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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Histórias fantásticas*

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A América sempre foi dada por terra de oportunidades, pelo símbolo maior do empreendedorismo, pelo paradigma da mobilidade social, pelo chamamento à aventura e pelos desafios à superação das capacidades individuais.

A sua própria história é feita disso. De gente que lá chegou que nada tinha a perder, só uma vida nova para ganhar. O sonho americano, o maior mito da América, é isto!

Encontram-se por todo o mundo histórias fantásticas de sucesso individual, de gente que do nada se fez tudo. Mas em nenhuma outra parte do mundo se encontram tantas como na América. Umas mais conhecidas que outras. E nem todas épicas… “Épicas”, não disse “éticas”. Mas poderia ter dito!

Trago hoje aqui, porque faz parte da actualidade, uma dessas histórias. E das menos épicas.

É a história de Martin Shkreli, que vem de uma família de imigrantes albaneses e croatas, que ganharam a vida a trabalhar nas limpezas. No nada, do nada! 

Aos 22 anos, há apenas doze, criou um fundo de investimento e começou a enriquecer em Wall Street. Pouco tempo depois já constava da famosa lista dos sub 30 da Forbes. Mais famoso ficaria quando, em 2015, já dono de uma grande empresa na poderosa indústria farmacêutica, passou a ser conhecido pelo “homem mais odiado do mundo”, ao adquirir a patente de um medicamento para combater doenças como a Sida, o cancro ou a malária, para multiplicar o seu preço em mais de 5.500%. O resto desta história é uma sucessão episódios de fraudes e crimes financeiros e das mais insólitas extravagâncias, que culminou numa acusação de perto de uma dezena de crimes, que lhe davam direito à pena de 20 anos de prisão.

Na passada sexta-feira - faz hoje uma semana – o tribunal de Brooklyn, em Nova Iorque, deu-o por culpado em 3 dos crimes de que estava acusado e condenou-o a 7 anos de prisão.

Martin Shkreli, como já devem ter reparado, tem 34 anos...

 

* A minha crónica de hoje na Cister FM

Uns aprendem depressa. Outros, nem por isso!

 

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Não é uma daquelas notícias que enchem as primeiras páginas dos jornais, mas não deixa de agitar muita coisa. E deveria  pelo menos cobrir as capas da imprensa especializada...

O multimilionário chinês LI Shufu, dono do grupo automóvel Zhejiang Geely, que comprou a Volvo à Ford em 2010, é o maior accionista da Daimler Benz, o fabricante da Mercedes. Com 7,3 mil milhões de euros ficou com praticamente 10% do capital do gigante alemão...

Mas não é esta a parte que é notícia de primeira página, mesmo que ainda seja notícia. Mesmo que já seja mais "o cão a morder o homem" do que "o homem a morder o cão". Cada vez nos vamos surpreendendo menos com a apropiação pela China do adjectivo "maior". Vai batendo recordes, e nós vamos vendo isso cada vez com mais normalidade.

O que deveria ser notícia gorda é a forma como Li Shufu financiou a operação. O que deveria ser capa, pelo menos nas publicações especializadas, é que o maior accionista da Mercedes (assim, para faciitar a capa) financiou a operação com dívida, garantida pelas próprias acções que comprava. 

Ora bolas... Também isto não deixa de ser "o cão a morder o homem". Há muito que por cá se faz disso. Não é Sr Comendador Joe Berardo?

Pronto. Talvez a notícia deva simplesmente ser que "pode correr mal". Mas isso já não seria notícia ... Seria um aviso. Um aviso a incertos porque, afinal, notícia seria ficarmos a saber quem é que deveria ter sido avisado. Assim só ficamos a saber que, uns, aprendem depressa. Outros, nem por isso!

