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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

"As grandes equipas não perdem dois jogos seguidos"

Braga vence Benfica na Luz, 65 anos depois, e pode deixar FC Porto a um ponto da liderança

 

O Benfica regressou hoje á Luz, cheia que nem um ovo para ouvir a equipa  dizer que aquilo de sábado já tinha passado, e que iria retomar o rumo vitorioso que seguira durante dezassete jornadas. Pela frente o sensacional Braga do sensacional Rúben Amorim. O mesmo Braga que os rivais insinuam que estende a passadeira ao Benfica.

Logo que o árbitro Hugo Miguel - pela segunda vez em duas semanas na Luz - apitou pela primeira vez o Braga tratou de mostrar que vinha à Luz para jogar à bola e que vinha cheio de confiança, como seria de esperar. Nos primeiros quatro ou cinco minutos parecia que a bola estava apaixonada pelos jogadores do Braga, não os largava e não queria nada com os do Benfica. 

À passagem dos cinco minutos as coisas mudaram, o Benfica pegou no jogo e partiu para uma boa exibição, a prometer fazer na partida aquilo que ultimamente tem feito nos jogos com este adversário. O mote foi dado por Rafa, numa belíssima jogada que deixou a Luz a ver o golo. Sozinho à frente do guarda-redes bracarense desviou-lhe a bola para a baliza, mas esta acabou por sair uns centímetros ao lado do poste direito.

Com esta oportunidade de golo o Benfica partiu para 40 minutos de bom nível, criando e desperdiçando oportunidades de golo. Não quer isto dizer que o jogo tivesse sentido único. Nada disso, o Braga esteve sempre dentro do jogo, e contribuiu sempre para o excelente espectáculo de futebol a que se estava a assistir. Só que, em oportunidades de golo, só dava Benfica.

Esgotados os 45 minutos, já com os dois de compensação dados pelo árbitro a decorrer, o Braga cria a sua primeira oportunidade para marcar. Vlochodimos brilhou pela primeira vez e negou o golo a Fransérgio. Só que, do canto, entre Rúben Dias e Ferro, Palhinha saltou mais alto e marcou.

Injustiça no marcador ao intervalo. Pois, mas sabe-se que o jogo é assim. Não foi a primeira vez, nem será a última, que uma equipa cria uma série de oprtunidades e não marca; e que a outra aproveita a única que tem.

O golo do Braga foi um balde de água gelada que caiu sobre a Luz. Como a equipa de Rúben Amorim estava a jogar, com grande acerto defensivo, com a defesa muito subida e colocando os avançados do Benfica facilmente em fora de jogo, e com a facilidade com que saía para o contra-ataque, percebia-se que não seria tarefa fácil virar o resultado.

Mas as grandes equipas não perdem duas vezes seguidas, não é?.

Pois, mas aquele empate em Famalicão é que tinha vindo a seguir à derrota... Não importa, as grandes equipas não perdem dois jogos seguidos para o campeonato. E esta era a crença a que a Luz se queria agarrar ao intervalo.

O Benfica entrou bem na segunda parte, a querer alimentar a fé dos adeptos. E tudo seria provavelmente diferente se o remate de Vinícius, logo aos 4 minutos, tivesse batido na rede em vez de no poste. Percebeu-se aí que, definitivamente, a equipa não estava com aquela pontinha de sorte que era indispensável para ganhar a este Braga. Mesmo que ainda se tivessem sucedido mais duas grandes oportunidades de golo, dez e vinte minutos depois, (Rafa e Pizzi) o futebol do Benfica entrou em rampa descendente, acabando praticamente nessa grande jogada de Pizzi, aos 69 minutos. 

Quando se diz que as grandes equipas não perdem duas vezes seguidas quer-se dizer que não cometem os mesmos erros duas vezes seguidas. E foi isto que Bruno Lage não conseguiu evitar ao repetir as mesmas três substituições do Dragão. Seferovic, está por demais visto, não vale a pena. E três pontas de lança a atrapalharem-se na frente, sem saber o que fazer e sem gente para lá fazer chegar a bola, é um disparate sem pés nem cabeça.

