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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Brasil 2014 XII

Por Eduardo Louro

 

 

Jogou-se o grupo F, que fechou a segunda jornada e deixou a Argentina apurada, com 6 pontos. Porque ganhara, mesmo que sem grande brilho, o primeiro jogo à Bósnia e voltou agora a ganhar ao Irão, de Carlos Queiroz. Que hoje não foi assobiado, antes pelo contrário!

Na primeira parte, que não chegou ao fim sem a equipa de Queiroz mostrasse, mesmo no fim, o que iria fazer depois do intervalo o jogo resumiu-se à Argentina a atacar, mal e o Irão a defender, bem. Depois, bem … depois foi o Irão a criar oportunidades de golo e o guarda-redes Romero a valer à equipa de Messi. E o árbitro, o mesmo senhor sérvio do jogo da passada segunda-feira, que voltou a mostrar que só vê os penaltis que quer. E contra a Argentina, tal como contra a Alemanha, nunca quer, certo que, assim, por lá continuará, a arbitrar jogos!

Só não a marca golos porque … seria de mais… E porque para isso lá está o Messi, que pode  até não jogar nada – o que é difícil, tem de dizer-se – durante todo um jogo, mas há sempre o momento em que resolve. Em que faz o que mais ninguém é capaz de fazer…

Foi o que aconteceu, mais uma vez. Já nos descontos, mesmo no fim, tirou da cartola um remate de longe e fez um grande golo. E pronto a Argentina ganhou, mesmo que não o merecesse. O que, quando se tem Messi, não interessa mesmo nada!

No outro jogo a Nigéria ganhou (1-0) à Bósnia, que fica fora do apuramento, confirmando que só as grandes selecções europeias conseguem seguir em frente neste mundial. Apuramento que nigerianos e iranianos disputarão na última jornada, depois de terem empatado entre si na primeira jornada.

Jogou-se também no grupo de Portugal - num jogo que opôs os manos Boateng - com a super Alemanha a mostrar que não é afinal assim tão super. Pareceu-o contra Portugal, mas é a velha máxima do futebol: uma equipa joga o que a outra deixa

E o Gana deixou pouco. Mesmo abaixo da vertigem que pôs no jogo anterior, com os Estados Unidos, foi suficiente para emperrar a máquina germânica. O jogo terminou empatado a dois golos, com ambas as equipas a desfrutarem de vantagem, que não conseguiram manter por muito tempo. Quase nenhum, a Alemanha, um pouco mais o Gana, que nessa situação teve oportunidade clara de fazer o 3-1 e porventura matar o jogo.  

Foi o melhor resultado que podia ter acontecido para a selecção nacional, que não depende agora de resultados de terceiros. Só que também foi o melhor que aconteceu aos americanos. O que pouco nos importa porque, a partir do momento em que perdeu por quatro no primeiro jogo, a selecção está obrigada a ganhar os dois jogos que lhe faltam. Não há outra hipótese, pelo que, com os americanos mais moralizados ou menos moralizados, Portugal só tem que ganhar. 

Mas logo à noite é que vai ser. Nem a sorte que tem estado ao lado dos americanos impedirá a vitória portuguesa! 

DE LUVA BRANCA

Por Eduardo Louro 

 

“Para este prémio não precisei de votos de ninguém” – Cristiano Ronaldo, ao receber a Bota de Ouro, o troféu para o melhor marcador da Europa, que conquistou com os seus impressionantes 40 golos na Liga Espanhola.

A resposta de luva branca a mais uma das patetices de Carlos Queiroz, que garantia esta semana votar em Messi, na sua qualidade de seleccionador do Irão, na votação para o melhor do mundo!

PATETICES

Por Eduardo Louro 

 Carlos Queiroz: "Comigo, já estávamos no Europeu"

"Comigo à frente da selecção Portugal já estaria apurado para o campeonato da Europa"!

Nem mais. E nós que pensávamos que os ares de Teerão lhe poderiam fazer bem à cabeça!

Mas não. Bastou que o seu Irão goleasse a fortíssima selecção do Bahrein – reduzido a 10 logo no primeiro minuto, no que foi a expulsão mais rápida na história do futebol – e que a selecção nacional regressasse aos seus tempos para que fizesse logo, sem perder tempo, prova de vida.

E, com este Queiroz que há muito perdeu a cabeça, prova de vida é isto! E quando não é isto…é pior!

Mas nem tudo é mau. É que também se pronunciou a propósito do tema mais importante da actualidade: Hulk! Não, não foi para dizer se ele deve esperar para cumprir pena de prisão ou pirar-se já daqui para fora. Foi mesmo para desmentir que tivesse passado pela cabeça de alguém convidá-lo para a selecção nacional!

