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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

O sorteio da polémica? Ou a polémica do sorteio?

Por Eduardo Louro

 

Com o sorteio dos grupos para a primeira fase pode dizer-se que arrancou o Campeonato do Mundo do Brasil. Com enorme polémica, com polémica em cima da polémica que normalmente acompanha este tipo de sorteios, raramente claros…

Já há grupos, já há bola – a brasuka – mas ainda não há estádios. Exactamente, ainda há estádios por concluir, o que sendo inédito não parece polémico. Polémica há desde logo na designação dos apresentadores do espectáculo que integra o sorteio, um casal - de marido e mulher, mas não é por aí – de louros, que não de olhos azuis. Diz-se que impostos pela FIFA, de Blatter, que numa atitude racista teria excluído a mais escura tez afro-brasileira.

O centro da polémica está mesmo no coração do sorteio, na constituição dos quatro potes, de oito selecções cada. O primeiro não ofereceria grandes dúvidas, se dúvidas não houvesse na designação dos cabeças de série. Mas há: se a Bélgica, mercê de uma notável fase de apuramento - e de facto, uma grande selecção, de que muito se espera - não fará levantar grandes dúvidas, já ninguém percebe por que carga de água lá está a Suíça. No segundo pote estava o busílis da questão, porque só lá estavam sete, em vez das oito selecções. A oitava seria, de acordo com as regras que sempre vigoraram, a selecção europeia com menor classificação no ranking da FIFA – na circunstância a França. O terceiro pote não suscitaria qualquer problema e o quarto, por contraponto ao segundo, estava no olho do furacão. Ficara com nove selecções, donde uma sairia por sorteio, para completar o tal pote 2, em vez da protegida França.  

Platini pretendia ainda melhor, queria mesmo que, em vez do sorteio com que Blatter brindou a sua França, fosse a Bósnia, na qualidade de debutante, a seguir directamente para esse segundo pote. Não seria nem mais nem menos escandaloso, o escândalo já estava na alteração da regra, que não servia os interesses franceses…

E lá saiu a bola do pote 4, directamente para o 2, sem mais. Para dourar a pílula não foi sequer anunciada a selecção sorteada, como que havendo qualquer coisa a esconder. Perceber-se-ia quase de imediato - sem que nunca fosse anunciado - que a fava tinha saído à Itália, e não à França, como seria escrever direito por linhas tortas. Que, agradecida, acabou por cair no grupo E, de todos claramente o mais fácil, com a Suíça – grupo que tivesse este estranho cabeça de série seria sempre o mais fácil - as Honduras e o Equador. Já à Itália cabe disputar com o Uruguai e a Inglaterra – três galos para apenas dois poleiros - e a Costa Rica, os dois lugares que asseguram a qualificação.

Também a selecção portuguesa tem pela frente tarefa bem difícil, com Alemanha – um dos principais candidatos, seria mesmo o principal se o campeonato se disputasse na Europa -, Gana, a mais poderosa selecção africana, que esteve às portas das meias-finais no último Mundial, na África do Sul, e Estados Unidos, provavelmente o adversário mais acessível. Mas também com deslocações complicadas (Salvador, Manaus e Brasília), em especial a Manaus, na Amazónia, longe de tudo mas perto do inferno, com calor e humidade pouco menos que insuportáveis.

Para que as polémicas não ficassem por aqui, o minuto de silêncio por Mandela não terá passado dos 10 segundos. E ainda um twit que antes do sorteio dava a constituição integral do grupo F, da Argentina. Ou outro que também previra que a fava do pote 2 saía à Itália!

Um fado com final feliz

Por Eduardo Louro

 

 

A selecção nacional está apurada para o Brasil. Tarde, mais tarde do que a sua valia colectiva merecia, mas dentro daquilo que é o nosso fado. Um fado onde cabem velhas crenças, mas também velhas estórias. Uma delas é a do cântaro, da fonte, e da asa que alguma vez lá haverá de ficar…

Não foi ainda desta vez que lá ficou. Não poderia mesmo ser desta vez: porque não há asa que se quebre quando no cântaro está um génio; e porque a selecção da Suécia vale bem menos do que o que se anunciava, e bem menos do que se temia.