E por isso a segunda parte acabou por servir apenas para justificar um resultado que ao intervalo era terrivelmente injusto. O Benfica acabou por ter mais oportunidades de golo, mas isso deveu-se apenas à imensa vantagem que trouxera da primeira parte. O Braga acabou mais e melhores remates e por se superiorizar em todas as restantes variáveis do jogo.

E fica a sensação que com a insistência nos mesmos erros, a cheirar a teimosia, Bruno Lage está a criar um Benfica à Rui Vitória ... a precisar de um Bruno Lage. Veremos se vem a tempo de evitar a  eminente tragédia de entregar o campeonato ao Porto!

Perder seis dos 7 pontos de vantagem em apenas dois jogos é simplesmente inacreditável.

A arbitragem foi o costume. Cumpriu a regra: na dúvida sempre contra o Benfica. Mesmo que, verdadeiramente grave e com impacto directo no jogo, "apenas" haja que registar, os 23 minutos,  o cartão vermelho por mostrar a um defesa do Braga por "ceifar" Rafa num ataque prometedor. Mas, como se costuma dizer, não foi pelo árbitro...

 

 

Apuramento natural num jogo complicado

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Este jogo dos oitavos de final da Taça de Portugal, na Luz, com o Braga, estava cheio de expectativas mentirosas. Os últimos resultados, e as últimas exibições, das duas equipas podiam levar a perspectivar um jogo fácil para o Benfica. 

Não era apenas a prudência a aconselhar que não se levasse isso em conta. É que o Braga não tem só um bom plantel, tem o plantel mais equilibrado do nosso futebol. Não será certamente o melhor, mas é aquele onde a valia individual dos jogadores é mais homogénea, onde as diferentes posições são desempenhadas por diferentes jogadores de valor muito idêntico, como Sá Pinto tem demonstrado. Até na baliza, onde, em cinco meses de comeptições, já utilizou com regularidade os três guarda-redes.

Acresce ainda que, e também já mais que demonstrado, o Braga sente-se muito mais confortável, e revela outros argumentos, quando é obrigado a defender-se, a juntar-se próximo da sua área, com os olhos postos no espaço livre no meio campo contrário. E pode juntar-se ainda algum tipo de superstição: faz hoje precisamente cinco anos, também nos oitavos de final da Taça, e também quando o Benfica estava muito por cima, o Braga ganhou por 2-1; e com o mesmo árbitro: Soares Dias, um verdadeiro artista.

O jogo confirmaria tudo isto. Bruno Lage só não repetiu o onze que tão boa conta de si vem dando porque fez jogar o russo Zlobin na baliza. Manteve os dez de campo, enquanto Sá Pinto rodou seis jogadores, o que lhe garantiu desde logo uma equipa mais fresca, como se viria a notar lá mais para o fim do jogo, particularmente nos últimos vinte minutos.

O Benfica entrou com o seu ritmo de jogo habitual nas últimas semanas, e tomou conta do jogo. Nem sempre teve o fulgor dos últimos jogos, e alguns jogadores estiveram um pouco abaixo do que têm feito (Cervi foi o caso mais notório, mas não foi único) mas sem nunca sair de níveis de qualidade muito aceitáveis. Nem a infelicidade do auto-golo de Ferro, ainda na fase inicial do jogo, fez a equipa oscilar. E cinco minutos depois Pizzi - pois claro - repôs a igualdade. 

Oportunidades não faltaram para concluir a reviravolta. Entre elas o remate de Chiquinho ao poste, aos 40 minutos, e o resultado, sem nada a ver com o que se tinha passado, manter-se-ia até ao intervalo.

O Benfica voltou a entrar bem. Quando pouco depois do primeiro quarto de hora Vinícius, com alguma ajuda do Tiago Sá, o jovem guarda-redes bracarense agora titular, fez o golo que seria o da vitória, já a equipa tinha desperdiçado duas boas oportunidades para marcar. 

