O CAPÃO, AS NOZES E AS VOZES
Por Eduardo Louro
Passei este fim-de-semana entre o Vale do Sousa e o do Ave. Sem notícias e sem jornais. Sem televisão nem futebol: apenas boa cama, boa mesa e bons amigos… E muito frio, daquele que enrija!
Dois temas centrais: Guimarães, capital europeia da cultura, e o capão, em Freamunde!
Guimarães está bonita e com muita gente. Muitos espanhóis, percebia-se…
O capão é uma velha paixão. Deixei passar o festival de Dezembro porque, nestas coisas da gastronomia como noutras, acho que é sempre melhor deixar assentar o pó. Não consigo entusiasmar-me com os ajuntamentos dos grandes momentos e, convencido que os capões se não esgotariam, que alguns haveriam de sobrar e mesmo mais gordinhos, e que até ao lavar dos cestos é vindima, lá deixei o capão para Fevereiro.
A câmara municipal de Paços de Ferreira e a associação de produtores investem na promoção do capão. Que essa promoção se concentre – não que se esgote - na feira de Dezembro é compreensível. Que os restaurantes de Freamunde adormeçam à sombra disso, e não façam mais por prestigiar o seu tesouro gastronómico, é que não! Outros, noutras paragens com outro profissionalismo, fazem bem melhor. Em Matosinhos, por exemplo!
É! O país é muito feito disto, de oportunidades perdidas, da estória das nozes, dos dentes e das vozes! Dá Deus nozes a quem não tem dentes… Por ali são mais as vozes que as nozes!