.

O Braga só precisou de dois remates para marcar. Um foi para as nuvens, e só por isso não deu golo. E nem assim se pode dizer que o resultado ao intervalo fosse injustificado. Porque dominou tacticamente o jogo como quis.

O arranque da segunda parte, mesmo com duas substituições (a novidade Samaris por Grabriel, e o inexistente Everton, por Seferovic), mostrou que nada mudara. Até porque logo o Braga fez o segundo golo. O terceiro, numa falha que envergonharia qualquer miúdo a jogar à bola na rua - se é que anda há disso - chegou por volta da hora de jogo. Só a partir daí a equipa deu mostras de sobressalto. Mas só isso, os jogadores sobressaltaram-de e correram um pouco mais.

Fez dois golos, ambos por Seferovic - who else? Que ainda fez o terceiro, mas em fora de jogo, no último minuto - mas não voltou a haver milagre.

E começa a parecer que só um milagre salva este Benfica. Mas isso não é com este Jesus ... E o Outro é do tempo em que ainda não havia futebol.

 

 

"As grandes equipas não perdem dois jogos seguidos"

Braga vence Benfica na Luz, 65 anos depois, e pode deixar FC Porto a um ponto da liderança

 

O Benfica regressou hoje á Luz, cheia que nem um ovo para ouvir a equipa  dizer que aquilo de sábado já tinha passado, e que iria retomar o rumo vitorioso que seguira durante dezassete jornadas. Pela frente o sensacional Braga do sensacional Rúben Amorim. O mesmo Braga que os rivais insinuam que estende a passadeira ao Benfica.

Logo que o árbitro Hugo Miguel - pela segunda vez em duas semanas na Luz - apitou pela primeira vez o Braga tratou de mostrar que vinha à Luz para jogar à bola e que vinha cheio de confiança, como seria de esperar. Nos primeiros quatro ou cinco minutos parecia que a bola estava apaixonada pelos jogadores do Braga, não os largava e não queria nada com os do Benfica. 

À passagem dos cinco minutos as coisas mudaram, o Benfica pegou no jogo e partiu para uma boa exibição, a prometer fazer na partida aquilo que ultimamente tem feito nos jogos com este adversário. O mote foi dado por Rafa, numa belíssima jogada que deixou a Luz a ver o golo. Sozinho à frente do guarda-redes bracarense desviou-lhe a bola para a baliza, mas esta acabou por sair uns centímetros ao lado do poste direito.

Com esta oportunidade de golo o Benfica partiu para 40 minutos de bom nível, criando e desperdiçando oportunidades de golo. Não quer isto dizer que o jogo tivesse sentido único. Nada disso, o Braga esteve sempre dentro do jogo, e contribuiu sempre para o excelente espectáculo de futebol a que se estava a assistir. Só que, em oportunidades de golo, só dava Benfica.

Esgotados os 45 minutos, já com os dois de compensação dados pelo árbitro a decorrer, o Braga cria a sua primeira oportunidade para marcar. Vlochodimos brilhou pela primeira vez e negou o golo a Fransérgio. Só que, do canto, entre Rúben Dias e Ferro, Palhinha saltou mais alto e marcou.

Injustiça no marcador ao intervalo. Pois, mas sabe-se que o jogo é assim. Não foi a primeira vez, nem será a última, que uma equipa cria uma série de oprtunidades e não marca; e que a outra aproveita a única que tem.

O golo do Braga foi um balde de água gelada que caiu sobre a Luz. Como a equipa de Rúben Amorim estava a jogar, com grande acerto defensivo, com a defesa muito subida e colocando os avançados do Benfica facilmente em fora de jogo, e com a facilidade com que saía para o contra-ataque, percebia-se que não seria tarefa fácil virar o resultado.

Mas as grandes equipas não perdem duas vezes seguidas, não é?.

Pois, mas aquele empate em Famalicão é que tinha vindo a seguir à derrota... Não importa, as grandes equipas não perdem dois jogos seguidos para o campeonato. E esta era a crença a que a Luz se queria agarrar ao intervalo.

O Benfica entrou bem na segunda parte, a querer alimentar a fé dos adeptos. E tudo seria provavelmente diferente se o remate de Vinícius, logo aos 4 minutos, tivesse batido na rede em vez de no poste. Percebeu-se aí que, definitivamente, a equipa não estava com aquela pontinha de sorte que era indispensável para ganhar a este Braga. Mesmo que ainda se tivessem sucedido mais duas grandes oportunidades de golo, dez e vinte minutos depois, (Rafa e Pizzi) o futebol do Benfica entrou em rampa descendente, acabando praticamente nessa grande jogada de Pizzi, aos 69 minutos. 