O golo não alterou nada do que estava a ser o jogo. Dez minutos depois, sim. O jogo alterou-se, o Braga cresceu um bocadinho, chegou a marcar, mas com o marcador Paulinho em fora de jogo, e dispôs de outra boa oportunidade, pelo mesmo jogador. Só que, ao subir no terreno, deixou espaço ao Benfica que, mesmo em evidentes dificuldades físicas, criou variadas e claras oportunidades para chegar ao terceiro. E já dentro dos cinco minutos de compensação foi o Benfica que dispôs das duas mais claras oportunidades de golo de todo o jogo - de baliza aberta.

O Benfica ganhou bem e segue com toda a naturalidade para os quartos de final da Taça (querem ver que vem aí o Canelas?). Mas o jogo foi complicado, e mais complicado ainda pelo inevitável Soares Dias. Um artista, sempre!

Sem xistradas

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Depois da derrota da semana passada, ainda por digerir, o Benfica tinha hoje uma deslocação a Braga, sempre difícil, ao contrário do que alguns por aí gostam de dizer. E que o Benfica tem sabido, nos últimos anos, parecer fácil. Como hoje voltou a acontecer, a jogar contra um grande Braga, como tinha deixado patente há duas semanas em Alvalade, e há quatro dias, em Moscovo. Sem que ninguém lho facilite, jogando contra um adversário completo e inteiro. Sem que lhe seja dada a benesse de jogar contra dez desde os primeiros segundos do jogo, ou contra nove, se e quando o jogo pudesse começar a ficar complicado. Sem xistradas!

O Benfica entrou muito bem no jogo Os primeiros sinais foram de uma equipa confiante, fiel ao seu modelo de jogo e pronta a instalar o seu futebol de qualidade no relvado. Pouco depois dos primeiros momentos do jogo o Braga começou a engasgar o futebol dos campeões nacionais, passando a jogar com pressão sobre os jogadores adversários em todas as zonas do campo, a começar mesmo em cima da área benfiquista. Foi no entanto sol de pouca dura, porque rapidamente o Benfica tomou conta do meio campo - com Taarabt e Florentino em grande plano - e do jogo. Que poderia ter ficado resolvido na primeira parte, com ocasiões suficientes para chegar ao intervalo com uma goleada, apenas retardada porque os dois avançados do Benfica continuam de costas voltadas para o golo, falhando sucessivamente aquilo a que se chama "golos feitos". Uma mala-pata que certamente um dia destes vai acabar.

O golo único da primeira parte, de Pizzi, de penálti, a meio desse período do jogo, foi muito pouco para as cinco ou seis oportunidades claras que o Benfica então criou. Contra uma única do Braga, num remate ao poste de Ricardo Horta, na sequência de um livre por uma das muitas faltas que o árbitro Nuno Almeida assinalava cada vez que Taarabt disputava uma bola. Com tanta convicção que até lhe deu um amarelo pela sucessão de faltas que só ele via.

Sá Pinto percebeu e sentiu esse domínio do Benfica e mexeu na equipa na entrada para a segunda parte, com duas substituições, tirando Galeno e Hassan e fazendo entrar Murillo e Rui Fonte.

Mas nem deu para ver no que dariam. O Benfica entrou para repor a verdade no marcador, e não deu qualquer hipótese de reacção ao Braga. E logo na de saída de bola, pegou nela e desenhou uma grande jogada de futebol, culminada no excelente cruzamento do regressado André Almeida - que falta tem feito naquela ala direita! - para uma não menos excelente desmarcação de Pizzi, concluída num grande golo.

Quatro minutos depois, ainda dentro dos primeiros 5 da segunda parte, o Benfica chegou ao terceiro. Mais uma bela jogada, com um grande trabalho de Seferovic, a dar o golo a RDT. Só que - está visto - ninguém quer que os avançados do Benfica marquem, e o Bruno Viana antecipou-se ao avançado espanhol, roubando-lhe o golo que tanto persegue. Exactamente como um quarto de hora depois, então a passe de Jota - que tinha entrado a substituir o avançado espanhol -, foi o Ricardo Esgaio a roubar o golo a Seferovic que fechou o resultado.

