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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Mundial da África do Sul #11: Ponto(s) Fina(l)is

 

Por Eduardo Louro

 

 

1. Caiu o pano sobre o mundial!

Precisamente um mês depois – o que quer dizer que o Quinta Emenda cumpre hoje o seu primeiro mês – o primeiro mundial africano chega ao fim.

O primeiro sentimento é de regozijo pelo sucesso organizativo de um acontecimento desta dimensão num continente sempre adiado. É certo que falamos do mais desenvolvido dos seus países, mas representa todo um continente e todo um povo. Que merece e tem de ter crédito!

O segundo é de tributo. De um tributo a Nelson Mandela e ao país que inventou!

Se com o mundial de rugby, em 1995, Nelson Mandela ganhou um país, o seu país mais livre e mais justo, com este mundial de futebol, de que foi o primeiro impulsionador, reforçou a sua identidade nacional. Hoje também brancos jogam futebol e negros também jogam rugby. E não era assim!

Foi com emoção que, depois de impedido pelo destino, tantas vezes cruel, de abrir o campeonato, testemunhamos a tremenda ovação com que Mandela foi brindado no seu encerramento.

2. O sentimento que fica é que desportivamente o mundial foi um êxito. Com grandes espectáculos de futebol e, para nós que o vimos através da televisão, com grandes espectáculos televisivos.

Normalmente retemos as últimas impressões e tendemos a esquecer as primeiras. Mas a verdade é que, salvo poucas excepções, os espectáculos de bom futebol começaram apenas na terceira e última ronda da fase de grupos.

Já vem sendo habitual que a fase inicial de grupos seja enfadonha e desinteressante, o que poderá levar a questionar o modelo. Compreendo, face aos interesses em jogo, que seja difícil encontrar alguma alternativa. Claro que a FIFA, com os meios de que dispõe para a promoção do negócio, consegue contornar este handicap transformando, apesar de tudo, este evento num fenómeno cada vez mais inclusivo, mais abrangente e mais transversal.

Mesmo assim parece-me que haverá que velar pelo espectáculo. Para isso, e para além de eventuais modificações no modelo competitivo da primeira fase, também o timming, no final de uma época desgastante, é inimigo da qualidade do espectáculo. Sei da complexidade que é mexer nos calendários competitivos, mas realizar estas provas em Setembro/Outubro daria certamente outras garantias.

Este foi, ainda, o campeonato do mundo que, depois daquele domingo negro, pode ter levado a FIFA a abrir as portas ao uso das tecnologias na arbitragem.

3. Fica ainda um sentimento de justiça competitiva. As três selecções que ocupam o pódio, exactamente nos lugares que ocupam, são as melhores deste campeonato do mundo. O futebol, como a economia, frequentemente premeia os especuladores. Neste mundial isso não aconteceu, os especuladores foram normalmente penalizados. A excepção, que confirma a regra, foi a Argentina, afastada pelo romantismo e pela ideia de que a Maradona tudo se perdoa!

A Espanha ganhou porque foi a melhor equipa mas também foi sempre fiel aos seus princípios, nunca de descaracterizou para de adaptar ao adversário. Ao contrário de todos os outros …

O Brasil, o grande favorito, foi para casa sem honra nem glória precisamente por isso. Não lhe faltaram jogadores. Tinha lá dos melhores. Quis ser uma equipa europeia, faltaram-lhe os seus princípios, faltou-lhe samba! A Alemanha talvez tenha falhado a final por achar que, contra a Espanha, poderia especular como fizera com a Inglaterra e a Argentina.

4. A final foi um grande jogo de futebol entre as duas equipas melhores equipas da prova. Holanda e Espanha assentam o seu jogo numa mesma matriz com um denominador comum: Johan Cruiff!

