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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

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Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Cara de pau

Jornalistas Cara de Pau – As Cartas Do Pai

Marcelo, sempre com um pé dentro e outro fora. Seja lá do que for... Sempre à procura do pleno, da quadratura do círculo, de agradar a gregos e a troianos... Para que nenhum espaço lhe fuja, todo ele ocupe, que nada sobre para mais ninguém e que nada mais se vislumbre que ele próprio.

Assinou por baixo destas palavras: "Tendo em consideração que no final do novo período se comemora o Dia do Trabalhador, as limitações ao direito de deslocação deverão ser aplicadas de modo a permitir tal comemoração, embora com os limites de saúde pública previstos no artigo 4.º, alínea e), do presente Decreto".

Mas o que realmente quis assinar, o que tinha na cabeça não era que fossem além das "limitações ao direito de deslocação"; nem que simplesmente se sujeitassem aos "limites de saúde pública previstos" na lei. O que Marcelo defendia era "uma ideia simbólica para a celebração do 1º de Maio". Não era nada daquela pouca vergonha que se viu. E muito menos daquilo que assinou!

Cara de pau

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Depois de dois anos a fazer o que fez no Ministério das Finanças, ao serviço do FMI e do Sr Schauble, Vítor Gaspar recebeu como prémio um lugar de Director Geral naquele gigante institucional que baralha, parte e dá na economia política mundial.

Ao abandonar a pasta, ao contrário - então, como ainda agora, quatro anos depois - de todos os seus colegas de governo, de partido e de coligação reconheceu que falhara. Isso ficou claro, e escrito na carta de demissão.

Não ficou claro, Vítor Gaspar não explicou se, por tudo ter dado dado errado, ou se por tudo estar errado. Uma coisa é dar errado: por esta ou aquela circunstância, mais ou menos imponderável, acabar por correr mal aquilo que tinha tudo para correr bem Outra, bem diferente, é o que está errado. O que está errado nunca pode dar certo.

Quatro anos depois, o autor do colossal aumento de impostos, vem finalmente explicar que correu mal porque estava errado. Fê-lo em Washington, ao explicar ao mundo "os cinco princípios orientadores da política orçamental”. A política orçamental, diz Vítor Gaspar e com ele o FMI, deve ser (i) "contracíclica", (ii) "amiga do crescimento", (iii) "inclusiva", (iv) "suportada pela real capacidade fiscal", e (v) "conduzida com prudência". 

A política orçamental que Vítor Gaspar seguiu, e que Passos Coelho fez prosseguir com quem escolheu para lhe suceder, não respeitou nenhum e violou cada um destes cinco princípios. Num ciclo recessivo aprofundou a recessão, a tal espiral recessiva que nem a Cavaco escapou. Sacralizou a austeridade, acentuando a recessão, impedindo o crescimento, e agravando a exclusão, quer pelos cortes nas contribuições sociais e nos principais serviços publicos, quer pelo - também colossal - agravamento da desigualdade social. E decretou o "colossal aumento de impostos", lançando uma política de saque fiscal indiferente à real capacidade da economia. Tudo ao contrário, tudo perigoso... No mínimo, tudo imprudente!

No fim, o que surpreende é que não há surpresa. Estamos fartos de assistir a números destes no FMI, seja dizendo hoje uma coisa e amanhã o seu contrário, seja dizendo hoje que foi mal feito aquilo que ontem mandaram fazer. Sempre com grande cara de pau. A mesma com que Vítor Gaspar não tem vergonha nenhuma de se apresentar agora, como se tudo não tivesse passado de umas simples experiências com ratinhos num laboratório qualquer.

 

CARA DE PAU

Por Eduardo Louro

 

Há dias dei aqui conta da forma distorcida e precipitada, para não dizer pouco séria, como o primeiro-ministro utilizou a OPA da BRISA como manifestação de confiança dos agentes económicos. Dizia eu então que … antes pelo contrário: os accionistas maioritários da BRISA estavam apenas preocupados com uma provável OPA de terceiros perante a baixa cotação das acções da empresa.

Com esta OPA matam dois coelhos: protegem-se de uma OPA hostil e reforçam a sua própria posição accionista, quer dizer, vão eles aos saldos. Nada a dizer, pois não?

Pois! Acontece, no entanto, que, para irem aos saldos forma pedir dinheiro à Caixa Geral de Depósitos. E que o banco público, que não empresta dinheiro às empresas que dele necessitam para a sua actividade corrente, deixando-as asfixiar e morrer, secando a economia e regando o desemprego, lhes disponibilizou logo e sem reservas – provavelmente com as mesmas acções a servirem de garantia, como é sua prática – o dinheiro necessário. Quer dizer, como no passado e com os resultados conhecidos (veja-se o caso Berardo/BCP), o banco do Estado está-se nas tintas para a economia mas zela cuidadosamente pelos interesses da especulação bolsista.

Este assunto foi hoje levado ao Parlamento (discussão do orçamento rectificativo) onde alguém, a esse propósito, – confesso que nem sei quem – questionou o ministro das finanças, recomendando-lhe que, como accionista, interviesse para impedir tal decisão. A resposta do ministro das finanças – pausada, como sempre – não podia ser mais clara: “o governo não interfere nas decisões da Caixa Geral de Depósitos”.

Acontece que está aí outra OPA na ordem do dia: a dos brasileiros da Camargo Corrêa sobre a Cimpor! Que, como magistralmente escreveu Pedro Santos Guerreiro num editorial do Jornal de Negócios (a não perder), foi viabilizada pela própria Caixa – o corno manso, como lhe chamou – a mando do governo, e do ministro das finanças em particular.

É preciso ter cara de pau!

 

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