No cântaro, como se fosse lâmpada, estava o génio de Cristiano Ronaldo. Que fez, de longe, o melhor jogo de sempre pela selecção nacional e certamente um dos melhores jogos da sua já longa e sempre brilhante carreira. Hoje em dia só não é o melhor do mundo porque não é deste mundo!

Defendi frequentemente no passado que Cristiano Ronaldo era o melhor jogador do mundo. Que Messi não era deste mundo, e não era por isso comparável. Hoje é claramente o português que não é deste mundo, e é injusta para Messi e Ribery a discussão que por aí corre, como desigual e injusto foi o duelo para que convocaram Ibrahimovic, apesar da forma digna e capaz com que hoje, na segunda parte, se apresentou. A mostrar claramente que a selecção sueca é ele próprio, que para além dele é o deserto.

Por isso se percebeu hoje que o jogo retraído e ultra defensivo de Lisboa não fora estratégia. Que é mesmo assim, que pura e simplesmente a selecção sueca não tem mais (futebol) para dar.

É certo que chegou a assustar, quando a vinte minutos do fim estava a um golo do apuramento e galvanizada pela reviravolta no resultado. Sol de pouca dura, porque neste jogo de grande emoção e muito bem disputado, a selecção nacional foi tudo o que foi nesta fase de apuramento. E sendo tudo isso, já fora até aquela altura tudo o que de mau tinha sido!

A selecção nacional parece ter querido fazer deste decisivo jogo do play-off um espelho do seu desempenho durante o torneio de apuramento. Começou o jogo com a displicência e a falta de dinâmica dos jogos em casa com a Irlanda e com Israel, numa apatia confrangedora que aquele episódio de Pepe parado, com a bola também parada durante largos segundos, tão bem ilustra. Depois de perceber que o adversário estava ali apenas para defender, passou a jogar à bola e a dominar de forma inconsequente o jogo, como fizera em Moscovo, no único jogo que perdeu. No início da segunda parte fez o golo e logo se acomodou, como fizera nos jogos com Israel, com idêntico resultado. Viu-se de repente na eminência de perder o apuramento, com toda a pressão do jogo. E aí, quando tudo aperta, ressurgiu no seu maior esplendor. E não foi só com Cristiano Ronaldo, embora tenha sido ele o comandante. Foi com muitos outros e com muito Moutinho...

Gostamos disto. Gostamos de sofrer até ao fim, achamos que a vitória assim tem mais sabor. Não é estratégia, não é o nosso modelo, a nossa maneira de fazer as coisas. É o nosso fado!

Já mexe, o play-off...

Por Eduardo Louro

 

 

Paulo Bento acabou de divulgar a lista de convocados para o jogo entre as selecções de Portugal e da Suécia, de hoje a uma semana no Estádio da Luz, o primeiro do play-off que nos poderá dar os bilhetes para o mundial de 2014 no Brasil.

A convocatória de Paulo Bento para esta decisiva dupla jornada tem algumas curiosidades. A primeira é que se conheceram os árbitros antes de serem conhecidos os jogadores convocados. Não é muito comum, mas a verdade é que já há um ou dois a UEFA divulgara os árbitros para este play–off: de top, o italiano Nicola Rizzoli, para o jogo de Lisboa, e o inglês Howard Webb, para o jogo da segunda mão, na Suécia.

Depois há a curiosidade da convocação de Wiliam Carvalho, o médio defensivo do Sporting que tem sido a revelação deste campeonato. Uma novidade, uma boa novidade, que o miúdo justifica em absoluto, porque é bem melhor que o titular, Miguel Veloso - ou só Miguel, como ele gosta – que dará certamente nova estreia na selecção. Estreia que poderá também passar por Bruma, que repete a convocatória que certamente manterá por muitos e bons anos.

E o regresso dos laterais João Pereira e Fábio Coentrão, há algum tempo afastados por lesão.

E que ainda não regressaram nos seus clubes… Mas também há curiosidades nas ausências. É curioso que Ruben Amorim, a atravessar o seu melhor momento de forma, tenha ficado de fora. E que também Adrien não tenha cabido nas escolhas de Paulo Bento que, incompreensivelmente, não abre mão de Ruben Micael…

Mas é com os 24 que Paulo Bento escolheu – não, não é um duelo entre Cristiano Ronaldo e Obrahimovic, por muito que qualquer deles possa ser decisivo - que vamos esperar que a selecção nacional afaste ainda mais a Suécia do Brasil. Para isso é certamente importante encher o Estádio da Luz, de hoje a oito dias. Que comece a corrida aos bilhetes para o Portugal – Suécia!