É fantástico como uma personagem, mesmo sendo uma das maiores de sempre do futebol consegue, depois de tantos anos de afastamento dos campos, marcar tão fortemente o melhor futebol do mundo na actualidade. Há mais de 30 anos transportou para os relvados uma concepção de jogo nascida no Ajax de Amsterdão. Terminada a carreira de jogador, já em Barcelona, semeou-a cuidadosamente. Deixaram-na crescer, conheceu os melhores tratadores e está hoje melhor que no seu habitat natural!

Uma cópia melhor que o original: esta Espanha é melhor que esta Holanda porque tem muito bons jogadores em maior quantidade, porque é uma equipa muito mais equilibrada (a defesa holandesa tem alguma dificuldade em suportar o resto da equipa, em empurrá-la sustentadamente para a frente) e muito mais trabalhada. Porque assenta num grande bloco (70% da equipa) de um clube – o Barcelona – e porque trabalham juntos nas selecções desde os 16 anos.

5. O novo campeão do mundo é portador do futebol mais apelativo e mais entusiasmante da actualidade. Um futebol nado e criado em Barcelona que a selecção espanhola em boa hora adoptou.

Hoje nuestros hermanos estão em fiesta. É, mais uma vez, um feito extraordinário do futebol: une o que tanta coisa separa!

No meio de tudo isto há um português que, apesar de ir receber três campeões do mundo, poderá não ficar com o trabalho facilitado: sabe-se como o Real Madrid e Mourinho não são muito adeptos do futebol do Barcelona. O futebol que a Espanha e o mundo hoje não se cansam de aclamar como o melhor!

Mundial da África do Sul #10: O último adeus...

Por Eduardo Louro

 

 

Tranquilizem-se. Não morreu ninguém!

Fechada a janela dos quartos de final é tempo das últimas despedidas antes do fim de festa. Estas são as despedias em lágrimas: iniciaram-se com o fim da fase de grupos, quando, surpreendentemente, se despediu gente grande como a Itália e a França, esta com uma despedida à francesa – envergonhada, não se sabe se por ter aparecido sem ter sido convidada (ou mal convidada), se pelas tristes figuras que fez; continuaram nos oitavos de final, primeira ronda eliminatória, quando se despediriam alguns convidados VIP, como a Inglaterra e Portugal (até aqui a velha aliança continua viva) e terminaram nos quartos (de final, bem entendido) com a despedida de dois convidados de honra – Brasil e Argentina.

Para o fim de festa ficaram Alemanha, Espanha, Holanda e Uruguai – esta sempre bem protegida pela sorte do sorteio e por outras sortes – que irão disputar os sete jogos correspondentes a todas as rondas da festa. E 10 árbitros!

É aqui que surge o último adeus português: Olegário Benquerença! Fez três jogos – um recorde nacional, nunca um árbitro português tinha arbitrado tantos jogos num campeonato do mundo – e aguentou-se por lá bem mais tempo que a selecção nacional. Chegara primeiro e já entrara em jogo também primeiro, como aqui dera nota. Mas não esteve lá apenas mais tempo: esteve mais tempo e bem melhor que os nossos rapazes, a ponto de não merecer ter regressado a casa antes do cair do pano.

Para esta despedida só há uma explicação, que encontro precisamente na história da histórica participação de Olegário Benquerença: é que acabaram-se os jogos com equipas africanas!

É isso! O nosso conterrâneo estava, no primeiro mundial africano, destinado a arbitrar apenas equipas africanas, de quem muito se esperava. Mas acabaram-se nos quartos de final, e pronto. Já lá não estava a fazer nada…

Num campeonato do mundo marcado por más prestações da arbitragem, com erros para todos os gostos, e alguns do mais grosseiro que se pode ver (e nem de todos a FIFA pediu desculpas!), ao ponto de, finalmente, os órgãos máximos do futebol passarem a considerar a hipótese de recurso à tecnologia, as três prestações de Olegário Benquerença foram merecedoras de nota bem alta. Nos dois primeiros jogos, Japão – Camarões (1-0) e Nigéria – Coreia do Sul (2-2), daqueles que se dizem fáceis de arbitrar, teve o imenso mérito de não complicar. O terceiro e último – o mais dramático dos jogos do campeonato – foi diferente, um jogo que teve de tudo: perto de 50 faltas, prolongamento, um penalti na última jogada, esgotado o 120º minuto, e desempate por penaltis. Um jogo de elevado grau de dificuldade, intenso e sem erros, com apenas duas circunstâncias de dúvida – uma em cada área. Ambas de difícil avaliação em que se decidiu (eventualmente) pelo mais fácil: nada assinalar!

