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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Ferida aberta

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Como se esperava, a indignação, e logo depois a violência, saíram à rua na Catalunha, pouco depois de serem conhecidas as condenações aos líderes independentistas catalães. A ferida voltou a ser aberta!

A sentença que atingiu pesadamente as caras do referendo, com penas comparativamente bem mais pesadas que as sentenciadas no julgamento do golpe franquista de 1981, e que a direita espanhola, ainda assim, acha leve, prossegue apenas o trilho da humilhação que Madrid traçou para a Catalunha a seguir ao referendo.

Pedro Sanchez poderia ter arrepiado caminho, e ter evitado a reabertura desta ferida sangrenta que corrói a Espanha. Não se poderá dizer que tivesse tido condições para resolver os problemas das autonomias, e em particular da Catalunha. A instabilidade governativa em que Rajoy deixou a Espanha, já em consequência desses problemas, que se precipitaram no referendo e nos acontecimentos que lhe sucederam, há dois anos, e a incapacidade de Sanchez formar um governo no quadro do cenário eleitoral que se lhe seguiu, nunca terá permitido as condições para seriamente enfrentar o problema. Mas poderia ter mantido a ferida reservada, em vez de a escancarar e de a reabrir ao escarafuncho. Poderia ter proclamado o indulto, como Rajoy poderia há dois anos ter encontrado outras respostas para o referendo, permitindo-o inclusivamente.

Não o fez. Optou por ceder à pressão da extrema-direita e por permanecer enredado na teia de contradições que o PSOE vem tecendo nos últimos largos anos.

Políticos presos? Ou presos políticos?

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Foram condenados a penas entre os quase 10 e 13 anos de prisão, nove dos doze independentistas catalães envolvidos na preparação e execução referendo separatista sobre a independência da Catalunha, em 2017, por esta altura do ano.

As penas ficam longe dos 25 anos reclamados pelo Ministério Público, que somava a acusação do crime de rebelião à lista de crimes em julgamento. Caiu a rebelião, mas não caíram as outras acusações, como a sedição, ou o estranho desvio de fundos públicos.

E ainda não chegou a Puidgemont, que sorrateira e atempadamente se pôs ao fresco ... Nem ao fim esta história a que uns chamam de presos políticos, e outros políticos presos.

Dias interessantes

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Puigdemont não apareceu, nem na mala de um automóvel, e o Parlamento da Catalunha não empossou governo nenhum, deixando tudo na mesma. Trump fez o seu primeiro discurso do Estado da União, e parece que conseguiu não chocar ninguém,  parecendo até cordial. A investigação judiciária entra por todas as portas dentro, até pela própria, como sugere o próprio nome escolhido: "operação lex". E atinge dois juízes desembargadores, marido e mulher, ao que se diz. E ainda ao que se diz, o presidente do Benfica. O que talvez finalmente explique por que é que o clube tem sido deixado ao abandono na defesa do seu bom e glorioso nome.

E já que fomos dar à bola, passamos pela saga Centeno, agora com a pouca vergonha a saltar fronteiras - o PPE quer levar o assunto a discussão ao plenário de Extrasburgo. E até por um guarda-redes, o do Moreirense, que no fim do jogo, que empatou, foi à "flash interview" convencido que tinha perdido. 

Ora digam lá se não há uns dias mais interessantes que outros?

Caganer

Puigdemont, uma pedra no sapato belga

 

Pensava eu que não estaria a ser muito exigente quando ontem, a partir da fotografia publicada pelo Sr Puidgemont, aqui o imaginava aos empurrões a disputar o lugar para o seu rabo com o da Dª Soraya de Santamaria. Era o mínimo que se poderia esperar... Afinal o mínimo é de mais para esse senhor. Não está sequer ao nível dos mínimos e isso era exigir-lhe de mais!

Afinal o Sr Carles Puidgemont tinha apenas aproveitado para publicar uma fotografia que tinha lá no arquivo, e àquela hora já estava a caminho do exílio. Afinal, logo que o governo espanhol bateu o pé, Puidgemont meteu o rabinho entre as pernas e fugiu...

Nunca ninguém terá esperado muito deste fulano, mas também ninguém terá esperado tão pouco. A independência nunca é oferecida em bandeja. Como para participar nos Jogos Olímpicos, há uns mínimos para a independência... O primeiro é desde logo determinação de lutar por ela. Lutar nem sempre é vencer, mas é sempre digno. Perder sem lutar é cobardia.

Portugal foi sempre capaz de afirmar a sua independência porque sempre ousou lutar por ela. Provavelmente é por ter tantos Puidgemonts na sua História que os catalães estimam e admiram os portugueses...