 

 

 

Saiu a fava!

Por Eduardo Louro

 

 

Enquanto a selecção nacional devia procurar alcançar a qualificação directa para o Brasil, a mensagem era que não havia problema nenhum, que o segundo lugar também dava… Keep calm, no pasa nada...

Lá chegados, começaram os problemas. Começou afinal a perceber-se que não era bem assim, que chegar ao play-off não significava mais que disputar com um adversário o direito a chegar ao Brasil. E foi essa ideia – disputar com um adversário – que levou a consciencializar que já não havia Bósnias, o sparring partner das últimas qualificações. E mais: que não havia Bósnia porque já lá estava, no Brasil. Porque, depois de anos a ficar de fora, percebeu que chegar ao play-off não era chegar aos palcos das fases finais. E por isso tratou de ganhar o seu grupo, deixando à selecção da Grécia – de Fernando Santos – as preocupações com o apuramento fora de horas.

A França é que não – dizia Cristiano Ronaldo e diziam todos. Portugal, não – diziam alguns dos franceses, que não Ribery. Depois de três vezes despachada – uma por Platini e duas por Zidane - achava-se que a selecção portuguesa evitaria por isso mesmo a equipa francesa, graças ao mesmo mas agora outro Platini.

A Islândia é que dava jeito, dizia-se. Era a prenda no bolo onde a fava, contando com a mãozinha do francês que manda na UEFA e quer mandar na FIFA, era agora a Suécia. De Ibrahimovich, o cada vez mais especialista em golos incrivelmente espectaculares!

E foi mesmo, para que ninguém mais se esqueça que o play-off é um caminho suplementar para o Brasil e não um simples carimbo para retardatários.

Ah… o brinde – a Islândia – saiu à Croácia. A França também se não pode queixar – calhou-lhe em sorte a Ucrânia. O resto fica por conta da Grécia e da Roménia! 

Quem não ganha a Israel...

Por Eduardo Louro

 

 

No primeiro dos dois jogos desta dupla jornada que encerra a fase de apuramento para a fase final do Mundial no Brasil, a selecção nacional voltou a falhar, repetindo em Alvalade o empate de Israel. Um resultado que pode parecer injusto, mesmo cruel, mas que se adivinhou durante grande parte de um jogo aborrecido e sonolento, impróprio para uma equipa com o prestígio da selecção nacional. Que assim se arrisca a que rapidamente o faça convergir com a sua qualidade de jogo!

Faltam jogadores de qualidade? Claro que sim, mas isso não está nas mãos do grupo de trabalho – como eles gostam de chamar. O seleccionador não pode inventar jogadores, embora possa escolher os melhores, o que nem sempre faz. E os jogadores não podem ir comprar mais qualidade e talento à loja da esquina. Mas todos, seleccionador (que dá sérios sinais de desorientação) e jogadores, têm a obrigação de dar sempre o máximo, sem cedências na concentração.

Um exemplo: quando nos últimos dez minutos - e já que não tinha conseguido chegar ao segundo golo - a equipa tinha de reforçar a concentração, para não deixar escapar o controlo do jogo, o que se viu foi os jogadores que estavam tapados com amarelos à procura de quezílias que lhe garantissem o cartãozinho que antecipasse a desqualificação já para a próxima terça-feira, no jogo com o Luxemburgo. Quando os jogadores tinham que estar empenhados no pleno de vitórias que mantivesse aberta a hipótese da qualificação directa, preferiram pensar nos play-offs, de Novembro. Que, não se percebe bem por quê, toda a gente sempre deu - e dá - como garantia de apuramento. Foi assim no passado, é essa a história, mas nem sempre há Bósnias

É um crime lesa futebol se o CR 7 não estiver em Junho no Brasil. Mas isso pode acontecer. E não é por culpa dele – às vezes dá ideia que se espera que ele cruze e, depois, corra para a área ainda a tempo de ainda concluir - por muito que hoje também ele não tivesse escapado aos pecados da equipa. Também ele passou o jogo à procura do cartão amarelo. E como só chegou mesmo no fim…

 

Tudo num só jogo

Por Eduardo Louro

 «Hat-trick» de Ronaldo em Belfast mantém vivo sonho do Mundial

 

Foi rico em emoções - e em história - este jogo que a selecção nacional de futebol disputou e ganhou (4-2) em Belfast, com a Irlanda do Norte.