 

Obescenidades

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Os mais poderosos do mundo estão reunidos em Davos, a pequena localidade perdida nos Alpes suíços que todos os anos vira capital económica do mundo. Não sei se por lá chegarão notícias do relatório da Oxfam, que dá conta que, em 2017, 1% da população ficou com 80% da riqueza produzida. Mas desconfio que não esteja lá ninguém muito preocupado com isso!

CAPITALISMO E DEMOCRACIA

Por Eduardo Louro 

 

Está mais viva do que nunca a discussão sobre a compatibilidade entre o capitalismo e a democracia. Se até há pouco esta era uma discussão particular de alguma esquerda, hoje atravessa claramente vários quadrantes ideológicos.

Uma discussão interessante - sem dúvida – que gostaria de ver mais debatida!

Pouca gente põe hoje em causa que o capitalismo tenha sido o sistema económico mais capaz de gerar desenvolvimento, progresso e bem-estar social. Não foi apenas a falência do sistema das chamadas economias planificadas da esfera da antiga União Soviética nem, noutra medida, a do sistema chinês, que se encarregou de esvaziar a legião de opositores convictos do capitalismo. Mesmo depois de tecnicamente falido o modelo económico soviético conseguiu segurar os seus adeptos enquanto subsistiu o modelo político. É a queda do Muro de Berlim que acaba por soterrar a maior parte dos últimos resistentes anti-capitalistas!

Mas é também este o acontecimento histórico que mais concorreu para que o mundo e o capitalismo sejam hoje o que são. Para que tenham chegado até aqui, ao ponto em que esta discussão faz todo o sentido e à qual chegarão muitos dos que tinham ficado soterrados nos escombros do Muro.

A(s) democracia(s) e o capitalismo nasceram e desenvolveram-se a par e passo. Factores demográficos e económicos – mas também a necessidade de gerar sólidos e verdadeiros argumentos de combate ao regime inimigo, de criar as hoje chamadas vantagens comparativas – reforçaram-nos a ambos, especialmente com o desenvolvimento do welfare state. O hoje tão atacado Estado Social!

Não é mera coincidência que este capitalismo actual, nascido da queda do muro e da globalização, seja posto em causa e acusado de inimigo da democracia quando, precisamente, põe em causa e começa a destruir o Estado Social.

Quando ouvimos as pessoas queixarem-se de que isto é uma ditadura ou que a democracia está doente, é disto que se está a falar. Quando ouvimos, no discurso das elites, dizer-se que falta política ou que é necessário o regresso da política, também não é de nada de muito diferente que se está a falar. É a democracia posta em causa, seja quando se corta nos benefícios sociais ligados ao bem-estar das populações, seja quando a realidade impõe decisões à margem do processo e da discussão política!

Repare-se no recente caso do referendo grego – e ignorem-se, embora se não deva, as circunstâncias em que foi decidido e anunciado – e veja-se como não houve política nem democracia a funcionar. Apenas a realidade dos factos a obrigar o primeiro-ministro grego a meter a viola no saco e até a demitir-se.

Evidentemente que a realidade, a nua e crua realidade da globalização, ganha a força de um tsunami que tudo leva à frente, onde o capitalismo se sente como peixe na água. Sem pátria, o capitalismo desloca-se sem qualquer tipo de preocupações com a democracia e exclusivamente focado no mercado.

Às velhas democracias ocidentais, e em particular à Europa, exige-se que trate de acelerar e explicar muito bem essa tese do regresso à política. Que não pode querer dizer outra coisa que não o regresso de gente capaz, competente e independente dos poderes económico e financeiro! Gente séria e de vistas largas que regenere a democracia. Porque, por muito emirjam novas e grandes economias, mesmo estando a China a sentar-se na cadeira da maior potência mundial, o mercado das democracias ocidentais ainda continua a ser o mais apetecível. Mas, acima de tudo, porque este modo de vida agora posto em causa continua a constituir o farol iluminado para onde o resto do mundo dirige os olhos.

O problema é encontrar mestres para esta obra!

 

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