A partir daí, e quando se esperava que o novo trio de ataque - Jota, Vinícius e Caio - quisesse fazer miséria no resultado, o Benfica alternou espaços de asfixia sobre a baliza de Matheus com outros de clemência, acabando até por ser nesse período que Odysseas foi chamado a duas grandes defesas, mantendo a baliza a zeros.

No fim, fica mais um grande resultado - mesmo que escasso para as oportunidades criadas, e mesmo com os avançados de novo em branco - em mais uma visita ao Minho. E a forte convicção que na semana passada apenas aconteceu um acidente de percurso.

 

"Uma equipa joga aquilo que a outra deixa"

 

Há um velho jargão do futebol que diz que uma "equipa joga aquilo que a outra deixa". Esta quarta final que o Benfica hoje disputou em Braga ilustra na perfeição esta dialéctica, muitas vezes difícil de perceber.

Na primeira parte o Benfica fez um jogo fraquinho. Jogou aquilo que o adversário deixou, e a verdade é que o Braga não o deixou jogar mais, pressionando alto e lutando pela bola com mais vontade, com os seus jogadores a anteciparem-se sempre aos do Benfica. 

Mais que fazer uma grande exibição, mais que exercer um claro domínio sobre o adversário, o Braga dominou o jogo não deixando o Benfica o jogar. Porque na verdade os protocandidatos ao título não criaram uma única oportunidade de golo. O que marcaram foi de penalti, claramente o mais oferecido dos três que o jogo teve. Fransérgio veio por ali fora - e não o deviam ter deixado vir, estenderam-lhe a passadeira - à espera do menor pretexto para o penalti. Foi o Rúben Dias que resolveu oferecer-lhe esse pretexto, quando só tinha que aguentar ao lado dele e fazer-lhe guarda de honra até à linha final. 

Mas - lá está - o Braga jogou assim porque também o Benfica deixou que jogasse assim. A perder ao intervalo, o Benfica não poderia deixar que o Braga continuasse a jogar assim na segunda parte. Teria que obrigar o adversário a deixá-lo jogar o seu futebol.

E assim fez. Fosse porque o Braga já não pudesse, fosse porque não lhe permitiu mais que pudesse, o Benfica entrou para a segunda parte a dizer: "pronto, acabou-se. Agora mandamos nós"!

Pegou no jogo, foi para cima do adversário, e as oportunidades de golo começaram a surgir. Foram onze oportunidades claras de golo, nas estatísticas finais do jogo, e o guarda-redes do Braga acabou com uma grande exibição.

Nunca mais o jogo teve nada a ver com o da primeira parte, e à medida que os minutos passavam e que a equipa bracarense ia caindo - lá está a dialéctica, outra vez - a exibição do Benfica atingia o brilhantismo.

"Uma equipa joga aquilo que a outra deixa"? Sim, mas também aquilo que sabe. E este Benfica sabe jogar muito, e foi a jogar muito que foi destroçando o adversário, limitando-lhe a ambição ao anseio pelo apito final do árbitro.

A reviravolta no resultado começou com dois penaltis, incontestados e incontestáveis. Coisa nunca vista antes, dois penaltis a favor do Benfica... Tão estranho que não se estranha que os comunicadores do costume tenham algo a comunicar.

E assim, mais uma vez de forma categórica, o Benfica passou, com distinção e nova goleada, mais uma final. Faltam agora três!

 

P.S. Não sei se fui apenas eu a reparar na azia dos senhores da Sport TV. Se calhar, fui!

Natal de retoma

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Catedral cheia, de novo. Como se nada se estivesse a passar, como se a equipa estivesse a fazer os adeptos acreditarem, como se viesse de grandes jogos, de exibições mobilizadoras...

Os jogadores do Benfica parece que sentiram isso, entenderam que não podiam defraudar aquela imensa mole humana, e partiram para um jogo simplesmente memorável. 

Que até nem começou de forma muito entusiasmante. Nos primeiros 20 minutos era um jogo sem balizas: as equipas jogavam, especialmente o Benfica, com o Braga mais na expectativa, mas ... remates... Nada!

