Futebolês #67 CASA
O futebolês também tem casa. Talvez, como muitos portugueses – se a média, segundo o INE, é uma casa para 1,86 portugueses … – tenha até mais que uma. O Quinta Emenda não se importa nada de ser uma das suas casas!
Tem a casa do disparate (que grande casa!), a casa da fruta – versão do futebolês, com sotaque nortenho, da casa de alterne – e tem a casa de Pinto da Costa, com acesso guiado pelas escutas que não contam para nada. E tem as casas: do Benfica e do Porto, espalhadas pelo país e até pelo mundo. O Sporting - sempre diferente - não lhes chama casas, chama-lhes núcleos sportinguistas! Mas, em futebolês, casa é mesmo para definir o lar da equipa, o seu ambiente aconchegado, o seu estádio. Onde joga, mas já não onde treina, agora que estão criadas as academias, os campus, os centros de estágio ou os centros de rendimento… Para todos os gostos!
A casa é assim, agora, como uma sala de visitas. Serve apenas para receber os seus pares, mesmo que na qualidade de adversários, e já não para viver o dia-a-dia. Onde, evidentemente, nos sentimos bem. Jogar em casa é e será sempre um privilégio! Por muito que o Sporting, que, como se sabe, tem aquela velha mania de que é diferente, pretenda contrariar isto!
Fica-se assim com a ideia que no futebol há uma enorme preocupação em receber bem: vive-se e trabalha-se noutro espaço para poupar a sala de visitas, para que esteja nas melhores condições e à altura das visitas. Para prestigiar a condição de anfitrião!
O Benfica recebe na Luz, na maior sala de visitas do país, na Catedral! E, para que esteja que nem um brinquinho quando recebe os seus adversários, passa-se para a outra banda, para o Campus do Seixal.
Será com a mesma ideia que o Sporting deixa Alvalade e a Alvaláxia e atravessa a ponte até à Academia de Alcochete? Não sei, não estou seguro que seja. Se fosse também não deixariam lá entrar aquela rapaziada da Juve Leo, que vira tudo do avesso. Penso mesmo que é por outra razão. O que o Sporting precisa de poupar é o relvado, para ver se aquilo se aguenta mais do que um mês. Quando lá instalarem um sintético – parece que é a única solução para terem um campo que aguente uma época – lá se vai a razão para poupar a sala de visitas… A não ser que o próximo presidente consiga pôr alguma ordem naquela rapaziada. Coisa que, fosse eu candidato, colocaria como primeira prioridade do meu manifesto eleitoral. Assim:
- Primeira promessa – pôr a Juve Leo na ordem;
- Segunda promessa – contratar Cruyff para director desportivo;
- Terceira promessa – contratar o Pepe Guardiola para treinador;
- Quarta promessa – contratar o Messi, o Iniesta, o Xavi, o Piqué, o Fabregas, o Nasri, o Fábio Coentrão, o Cristiano Ronaldo e o Ozil.
Bem sei que a primeira seria a mais difícil de cumprir, mas também seria a mais emblemática!
O Porto também deixa o seu Dragão e, como não pode ficar atrás, também atravessa o rio, para passar a semana no centro de estágio do Olival. Mas por outra razão: é que o Dragão, durante a semana, é necessário para sessões de formação de assistências a espectáculos de futebol. Em cânticos e no lançamento de bolas de golfe, isqueiros e outros objectos voadores para o relvado.
Uma actividade que começa já a dar os primeiros frutos. Depois da formação interna, e obtido o correspondente CAP de Formador, passaram a dar formação para fora.
A primeira fornada de formandos exibiu já as suas capacidades em Braga, no passado domingo. Onde está a nascer mais um expoente da arte de bem receber!