Quando se diz que as grandes equipas não perdem duas vezes seguidas quer-se dizer que não cometem os mesmos erros duas vezes seguidas. E foi isto que Bruno Lage não conseguiu evitar ao repetir as mesmas três substituições do Dragão. Seferovic, está por demais visto, não vale a pena. E três pontas de lança a atrapalharem-se na frente, sem saber o que fazer e sem gente para lá fazer chegar a bola, é um disparate sem pés nem cabeça.

E por isso a segunda parte acabou por servir apenas para justificar um resultado que ao intervalo era terrivelmente injusto. O Benfica acabou por ter mais oportunidades de golo, mas isso deveu-se apenas à imensa vantagem que trouxera da primeira parte. O Braga acabou mais e melhores remates e por se superiorizar em todas as restantes variáveis do jogo.

E fica a sensação que com a insistência nos mesmos erros, a cheirar a teimosia, Bruno Lage está a criar um Benfica à Rui Vitória ... a precisar de um Bruno Lage. Veremos se vem a tempo de evitar a  eminente tragédia de entregar o campeonato ao Porto!

Perder seis dos 7 pontos de vantagem em apenas dois jogos é simplesmente inacreditável.

A arbitragem foi o costume. Cumpriu a regra: na dúvida sempre contra o Benfica. Mesmo que, verdadeiramente grave e com impacto directo no jogo, "apenas" haja que registar, os 23 minutos,  o cartão vermelho por mostrar a um defesa do Braga por "ceifar" Rafa num ataque prometedor. Mas, como se costuma dizer, não foi pelo árbitro...

 

 

Apuramento natural num jogo complicado

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Este jogo dos oitavos de final da Taça de Portugal, na Luz, com o Braga, estava cheio de expectativas mentirosas. Os últimos resultados, e as últimas exibições, das duas equipas podiam levar a perspectivar um jogo fácil para o Benfica. 

Não era apenas a prudência a aconselhar que não se levasse isso em conta. É que o Braga não tem só um bom plantel, tem o plantel mais equilibrado do nosso futebol. Não será certamente o melhor, mas é aquele onde a valia individual dos jogadores é mais homogénea, onde as diferentes posições são desempenhadas por diferentes jogadores de valor muito idêntico, como Sá Pinto tem demonstrado. Até na baliza, onde, em cinco meses de comeptições, já utilizou com regularidade os três guarda-redes.

Acresce ainda que, e também já mais que demonstrado, o Braga sente-se muito mais confortável, e revela outros argumentos, quando é obrigado a defender-se, a juntar-se próximo da sua área, com os olhos postos no espaço livre no meio campo contrário. E pode juntar-se ainda algum tipo de superstição: faz hoje precisamente cinco anos, também nos oitavos de final da Taça, e também quando o Benfica estava muito por cima, o Braga ganhou por 2-1; e com o mesmo árbitro: Soares Dias, um verdadeiro artista.

O jogo confirmaria tudo isto. Bruno Lage só não repetiu o onze que tão boa conta de si vem dando porque fez jogar o russo Zlobin na baliza. Manteve os dez de campo, enquanto Sá Pinto rodou seis jogadores, o que lhe garantiu desde logo uma equipa mais fresca, como se viria a notar lá mais para o fim do jogo, particularmente nos últimos vinte minutos.

O Benfica entrou com o seu ritmo de jogo habitual nas últimas semanas, e tomou conta do jogo. Nem sempre teve o fulgor dos últimos jogos, e alguns jogadores estiveram um pouco abaixo do que têm feito (Cervi foi o caso mais notório, mas não foi único) mas sem nunca sair de níveis de qualidade muito aceitáveis. Nem a infelicidade do auto-golo de Ferro, ainda na fase inicial do jogo, fez a equipa oscilar. E cinco minutos depois Pizzi - pois claro - repôs a igualdade. 

Oportunidades não faltaram para concluir a reviravolta. Entre elas o remate de Chiquinho ao poste, aos 40 minutos, e o resultado, sem nada a ver com o que se tinha passado, manter-se-ia até ao intervalo.

O Benfica voltou a entrar bem. Quando pouco depois do primeiro quarto de hora Vinícius, com alguma ajuda do Tiago Sá, o jovem guarda-redes bracarense agora titular, fez o golo que seria o da vitória, já a equipa tinha desperdiçado duas boas oportunidades para marcar. 