O primeiro foi do Benfica, exactamente à passagem do minuto 20. O excelente remate de Pizi, que deu num grande golo. Logo a seguir a oportunidade para o segundo e, depois, foi a vez do Braga. De cinco minutos de Braga, porque o que se seguiu foi um verdadeiro assalto do Benfica à baliza de Tiago Sá. Deu para o segundo, de Jardel, finalmente a tirar proveito de um canto. Pela primeira vez no campeonato, a primeira, mesmo, tinha acontecido na passada quarta-feira, naquele triste 1-0 em Montalegre, para a Taça.

O Braga estava encostado às cordas, sem saber o que fazer da vida, esperando ansiosamente o intervalo. Mal imaginariam que não lhes valeria de nada, que aquilo era apenas o prenúncio do que estava para vir...

Logo na bola de saída da segunda parte o Benfica podia ter chegado ao terceiro. Não tardou muito, apenas mais dois minutos, num golo todinho de Grimaldo ... de pé direito. O Braga ainda reagiu, chegando ao golo logo três minutos depois. Tanto quanto demorou o quarto, de Jonas.

E o Benfica não levantou o pé, com um grande futebol e com mais dois golos (Cervi e André Almeida) no quarto de hora seguinte. Ainda antes do jogo entrar no quarto de hora final - esse já em ritmo mais pousado - o Braga fechou o resultado num inimaginável 6-2.

O futebol tem esta magia. De um momento para o outro tudo muda. Depois de uma sucessão de fraquíssimas exibições, e de vitórias por 1-0, sempre com uma enorme dificuldade em meter a bola na baliza adversária, o Benfica arranca a melhor exibição da época, atinge o mais volumoso score, num dos jogos com maior grau de dificuldade do campeonato, e faz renascer a esperança dos adeptos e o espírito da reconquista.

Não deixa de ser curioso que isto aconteça nesta quadra natalícia, e na chamada jornada gorda. Perante um adversário directo, que hoje deixou para trás, e quando os restantes abanaram. O Porto sem cair (2-1 no Dragão, perante um Rio Ave que jogou bem melhor) mas em claro défice de produção de jogo, que só não tem consequências na classificação porque os deuses da arbitragem não querem. Nem deixam. E o Sporting a deixar finalmente cair a máscara, feita de estrelinha. Perdeu em Guimarães perante um adversário que desta vez foi sempre melhor (os anteriores já tinham sido melhores, mas apenas em metade do jogo) e que merecia bem mais que o curto 1-0.

E pronto, aí está o Benfica. Saltou de quarto para segundo, e já com o melhor ataque!

Já não é o primeiro milho...

Sporting de Braga vence Belenenses e sobe à liderança da I Liga

 

Costuma dizer-se que o "primeiro milho é para os pardais". Não é o caso do Braga, que já tem tudo para ser levado a sério.

A sexta jornada do campeonato, em que o Benfica caiu para o terceiro lugar, deixou o Braga isolado no primeiro lugar. Com a particularidade de ter ganho presisamente os quatro pontos que o Benfica já perdeu, ganhando em casa ao Sporting e, fora, ao Chaves. Jogos em que o Benfica foi demasiado perdulário, e o Braga particularmente eficaz.

Está a ser um caso sério, e tem a vantagem de não ter mais nada com que se preocupar que com as competições nacionais, com a obrigação de disputar apenas um jogo por semana. E está com estrelinha, que nunca é coisa de desprezar!

Que foi especialmente evidente no jogo de Chaves (1-0), onde foi claramente inferior ao adversário. E, de novo, hoje, mesmo que acabando com um resultado claro (3-0), mas onde contou com a sorte do jogo, e com asneiras invulgares do Belenenses. 

Antes de começarem os disparates do seu guarda-redes, determinantes nos três golos, o Belenenses desperdiçou três grandes oportunidades de golo, com duas bolas nos ferros.