E disse que isso era uma patetice. E quem o diz é pateta!

Eu, que ouvi ontem Pinto da Costa afirmar que o Carlos Queiroz lhe havia pedido para consultar o Hulk nesse sentido – e aproveitar para acrescentar que o jogador recusara de imediato, porque aspirava legitimamente a jogar na selecção brasileira, como ontem mesmo se confirmava com a primeira titularidade – gritei: Bingo! Carlos Queiroz chamava pateta a Pinto da Costa, coisa que muita gente pensa mas ninguém ousa dizer… Logo ele, por quem, como se sabe, Pinto da Costa nutre pública simpatia!

Pena que, com tanta patetice, esta não passe de mais uma. Assim ninguém leva a sério o que seria a sua mais forte prova de vida: chamar pateta a Pinto da Costa!

Futebolês #51 QUEIMAR

Por Eduardo Louro

 

          

O verbo queimar é seguramente um dos mais ricos do futebolês. No futebolês, como numa incineradora, tudo se queima!

Não muito longe do que também acontece no futebol: muito se queima e muita coisa arde. Incendeia-se! Por tudo e por nada, ou mesmo por dá cá aquela palha, coisa altamente inflamável, como se sabe!

Incendiários são coisa que não falta no futebol. Sempre prontos a incendiar os ânimos, em quaisquer circunstâncias. São os meninos das claques, que vivem obcecados por chamas e que queimam que se fartam: já não são só as verdadeiras queimadas que fazem nas bancadas, chegam até a queimar autocarros. São os dirigentes, sempre prontos a atear fogo com declarações incendiárias. E são os jornalistas (?), que na maioria das vezes são autênticos pirómanos. Não têm apenas intervenções provocatórias. São verdadeiramente incendiárias. Cirurgicamente!

Então os das televisões constituem autênticos case studies. Se um jogo até nem correu mal de todo – foram lançados para o campo um ou dois telemóveis, duzentas ou trezentas bolas de golfe e o árbitro expulsou dois ou três jogadores, assinalou ou deixou de assinalar, mal, três ou quatro foras de jogo e dois ou três penaltis – está tudo bem. Quer dizer, está tudo devidamente incendiado, e eles limitam-se a manter a chama acesa, não vá o diabo tecê-las e aquilo entrar rapidamente em fase de rescaldo. Mas se o jogo correu mesmo mal – os adeptos portaram-se todos bem e da arbitragem não há nada dizer –, o que é raro mas às vezes acontece, então é vê-los desenfreadamente à procura de um problema, um pequenino problema, o suficiente para libertar uma pequena labareda que seja. 

Para garantir a arte de bem foguear convidam ainda uns comentadores, os chamados paineleiros – atenção que escrevi paineleiro –, membros de um painel, constituído por representantes dos chamados três grandes, dispostos a mandar as suas achas para a fogueira. Não estão lá para outra coisa, apesar de uns mais passarinhos e outros mais passarões!

Não admira pois que, no jogo a sério, no jogo jogado, hajam jogadores a queimar tempo: apanham-se com o resultado que lhes dá jeito e pronto. Tudo serve para fazer com que o relógio ande e o jogo pare: rebolam-se no chão por tudo e por nada, o guarda-redes nunca mais repõe a bola, fogem com a bola para a sombra da bandeirola de canto … Enfim, mais umas coisas capazes de incendiar … as bancadas!

Enquanto isto, do outro lado, queimam-se os últimos cartuchos. Lança-se mão, com inevitável dramatismo, de todos os meios que permitam, à última da hora ou já mesmo fora-de-horas, inverter o tal resultado que, ao contrário, não lhes dá jeito nenhum. Nesta fase tudo é altamente inflamável.

Ao mínimo rastilho tudo se incendeia!

Se a bola queima a linha está lançada a confusão – saiu ou não saiu? Entrou ou não entrou? Se é uma falta a queimar a linha da grande área, a fogueira ateia-se mesmo: foi dentro, para uns. Fora, para outros. Queimar a linha é coisa de incendiário, está visto!

E quando o fumo, de tanto incêndio, deixa tudo negro, no campo a bola passa a queimar. A bola queima, os jogadores não a querem nos pés, querem ver-se livre dela como quem se quer livrar da batata quente. Era o que se via na selecção nacional ainda há bem pouco tempo. A mesma selecção, que não a mesma equipa, que tão mal estivera na África do Sul, que empatava com a selecção do Chipre e perdia com a Noruega, com a bola a queimar tudo e todos, dá um banho de bola e goleia a selecção espanhola, campeã da Europa e do Mundo.

