Os crimes chamados de colarinho branco continuam impunes. Em Portugal, como se sabe, quem tem dinheiro encontra sempre forma de fugir à Justiça, pagando bem a advogados que vão encontrando sempre mais um papel para juntar ao processo, mais uma aclaração e mais umas centenas de testemunhas para arrolar. Que aparecem depois nas televisões a queixar-se da morosidade…
As burlas com o Fundo Social Europeu são apenas os progenitores do Furacão, do BPN e de não sei quantos outros crimes que nos trouxeram até aqui. Três décadas depois só se ouve falar deles porque prescreveram … ou, às vezes, ainda por piores razões: ainda há pouco se falava da UGT, e da forma como, por elas, para sempre ficara refém do(s) governo(s).
Agora foi o famoso caso Partex, mas há mais, muitos mais, que a coberto de um sistema ultragarantístico, desenhado à medida dos projectos de poder, vegetam durante décadas até à morte final, tranquila e redentora…
Não. Não é uma história de Natal, é uma história de todos os dias!
De repente, vindo do nada, surge em conferências, rádios, jornais e televisões. Tem a lição bem estudada, evita obstáculos e contorna as curvas, num discurso bem embrulhado e que soa bem ao ouvido.
Usa o plural majestático, nunca fala por apenas si: "nós na ONU"!
Vi-o, como provavelmente muitos dos leitores, ainda na última sexta-feira no Expresso da Meia Noite, da SIC Notícias. Respondia pelo nome de Artur Batista da Silva, e dizia coisas que quase encantavam. Confesso que achei “fruta a mais”: tinha alguma dificuldade em ver a ONU por trás daquelas posições!
O Nicolau Santos foi um dos que se deixaram encantar. Deu-lhe palco ns SIC Notícias, no Expresso da Meia Noite, e deu-lhe corda no Expresso, na sua coluna do caderno de Economia: espalhou-se ao comprido. Vai passar o Natal estatelado, sem se conseguir levantar!
É um impostor, com acusações de burlas e desfalques. A ONU não faz ideia do que seja esse nome, nem do observatório que ele diz dirigir. Nem tem nada a ver com que ele diz...
Como é possível?
É possível como sempre foi. Talvez mais possível do que alguma vez tenha sido. A informação corre tão depressa que toda a gente a quer agarrar antes que fuja. Mesmo que se agarre o gato, se deixe fugir a lebre e se faça figura de anjinho!
PS: Rádios (TSF) e Jornais (Jornal de Negócios) retiraram já as notícias que estavam "linkadas"!
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