Para além das circunstâncias de cada jogo, e é bom recordar que apenas perdeu pontos num jogo (nos Açores, com o Santa Clara, na segunda jornada) em que esteve a ganhar por 3-0, o que nunca se poderá considerar normal, o Braga está a demonstrar uma eficácia, um rigor competitivo e uma ambição que legitimam uma séria candidatura ao título nacional.

 

Agora é a sério!

 

O Benfica arrancou para a segunda metade do campeonato da mesma forma afirmativa que com que concluíra a primeira volta, numa espécie de dobradinha minhota.

Hoje, em Braga, o Benfica passou por cima das dificuldades com grande à vontade, alardeando uma enormíssima superioridade técnica e táctica sobre o Braga. Tão flagrante quanto inesperada, deve dizer-se.

O Benfica simplesmente não deixou o adversário jogar, e dispôs do jogo como entendeu. Pressão alta, sempre a impedir o Braga de construir jogo, e sempre a recuperar a bola já muito perto da baliza adversária. A primeira parte foi assim, o golo chegou cedo, aos 11 minutos, e a equipa apresentava um futebol vistoso e de grande qualidade, a que só faltavam golos.

O Braga só não existiu porque logrou duas boas oportunidades para concluir, falhando os seus avançados o encontro com a bola. Só que ambas em fora de jogo, o que quer dizer que, se tivessem sido concretizadas, seriam anuladas pelo VAR. E daí nunca se sabe... 

O início da segunda parte nem deu tempo aos jogadores da casa para arrumarem as ideias que eventualmente o seu treinador lhes tenha metido na cabeça. Bola ao centro, canto, bola de Jardel no poste, e penalti sobre Jonas. Que, lá está, o VAR não viu e Soares Dias não quis ver. Já não há dúvidas que o VAR dexiou cair a sílaba do meio da verdade. É uma verdade desportiva de duas sílabas apenas.

Nada no entanto que rompesse com o que estava a ser o jogo. E o segundo golo surgiu com naturalidade, de Jonas. Naturalmente, e na sequência de mais uma bela jogada de futebol, pouco depois de o segundo quarto de hora ter chegado à segunda parte do jogo. 

Até que surgiu o momento que Bruno Varela não merecia, 10 minutos depois. Errou numa bola fácil - ficou a meio caminho na saída a um cruzamento - e o Braga reduziu. Com a força do golo, e com o público braguista a acreditar, a equipa da casa cresceu, e o Benfica já não tinha Jonas em campo - Jonas é insubstituível neste jogo do Benfica, mas também não é humano pedir-lhe que dure os 90 minutos a fazer tudo aquilo que faz, como mais ninguém - e tinha Pizzi, que já lá não devia ter. 

Na verdade, os último 20 minutos - o último quarto de  hora, mais os 5 minutos de tempo extra - foram outro jogo. Mas até nesse, o Benfica, noutro registo, foi muito superior. Marcou mais um golo - e que golo (por Raul, que minutos antes falhara escandalosamente, isolado na cara do guarda-redes) e que jogada! - e criou mais uma ou duas oportunidades para dar outra expressão ao resultado. Nesse período o Braga limitou-se a permitir que Varela se redimisse, com uma boa intervenção. Nada mais, e isso fazia falta!

O Benfica está transfigurado. E agora já todos acreditamos que é a sério|

Tudo na mesma. Cada vez mais na mesma...

Não há duas sem três: Benfica volta a 'escorregar'

 

Outra competição. Outros jogadores. Mas tudo confrangedoramente na mesma.

O mesmo início de jogo, de novo a deixar a ideia que a equipa queria mudar o destino. O mesmo golo cedo. Depois, o mesmo... O vazio. A mesma confrangedora falta de qualidade de jogo, a mesma incapacidade de tirar o que quer que seja do jogo. O mesmo terror, à medida que, depois do golo, os ponteiros do relógio avançam no jogo. A mesma fatalidade.

Não seria previsível que com outros jogadores, menos rodados e supostamente de menor valia, pelo lado da qualidade de jogo, as coisas corressem melhor. Mas seria de esperar que esses jogadores quisessem mais, que lutassem mais. E com mais querer, lutando e correndo mais, era de esperar que o Benfica pelo menos ganhasse o jogo.