Só porque se mudou o treinador. Um treinador que queima jogadores (queimou os que levou para o Mundial mas também os que por cá deixou) torna-se rapidamente num treinador queimado pelos jogadores! Claro que um treinador pode queimar um jogador. Para queimar um treinador não basta um só um jogador. Mas uma equipa tem muitos!

Claro que há outras formas de queimar treinadores, os dirigentes também sabem da coisa. Há mesmo cemitérios de treinadores, com crematórios e tudo!

Futebolês #46 Desposicionar

Por Eduardo Louro

  

Desposicionar tem obviamente a ver com posição. Se a palavra existisse na língua portuguesa – se assim fosse o futebolês não teria sentido a necessidade de a criar e, evidentemente, não estaríamos agora aqui a falar dela – estaria certamente agora a ser objecto de tratamento nessa coisa fantástica, de que ouvi falar esta semana pela primeira vez, chamada de português claro.

Pois é, agora surgiu para aí uma empresa – não é uma Fundação nem uma Associação das tais 14 mil já identificadas e que ninguém consegue exterminar – a pugnar pela utilização de uma linguagem clara e acessível. Claro que é uma ideia vinda do exterior (plain language, certificada por uma Plain Language Comission) e, por isso, já com um fortíssimo lobby. O Diário da República, que bem precisava, já vem com as leis traduzidas para português claro! O que não deixará de desposicionar o sistema judicial…

A tradução de desposicionar de futebolês para português claro diria que se trata de tirar da posição, ou mesmo mudar de posição que, por sua vez, corresponde a deslocação!

Ora aqui está a prova provada da falta que nos fazia este português claro

O futebol é um jogo de posições e de espaços, de encontros e desencontros. Os jogadores têm posições e espaços a ocupar e, a partir delas, funções a desempenhar. Há o chamado jogador posicional, aquele limita as suas funções a uma determinada zona do campo. Dali não sai. Dali ninguém o tira!

Mas também há a equipa posicional, a que obedece a uma rígida disciplina posicional, onde os jogadores sabem com rigor os espaços que devem pisar. Os que têm de ocupar para os roubar ao adversário e lhe tapar os caminhos que os possam conduzir à sua baliza. Ao adversário cabe-lhe desposicioná-los, arrancá-los das suas posições e espaços para, ao invés, romper acessos em direcção à baliza protegida. Como facilmente se percebe ganha quem, neste jogo do gato e do rato, conseguir enganar o adversário. Quem se não deixar enganar resiste. Quem não conseguir resistir desposiciona-se, perde as suas posições estratégicas e, como em qualquer batalha, é o descalabro.

Tirar da posição e mudar de posição, como tantas outras expressões já aqui trazidas, não é coisa que se limite ao que se passa dentro do campo de jogo. Fora de campo são muitas as mudanças de posição. E muitas as questões de postura. Ou de compostura. De dirigentes a adeptos.

Paulo Bento, com postura e compostura bem diferentes do seu antecessor – o malfadado Queiroz – colocou os jogadores nas suas posições e voltou a posicionar a selecção na rota do  europeu da Polónia e da Ucrânia. O que levou Gilberto Madaíl,a mudar de posição e, agora já numa postura de recandidatura, a reivindicar os méritos da escolha do seleccionador.

Vilas-Boas também mudou de posição sobre a arbitragem do jogo de Guimarães: afinal o penalti que tinha visto não passara de “ilusão de óptica”. Quis fazer passar uma postura de elevação de conduta para, na realidade, marcar posição na inesgotável fórmula da pressão alta sobre a arbitragem. A estratégia é clara: inventa-se um prejuízo da arbitragem sem pés nem cabeça para depois reconhecer o engano; capitaliza-se esta posição de humildade para sustentar outras reclamações sem sentido e desvalorizar, colocando-as ao mesmo nível, as que os adversários legitima e justamente reclamam.

Quem não muda de posição é Luís Filipe Vieira, que continua a defender que os adeptos benfiquistas não devem ocupar qualquer espaço nos campos dos adversários. Mal: porque não faz sentido e porque dificilmente será obedecido.

Duríssima terá que ser a posição da UEFA perante os graves incidentes dos hooligans sérvios em Génova, na Itália. O jogo que não chegou a ser, entre a Itália e a Sérvia, de apuramento para o euro 2012, serviu para uma manifestação de hooliganismo a lembrar que o futebol e o crime não podem continuar a conviver. Há uns anos atrás soube tratar-se do problema inglês; agora terá que ser dada uma resposta exemplar que resolva este e evite outros.

