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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Sinfonia na Luz

Noite de espectáculo na Luz, num jogo de futebol que soou a sinfonia. De uma orquestra sem bombos!

O tom foi dado na abertura, no primeiro minuto, naquela jogada genial concluída também genialmente por João Mário. Não valeu, o VAR anulou-o por fora de jogo de Gonçalo Ramos no início da jogada, muito antes do fantástico calcanhar de João Mário enfiar a bola na baliza de Mignolet. Soou a crueldade, na altura. O VAR serve para velar pelo cumprimento das leis do jogo, é certo. Mas não devia servir para anular uma obra-prima destas.

Percebeu-se, depois, que afinal aquilo fazia parte do ensaio, e servira para dar o tom à orquestra. E que o VAR, afinal, também pode servir de diapasão. Dado o tom, foi deixar a orquestra funcionar e a sinfonia fluir.

E foi o que o Benfica fez, deixou a sinfonia fluir, empolgante, a deliciar uma plateia esgotada e vibrante. O Bruges ia fazendo o que podia. Atordoado até ao meio da primeira parte; e a tentar também participar no espectáculo logo que saiu do sufoco benfiquista. Exclusivamente remetido à sua grande área, primeiro, na defesa cerrada da sua baliza. Tentando subir um bocadinho no campo e pressionar um pouco mais alto, a seguir. 

A música, essa era sempre do Benfica, mesmo com o contratempo do amarelo a Otamendi, perto da meia hora, que o afasta do primeiro jogo dos quartos de final, e mesmo que o golo tardasse. Por isto ou por aquilo, mas muito porque a equipa belga tinha atinado com o posicionamento, e fazia com os jogadores do Benfica caíssem muitas vezes na armadilha do fora de jogo. Surgiria apenas aos 38 minutos, já na fase em que a equipa belga tentava subir no terreno, e dentro do tom dado no primeiro minuto. Nem uma nota faltou: Gonçalo Ramos arrancou pela esquerda e cruzou para o Rafa, dentro da área, se libertar de dois adversários e marcar de "trivela". A trivela já é o que é - uma nota de execução difícil - mas esta não foi uma "trivela" qualquer. Foi uma "trivela" em queda, e isso é uma execução superlativa.

Tinha de ser assim o golo 100 do Benfica na época. Que foi também o primeiro sofrido pelo Bruges fora de casa, nesta Champions. Onde, na fase de grupos, isto é, antes de encontrar o Benfica, até só tinha sofrido golos num jogo.

O golo nada alterou no concerto. Foi como que se nada tivesse acontecido. O espectáculo tinha de continuar, e continuou. Até ao segundo, já em cima do intervalo, de novo no tom, com Gonçalo Ramos a receber a bola da esquerda, a passar por quatro adversários dentro da área dos belgas, e a rematar forte, fora do alcance de Mignolet, a fechar a primeira parte em apoteose. Antes, o árbitro turco tinha perdoado a expulsão ao defesa Lang, por falta sobre Bah à entrada da área, que não assinalou, para assinalar uma segunda, logo de seguida, e mudar o destinatário do amarelo.

Poderia esperar-se que fosse impossível ao Benfica manter o ritmo na segunda parte. Nada disso. Um espectáculo destes tem que ter duas partes ao mesmo nível. E os jogadores já estavam vacinados contra o fora de jogo, que antes tanto os tinha traído.

E a sinfonia continuou, com as bancadas em apoteose. E os golos também, mesmo que abaixo daquilo que o espectáculo merecia. Gonçalo Ramos voltou a marcar, mais uma vez dentro do tom ditado pelo diapasão, ainda dentro do primeiro quarto de hora. 

Vieram as substituições, Bah pelo aniversariante Gilberto, em jeito de parabéns. E Chiquinho - outra exibição soberba - por Neres. E nada mudou - quem entrava, entrava dentro do tom. E veio o quarto golo, no penálti sobre Gilberto que João Mário converteu. Com classe, dentro do tom, imediatamente antes de sair para a entrada do menino João Neves. Que entrou com Morato, para o lugar de Otamendi, afastado do próximo jogo. E, de novo, nada mudou - quem entrava, entrava dentro do tom. Tanto que foi o menino a assistir Neres para o quinto, a um quarto de hora do fim.

Nem com 5-0 a equipa abrandou o ritmo do espectáculo. Quis mais, e fez tudo para o conseguir. Mas acabaria por ser o Bruges a marcar, já mesmo no fim, o chamado tento de honra. Por sinal mais um grande golo. Nunca se saberá se foi aquilo que o lateral esquerdo, Mejer, quis mesmo fazer. Aquele gesto técnico - o pontapé - foi uma coisa nunca vista. Diria mesmo que poderá tentar repetir aquilo mil vezes que nunca mais conseguirá voltar a fazer igual. 

Um grande golo é sempre um grande golo. E afinal este ficou também dentro do tom de um espectáculo a que nada faltou. Nem a extraordinária ovação a Yaremchuk - perdoando-lhe a entrada dura sobre Chiquinho, logo no início do jogo que lhe valeria o primeiro amarelo da partida - na altura da substituição.