Num só jogo, neste jogo, a equipa foi tudo o que tem sido nesta fase de apuramento para o mundial do próximo ano, no Brasil. O que desde logo enfatiza a irregularidade da prestação da selecção, neste jogo como nesta poule de apuramento que se aproxima do final – faltam agora dois jogos, com Israel e Luxemburgo, em casa.

A equipa caiu do céu ao inferno, e teve ainda tempo de regressar ao céu. Foi sobranceira e negligente, e depois caiu no buraco negro da depressão, mas teve também coragem, determinação e carácter para de lá sair. Teve sorte e azar, mérito e demérito. Esteve perdida e reencontrou-se, muito à custa de Cristiano Ronaldo, mais que o capitão do barco, o líder da revolta.

Contra um adversário claramente fraco, mas que tinha acabado de ganhar à Rússia, a provável primeira classificada do grupo de apuramento, a equipa começou a ganhar mas logo passou a estar a perder. E em inferioridade numérica. Tudo isto ainda com o dedo de uma arbitragem lamentável de um jovem holandês que, dizem, é polícia. Poderá estar qualificado para polícia, para árbitro é que não parece…

Sofreu dois golos de canto – o segundo em claro fora de jogo – mas também marcou dois. Só que marcá-los terá de ser normal. Sofrê-los é que não. Depois veio a reviravolta, com a ajuda de João Pereira - expulsou dois irlandeses – mas com os golos, e a determinação, de Cristiano Ronaldo. Três. O primeiro hat-trick na selecção…

Diz-se que tudo está bem quando acaba bem. Não é bem assim, e aquele meio campo...  

 

 

O Brasil na rua

Por Eduardo Louro

 

Os protestos começaram há uma semana, em S. Paulo, contra o aumento dos preços dos transportes. Rapidamente alastraram a várias outras cidades do Brasil e, rapidamente também, ganharam novas motivações. Um país há mais de uma década governado à esquerda, aproveitou invejáveis taxas de crescimento económico para traçar um novo mapa da sociedade brasileira, a partir de uma nova e florescente classe média. Mas acaba por não resistir ao fechar do portão do crescimento: quando tem que se limitar às taxas de crescimento anémico que hoje caracterizam a economia mundial, quando em vez dos sete e oito por cento passa a crescer apenas 1%, a economia deixa de manter os portões abertos que escoam toda aquela torrente social.

A contestação social não precisa de mais do que um simples argumento para quebrar a inércia. Uma vez em marcha vêm ao de cima todos os problemas que uma década de crescimento exponencial não resolveu, nem poderia resolver. E ficam à vista muito das fragilidades da grande potência que há-de ser!

E muitas contradições, algumas bem curiosas. O país do futebol, que supostamente suspiraria por um mundial em casa, revolta-se, não contra o futebol, mas por causa do futebol. Contra a organização da Copa do Mundo, contra os gastos exorbitantes em estádios e mais estádios - nada menos que dez - à vontade dessa organização pouco recomendável chamada FIFA. E contra a corrupção que alimenta, com derrapagens nos custos dos estádios - nada que não tenhamos conhecido bem por cá, há dez anos atrás - que chegam a multiplicar por seis o valor do orçamento inicial. E no entanto surgem nas manifestações, como ainda hoje se pôde ver em Lisboa, numa acção de apoio ao que lá se passa, vestindo as camisolas amarelas da selecção brasileira, com o número e o nome de Neymar nas costas.

E no entanto, quando a repressão policial ultrapassou todos os limites, quando a polícia não poupa ninguém à sua violência, a presidenta – como gosta que lhe chamem – Dilma surge do outro lado. Do contra poder, como Lula. Como se nada tivesse a ver com isso de gastar dinheiro em estádios de futebol em vez de em saúde ou educação. Como um casal que gasta o dinheiro em roupas de luxo em vez de comprar comida para os filhos, como passa num vídeo populista que por aí circula...

"O Brasil hoje acordou mais forte”…“Essas vozes das ruas precisam ser ouvidas. Elas ultrapassam, e isso ficou visível, os mecanismos tradicionais das instituições, dos partidos políticos, das entidades de classe e da própria mídia” … Quero dizer que o meu governo está ouvindo essas vozes pela mudança. O meu governo está empenhado e comprometido com a transformação social"- são frases que Dilma incluiu ontem em declaração pública!