E, já agora, seria bom se alguma coisa se aprendesse para tratar do que aqui se passa. Fora e dentro dos estádios … e em todo o território nacional!

 

Futebolês #42 Falso ponta de lança

Por Eduardo Louro

   

 

O futebolês é uma linguagem com virtudes inimagináveis. Entre elas uma capacidade extraordinária de adaptação aos mais rebuscados conceitos e uma enorme facilidade de transmitir as mais subliminares mensagens. O falso ponta de lança tem um pouco de tudo isso!

Há o ponta de lançao matador –, que já por aqui passou, mas também o falso ponta de lança. Que, ao contrário do falso médico (ou de qualquer outro falsificador), não anda por aí a armar-se no que não é. O falso ponta de lança não é aquele tipo que chega ao aeroporto todos os Verões (e todos os Janeiros, também Verão lá na terra deles) a proclamar aos setes ventos que faz muitos golos, que remata bem com os dois pés e que é muito bom de cabeça mas que, depois … nada. Nem um só desses atributos! Esse, embora pudesse parecer, não é o falso ponta de lança. Esse é o barrete!

O falso ponta de lança não é um impostor. Fazem dele um impostor, não o é ele próprio. É o treinador que cria esse embuste!

Ou porque não tem mesmo um ponta de lança na equipa – às vezes só tem um ou outro desses barretes – e, já diz o povo, quem não tem cão caça com gato; ou porque, mesmo tendo-o, não o utiliza porque tem medinho do adversário. Não é capaz de o enfrentar cara a cara. De disputar o jogo pelo jogo, olhos nos olhos com o adversário. Arma a equipa em bases ultra defensivas e, não lhe sobrando ninguém para servir o ponta de lança – ou assistir, como vimos na assistência –, opta por destinar as tarefas atacantes a um só jogador, normalmente franzino e rápido e de boa relação com a bola.

Aí está o falso ponta de lança!

Que nem sequer é bem uma falsidade. Comparada com as falsidades que por aí andam…

São as falsas partidas do Benfica e da selecção, a colocarem em sérios riscos os respectivos objectivos logo de início. São as falsas soluções e até mesmo os verdadeiros problemas confundidos com falsas questões!

Na selecção, como de resto se esperaria, tudo se resolveu com o despedimento de Queiroz. É falso que Madaíl tivesse algo a ver com o problema, ou mesmo que não seja ele o próprio problema. Basta olhar para a desorientação e o desespero verdadeiramente humilhante da tão disparatada quanto ridícula ideia de ir suplicar a José Mourinho (e ao Real Madrid) que venha treinar a selecção nos dois próximos jogos. Nunca visto!

No Benfica as coisas estão a correr como a partir de certa altura (o tema tem aqui sido abordado desde a 36ª edição) era previsível que corressem.

É visível que não há só falsos pontas de lança. Também há falsos resultados, falseados por arbitragens que, muitas vezes, custam a perceber como meramente infelizes. Objectivamente o Benfica vem sendo duplamente prejudicado: penalizado por decisões erradas nos seus próprios jogos e por decisões erradas que têm beneficiado os seus adversários directos. E os órgãos sociais do Benfica reagiram. Com razão. Mas mal, a meu ver! Mal porque dispararam em todas as direcções, e muito mal quando apelam à desmobilização da sua massa associativa – a sua maior força. Uma força capaz de levar a equipa ao colo – joga praticamente em casa em 27 ou 28 dos 30 jogos do campeonato – como ainda há pouco se via. Apelar aos adeptos para não comparecerem nos campos dos adversários é deitar fora uma das principais vantagens comparativas. Mas é também um espinho na relação de boa vizinhança com a grande maioria dos concorrentes: os pequenos clubes que vêm na visita do Benfica o seu euromilhões!

Não é assim que se mobilizam as tropas!

Ah! E Olegário Benquerença?

Bom, não está em causa a sua seriedade, para mim absolutamente intocável. Mas começa a ser demasiado evidente que não é feliz nos jogos com o Benfica. E como faz infelizes todos os benfiquistas (menos um, que eu conheço e ele também)!

