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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Fernando Santos: o revolucionário!

 

A selecção nacional de futebol conquistou finalmente, pela primeira vez, uma grande competição internacional. Depois de algumas tentativas de chegar à final, que por isto ou por aquilo, e pela França e pela Espanha, sempre falhara. E depois do grande caldeirão de água gelada que foi aquela derrota na final do Euro 2004, em pleno Estádio da Luz.

Depois de muitas gerações de grandes jogadores de futebol, que fizeram boas selecções. Que jogavam benzinho, aquele futebol bonito, bem português: o "Brasil da Europa", mesmo quando lhe faltavam os tais trinta metros de que já Pedroto falava há quarenta anos. Que ganhava sempre, sem que nunca ganhasse nada. Era o tempo das vitórias morais. Era o nosso fado, o destino. Com a sorte sempre a voltar-nos as costas. Que dá sempre muito trabalho, coisa a que nem sempre nos dedicamos da forma mais competente...

Foi apenas há duas ou três semanas que percebemos que isto mudou tudo. Que o fado, hoje, continuando fado, é já outro. Como os fadistas... Que, se tem destino, também diz que o podemos mudar. Que não há fatalidades absolutas, e que se o "destino marca a hora", podemos sempre trocar-lhe as voltas. Ou mudar a hora.

Percebemos tudo isto quando, na fase de grupos, logo no início do campeonato, a equipa rematava como mais nenhuma, mas não marcava. Quando os postes e as traves das balizas se atravessavam à frente das bolas, impedindo-as de entrar. Quando o Cristiano Ronaldo falhava o penalti, e até os remates. E quando, de repente, tudo o que parecia adversidade se transformou em motivação, na crença absoluta que o destino estava ali para ser agarrado.

Percebemos que em vez do futebol bonitinho, mas fatalista, havia agora um futebol rigoroso, feito de concentração e de espírito colectivo. Aquio de que se fazem as grandes equipas, um misto do rigor táctico italiano com a força mental alemã. 

Assistimos incrédulos a esta reviravolta, e tivemos até muita dificuldade em aceitá-la. Irónico é que, da mesma forma que o jogo de ontem foi decidido pelo mais improvável dos jogadores, esta revolução tenha sido feita pelo mais improvável dos treinadores.

Dir-se-ia que no panorama do futebol português só haveria um nome capaz de tanto. Mas não. Não foi Mourinho. O revolucionário está-lhe nas antípodas. É low profile, dizem até que pé frio, e tido por perdedor pela maior parte dos adeptos portugueses dos três maiores clubes que, caso que creio único, já treinou. Um conservador, a quem facilmente poderiam chamar bota de elástico. Um homem de fé, de culto ao sobrenatural, fora de moda, a quem ninguém entregaria tamanha encomenda.

É por isso que a primeira grande conquista da selecção nacional de futebol tem que ter um nome: Fernando Santos!

À campeão. Para que não haja dúvidas...

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Neste tão badalado jogo da Madeira, o Benfica fez questão de demonstrar por que vai ser, com toda a justiça, de novo campeão. Por causa das dúvidas…

Nem entrou bem no jogo. A velocidade e a intensidade com que entrou não eram suficientes para agarrar um jogo que não se podia dar ao luxo de não ganhar. Coisa temporária, que rapidamente se resolveu. Pouco a pouco o Benfica soube levar ao jogo tudo aquilo que ele pedia. À meia hora de jogo a equipa já asfixiava o Marítimo, encostado à sua baliza. Já tinha uma bola no ferro, com mais magia do Jonas, e o árbitro já tinha feito vista grossa a dois lances para penalti, um deles com o cúmulo de um amarelo - decisivo - ao Renato Sanches. Para controlar danos, o Marítimo começou a deitar mão ao antijogo que se tem visto aos adversários do Benfica, lançando jogadores para o chão, uns atrás dos outros. E contou com a preciosa ajuda do Renato Sanches. Porque a do sucessor do Olegário Benquerença já vinha de trás, do tal penalti não assinalado com cúmulo em amarelo. A expulsão do miúdo, a sete ou oito minutos do intervalo, colocava ponto final no sufoco do Benfica. Que não na imensa superioridade do Benfica. Nem na crença benfiquista!