Perante um desempenho destes não há dúvida que o Olegário apenas não ficou para arbitrar (pelo menos) um dos jogos das meias-finais porque não está lá nenhuma selecção africana. Mas podiam ter avisado que era isso que estava no chip!

Mundial da África do Sul #9: Adeus ... Brasil

 

Por Eduardo Louro

 

 

Aí está a surpresa das surpresas: a selecção brasileira foi afastada (2-1) pela Holanda nos quartos de final do campeonato do mundo.  

A selecção do Brasil, depois de uma primeira parte de um domínio completo construído, a partir de um golo marcado muito cedo, caiu a pique na segunda. Depois de sofrer (mal) o golo do empate, logo no início do segundo tempo, os brasileiros perderam todos os equilíbrios tácticos e emocionais, confirmando uma fragilidade emocional que já se havia percebido no jogo com Portugal. Como também já se havia percebido que Filipe Melo, hoje, e apesar do fantástico passe para o golo, o verdadeiro réu (auto-golo e expulsão), é seriamente deficitário ao nível da mentalidade competitiva.  

A selecção holandesa, particularmente rija e esperta, mesmo sem conseguir pôr em prática o seu excelente futebol, acabou por justificar amplamente a vitória. Afirma-se a partir deste jogo, o seu primeiro verdadeiro teste na prova, como uma das candidatas de primeira linha, apesar da apregoada fragilidade defensiva.

 

 

 

 

 

 

 

Mundial da África do Sul #8: Adeus

Por Eduardo Louro

 

Como estava escrito nos astros, a selecção nacional está de regresso a casa. Cumpridos os serviços mínimos mas sem conseguir evitar uma certa frustração…

Carlos Queiroz adoptara uma linguagem de coragem. Revelara uma ambição e mesmo atrevimento de discurso que ninguém lhe reconheceria, ao ponto de prometer conquistas em que mais ninguém acreditava. Mais ninguém tinha razões para acreditar, e quase todos percebíamos que aquela ousadia era como que uma espreitadela furtiva por trás de uma barreira de protecção, aquela que todo o poderio reconhecido à Espanha representava.

Íamos ficando com a ideia que, enquanto toda a gente – Brasil incluído – queria evitar a Espanha, o seleccionador nacional queria mesmo encontrá-la, para nela encontrar a redenção. Claro que ninguém lhe poderia, como não pode, cobrar-lhe a derrota aos pés do campeão europeu, que chegava à África do Sul na pele de favorito-mor à conquista do título mundial.

E no entanto o jogo até começou por correr bem, ficando no ar que a selecção nacional teria as suas hipóteses, que aquilo não eram favas contadas para os nuestros hermanos. Até que, por volta do final do primeiro quarto de hora da segunda parte, os dois treinadores mexeram. Aí veio ao de cima o fado queirosiano: ao mexer estragou, como é hábito. E, como um mal nunca vem só, o espanhol acertou. Em cheio! Porque, com um jogador fixo na área, corpulento e por azar igualzinho àquele que Queiroz acabara de retirar, a Espanha destabilizou a nossa defesa e marcou de imediato, acentuando o controlo do jogo que nunca deixaria fugir.

E pronto. Um ponto final que parece de encomenda: eliminação pela Espanha, com um só golo e, ainda por cima, acabando a jogar com 10!

Um ponto final que permitirá continuar a alimentar muitas mentiras. Apenas desmente a maior de todas: o ranking da FIFA.