Tudo começou aqui há uns anos, na Luz, com aquele remate do Petit que o Vítor Baía defendeu para além de uma linha que, mais que uma linha de golo, é uma linha que separa benfiquistas e anti benfiquistas. A partir daí é uma história de jogos complicados que, à luz dos dois últimos – o do Dragão do final da época passada e agora este de Guimarães – o melhor mesmo é pôr-lhe ponto final. E que a recente homenagem da A. F. Porto (já quase ninguém se lembrava da sua histórica e tumultuosa relação com a arbitragem) em nada ajudou. É que não é a mesma coisa da homenagem da A.F. Leiria, em que com muito gosto (a convite do tal benfiquista único  que acima referi) participei, na véspera da partida para a África do Sul!

E domingo há derbi. Que parece estar já a aquecer, depois de uma longa semana europeia em que apenas o Braga deu passo em falso!

Futebolês #41 Cláusulas de rescisão

Por Eduardo Louro

   

 

 

As cláusulas de rescisão entraram recentemente no dicionário de futebolês. Entraram tarde mas em força!

O que vem então a ser isto das cláusulas de rescisão?

Bom, o conceito é simples e claro: estabelecido um contrato entre as partes – o jogador, mas também já o treinador, e a entidade patronal – uma cláusula desse contrato prevê uma das condições em que esse mesmo contrato possa ser rescindido. Precisamente a que fixa o valor que obriga a entidade patronal a ceder os respectivos direitos desportivos.

Contrata-se um profissional e diz-se logo: por menos deste valor (o da cláusula de rescisão) ninguém o leva! A partir desse momento, e em teoria, o mercado fica a saber que não vale a pena falar noutros números. E o profissional fica a saber, mais, aceita expressamente que, se ninguém aparecer a bater esse valor, não vale a pena inventar problemas de adaptação, de saudades da família ou do que quer que seja, porque a entidade patronal não cede. Nem está obrigada a ceder!

Claro que isto é a teoria. A realidade é outra: na maioria das vezes a cláusula de rescisão não serve para nada. Ou porque não tem qualquer aderência à valia desportiva do jogador, ou porque é o próprio jogador que invoca tudo e mais umas botas para a mandar às ortigas e assegurar a transferência que lhe garante o contrato da sua vida.

Quando, no final da época o presidente, aflito por vender os melhores para realizar uns cobres que tem de ir entregar ao banco, diz que não sai ninguém, a não ser que seja batida a cláusula de rescisão, isso não é mais que conversa para adepto ouvir. Claro que vende tudo o que lhe queiram comprar. Depois o culpado será sempre o jogador: “o jogador é que quis sair e não podemos manter um jogador contrariado”, é a inevitável justificação.

É isto que vemos em todos os nossos clubes!

Na selecção nacional, na Federação Portuguesa de Futebol (FPF), não é bem a mesma coisa. Aí temos um imbróglio, que é uma das maiores vergonhas nacionais para, ao que se diz, fugir a uma cláusula de rescisão que, afinal, ninguém sabe se existe.

A verdade é que, com ou sem cláusula de rescisão, pôr Carlos Queiroz a andar, sem indemnização, tem sido o grande quebra-cabeças da direcção da FPF. Ao ponto de toda a gente ter perdido a cabeça e já não restar alternativa que não passe pela porta de saída: toda a gente para a rua, antes que acabem por matar definitivamente uma selecção nacional (tão sintomática quanto os resultados - um único ponto em dois jogos tornam já difícil o apuramento para o europeu - é a assistência de Guimarães, claro indício de que o apoio à selecção faz parte do passado) que tem prestigiado o país e enchido os cofres da FPF.

Todos têm sido indignos do esforço e da categoria dos jogadores mas, para mim, a maior decepção é mesmo o seleccionador Carlos Queiroz. Que não pode agora vir dizer que está em causa a defesa da sua honra e do seu prestígio. Não está porque não se defende o que já se perdeu!

Há dois anos Queiroz chegava à FPF em ombros. Não tinha ganho nada, mas fazia o pleno nacional. Era o homem certo no lugar certo!

Em dois anos, o homem que todos aclamamos por lhe reconhecermos competência, prestígio, mundo, elegância e cosmopolitismo transforma-se em grosseiramente incompetente, capaz do mais ordinário vernáculo e da mais reles rixa de taberna, emocional e intelectualmente desequilibrado, sem norte e perdido em labirintos de dúvidas e de suspeições.

 

PS: Como devem ter percebido este texto foi escrito antes da apregoada reunião da direcção da FPF de ontem, quinta- feira. Daí que não comente qualquer decisão, se é que alguma foi mesmo tomada!

Futebolês #40 LOSANGO

Por Eduardo Louro

   

Quando em futebolês se fala em losango não se está a falar daquele polígono quadrilátero a que também chamamos rombo. Fala-se, como nunca se tinha falado, de sistema táctico. Da disposição táctica dos jogadores em campo ou, na linguagem futebolesa mais elaborada de Luís de Freitas Lobo, da construção da casa táctica da equipa ou do habitat táctico-posicional dos jogadores.