Nada disso, Os jogadores do Braga quiseram mais, lutaram mais e foram, todos, melhores que os do Benfica. Não sei se houve um jogador do Benfica tenha sido melhor que o seu adversário da mesma posição. Na maior parte dos casos foi gritante a superioridade dos que vieram de Braga.

Não se percebeu qual seria a ideia de Rui Vitória ao colocar Samaris e Filipe Augusto. Talvez tenha sido para calar os adeptos que reclamam o grego em vez do brasileiro. Para lhes mostrar que, entre os dois, que escolha o diabo... Samaris é um poço de faltas. Filipe Augusto, outro. Os dois juntos.... a boca do inferno.

Rafa, é o desespero. É um caso sério de destruição de valor. Gabriel Barbosa, é mais um caso que não tem explicação. Salvou-se o Krovinovic!

Rui Vitória é que não. E começa a ficar difícil salvar-se... O discurso está ao nível da qualidade de jogo: insuportável!

Campeão à campeão

 

 

Estádio da Luz cheio que nem um ovo, como já é costume. Colo, colinho, muito colinho no arranque de mais um campeonato, que poderá ser o 37. O penta, que hoje começou a nascer no imaginário benfiquista.

Festa na Catedral, de novo. Uma festa que os benfiquistas não querem largar. A supertaça ainda nem pó apanhou, e a pré-época já lá vai. Já ninguém se lembra dela, nem das nuvens que pareciam ameaçadoras.

O adversário era de respeito, e tinha feito voz grossa, de ameaça, talvez para disfarçar o medo. O Braga, mesmo sem ganhar na Luz (para o campeonato) há largas dezenas de anos, é sempre um adversário complicado para o Benfica. E o primeiro jogo é sempre especial, tem sempre qualquer coisa de incerteza e, muitas vezes, alguns fantasmas.

Na primeira parte houve algumas semelhanças com o jogo da supertaça de sábado passado, com o Vitória de Guimarães. Também dois golos, também pela dupla Sferovic/Jonas, e também praticamente nas duas primeiras oportunidades. Desta vez mais espaçados, e mais tardios. O primeiro, pelo avançado suíço, ao findar o primeiro quarto de hora, e o segundo, por Jonas, que igualou Magnusson, com 87 golos, à meia hora de jogo. Para que as semelhanças não ficassem por aqui, o Braga reduziu para 2-1 mesmo em cima do intervalo, na segunda vez que chegou à baliza do Benfica.

O mesmo de sempre. Um golo naquelas condições, mesmo à saída para as cabinas, mais do que deixar o resultado em aberto, deixa sempre no ar a possibilidade de uma reviravolta no jogo. E essa ameaça até chegou por momentos a ganhar forma, quando o Braga introduziu a bola pela segunda vez na baliza de Varela. Mas em fora de jogo, não contou. Confirmou o vídeo-árbitro, que só não confirma os penaltis a favor do Benfica. Ficou mais um por marcar…

Mas o que se viu foi outra coisa. O que se viu foi um Benfica ainda melhor, com períodos de grande brilhantismo, com suculentos nacos de bom futebol entremeados numa fantástica dinâmica de controlo do jogo. O que se viu foi que o campeão voltou, mesmo sem nunca ter ido embora. O 3-1 – Salvio fez o terceiro a mais de meia hora do final - soube a pouco para tanto futebol.

Os jogadores do Braga correram muito, especialmente atrás da bola. E das canelas – canelas, calcanhares, pernas e até cabeças – dos jogadores do Benfica. Que o digam Cervi, Sferovic, Jonas ou Eliseu. A correr assim – e sabemos que assim não será – o Braga vai dificultar muito a vida aos adversários. Mas, a bater assim, contra outros adversários, corre sérios riscos de nunca acabar com 11 jogadores em campo. É que, o que lhes perdoam contra o Benfica, não lhe perdoam em nenhum outro jogo.

