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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

EM FRENTE. NATURALMENTE!

Por Eduardo Louro

 

Cumprindo com a sua obrigação, e para além disso ganhando o jogo de Bordéus, o Benfica apurou-se para os quartos da Liga Europa.

O jogo de hoje – que não foi brilhante, não senhor – deixa no entanto uma imagem diferente, para bem melhor, da dos últimos. Apetece dizer que este não foi mais que um post scripton no jogo com este mesmo Bordéus de há precisamente uma semana. Que diria qualquer coisa parecida com um pedido de desculpas acompanhado da promessa de que aquilo não voltaria a repetir-se…

É sempre bonito de ver que a resposta a um golo sofrido é marcar outro logo de seguida. Basta isto para fazer de um jogo sofrível um bom jogo. E por isso este será sempre um bom jogo e nunca um jogo mediano. E muito menos sofrível!

E quando tudo isto acontece por obra e arte de um Cardozo que desde aquela obra-prima de Leverkusen parecia deslumbrado, provavelmente convencido que, depois daquilo, já nada mais fazia sentido, tudo se perdoa!

 

 

CONTAS COMPLICADAS

Por Eduardo Louro

 

O Benfica alcançou hoje a primeira vitória na Champions.

Ganhou o primeiro dos dois jogos que tinha mesmo de ganhar, mas não deverá chegar para evitar o afastamento prematuro da maior competição de cubes. Porque empatou em Glasgow um jogo que podia e deveria ter ganho, porque perdeu em Moscovo um jogo - vergonhoso, esse jogo do Benfica - que não podia ter perdido e, acima de tudo, porque surpreendentemente o Celtic ganhou hoje em Glasgow ao Barcelona, já depois de há quinze dias lhes ter posto a cabeça em água em Nou Camp.

Já não são apenas as contas que estão contra o Benfica. É também um certo sentimento de justiça: num grupo onde o primeiro lugar estava entregue aos catalães – como estaria sempre, em qualquer grupo - quem ganhasse ao Barcelona ficaria a merecer o apuramento.

Hoje o Benfica encarregou-se de corrigir a mentira que tinha permitido que chegasse a parecer verdade: o Spartak de Moscovo – como o Celtic – não é, nem nada que se pareça, uma grande equipa. Ganhou por dois a zero mas bem poderia ter ganho por cinco ou seis, não fossem alguns disparates. Da equipa de arbitragem - que à sua conta tirou dois ou três – e de um ou outro jogador: Cardozo, o herói do jogo, ficou a dever outros tantos!

A primeira parte foi francamente fraca. Como o árbitro fez vista grossa a uma falta sobre Garay (que grande jogo!) para penalti logo no primeiro minuto, que daria o 1 a 0 - porque Cardozo estava no banco e não o poderia marcar – que mobilizaria a equipa para a exibição, só a partir da segunda metade da primeira parte conseguiu começar a imprimir alguma intensidade e alguma qualidade ao jogo. A segunda parte foi melhor: teve os golos – os que contaram, os que não contaram e os que deveriam ter sido concretizados – que Oscar Cardozo desbloqueou e confirmou algumas boas exibições: do Artur, muito bem no que teve para defender, dos dois centrais (com Garay soberbo), do Melgarejo uma aposta - em que nunca acreditei - que já está a ser ganha, do André Almeida, do Ola John, nem sempre muito consequente mas a ir começando a juntar eficácia ao espectáculo, e do próprio Cardozo, mesmo que continue sem saber marcar penaltis. Mas também com algumas exibições menos conseguidas, em especial do Maxi que há muito vem sendo o jogador mais deficitário da equipa, sem que se lhe veja alternativa. Começam a ser muitos os lugares onde faltam titulares e alternativas!

É uma pena que o Benfica tenha dito adeus à champions há quinze dias atrás, porque não pode ser uma pena o Celtic ganhar ao Barça. Pena é não conseguir lutar como os escoceses fazem!

Resta agora a Liga Europa, donde agora sobra vantagem sobre estes mesmos russos!

Teria sido uma jornada perfeita tivesse o jogo de Braga terminado aos 80 minutos. Mas não terminou, e em 10 minutos o Braga viu uma vitória de 1 a 0 transformar-se rapidamente numa imerecida derrota. Nos últimos minutos o Manchester United fez três golos, repetindo ma reviravolta de há quinze dias. Curiosamente, com duas derrotas em casa – o pleno no insucesso – e no último lugar do seu grupo, são bem mais fortes as probabilidades do Braga que as do Benfica.