E fica uma exibição memorável do Benfica, com todos os jogadores a alto nível. Sem elo mais fraco, mas onde não é possível deixar de destacar Gonçalo Ramos como o melhor, entre os melhores. Não o entendeu assim a UEFA, que atribuiu o prémio de melhor em campo a Rafa. Que, numa demonstração de carácter, mas também do espírito de equipa que reina entre os jogadores, o entregou ao colega. Também para ele, hoje, o melhor entre os melhores!

E também isto é bonito. E de bom tom!

Agora ... pode vir o Chelsea.

Favoritismo confirmado, prestígio reforçado!

Era dada como favas contadas, esta eliminatória dos oitavos de final da Champions. E até este jogo da primeira mão da eliminatória em Bruges. Não havia quem não desse total favoritismo ao Benfica para este jogo na Bélgica, com o Club Brugge. Por cá, mas também por lá. E o jogo começou exactamente sob essa perspectiva, com o Benfica a impor o seu futebol e a equipa belga retraída no seu meio campo, claramente amedrontada e desconfiada de si própria.

Roger Schemidt não replicou o onze inicial de Braga, introduzindo-lhe duas alterações - Gonçalo Ramos, no lugar de Guedes, e Rafa, no de Neres. No resto, tudo na mesma. Nas bancadas, nem parecia que a equipa estava a jogar fora. Não que estivessem mais benfiquistas - eram à volta de 3 mil, 10% da lotação do estádio - mas porque foram sempre quem apoio mais forte deu à sua equipa. Foram fantásticos, e calaram durante duas horas os adeptos belgas, rendidos aos cânticos benfiquistas. Entre eles, Rui Costa. O presidente foi apenas mais um a cantar!

Dizia que o jogo começou com o Benfica a confirmar todo o favoritismo que lhe era atribuído, e foi assim mesmo naqueles três minutos iniciais. Só que, de repente, o Bruges alterou completamente a sua atitude e, de uma equipa recolhida e tolhida pelo medo, passou a uma equipa subida e aguerrida. Passou a disputar todos os lances com alta agressividade, lançou o jogo para a dimensão física, e passou a ganhar a maior parte dos duelos do meio campo. E a ganhar todos os ressaltos, e a grande maioria das segundas bolas.

A ignição para essa metamorfose foi uma escapada de Buchanan, pela esquerda, aos cinco minutos, que Vlachodimos anulou, junto ao poste direito. Durou cerca de um quarto, esse período mais complicado para o Benfica. Mas nem mais uma oportunidade para a equipa belga marcar, graças ao acerto da linha defensiva do Benfica.

A meio da primeira parte já o Benfica tinha recuperado a sua superioridade clara no jogo, e começava a iniciar um autêntico desfile de oportunidades de golo. Primeiro Aursenes, depois um corte que só por acaso não acabou em auto-golo, depois ainda, António Silva, com o remate de cabeça a sair ligeiramente por cima da trave. A seguir foi Rafa, a rematar aos ferros (mesmo no ângulo do poste com a barra), e depois Gonçalo Ramos, por três vezes.

"Quem não marca, sofre" - diz a velha máxima do futebol. E já em cima do intervalo, depois de tanto "não marcar", o axioma cumpria-se: uma perda de bola numa saída para o ataque obrigou Otamendi a uma falta sobre Lang (o melhor do Bruges), que lhe valeu um amarelo e, do livre, apareceu Odoi no segundo poste a cabecear para dentro da baliza. Valeu que estava em fora de jogo, por pouco, mas prontamente assinalado pelo "liner". E assim foi o jogo para intervalo, empatado. Sem golos, mas com muitas oportunidades para o Benfica.

A segunda parte iniciou-se exactamente nas mesmas bases e, logo no primeiro minuto, Gonçalo Ramos voltou a falhar a baliza, com tudo para fazer golo. Falhou o golo, mas ganhou um penálti, três minutos depois. Que João Mário marcou. Em força, ao contrário do que é habitual. Não fosse tanta e Mignolet teria defendido. Chegado ao golo, o Benfica tranquilizou. E refinou o controlo do jogo. Não recuou, não abrandou, mas temporizou mais o jogo.

Pouco depois da hora de jogo Shemidt trocou Ramos e Rafa (ainda longe da sua melhor condição) por Guedes e Neres, e a equipa revitalizou-se. Ganhou novo fôlego e voltou a criar novas oportunidades para voltar a marcar. Só o conseguiu já perto dos 90 minutos, por Neres. Que voltaria ainda a marcar, mas sem contar. Estava também em posição irregular.

No fim, fica mais uma exibição consistente do Benfica. E prestigiante. Colectiva e individualmente, sem elos mais fracos. Aursenes foi considerado pela UEFA o "homem do jogo". Talvez não tenha sido o melhor, por não ter estado tão bem a construir e finalizar como habitualmente. Mas esteve em cada metro quadrado do campo todo.  É até difícil escolher o melhor, quando António Silva e Otamendi, estiveram insuperáveis; Florentino, soberano naquele meio campo, João Mário decisivo em todo o jogo, Gonçalo Ramos, um mouro de trabalho e o desbloqueador do resultado ... E só não se pode dizer que Chiquinho já não surpreende porque ainda consegue surpreender. Como naquela recepção fantástica, digna de Zidane.

E ainda um resultado que, podendo ter sido bem mais dilatado, acaba por ser interessante, e praticamente garantir o acesso aos quarto de final desta Champions.

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