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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Brexit - o axioma!

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Diz-se que, afinal, o Parlamento atrapalhou as contas de Boris Johnson. Não sei se atrapalhou. Impediu-o de avançar com a saída sem acordo e, acima de tudo, impediu-o até de a utilizar como arma negocial com a União Europeia.

Como não creio que se possa acusar os deputados britânicos de impor limites à defesa dos interesses do país, tenho de concluir que entendem que seria uma arma muito perigosa nas mãos daquele primeiro-ministro. Acho que os deputados fizeram bem, o que não quer dizer que Boris Johnson tenha saído definitivamente derrotado.

Da mesma forma que nada do seu plano poder ficou ganho quando avançou para a suspensão do Parlamento, também agora nada ficou decididamente perdido. Pelo contrário, foi até um passo importante para chegar às eleições antecipadas, afinal o grande objectivo do projecto de poder do exuberante primeiro-ministro inglês. Mesmo que, ao anunciar a sua necessidade, tenha dito que era contra a sua vontade, que não as queria. 

Acontece que convocar eleições não é prerrogativa incondicional do primeiro-ministro. Terão que ser convocadas por dois terços dos deputados (434 dos 650) ou, em alternativa, na sequência de uma moção de censura. E nenhuma destas condições estão já aqui ao virar da esquina.

No meio disto tudo, a maior vitória de Boris Johnson é, por mais paradoxal que possa parecer, a consolidação do brexit. Quando continua em causa na sociedade britânica, deixou de estar em dúvida na agenda política, e passou a axiomático. Apenas se discute se com, ou sem acordo!

 

Novo mundo*

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 O mundo novo que se abriu há quatro anos com o brexit, e com a eleição de Trump, está aí. À vista de todos, e com tudo à mostra.

Os últimos dias foram ricos em manifestações deste mundo novo. Como se não bastasse o que se passou na reunião do G7, e o que se está a passar na Amazónia, ou o apoio declarado e expresso de Trump à política e à personalidade de Bolsonaro, e ao brexit e a Boris Johnson, assistimos em Itália e no Reino Unido, a dois autênticos golpes de Estado. O primeiro, em Itália, à primeira vista, fracassado. O segundo, à primeira vista, bem-sucedido! 

 Em Itália, Matteo Salvini, vice-primeiro-ministro e representante deste novo mundo na paisagem política italiana, derrubou o seu próprio governo para seguir para eleições, atrás das sondagens que lhe prometem o reforço da sua expressão eleitoral e a possibilidade de conquistar o poder neste novo mundo.  Saiu-lhe furado. As instituições italianas funcionaram e, em vez das eleições ambicionadas por Salvini, saiu um novo governo do actual quadro parlamentar, pronto a concluir a legislatura.

No Reino Unido, Boris Johnson fez diferente, mas com a mente no mesmo objectivo. Para concluir o brexit até à data de 31 de Outubro, o novo primeiro-ministro britânico e parceiro de Trump, decidiu fechar o Parlamento. Fechado, sem deputados a discutir e a votar, Boris Johnson decide sozinho como e quando abandona a União Europeia. Sendo que o quando é já, e o como é sem acordo. Custe isso o que custar, incluindo a própria integralidade do Reino Unido, porque do outro lado do Atlântico há um tio Sam a acenar com “tremendous” acordos comerciais. Fechado o brexit, parte para eleições. E, com as receitas conhecidas, ganhá-las-á – espera ele. Ele e os seus parceiros deste novo mundo!

Até aqui as coisas parecem correr-lhe bem. Mas ainda não são favas contadas. Há ainda muita coisa que lhe poderá correr mal. E pode até ser que nem corra tudo mal sempre aos mesmos…

* Da minha crónica de hoje na Cister FM

Brexit: o dia D

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No dia em que era suposto os britânicos estarem de malas aviadas da União Europeia, num exuberante bye-bye europe, o seu parlamento está apenas a chumbar pela terceira vez o acordo de saída.

Desta vez Theresa May estava por tudo e, veja-se ao que chegou, prometeu demitir-se em troca da aprovação. Entregou ela a sua própria cabeça. Nem assim, nem já sem cabeça May consegue sair do buraco em que se meteu. 

O último fôlego

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Quando a política se reduz a uma questão sobrevivência dos seus protagonistas, acaba nisto. Theresa May não tem feito mais que procurar adiar o seu último fôlego, focando-se desesperadamente na sua sobrevivência política a qualquer custo. E nem se pode dizer que não tenha sido bem sucedida: chegou aqui humilhada, mas viva. Aqui, ao caos que poucos imaginariam possível na velha Albion.

Na pragmática e astuta velha Albion...

Irreversível, com ou sem luz!

 

Uma luz ao fundo do Brexit... E parece verde: Londres e Bruxelas chegaram a acordo. 

Tudo resolvido? Nada disso. Obtido o acordo de Londres, falta o acordo em Londres. 

Mas não haja dúvidas: o caminho é estreito, e não permite inversão de marcha. Não há por onde voltar atrás, agora é sempre a andar, mesmo que devagar. Mas sempre em frente, ao contrário do que muita gente chegou a pensar!

 

 

 

Dama de lata?

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As coisas não correram bem a Theresa May. Tendo herdado o poder há um ano, já por também não terem corrido bem as coisas a Cameron - que, por querer "sol na eira e chuva no nabal", quis brincar aos referendos e saiu-lhe a fava do brexit - quis aproveitar os ventos de feição (as sondagens davam-lhe então vinte pontos de avanço sobre os trabalhistas) não só para se legitimar, como para se reforçar no poder.