A selecção ganhou, mas...

Por Eduardo Louro

 

A selecção nacional ganhou à Rússia e deixa ver a luz do segundo lugar lá ao fundo. Segundo lugar que poderá, finalmente, levar-nos ao Brasil, através de um apuramento a discutir com outro segundo classificado.

Mas, francamente, não empolgou. O resultado foi melhor que a exibição, como é comum dizer-se em futebolês. Não foi famosa, de facto. Como se esperava, porque há muito que a selecção abandonou as boas exibições. Mas também como se poderia esperar para esta altura do ano, em final de época. E como se poderá esperar daqui para a frente, pela exiguidade do campo de recrutamento, com a falta de novos valores num futebol completamente estrangeirado.

Falta classe na selecção portuguesa, e isso notou-se neste jogo. Entrou mesmo pelos olhos dentro em muitas fases do jogo e só foi minimamente disfarçado com a entrada de Nani. Um dos poucos jogadores de categoria mundial da actual equipa nacional, mas que vem de uma época para esquecer. Cristiano Ronaldo continua na selecção nacional como peixe fora de água, raramente conseguindo emprestar-lhe o seu imenso talento. E João Moutinho, o terceiro jogador de grande qualidade, destaca-se por muitos atributos. Mas não se distingue exactamente por aquilo a que se chama classe!

O OUTRO DÉFICE

Por Eduardo Louro

 

A turma de Paulo Bento lá regressou às vitórias, depois de cinco jogos sem lhe tomar o gosto. Foi no distante Azerbaijão, em Baku perante a sua bem fraquinha selecção nacional.

A exibição do seleccionado português foi também ela fraquinha, na linha daquilo que se tem vindo a ver. Não atingiu a displicência do último jogo em Israel, mas confirmou, perante uma equipa do mais baixo escalão europeu, que não tem categoria para estar entre os melhores. Como ainda ontem, frente ao Brasil, em Londres, a selecção russa deixara bem claro!

Sem Cristiano Ronaldo, castigado por ter visto o segundo amarelo na passada sexta-feira em Telaviv, e sem Nani, lesionado, que também já falhara o último jogo, Paulo Bento manteve o sistema e apostou na novidade Vieirinha e no regressado Danny para as alas. Com resultados distintos: Vieirinha, pela direita, foi sempre um ala activo e dinâmico, e foi mesmo o melhor jogador da equipa; o Danny não é um ala, e não rende nessa posição, como está mais que demonstrado – a bola fica-lhe sempre para trás, ele não corre com a bola é a bola que corre com ele – e foge sistematicamente para o meio, que é o seu habitat natural. Como, não se percebendo bem porquê, Fábio Coentrão durante grande parte do tempo não subiu, a equipa nacional, como se não bastassem todas as grandes limitações, ficou desasada, sem asa esquerda.

As substituições – Danny por Varela, esse sim, apesar de pouco menos que desastrado, um ala, e Raúl Meireles (mais um jogo nulo) por Hugo Almeida - efectuadas já depois da hora de jogo e quando o adversário jogava com menos um, deram à equipa ala esquerda que não tinha, com o Coentrão finalmente a subir e a criar desequilíbrios, e um jogador de área: o Hugo Almeida – é certo – mas sempre é melhor que nada. Nada, justamente o que é Postiga. Como Meireles e Veloso, que continuou em campo sem que ninguém - nem mesmo ele - soubesse muito bem para quê.

Claro que, ganhar, especialmente quando já ninguém se lembrava muito bem do que isso era, é bom. Foi por dois, com um mínimo de competência teria sido por quatro ou cinco, mas é uma vitória que não esconde nada. Está tudo bem à vista!

Conseguindo, primeiro segurar e depois melhorar o segundo lugar – este ainda é o pior de todos os segundos - é a vez de começar a olhar para o que se passa nessa segunda posição de cada grupo. E então encontramos motivos suficientes para nos assustarmos com outro défice: o de categoria na equipa de Paulo Bento!

Se um nos empurra para fora do euro este pode barrar-nos a entrada do mundial. Está difícil, isto de vistos para o Brasil...