Com dez, na segunda parte, o Benfica dominou por completo o jogo. Noutro registo, sem sufocos nem asfixias, o Benfica marcou por duas vezes, teve mais uma bola no ferro, e criou mais três ou quatro oportunidades claríssimas de golo. Numa delas o Pizzi cometeu a proeza de acertar no guarda redes deitado no chão… E o tal discípulo de Benquerença deixou ainda passar mais um penalti sobre o Mitroglou.

Isto é “à campeão”. Isto é de campeões… Com mala ou sem mala. Com dez ou com onze. Com o campo encharcado – com os jogadores a escorregarem pelo campo encharcado, ao intervalo voltaram abrir as torneiras – ou seco. Contra tudo e todos, esta sensacional equipa do Benfica esteve-se nas tintas para as contrariedades. Foi-se ao jogo e ganhou-o com toda a clareza.

E vai certamente ser campeão, tricampeão, 39 anos depois… E vai certamente festejar o 35 no próximo domingo!

Brasil 2014 XXVIII - E no fim ganhou a Alemanha...

Por Eduardo Louro

 

 

Pelo que se tinha visto, ninguém imaginaria as dificuldades por que a Alemanha iria passar nesta final. À superioridade patenteada pelos alemães ao longo da competição juntavam-se as vantagens de mais um dia de descanso e de um muito menor dispêndio de energias para chegar à final. Enquanto a Argentina, para aqui chegar, teve o desgaste de um prolongamento, e até dos penaltis, com a Holanda, a Alemanha, à meia hora de jogo tinha tudo tratado com o Brasil. Acresce ainda que, com o tipo de jogo da selecção alemã, com muita posse de bola, eram os jogadores argentinos que mais tinham de se desgastar a procurá-la.

Mas, mesmo com dificuldades inesperadas, ganhou. Foi preciso esperar pelo minuto 22 do prolongamento para que Gotze, que tinha entrado para jogar o prolongamento apenas na segunda substituição alemã, – e a primeira tinha sido logo aos 30 minutos de jogo por lesão de Kramer, que substituira Khedira (que falta fez!), lesionado no aquecimento – fazer o golo (na imagem), magnífico deve dizer-se, que garantiu o primeiro título de uma selecção europeia no continente americano.  

Ganhou a Alemanha, como toda a gente esperava, mas também podia ter ganho a Argentina. Que fez um campeonato em crescendo, de menos para mais. Ao ponto de hoje ter podido discutir o jogo, e até ganhá-lo. Mesmo que na verdade a melhoria da equipa fosse especialmente notória na forma como defendeu e se defendeu. Mesmo com um processo ofensivo rudimentar, ficou a ideia que, com Di Maria, esta Argentina daria ainda outra resposta mas, acima de tudo que, com Messi perto do seu nível – de facto, e não na visão enviesada da FIFA, que lhe atribuiu o troféu de melhor jogador da competição – seria campeã do mundo!

Muito se bateu aqui no seleccionador argentino. Alejandro Sabella teve a virtude de não ser tão teimoso quanto Paulo Bento ou Scolari, mas nem assim deixou de cometer erros que porventura este segundo lugar, atrás de uma grande equipa como é a Alemanha, irá esconder. Não se saberá que culpas terá – se é que tem alguma – na má condição de Aguero e no sub rendimento de Messi. Mas tem-nas nas ausências de Gaitan e de Tevez, e na falta de um modelo de jogo conforme com o talento de que dispõe.

Ganhou a Alemanha, que foi a melhor equipa do campeonato e é actualmente a melhor selecção do mundo, confirmando - paradoxalmente - a regra da continentalidade: na Europa ganham os europeus, na América ganham os americanos. É que, com este título, a Alemanha é a excepção que confirma a regra. Como foi o Brasil em 1958, na Suécia!

Uma chama imensa

Por Eduardo Louro

 

 

Não foi fácil. Nada é fácil para o Benfica, tudo tem de ser muito conquistado e assim é que é bonito.

O Olhanense dificultou, como lhe competia. Se jogasse sempre assim não ocuparia certamente a última posição e não estaria a caminho da II Liga. Mas dá vontade de dizer que, se todos jogassem sempre como sempre jogam contra o Benfica, ninguém descia de divisão. Teriam que se inventar novos regulamentos!