Saiu-lhe o tiro pela culatra. Saiu-lhe tudo ao contrário, e nem se pode dizer que tenha sido um azar dos diabos, com aqueles atentados terroristas praticamente sucessivos. É certo que lhe foram assacadas responsabilidades pelo desinvestimento na segurança interna, responsável que foi, na qualidade de ministra do interior, pela significativa quebra no efectivo policial. Foi mesmo apontada a dedo pelo "mayor" de Londres, clara e frontalmente. Mas isso foi só uma parte do seu percurso ziguezagueante, onde disse tudo e o seu contrário. Sendo que tudo era sempre mau de mais, sem que o seu contrário conseguisse ser diferente.

Chegou até - imagine-se - a avançar com a ideia de pôr os mortos a pagar os custos da sua assistência social ... Não era fácil fazer pior. Nem ser pior! 

No meio disto tudo, mesmo assim, o melhor que lhe aconteceu foi mesmo o resultado eleitoral. Que, sendo mau - os resultados, a esta hora, não estão fechados mas não há dúvidas que o Partido Conservador foi o mais votado - foi bem melhor do que o que merecia. 

Parece que a dama de ferro é, afinal, de lata. Dêm os resultados as voltas que (ainda) derem! 

 

Brexit day

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Depois de 9 meses de gestação o Brexit ganha hoje vida em forma de carta. A carta, assinada por Theresa May, segue com data de hoje, e é hoje mesmo entregue ao Presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk. Invoca pela primeira vez o artigo 50º do Tratado de Lisboa e traduz-se no primeiro abandono da União Europeia.

A nós - em particular os da minha geração -. habituados ao logo da  vida a só ver gente a querer entrar, soa-nos a estranho ver gente a querer sair. Tão estranho que tivemos muitas dúvidas que os britânicos quisessem mesmo sair - pareceu-nos sempre que depois do referendo ainda haveria espaço para uma reviravolta qualquer.

Não houve, e hoje resta-nos a ideia que, se o referendo se repetisse, o resultado seria o contrário. E a certeza que os danos só a partir de agora começam a ser avaliados... E a quase certeza que muito mais coisas vão mudar no Reino Unido nos 18 meses de negociações que se seguem, antes do abandono definitivo, daqui a dois anos. Muito provavelmente até a sua própria configuração!

Por que é que estão aqui?*

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Cada vez se percebe melhor que o referendo britânico à sua permanência na União Europeia nunca foi mais que um instrumento de luta política palaciana.

Começou com Cameron, que sempre que estava mais atrapalhado se lembrava dele. Até, se calhar enganado pelas sondagens, fazer dele promessa eleitoral.

Não se sabe que efeito terá tido na esmagadora vitória de Cameron nas eleições de há pouco mais de um ano. Mas, a avaliar pelos resultados do referendo, não custa muito a admitir que não terá sido pouco.

Recolhida a vantagem que pretendia, alcançada a expressiva vitória eleitoral que lhe permitia manter o poder no reino e abafar os opositores internos, Cameron escondeu a mão com que efectuara o arremesso, e passou a porta-estandarte do fica. Do bremain.

No fim, não ganhou nada com isso. Tornou-se mesmo no maior perdedor do referendo, acabando a perder tudo: o partido e o país. A pedra caiu-lhe em cima, e aleijou bem.

Não foi no entanto o único a instrumentalizar o referendo. A maioria dos que deram a cara em favor do abandono, fê-lo também a contar com os dividendos que dai retiraria para o futuro. Provavelmente não o teriam feito se estivessem verdadeiramente convencidos que o resultado seria o que foi.

Hoje, uma semana depois, isso está mais ou menos dissipado. Foi no entanto demasiado evidente nos momentos que se seguiram ao encerramento das urnas, e mesmo depois de divulgados os surpreendentes resultados. Ao ponto de, praticamente de imediato, se começar a falar de um segundo referendo que corrigisse os então inesperados resultados deste.

Irónico, quando no que toca a consultas populares, a história da União Europeia é a de fazer tantas quantas as necessárias para atingir os resultados desejados.

Não menos irónica, e mais irresponsável ainda, é a reacção institucional da União Europeia. A começar na reunião imediata dos seis países fundadores, em Berlim, como se fossem os guardiães do templo. Como se, seis décadas depois, gozassem de prorrogativas especiais… Como que a puxar dos galões, sem repararem que estão ferrugentos, que já não há brilho que de lá saia…

Depois, a lamentável prestação do presidente da comissão europeia no Parlamento Europeu, quando disse aos euro deputados britânicos que era a última vez que aplaudiam, antes de lhes perguntar: “por que é que estão aqui?

Àquela hora da manhã não era plausível que o Sr Juncker estivesse já com os copos… As ususal

E, por fim, a renovação das ameaças de sanções a Portugal e à Espanha. Por fim, não. Porque ainda sobrou tempo ao Sr Schaubler para ter o descaramento de, para voltar a ameaçar Portugal, lançar pela boca fora que está à ser preparado um novo programa de resgate ao país.

Se é desta maneira que o radicalismo cego que se apoderou dos destinos da União Europeia reage à saída de um dos seus maiores membros, a sua segunda maior economia e a quinta maior do mundo, não é preciso muito tempo para que sejam muitos mais os europeus, e não o Sr Juncker, a perguntar-se por que é que estão aqui…  

 

* Da minha crónica de hoje na Cister FM

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