O golo não alterou nada do que estava a ser o jogo. Dez minutos depois, sim. O jogo alterou-se, o Braga cresceu um bocadinho, chegou a marcar, mas com o marcador Paulinho em fora de jogo, e dispôs de outra boa oportunidade, pelo mesmo jogador. Só que, ao subir no terreno, deixou espaço ao Benfica que, mesmo em evidentes dificuldades físicas, criou variadas e claras oportunidades para chegar ao terceiro. E já dentro dos cinco minutos de compensação foi o Benfica que dispôs das duas mais claras oportunidades de golo de todo o jogo - de baliza aberta.

O Benfica ganhou bem e segue com toda a naturalidade para os quartos de final da Taça (querem ver que vem aí o Canelas?). Mas o jogo foi complicado, e mais complicado ainda pelo inevitável Soares Dias. Um artista, sempre!

Sem xistradas

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Depois da derrota da semana passada, ainda por digerir, o Benfica tinha hoje uma deslocação a Braga, sempre difícil, ao contrário do que alguns por aí gostam de dizer. E que o Benfica tem sabido, nos últimos anos, parecer fácil. Como hoje voltou a acontecer, a jogar contra um grande Braga, como tinha deixado patente há duas semanas em Alvalade, e há quatro dias, em Moscovo. Sem que ninguém lho facilite, jogando contra um adversário completo e inteiro. Sem que lhe seja dada a benesse de jogar contra dez desde os primeiros segundos do jogo, ou contra nove, se e quando o jogo pudesse começar a ficar complicado. Sem xistradas!

O Benfica entrou muito bem no jogo Os primeiros sinais foram de uma equipa confiante, fiel ao seu modelo de jogo e pronta a instalar o seu futebol de qualidade no relvado. Pouco depois dos primeiros momentos do jogo o Braga começou a engasgar o futebol dos campeões nacionais, passando a jogar com pressão sobre os jogadores adversários em todas as zonas do campo, a começar mesmo em cima da área benfiquista. Foi no entanto sol de pouca dura, porque rapidamente o Benfica tomou conta do meio campo - com Taarabt e Florentino em grande plano - e do jogo. Que poderia ter ficado resolvido na primeira parte, com ocasiões suficientes para chegar ao intervalo com uma goleada, apenas retardada porque os dois avançados do Benfica continuam de costas voltadas para o golo, falhando sucessivamente aquilo a que se chama "golos feitos". Uma mala-pata que certamente um dia destes vai acabar.

O golo único da primeira parte, de Pizzi, de penálti, a meio desse período do jogo, foi muito pouco para as cinco ou seis oportunidades claras que o Benfica então criou. Contra uma única do Braga, num remate ao poste de Ricardo Horta, na sequência de um livre por uma das muitas faltas que o árbitro Nuno Almeida assinalava cada vez que Taarabt disputava uma bola. Com tanta convicção que até lhe deu um amarelo pela sucessão de faltas que só ele via.

Sá Pinto percebeu e sentiu esse domínio do Benfica e mexeu na equipa na entrada para a segunda parte, com duas substituições, tirando Galeno e Hassan e fazendo entrar Murillo e Rui Fonte.

Mas nem deu para ver no que dariam. O Benfica entrou para repor a verdade no marcador, e não deu qualquer hipótese de reacção ao Braga. E logo na de saída de bola, pegou nela e desenhou uma grande jogada de futebol, culminada no excelente cruzamento do regressado André Almeida - que falta tem feito naquela ala direita! - para uma não menos excelente desmarcação de Pizzi, concluída num grande golo.

Quatro minutos depois, ainda dentro dos primeiros 5 da segunda parte, o Benfica chegou ao terceiro. Mais uma bela jogada, com um grande trabalho de Seferovic, a dar o golo a RDT. Só que - está visto - ninguém quer que os avançados do Benfica marquem, e o Bruno Viana antecipou-se ao avançado espanhol, roubando-lhe o golo que tanto persegue. Exactamente como um quarto de hora depois, então a passe de Jota - que tinha entrado a substituir o avançado espanhol -, foi o Ricardo Esgaio a roubar o golo a Seferovic que fechou o resultado.

A partir daí, e quando se esperava que o novo trio de ataque - Jota, Vinícius e Caio - quisesse fazer miséria no resultado, o Benfica alternou espaços de asfixia sobre a baliza de Matheus com outros de clemência, acabando até por ser nesse período que Odysseas foi chamado a duas grandes defesas, mantendo a baliza a zeros.

No fim, fica mais um grande resultado - mesmo que escasso para as oportunidades criadas, e mesmo com os avançados de novo em branco - em mais uma visita ao Minho. E a forte convicção que na semana passada apenas aconteceu um acidente de percurso.

 

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