Mundial da África do Sul #7: Arbitragem - Dia Negro ou Dia Zero?

Por Eduardo Louro

 

As arbitragens até nem vinham mal de todo. O pano não era do melhor – não se podendo, por isso, dizer que no melhor pano cai a nódoa – mas lá iam levando a água ao moinho. Até ontem!

Começou no Argentina – México: quando, surpreendentemente, o México dominava o jogo e se impunha à agora super favorita equipa alvi-celeste do agora grande seleccionador Maradona, a arbitragem de uma equipa italiana, liderada por um tipo com um certo ar de vaidoso, valida um golo argentino obtido a partir de um dos mais escandalosos foras de jogo de que há memória. A partir daí, e com mais um erro grosseiro, desta vez de um defesa mexicano, a Argentina ganharia (3-1) e garantiria o acesso aos quartos de final, onde irá encontrar o seu parceiro de sorte.

Precisamente a Alemanha que, no segundo jogo do dia – provavelmente o melhor jogo da prova até agora – beneficia do que será o mais escandaloso erro de arbitragem num campeonato do mundo. Desta vez é uma equipa de arbitragem uruguaia que invalida um golo da Inglaterra quando toda a gente viu a bola bem dentro da baliza. O golo que consumaria uma recuperação notável da equipa inglesa de 0-2 para 2-2, numa altura fundamental do jogo. A Alemanha acabaria por, numa estratégia de contra-ataque que, assim, pôde sempre manter, ganhar o jogo (4-1) e chegar aos quartos de final.

Vêm-nos há memória os erros em anteriores campeonatos do mundo. Lembramo-nos do Mundial de Inglaterra de 1966, onde a Alemanha perdeu a final precisamente para a mesma Inglaterra com um golo que não o teria sido. Mas desse ainda hoje ninguém tem certezas. Com dois erros tão escandalosos como os de ontem é que não há memória…

Veremos até que ponto este mundial não ficará marcado pela questão da arbitragem. A França já aqui chegara através do benefício de um outro erro grosseiro. Pagou com uma participação lastimável, como vimos. Agora, com os dois beneficiados a defrontarem-se entre si, apenas um deles irá pagar! O outro chegará sempre a um dos melhores quatro lugares.

Meios auxiliares de decisão para as equipas de arbitragem por recurso às novas tecnologias disponíveis? Claro que sim, a decisão do recorrer a essas tecnologias não pode sequer ser questionada! Guardem-se as questões apenas para o quando e o como!

 

Mundial da África do Sul #6: Au revoir

Por Eduardo Louro

 

Feitas as contas do primeiro dos grupos desta fase inicial da prova e fechado o grupo A da selecção da casa, a França, derrotada no último jogo pelos Bafana-Bafana, regressa a casa sem honra nem glória. Pior, vergada ao peso de uma participação verdadeiramente vergonhosa, no plano desportivo mas também no plano social. Com um único ponto, mercê de um empate com o Uruguai – primeiro classificado do grupo – logo na primeira jornada, duas derrotas e apenas um golo marcado. E com um comportamento social vergonhoso: discussões, expulsões, greves e ameaças de toda a ordem.

Uma participação amaldiçoada, uma maldição lançada pela Irlanda, injusta e batoteiramente afastada deste mundial pela escandalosa mão de Henry e pelo peso institucional da França (n`est ce pas Monsieur Michel Platini?) apadrinhado pelos superiores interesses da FIFA. Mas também amaldiçoada por um treinador arrogante, antipático e deselegante, capaz de resumir uma das maiores potências do futebol mundial  a um grupo de jogadores incapazes, contestatários e indisciplinados.

Como disse Zidane, este mundial será lembrado pelo vencedor e pela selecção francesa que se recusou a treinar!

Mundial da África do Sul #5: Ketchup

Isto é futebol (SAPO)

Ao segundo jogo a goleada, a lembrar a feliz imagem que o Cristiano Ronaldo tinha lançado: “os golos são como o ketchup, às vezes saem todos de uma vez”.