 

UMA QUESTÃO DE CATEGORIA

Por Eduardo Louro

 

No jornalismo desportivo de antigamente, no tempo daquelas verdadeiras referências como Carlos Pinhão, Vítor Santos, Carlos Miranda, Homero Serpa e Alfredo Farinha, categoria era uma expressão recorrente. Era a categoria que melhor adjectivava as equipas de futebol e praticamente tudo se resumia a isso: ter ou não ter categoria.

Lembrei-me disto logo por volta do primeiro quarto de hora do jogo que a selecção nacional fez hoje em Israel.

A equipa nacional, que vinha de quatro jogos sem ganhar e portanto com algumas razões para desconfiar de si própria, marcou logo no primeiro minuto. Diz-se – e assim é – que o golo é o melhor tónico, a melhor injecção de confiança que pode haver. Com um golo caído do céu tão cedo, estavam criadas as condições para a equipa estabilizar e, a partir da superior valia dos seus jogadores, impor a sua superioridade colectiva. Uma superioridade que, olhando para os critérios da FIFA, se traduz nas sessenta posições que nesse ranking separam as duas selecções.

Nada disso. Apanhando-se a ganhar no primeiro minuto, veio ao de cima a mentalidade bem portuguesa: isto está ganho, afinal é fácil. Ninguém acredita que a equipa não tenha podido fazer ou que a equipa não possa fazer mais. Ninguém acredita que aqueles jogadores não saibam nem possam fazer mais e melhor - até porque é isso que fazem por esse mundo fora, para justificar os milhões que seus clubes lhe pagam - mesmo que um ou outro não mereça de forma nenhuma estar ali.

Rapidamente a equipa entregou o jogo aos israelitas, abdicando de colocar intensidade no jogo e evidenciando graves falhas de concentração, coisas que antigamente se resumiam numa palavra: categoria. E os israelitas aproveitaram para concretizar aquilo que toda a gente adivinhava: golos. Dois, chegando naturalmente ao intervalo a ganhar.

Na segunda parte nada foi substancialmente diferente. É certo que os jogadores correram um pouco mais, mas nada que alterasse radicalmente o cariz do jogo. Os erros sucederam-se, até que, num deles, surgiu o terceiro golo israelita. O Bruno Alves – percebe-se porque é que não joga no seu clube, não se percebe é porque joga na selecção nacional – deixou a bola sair para canto, depois de correr com ela nos pés dezenas de metros em direcção à própria baliza. Inacreditável. E no canto – também o Rui patrício andou aos papéis - voltou a falhar a marcação!

Parecia que tudo estava perdido mas a equipa ainda conseguiu chegar ao empate, com o terceiro golo a voltar a cair do céu, já no último dos quatro minutos de descontos. Empate que continua a deixar em aberto o segundo lugar no grupo de apuramento, embora esta selecção faça parecer cada vez mais remota a hipótese de continuar a garantir apuramentos através do habitual play-off.

Não é fácil encontrar uma exibição positiva na selecção nacional. Nem mesmo Cristiano Ronaldo. E é difícil encontrar a mais negativa, tão más foram as exibições de tantos jogadores portugueses, mas as actuações de Bruno Alves, Veloso, Varela e Meireles são absolutamente inaceitáveis.

Quando assim é, quando praticamente todos os jogadores falham, é difícil e ao mesmo tempo fácil atribuir responsabilidades ao seleccionador. É difícil porque não se pode centrar a crítica nas suas opções, embora haja razões para isso, a mais forte das quais será a de convocatórias à revelia da forma dos jogadores, prevalecendo a mentalidade scolariana de um grupo fechado, blindado mesmo. Mas é fácil porque, quando a desinspiração é total, quando o falhanço é colectivo, não há para onde olhar que não para o treinador!

Há aqui claramente a velha questão da categoria. E a verdade é que a selecção não está a provar ter categoria para estar no Brasil, o que é terrivelmente injusto para a ímpar categoria do Cristiano Ronaldo.

Esperemos que esse espectro possa libertar nele o grito de revolta que é urgente ouvir-se na selecção. Precisa-se de um enorme murro na mesa e, francamente, não vejo quem, além dele, o possa dar. Por isso, tão importante quanto a sua falta na equipa – por força do amarelo de hoje – no jogo do Azerbaijão é a sua presença na comitiva nessa deslocação!

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