Fantasmas eleitorais*
No domingo passado fomos a votos, e decidimos a quem entregar os destinos das nossas terras para os próximos quatro anos.
Para trás ficaram vitórias e derrotas, egos inchados e egos mingados, muitas campanhas sujas e negras, e poucas elevadas, limpas e dignas. E ficaram os cartazes. Todos, dos mais mal-amanhados aos mais bem conseguidos. Muitos, deprimentes. Outros – poucos – norteados pela criatividade e bafejados por algum bom gosto. Ficaram e por aí continuam. Por muito tempo, como mais um subproduto dos fantasmas eleitorais.
E muitos foram os fantasmas destas autárquicas. Uns derrubaram lideranças partidárias. Outros ficaram-se pelo seu papel natural, e limitaram-se a assustá-las. Outros ainda, reforçaram-nas.
Que o digam Pedro Passos Coelho, Jerónimo de Sousa ou Assunção Cristas…
Para quem esperava e anunciava o diabo, ser apeado por um simples fantasma, será certamente frustrante. Quem duvidava do caminho, assustado pelo fantasma, vai querer voltar para trás. Mas quem encontra um fantasma protector, que lhe tapa a miséria e lhe realça a graça, não o quer perder de vista e só quer que a festa dure.
Mas sempre e só fantasmas. Como em Loures, onde o fantasma não passou disso, ou em Oeiras, onde ganhou vida.
E, com tantos fantasmas, bem dispensávamos a fantasmagórica pegada ambiental que os cartazes deixam nas ruas e praças deste país, a apodrecer ao sol e ao vento. Como não vamos lá pelo civismo, teremos que lá chegar pela força da lei: para quando uma lei a obrigar a limpar o lixo eleitoral em tempo higiénico?
* Da minha crónica de hoje na Cister FM