Quando digo que se fala do losango como nunca se tinha falado de outro sistema táctico faço-o com toda a propriedade: creio que nunca outro sistema foi tão badalado, mas também nunca outro sistema fora apresentado desta forma, com recurso a este tipo de imagem e terminologia. 

Uma rápida espreitadela pela História das tácticas do futebol mostra-nos isso mesmo (não, não é o famoso “o futebol é isso mesmo”, máxima do politicamente correcto em futebolês que serve de resposta a tudo o que se não sabe responder).

Creio que não estarei errado se disser que tudo começou com o WM – pelo menos não tenho conhecimento de referências a sistemas tácticos anteriores – que tem a particularidade de, como o losango, recorrer a uma imagem para traduzir o desenho arquitectónico da casa táctica: 2 defesas, então chamados, à inglesa, de backs, identificados nas duas bases inferiores do W, 3 médios, identificados nas três pontas superiores do mesmo W, e cinco avançados, sendo dois extremos (pontas superiores do M) com os restantes três (base inferior do M) no meio – dois interiores (o esquerdo e o direito) e o avançado centro.

Era o futebol dos anos 40 do século passado, todo mandado para frente: apenas dois defesas e cinco avançados. São os anos gloriosos do Sporting dos cinco violinos – os cinco avançados que ficaram na história do Sporting e do futebol nacional.

Depois passou-se à imagem numérica para identificar o sistema. Utilizando esta forma de representação o WM teria sido o 2x3x5. É quando surge, já nos anos 50 e durante boa parte da década de 60, o 4x2x4: reforço da defesa, agora a quatro, pouca importância do meio campo, com apenas dois jogadores, e quatro avançados, mantendo os mesmos dois extremos bem agarrados à linha, perdendo-se os dois interiores e passando a dois avançados centro. São os tempos gloriosos do Benfica de sessenta, donde emerge um famoso quarteto (José Augusto, Torres, Eusébio e Simões), que domina em Portugal e na Europa, com cinco presenças na final da Taça dos Campeões Europeus. E da mais brilhante de todas as selecções nacionais: a de 66!

A partir daqui assiste-se ao reforço dos cuidados defensivos e a um crescimento demográfico no meio do campo. No 4x3x3 que surge nos finais da década de 60 (excelentemente interpretado pela selecção do Brasil no Mundial do México de 1970) e vem até à actualidade  - evidentemente que com múltiplas nuances de alas e trincos. Ou nos actuais 4x4x2, 4x2x3x1 e … losango!

O problema é que o losango é uma simplificação. Transmite-nos uma imagem geométrica, em vez de um alinhamento de algarismos em forma de factores de multiplicação, mas não representa mais que uma variante do 4x4x2. Pois é, a imagem do rombo aplica-se apenas ao desenho do quarteto do meio campo: um médio defensivo atrás, o 6, dois no meio (sem alas) e um 10 à frente! Daí que a verdadeira designação do sistema seja o 4x4x2 em losango, que se traduziria em (veja-se a confusão) 4x1x2x1x2. O tal que no Sporting de Paulo Bento, tal a dependência, mais parecia cocaína. Dizia-se que o Sporting era losangodependente!

Daí que a Academia de Alcochete agora mais pareça uma clínica de desintoxicação, para cortar definitivamente com aquela dependência. O Paulo Sérgio, coitado, passa as noites a sonhar com o maldito losango e a tentar inventar novos sistemas. Numa destas até inventou um que metia um pinheiro… Como cidadão responsável andava, como todos nós, preocupado os incêndios que destroem a maior mancha de pinheiros da Europa. Mas, como profissional responsável, não dormia às voltas com os muitos sistemas tácticos que pretende implementar na equipa em simultâneo, para matar de vez o losango e surpreender finalmente os adversários. E pronto, lá veio um com pinheiro…

O Costinha bem lhe explica que não pode ser, que os pinheiros arderam todos e que os poucos que resistiram estão pela hora da morte. Mas nem assim ele tira o pinheiro da cabeça! E já avisou que no Natal não quer ser enganado. Quer mesmo um pinheiro, não é dessas árvores de natal de plástico que os ecologistas agora nos querem impingir!