Uma goleada que chegou com o Verão, que se apresentou precisamente à hora em que se ouvia o hino nacional. Uma boa hora, como se viu quando reparamos que, pela primeira vez de há muito a esta parte, todos os jogadores o cantaram. Percebeu-se então que na Cidade do Cabo, naquele Green Point onde ainda ninguém ganhara – e já lá tinham jogado a Itália e a Inglaterra, entre outros – as coisas podiam correr bem: que aquela Coreia do Norte se transformaria também de Tormenta em Boa Esperança.

Fica o resultado, sete a zero que já não se usam, num jogo com uma segunda parte imprópria de uma fase final do Campeonato do Mundo de Futebol. E ficam algumas coisas boas: um resultado moralizador, que esperemos possa tranquilizar aquela gente, o regresso de CR aos golos pela selecção, um golo que fugia e que os ferros das balizas lhe iam negando mas que acabou por surgir num movimento invulgar e com uma coreografia espantosa e, finalmente, a feliz exibição de Tiago, coroada com dois golos e a permitir perspectivar a eventual substituição de Deco que, afinal e como se viu, é agora premente.

Mas também ficam algumas coisas más, que seria bom não tapar com este resultado: o completo desperdício das situações de bola parada, com os cantos sucessivamente mal marcados (ao primeiro poste e por baixo) e a falta de soluções testadas e trabalhadas para a cobrança dos livres; a posição de lateral direito que continua por resolver depois de testadas as soluções Paulo Ferreira e Miguel, este hoje claramente o elo mais fraco da equipa, a pedir agora que se experimente a solução Ruben Amorim e, ainda, o definitivo atestado de incapacidade de Pepe pois, de outra forma, não se percebe que, chegada a hora das substituições, não tenha sido utilizado.

Ah! Repararam que o Simão esboçou o festejo do seu golo com o gesto do anúncio publicitário àquela rede de fast food que ele promove? Não passou de um esboço ou foram as câmaras de televisão que se desviaram? Um tema que não será pacífico…

 

Mundial da África do Sul #4: Brasil soma e segue

A selecção brasileira tem praticamente assegurado o apuramento para os oitavos de final. Resta saber se quererá (ou poderá) tentar fugir ao primeiro lugar no grupo, para eventualmente se desviar da Espanha.

Vitória clara (3-1) num jogo que esperemos sirva para Carlos Queirós perceber que quando se joga para ganhar é mais provável que se ganhe. O Brasil jogou para ganhar e deixou a Costa de Marfim sem argumentos…

Claro que o árbitro, um francês com uma actuação ao nível do da sua selecção, deu uma ajuda. Como que para justificar a mão do Henry com que a selecção francesa havia sido apurada, também permitiu que Luís Fabiano, no segundo golo, jogasse a bola com a mão. Não uma mas duas vezes! Hilariante foi vê-lo a explicar ao jogador que não tinha jogado a bola com a mão mas com o peito. Fantástico!

 

 

Futebolês #30 Magia

Magia não é algo que apenas encante crianças e que preencha os seus reinos de fantasias. Nada que se esgote num coelho tirado da cartola num qualquer palco da mais popular das feiras ou da mais elegante sala de espectáculos. Nada que se esgote na imaginação de cada um, que espera encontrar magia em cada esquina da vida para manter vivas todas as ilusões da criança que, lá bem no fundo, ninguém quer deixar de ser.

No futebol e na sua linguagem a magia em nada difere disto, ou não fosse o futebol isto mesmo, como invariavelmente dizem os artistas da bola quando pretendem explicar qualquer coisa que, ou não tem explicação ou, a tê-la, não sabem ou não querem dá-la.