FUTEBOLÊS#114 MEIO GOLO

Por Eduardo Louro

 

Tudo tem a sua metade. Tudo se pode dividir em dois. O golo é que não!

Não há metade do golo, não se pode dividir um golo ao meio. Quanto muito há golos a meias, mas são golos, não são meios golos!

Lembram-se daquele golo do Petit ao Vítor Baía - acima recordado - aqui há uns anos na Luz? Pois, nem sequer esse foi meio golo. Simplesmente não foi golo, Olegário Benquerença não quis que fosse… Como há outros que são sem que o tenham sido. Meio golo é que não!

Mas lá tinha de vir o futebolês negar estas evidências, e garantir que há meio golo sim senhor. E mais que um, há pelo menos três. Há meio golo - ou pode haver – num passe. Ou num cruzamento. Na assistência. E há ainda meio golo da vitória!

Um passe que contorna todos os obstáculos que o adversário que coloca, e deixa a bola nos pés do avançado na cara do golo, é meio golo. O passe fez o mais difícil, deixando o mais fácil para o marcador, que se limita a empurrar para o golo. A fazer a outra metade do golo.

O que, no entanto, nem sempre acontece. E lá se fica o meio golo da assistência a não valer de nada, exactamente como o tal golo do Petit. Ainda há bem pouco tempo o Cardozo fez uma dessas: começou a festejar o meio golo da assistência e, quando deu por ela tinha deitado fora a sua metade. Ainda agora andam por aí a correr umas imagens semelhantes de um tal Deivid, um rapaz que pass(e)ou por Alvalade há uns anitos sem grande honra nem glória, como vem sendo habitual com tantos outros…

O cruzamento que é meio golo é aquele que vai direitinho e tenso – convém sempre que seja tenso – para um espaço, aéreo ou terrestre - só o marítimo não vale – onde apenas possa aparecer o avançado a finalizar, com mais ou menos espectáculo.

E finalmente há a vitória por meio golo. O que importa é ganhar, nem que seja por meio a zero!

Era, por exemplo, o caso do Benfica na passada segunda-feira em Guimarães. Depois da derrota na Rússia, com o Zenit para a Champions no início de um ciclo decisivo da época – apenas a segunda da época, depois do amargo afastamento da Taça de Portugal, pelo Marítimo – era fundamental ganhar em Guimarães. Nem que fosse por meio golo. Porque era a segunda derrota consecutiva, o que destabiliza quem quer que seja. Porque estava em causa a invencibilidade no campeonato, e a possibilidade de igualar o feito do Porto na época passada e o do próprio Benfica de Hagan, em 1973 (conta no seu historial com outro campeonato sem derrotas, mas perdido em igualdade pontual para o Porto, por circunstâncias de desvantagem na diferença entre golos marcados e sofridos). Porque perder a invencibilidade pode comparar-se à perda da virgindade: sabe-se como acontece, mas não se sabe o que acontece depois. Porque falhar logo no início de um ciclo difícil e decisivo cria muito mais pressão para enfrentar o que dele fica a faltar. E, finalmente, porque voltou a colocar o Porto na condição de depender apenas dos seus resultados, acrescentando-lhe crença e motivação para a deslocação à Luz que aí vem. O que, não obstante a pesada e humilhante derrota desta semana com o City – que a comunidade portista resolveu desvalorizar, chamando mentiroso ao resultado e não sei o quê ao árbitro, depois de um banho de bola dos citizens, com quatro golos, duas bolas nos ferros e mais uma mão cheia de outras oportunidades - pela história recente destas coisas, não é muito confortável.

Por tudo isto aquele jogo não podia ser perdido. Há jogos que não se podem perder, que têm de ser ganhos nem que seja pelo tal meio golo. Como jogo inaugural da época passada, o daquela supertaça; que embalou um Porto titubeante para uma época triunfante e empurrou o Benfica campeão, mas também algo arrogante e descuidado, para um arranque lastimável de que nunca viria a recuperar. Jorge Jesus já tinha que ter percebido isso. E tinha de montar a equipa e preparar mentalmente os jogadores para ganhar aquele jogo. Nem que fosse por meio golo, nem que houvesse que comer a relva.

Hoje, em Coimbra, há mais. Mas já não pode ser do mesmo! 