 

PS A selecção inicia hoje os jogos de apuramento para o euro 2012. O que é que a gente pode dizer? Parafrasear o Queiroz? Não, é muita ordinarice

Aldrabices de valor acrescentado

Por Eduardo Louro

 

Todos os dias tropeçamos em pequenas habilidades que têm por único fim apanharem-nos os poucos euros que vamos conseguindo manter nos bolsos. Depois dos impostos, da gasolina, do supermercado, das prestações da casa, do carro e de sabe-se lá mais o quê. Dos parquímetros e dos arrumadores que nos obrigam a pagar o estacionamento em dobro. Depois de termos conseguido segurar os últimos euros à custa de tantos e tantos cortes e de mais uns furos no cinto, ainda surge um autêntico exército de chicos espertos a magicar todas as formas  de os conseguir sacar. São autênticos ímanes apontados aos nossos bolsos!

Umas vezes de forma legal, muitas de forma ilegal, mas sempre de forma ilegítima!

À frente deste exército encontramos invariavelmente o mundo das telecomunicações. As novas tecnologias transformaram-nos em comunicadependentes e, como em todas as dependências, lá estamos nós disponíveis para alimentar mais uma vaga de traficantes que rapidamente ocupa os mais diversos pontos na cadeia de distribuição.

Se nos distraímos lá estão uns tipos a dizerem-nos que ganhamos isto e aquilo e, de repente, só damos com uns euros a voar nas asas de uns ora atrevidos ora incautos sms. Tudo legal! Tão legal que até as operadoras, invariavelmente os maiores chicos espertos, lhe dão cobertura…

O que todavia mais me impressiona é a generalização e a utilização indiscriminada das ditas chamadas de valor acrescentado. Que sejam utilizadas pelos chicos espertos, enfim: o que é que podemos fazer? 

Mas não, são utilizadas por toda a gente. Por gente absolutamente insuspeita e pela mais respeitáveis instituições. Evidentemente com a bênção de todas as altíssimas entidades reguladoras e de supervisão que, supostamente, velam por nós - pobres cidadãos e indefesos consumidores.

São as televisões, que descobriram o filão e já não há concurso que não seja decidido sem as tais dos 60 cêntimos, mais IVA. Do mais simples e insignificante concurso ao próprio concurso das cantigas da Eurovisão e das estações associadas.  Do maior português ao ídolo do momento. Às 7 maravilhas! Elegem-se assim as 7 maravilhas de tudo e mais umas botas

As sondagens são já substituídas pelas consultas de opinião, sobre o que quer que seja, a troco de uma chamada com aquele mágico custo. Por dá cá aquela palha qualquer estação de televisão quer saber a nossa opinião. Que nós damos pelos módicos 60 cêntimos, mais IVA.

Mas também simples sorteios travestidos jogos de apostas!

É durante a transmissão de uma corrida de touros que se sorteiam bilhetes mediante a resposta a uma pergunta de algibeira, do tipo das dos tipos que nos enganam com os sms. Ou durante a transmissão de um jogo de futebol, onde se sorteiam bilhetes, bolas ou camisolas …

Pelos vistos nada disto é ilegal. Mas é ilegítimo e deveria sê-lo!

Estes sorteios são um negócio. Um negócio obscuro, sem transparência e sem risco. Vezes há em que, apesar de tudo, ainda há alguma transparência: é quando informam que oferecem uma camisola a cada 500 chamadas. Aí dá para ver o chico-espertismo e para fazer as contas à aldrabice!

As consultas de opinião são outra aldrabice. Perigosa e perversa!

Acha que isto ou que aquilo?

Parece-me normal que qualquer pessoa se interrogue: por que carga de água terei de pagar para dar uma opinião … que me estão a pedir? Não faz sentido, e como acho que as pessoas não são estúpidas, tenho que concluir que só vai gastar o dinheirinho quem tiver alguma coisa a ganhar com isso.

Por exemplo, ainda ontem uma estação de televisão questionava se Carlos Queiroz se deveria ou não demitir. Quem é que, no meio de todo este imbróglio em que ele está envolvido, teria interesse no sentido da resposta?

A resposta parece-me fácil e, já agora, o resultado foi esmagador: mais de 70% achava que não se deveria demitir!

Com tantas altas autoridades não haverá uma só que seja que perceba que isto assim não vale? Ou que não devia valer!

Futebolês #38 Mister

Por Eduardo Louro

  

 É mais um anglicismo! Daqueles que pouco dão nas vistas mas que não deixam de o ser. Não se trata, como toda a gente sabe, de um complemento de identificação. Até porque esse é universalmente apresentado pela abreviatura mr, comum ao mister e ao monsieur, para cobrir toda a cultura  europeia dominante dos séculos XIX e XX.

O mister é o treinador, admito que por força da ascendência inglesa no futebol. Com a influência do Brasil o treinador também já é professor.