No fim fica a festa, que seria ainda maior se o miúdo Diogo Gonçalves, que entrara para substituir o Cervi a dez minutos do fim, tem feito aquele quarto golo que teve nos pés. E a certeza que o campeão está vivo!

O jogo chave e a chave do jogo

 

 Mitroglou

 

Este era um dos jogos chave deste campeonato. Não tanto por ser em Braga, nem por ser já um clássico de elevado grau de dificuldade para o Benfica, até porque este Braga está muito à imagem de Jorge Simão: é mais bazófia. Este era, para o Benfica, um dos mais decisivos jogos deste campeonato mais pelas circunstâncias externas do que pelo próprio jogo.

No estado em que as coisas estão, nesta altura do campeonato – aqui a expressão ganha todo o propósito –, as fichas caíam todas em cima deste jogo. O Porto, jogando na sexta-feira, tinha ganho e passaria para a frente desde que o Benfica não ganhasse. A actualidade da arbitragem, a fustigar sistematicamente o Benfica desde a última jornada da primeira volta e a beneficiar o Porto, muitas vezes de forma escandalosa, também faz das coisas o que elas são.

E vale a pena começar por aí. Esta XXII segunda jornada confirmou tudo o que tem vindo a acontecer desde o início do ano. Começou logo pelas nomeações, com o árbitro que abriu as hostilidades – Luís Ferreira, o tal dos três golos do Boavista – posto a dirigir o jogo do Porto, com o Tondela, e com o que expulsou e fez castigar Rui Vitória, Tiago Martins, mandado para Braga. E o que se viu no Porto foi por demais escandaloso, com o árbitro a desbloquear, nos últimos minutos da primeira parte, um jogo que não estava a correr de feição. Depois de lhes perdoar ao Porto um penalti claro, ofereceu-lhe um, inexistente. Depois de evitar a expulsão ao central portista, Filipe, expulsou um jogador do Tondela, numa jogada em que não só não cometeu nenhuma infracção como foi até agredido. Jogar contra dez já faz parte do guião do Porto. Já em Braga, nos primeiros vinte minutos do jogo, o árbitro não veria dois penaltis a favor do Benfica – carga sobre o Salvio dentro da área e, depois, um corte de um defesa bracarense com a mão – mas veria um fora de jogo inexistente para anular um golo limpo a Mitroglou.

Por todo este estado de coisas, que pelos vistos está para ficar, para o Benfica, até ao fim, todos são jogos chave.

O Benfica entrou bem, a fazer lembrar o jogo da época passada, que ficou resolvido nos primeiros vinte minutos, mesmo que sem a mesma exuberância. Foi, mesmo assim, o melhor período da equipa e não tivesse sido o já referido dedo do árbitro – não se ficou por aí, por duas vezes interrompeu ao Benfica lances prometedores, como agora se diz, para assinalar faltas ocorridas lá atrás, em benefício claro ao infractor – o jogo teria voltado a ficar resolvido bem cedo.

Mas como os penaltis não foram assinalados, o golo de Mitroglou não valeu e noutra ocasião o grego, só com o guarda-redes pela frente, na pequena área, rematou por cima, o jogo fechou-se. O Benfica, sempre com muito mais bola, não voltaria a ter grandes ocasiões para marcar. Nem o Braga, com uma única oportunidade em todo o jogo, no remate de Bataglia ao poste.

A segunda parte continuou intensa, com tudo – espaço e bola – muito disputado. O jogo, nem sempre bonito, manteve-se aberto. E emotivo. E sem que se vislumbrassem grandes desequilíbrios, nem mesmo quando o jogo começou a ficar mais partido, nem grande inspiração nos principais artistas, o nulo era uma ameaça séria.

Faltavam dez minutos para os noventa quando, de quem menos se esperaria, saiu o lance de génio que resolveu o jogo. Surpresa só pela forma com “despachou” quatro defesas contrários dentro da área, porque na verdade só Mitroglou tinha a chave do jogo. Só ele podia marcar: o Benfica jogou muito, mas rematou pouco. Bem mais rematou o Braga, que jogou muito menos!

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