Para ganhar o Benfica teve de puxar do seu às de trunfo: as transições rápidas. Duas, praticamente seguidas, deram os dois golos. Antes – e também depois, se bem que menos – oportunidades de golo criadas de todas as maneiras e feitios, mas golos … Nada. A bola não entrava!

Entrou daquelas duas vezes, ainda nos primórdios da segunda parte, se bem que o jogo tenha terminado pouco depois. Depois dos golos só havia cabeça para a festa, olhos para a bancada e ouvidos para o apito do árbitro. Quando se ouviu pela última vez foi a explosão da festa. Na Luz e no resto do mundo!

É o 33º, que inexplicavelmente fugia há dois anos consecutivos, e a felicidade imensa. Como a chama, essa chama que nos envaidece e engrandece!

Venham as faixas. Reserve-se o Marquês...

Por Eduardo Louro

 Benfica-Rio Ave, 4-0 (crónica)

 

Por mim, acabaram-se as dúvidas. Com matemática ou sem matemática… o título já não foge!

Tive esta certeza quando hoje o Benfica fez o terceiro golo.

Não que esse golo tenha sido decisivo para um jogo que era dado por decisivo. Foi apenas o terceiro dos quatro com que ganhou este jogo ao Rio Ave, que era a ficha em que muita gente apostava. Era a equipa dos jogos fora, com registos até superiores aos dos grandes. Até com menos golos sofridos fora que o próprio Benfica…

Não porque tenha sido um golo fantástico, ou resultado de uma jogada brilhante. Isso tinha acontecido no primeiro, do Rodrigo – mais uma grande exibição – e fantástico fora o segundo, do extraordinário Gaitan, um fora de série em grande forma.

Foi simplesmente um golo de penalti. Um penalti cometido sobre o Maxi, no seguimento de mais uma grande jogada de futebol. Não porque tenha sido o golo de Cardozo, que há cinco meses lhe fugia...

Apenas e tão só pela forma como foi comemorado. Pelo Cardozo e pela equipa toda, incluindo suplentes. Um grupo que festeja assim um golo destes só pode ser campeão!

Podem pois encomendar-se as faixas, ou reservar o Marquês. Uma equipa que joga como hoje jogou, sem dar a mínima chance ao adversário, com uma qualidade só ao alcance das grandes equipas de futebol e com um mágico como Gaitan (com a criatividade habitual da imprensa desportiva já estou a ver os títulos de amanhã: “Eu show Nico”!) tem que ser campeã.

Mas isso já tinha que ser no ano passado. E no anterior… E só não foi porque lhe faltou aquilo que este golo mostrou!

A festa à volta de Cardozo – porque é o Cardozo, com tudo o que nesta época é e representa, e porque era, vinha sendo, o corpo estranho dentro da equipa que aqui tanta vez referi – mostra o espírito de grupo e a união de que se fazem os campeões. Um espírito a que Jorge Jesus, surpreendentemente na sua quinta – e eventualmente última – época no Benfica, conseguiu dar corpo. De repente, vindo não se sabe de onde, nasceu um novo Jesus que já não é o centro do mundo. Bastou-lhe isso, esse pequeno pormenor de passar a reconhecer o mérito dos jogadores, para acrescentar dinâmica relacional e qualidade mental à sua enorme capacidade de criar qualidade de jogo! 

CAMPEÃO EUROPEU

Por Eduardo Louro

 

Preciamente uma semana depois de um grande choque, uma grande alegria: o Benfica sagrou-se hoje, pela primeira vez, campeão europeu de hóquei em patins. Em pleno Dragão, contra o Porto, numa inédita final portuguesa. 

Ganhou por 6-5, com o golo de ouro, depois de 5-5 no tempo regulamentar. Um golo de Diogo Rafael, ainda na primeira parte do prolongamento.

Ontem, no arranque da final four, o Benfica eliminara o Barcelona, altura em que adeptos portistas desencadearam alguns incidentes que obrigaram as poucas dezenas de adeptos benfiquistas a abandonar as bancadas. Por isso, alegando falta de condições de segurança, e porque  reclamava mais bilhetes que os que lhe foram distribuídos para afinal, o Benfica ameaçou não disputar o jogo. 

Ainda bem que a ameaça não passou disso mesmo! 

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