Com uma diferença, é que no futebol a magia é espalhada pela relva. Espalhar magia pela relva não está ao alcance de qualquer um: apenas dos mágicos, dos grandes fantasistas. Nem está propriamente  ao alcance de todos os grandes talentos. Os talentos de que foram dotados bastam para os tornar grandes artistas, grandes estrelas e mesmo foras de série, mas não são suficientes para os catapultar para o Olimpo dos mágicos.

São muitos os exemplos de grandes foras de série que não atingiram a dimensão de mágicos. Podem ser grandes patrões, grandes maestros e grandes criativos, mas não são mágicos!

Magia espalhou Di Maria esta época pelos palcos deste país, ao ponto de deixar Mourinho hipnotizado e louco por o levar para Madrid. E ao ponto de ficar ele próprio encantado com tanta ilusão… Magia a sério continua Messi a espalhar por todos os relvados do mundo. Esse sim, o maior mágico em actividade!

Em Portugal, apesar da fama de grandes criativos (e não apenas no futebol!), mágico mesmo e reconhecido como tal, só há um: Deco! Já lá vão uns anitos mas todos nos lembramos daqueles cartazes exibidos nas Antas e já no Dragão: o nosso mágico, podia ler-se por baixo daquela imagem de Deco com cartola e tudo!

Pois o nosso mágico, que o nosso país empurrou para o estrelato mundial – pela formação e desenvolvimento que lhe permitiu, pela nacionalidade que lhe emprestou, e que lhe abriu as portas das melhores equipas da Europa, pelo seu estatuto de cidadão comunitário, e as de uma das selecções mais fortes do seu tempo (quando as da selecção brasileira nunca se lhe abriram) – anunciara há poucos meses que iria abandonar a selecção nacional. O que seria natural, até pela sua idade. O que já não seria natural é que o fizesse envolto em expressões de muito pouco apreço pela nação que o acolheu e de despropositada reafirmação do seu brasileirismo. Que, não sendo natural, cheirou a provocação!

O nosso mágico passou toda a época sem jogar, entre os bancos das clínicas e o banco de suplentes. Naturalmente sem ritmo de jogo para entrar num campeonato do mundo e, dada a  sua idade, sem condições para atingir os níveis de desempenho que a selecção requer e necessita. Mesmo assim o seleccionador Carlos Queirós não hesitou em convocá-lo. E não se limitou a convocá-lo, tratou de lhe dar um estatuto superior ao deixar de convocar qualquer alternativa: nem Carlos Martins, nem João Moutinho, nem Nuno Assis!

Errou Carlos Queirós, como parece continuar a errar em quase todos os capítulos desta nossa presença na África do Sul. Mas não merecia que a primeira pedra (e que pedra!) lhe fosse lançada precisamente pelo mágico. Que, não tendo arte para a transformar em flores, lenços ou simples rolos de papel colorido, ensaiou um passe de mágica pouco convincente e nada credível. Um número falhado, desastrado mesmo!

Não pôde, como muitas vezes fazem, negar as declarações proferidas. A televisão, e em directo, não permite o mesmo que os jornais! Nem que se roubem os gravadores! Retratou-se, mas ninguém o levou a sério. Afinal nem sequer pode invocar que foi a quente. A quente passou ele pelo banco, direito ao balneário. Aí teve bem tempo de refrescar tudo o que estivesse quente, antes de lhe colocarem um microfone à frente.

O que ficou claro é que, depois da mal contada história do Nani, muitas mais histórias ficam para contar. A Saltillo (México 86) e à Coreia 2002  juntar-se-á mais uma página negra: África do Sul 2010.

É pena, mas são estes os mágicos que temos!

Mundial da África do Sul #3: A surpresa

A primeira jornada acaba de terminar com a surpreendente derrota da Espanha frente à Suiça (0-1) e com um bom jogo de futebol.

Esta é uma surpresa que nem de encomenda para selecção portuguesa! Parece-me bem que, a partir de agora, o Brasil não vai querer ganhar o grupo…

Grande vitória da Suiça que, inesperadamente, abre uma enorme janela de oportunidade à nossa tão debilitada selecção!

 

 

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