Futebolês #52 FOLHA SECA

Por Eduardo Louro

 

      

Folha seca é a expressão que o futebolês criou para identificar um gesto técnico de remate: um remate desferido com a parte interior do pé que leva a bola a descrever uma curva no sentido do pé contrário. A bola parte de um ponto e descreve a curva que a leva a fugir … fugir… Vai fugindo do guarda-redes como se de uma folha seca se tratasse: leve, levemente levada pelo vento, que nos foge a cada vez que a tentamos agarrar!

Daí que, a exemplo de todas as que por aqui têm passado, a expressão faça todo o sentido, o que só abona em favor do próprio dialecto.

Mas falar da folha seca sem falar da sua irmã gémea – a trivela – seria deixar de fora uma parte de si própria. É conhecida a fortíssima ligação dos gémeos: num, há sempre um pouco do outro, ou não estivéssemos perante um dos mais interessantes mistérios de partilha e de cumplicidade!

A trivela pode nascer do mesmo pé – gémea verdadeira – ou do pé contrário – falsa gémea, mas igualmente irmã gémea. Mas, ao contrário da folha seca, é impulsionada com a parte exterior do pé: chama-se-lhe também pontapé dos três dedos, o que permitiria chamar à folha seca pontapé do joanete. A partir daí faz a sua vida, que é como quem diz, faz a sua curva – agora no sentido do próprio pé que remata. Depois tudo continua igual: a bola sempre a fugir do guarda-redes que, por mais que se estire, nunca a conseguirá encontrar.

Como duas belas jovens gémeas, também a folha seca e a trivela cultivam uma certa rivalidade. Afinal uma quer sempre ser a mais bela das duas…

Não sei se é a trivela a mais bonita, mas talvez seja a que mais deu nas vistas! Por ter dado umas voltas com um ciganito que por aí andava? Acredito que sim!

Por isso hoje dei a ribalta à folha seca!

Por isso e porque me faz lembrar esta equipa do Benfica. Porque, sabendo-se de onde partiu, não se sabe onde irá acabar por cair. Sabe-se que anda por aí, à toa, ao sabor do vento, sem destino certo e afastando-se de todos os objectivos, um a um, como a bola em folha seca se afasta de quem a possa deter. Porque, como as folhas secas, também começou a cair no Outono. E, também como elas, não demonstra capacidade para alterar o rumo que os ventos lhe traçam nem fugir ao terrível destino de estatelar ao comprido e, quem sabe, acabar pisada, esmagada e triturada. Reduzida a pouco menos que nada!

Desde o início de Agosto que aqui se tem falado no que falhou. Não vale a pena repeti-lo.

Agora, se nada for rapidamente feito, se ninguém puser ordem na casa e assumir as responsabilidades que não podem ser negligenciadas, o Benfica corre o risco de nada ganhar e de voltar a recuar no difícil percurso da recuperação do prestígio perdido. Corre sérios riscos de, como o país, continuar a divergir.

Em circunstâncias normais, no final desta e a exemplo da última época, teria de vender os passes dos jogadores mais valorizados. Na calha estavam, vindos já da última época, David Luiz, Fábio Coentrão e Cardozo! Afastado dos milhões da champions tem agora, em compensação, de vender mais e mais cedo. O problema é que o acelerado processo de desvalorização em curso não transforma apenas as cláusulas de rescisão em miragens. Vai obrigar mesmo a vender em saldos!

É o resultado de evidente falta de competências na gestão dos recursos que fazem hoje o negócio do futebol. É difícil de entender como é que ninguém foi capaz de pôr mão no David Luiz, deixando transformar um grande jogador de futebol numa pseudosuperstar displicente e irresponsável. Como se está a matar o melhor jogador da equipa – Fábio Coentrão – transformando um dos melhores laterais esquerdos do mundo num jogador esforçado mas pouco mais que vulgar.

É evidente que as responsabilidades principais não podem ser imputadas a Jorge Jesus. Terão que o ser a quem permitiu que ele se blindasse da forma que o fez e que se auto barricasse transformando-se em refém de si próprio.

Recordam-se dos deprimentes últimos jogos de Camacho, quando ele surgia invariavelmente incapaz de encontrar explicação para aquilo? Quando se ficava por “um não sei explicar, não encontro explicação”? Jorge Jesus, como se vê, já está nessa fase …

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