Em Portugal, com o peso dos jogadores brasileiros – maioritários nas duas ligas profissionais – o treinador já é professor para mais jogadores do que mister.

É também a variante dos títulos a chegar ao futebol português. Se em toda a Europa um advogado ou um economista (ou um engenheiro ou um arquitecto) é Mr (mister ou monsieur) e em Portugal é doutor (ou engenheiro ou arquitecto) porque é que um treinador há-de ser mister?

Enquanto os treinadores foram feitos a partir do futebol, especialmente antigos jogadores, ou mesmo antigos jogadores frustrados, mister ia bem com a coisa. Que muda quando os treinadores começam a sair das academias: primeiro do ISEF, depois Faculdade de Motricidade Humana e posteriormente das inúmeras escolas de desporto espalhadas pelos Institutos Politécnicos. Aí surgem os professores. Mas também a guerra entre velhos e novos, entre misteres e professores!   

No primeiro plano do futebol nacional os misteres ganham aos professores. Se bem que em problemas estejam todos muito equilibrados.

No Benfica, Jesus é claramente um mister. Não um gentleman, mas um mister à antiga. Um clássico! E em dificuldades!

As coisas este ano parecem não estar a correr bem. Muito por culpa própria… E não vale a pena falar de arbitragens, e de penaltis por assinalar porque, quando as coisas correm como devem correr, como foi o caso na última época, não é preciso fazer essas contas. Na época passada também ficaram penaltis por assinalar, e não era por isso que o Benfica deixava de ganhar. E de golear!

No Braga, Domingos Paciência é também um mister. Que continua a dar cartas – acaba de deixar o poderoso Sevilha com o credo na boca – e a afirmar-se como um grande treinador, por muito que em certas circunstâncias se distraia. Pode ser que, agora que lá pelo Dragão anda um tipo novo e com alguns anos pela frente, passe a andar menos distraído. Só lhe fará bem!

O jovem que está à frente do Porto não é professor, excepto para os muitos brasileiros que lá estão, porque não teve tempo de ir à escola. Parece que aos quinze anos já andaria a aprender estatística mas por conta própria. Como autodidacta! Mas também não é um mister. Se calhar é simplesmente o André!

Para o caso pouco importa. É um treinador à Porto e o resto não interessa nada! É do Porto desde pequenino, fala e provoca à Pinto da Costa, tem estrelinha e todos os méritos normalmente atribuídos aos treinadores do Dragão, em particular as simpatias das arbitragens. Quando os jogos estão complicados arranja-se sempre um penalti para os desbloquear. Daqueles que, depois, se diz que levantam polémica. Mas pouca, passa logo! E não é só por cá, ainda ontem na Bélgica foi assim! E, claro, quando há daqueles que toda a gente vê dentro da sua área, o árbitro, sempre simpático, é o único que não vê.

Com um treinador destes pouco importa se é mister ou professor!

Novo e mister – o que parecia começar a ser uma raridade – é também Paulo Sérgio, treinador do Sporting. Também ele a braços com sérios problemas – agravados com a derrota de ontem, que afasta a equipa da Europa mesmo antes de lá entrar – entre eles alguns no aparelho auditivo. Aqueles assobios vão deixar mossas. Ai vão…vão!

Mas também no aparelho respiratório, tão entalado está entre o Costinha e o Maniche!

Professor, sem sombra de dúvidas, é Carlos Queiroz, o ainda seleccionador nacional. Ou melhor, o suspenso seleccionador nacional. Uma suspensão de um mês ontem confirmada pela Federação Portuguesa de Futebol (FPF), depois de anunciada na véspera, ainda antes da reunião do Conselho de Disciplina da FPF que tomou a decisão! Uma suspensão por causa de uns palavrões impróprios para um professor. E que vão muito para além do vernáculo que Pinto da Costa (olha quem!) declara socialmente aceitável.

Como é a própria FPF a impedir o seleccionador de dirigir a selecção nos dois primeiros jogos de apuramento para o próximo campeonato da Europa – o que é inédito e verdadeiramente surrealista – pode concluir-se que entende que Queiroz não faz falta nenhuma.

Há muito boa gente a pensar o mesmo! Mas então por que o contratou? E por que o contratou por tanto dinheiro? E por tanto tempo?

E, com mais um processo disciplinar – agora pela cabeça do polvo – que condições restam ao professor para continuar mister da selecção nacional?

E à direcção da FPF, onde segundo o professor, está mesmo a cabeça do polvo?

Aproveitem todos para ir embora. Depressa!

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