Aí está o Orçamento do próximo ano, acabadinho de sair do forno… A ministra Maria Luís acabou de o apresentar ao público!
Crescimento do PIB em 1,5% e défice em 2,7%. Diferente dos 2,5% comprometidos com a Troika… Mas as contas já são outras, disse ela. Estes 2,7% são melhores que os anteriores 2,5%. Quer ela dizer que, em valores absolutos, este défice é inferior ao acordado com a Troika!
Uma das maiores expectativas virava-se para o IRS. Até pelo braço de ferro que o CDS ensaiou… Não ganhou nada com isso. Nem nós. Não ganhamos nada com isso…
Mas o governo quer convencer-nos que sim, dizendo que irá desagravar a sobretaxa de IRS se a cobrança fiscal ultrapassar as previsões da receita no orçamento. O que passaria o desagravamento para 2016, já com outro governo. Mas desta mesma maioria, garantiu a ministra. Que assim adiantava já que o CDS está pelos ajustes, que a coligação não está em causa para a próxima legislatura…
Em boa verdade não arrisca muito. Claro que o CDS não tem alternativa, e por isso Passos Coelho e Maria Luís fazem, como fizeram nesta matéria, do CDS gato-sapato. Já quando garante que continuam governo, não se trata de arriscar. É conversa fiada!
Agora só fica a faltar ouvir o que Paulo Portas terá para dizer. Se calhar vem, mesmo assim, dizer que é graças ao CDS que os portugueses irão pagar menos IRS em 2016. Mas nem assim lá chega!
O governo promete devolver em crédito fiscal em 2016 o que receber para além do previsto. Ora, o que está previsto é uma receita fiscal que cresce 4,7% relativamente a este ano, que é só o melhor ano de sempre. Nunca o Estado arrecadou tanto em impostos. Há ainda margem para cobrar mais? Não parece! E se repararmos que o PIB cresce 1,5% – não cresce, mas é o que está no Orçamento – será sério estimar que a receita fiscal cresça mais do triplo?
Não parece. Quer apenas dizer que, esgotados os Audis, o governo vai passar a oferecer burros aos portugueses… Em 2016, porque em 2015 só lhe dá a cenoura!
A diferença entre os 7 a 1, da passada terça-feira, e os 3 a 0 deste jogo de atribuição dos terceiro e quarto lugares, é a mesma que vai da selecção para a holandesa. Exactamente!
O que desde logo quer dizer que o tal resultado histórico, que deixou o Brasil inteiro em estado de choque, só foi extraordinário por ser invulgar. Não tem nada de acidental!
Bastaram dois minutos de jogo para se perceber isso. Para perceber que a selecção brasileira estava a repetir exactamente o que tinha mostrado contra a Alemanha. Quando vimos a forma desorganizada como o Brasil entrou a pressionar, e o espaço que deixava nas costas da sua defesa, percebeu-se que a receita de Scolari era a mesma. E que, portanto, não só não tinha aprendido nada, como não tinha percebido nada do que lhe tinha acontecido.
E, como diz a canção, vem-nos à memória uma frase batida: … e o burro sou eu?
Se contra a Alemanha a ilusão ainda durou onze minutos, agora, contra a Holanda, bastaram dois. Vale a pena recordar: os jogadores brasileiros corriam atrás da bola que nem baratas tontas, numa pressão disparatada que obrigou os jogadores holandeses a atrasar a bola para o guarda-redes, que de imediato a colocou à entrada do meio do campo brasileiro. Van Persie ganhou de cabeça e colocou a bola em Robben, na sua praia, com aquele espaço todo livre. Foi por aí fora até Thiago Silva o derrubar, quando seguia isolado frente a Júlio César. Penalti – má, mas compreensível decisão de um mau árbitro, o argelino Djamel Haimoudi; incompreensível foi o cartão amarelo em vez do vermelho ao capitão brasileiro – e golo!
No fim do primeiro quarto de hora veio 0 2 a 0, e o terceiro só surgiu já no período de compensação porque - lá está - a Holanda não é a Alemanha. Porque o jogo do Brasil foi a mesma anarquia de jogadores que, sem saber o que fazer, marcavam encontro uns com os outros no sítio onde a bola se encontrasse. O resto era pontapé para a frente!
E foi este o Brasil que Scolari teve para apresentar, esgotada que foi a única fórmula que o homem domina – a motivação emocional de trazer por casa, de raiz populista. Que, aliada a umas arbitragens simpáticas – que hoje se repetiu, mesmo numa arbitragem deplorável, das piores de uma competição onde o nível geral foi fraco – lhe permitiu chegar às meias-finais. Onde era a pior equipa, mas também já o era nos quartos. Onde já não merecera ter chegado!
Foi, curiosamente, o primeiro terceiro lugar da Holanda num mundial. É habitué das meias-finais dos mundiais, mas nunca ganhara o último jogo. Sempre que chegou à final perdeu, como sempre também perdera quando lá não tinha chegado… Até hoje!
Falta-lhe agora ganhar a outra, a final. Ao Brasil falta-lhe agora tudo. Se calhar até jogadores… Quem diria?
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