 

PS: Para evitar conclusões mais apressadas, tão comuns nestas coisas, devo esclarecer que não quero dizer que a Catalunha deva ou não deva ser independente, acho que isso só aos catalães, e a mais ninguém, diz respeito. E muito menos que desejaria que estivessem de armas na mão a lutar por ela. Não é de nada disso que estou a falar. É de estatura, de dimensão humana, de causas, de elites, de liderança...

Empurrões

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Aí está a Catalunha no ponto. Provavelmente a esta hora o Sr Carles Puigdemont e a Dª Soraya de Santamaria disputam a mesma cadeira, dentro do mesmo gabinete. Empurrão daqui, empurrão dali, algum dos rabos acabará encaixado na cadeira. Sabe-se lá se não mesmo os dois...

Até pode acontecer que isto se repita todos os dias até 21 de Dezembro. 

A imagem é caricata, mas se calhar nem está muito longe do que seja a actual estratégia do governo de Madrid, acreditando que, nas condições actuais, as eleições marcadas para a data do solestício de inverno sejam um plebiscito à integridade do estado espanhol. 

Bem vistas as coisas, até se poderia dizer que seria a mais sensata das atitudes de Rajoy em todo este processo...

 

Haveria necessidade?

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Depois de ter contribuído decisivamente para empurrar a questão catalã para um beco sem saída, Mariano Rajoy decidiu lançar a bomba atómica sobre uma Catalunha encurralada. Já não tinha por onde fugir mas... da bomba atómica não há como fugir, mesmo que que haja por onde.

Optando sempre por respostas desproporcionadas, Mariano Rajoy incendiou a Catalunha. Convencido que quanto mais endurecesse a sua posição, quanto mais aproximasse a independência e os independentistas da humilhação, mais dividendos políticos retiraria, cego de oportunismo, Rajoy acabou por prestar um péssimo serviço à integridade da Espanha.

É indiscutível que alcançou uma grande vitória política. Mas é uma vitória de Pirro... Capturou o PSOE, com Pedro Sanchez completamente encostado à parede, e sem estatura nem coragem para de lá sair. Tudo correu mal para a Catalunha, sem que nada corresse bem para a Espanha... Agora sem alternativas, e mesmo com muito poucas escapatórias!

Sem surpresa

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Os bancos e as grandes empresas sedeadas na Catalunha estão a anunciar (ameaçar?) deslocar as suas sedes para outras regiões de Espanha. O pontapé de saída foi dados pelos bancos, com o Sabadel na frente, logo seguido do CaixaBank, o dono do BPI e, com o Santander e o BBVA, um dos maiores bancos espanhóis. Seguem-se-lhes muitas multinacionais: a primeira foi a farmacêutica Oryzon Genomics, mas também  a Nestlé, a Airbnb e a Volkswagen - com três fábricas na Catalunha - já anunciaram as suas intenções. E até algumas das maiores empresas nacionais, como a Gas Natural SDG.

A surpresa é inversamente proporcional à competência de Rajoy. Se não se pode dizer que estas notícias sejam uma grande surpresa, terá de dizer-se que são um enorme atestado da incompetência de Mariano Rajoy. Mais um, se preciso fosse!

O próprio FC Barcelona, o maior símbolo da identidade catalã, e que já se ofereceu para mediar um diálogo que reclama, não poderá deixar de passar por um dramático processo de "deslocalização".

Com estes trunfos, com a provável quebra de 25 a 30% no PIB da Catalunha e a estimada duplicação da taxa de desemprego, de resto até já anunciadas pelo próprio ministro da economia, se outras razões não houvesse - e até havia, e bem fortes, como a corrupção na generalitat que se esconde por trás do referendo - numa campanha normal, democrática e sem incidentes, o triunfo do independentismo seria muito pouco provável.

Ao não perceber isto, e partir para um confronto onde só tinha a perder, Rajoy confirmou-se um político incompente, radical e politicamente cego. Também sem surpresa!

 

As impressões digitais de Rajoy

 

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O radicalismo e a cegueira política de Rajoy não se limitou a espalhar pelo mundo imagens que envergonham a Espanha. Fez mais, muito mais, ao dar ao independentismo catalão a absurda expressão de 90%.

Rajoy não se quis limitar a inverter a relação de forças, quis dar ao separatismo uma expressão avassaladora. A partir de agora, com ou sem validade, legítima ou ilegitimamente, só há um dado objectivo, e esse tem as impressões digitais de Mariano Rajoy: 90% dos catalães desejam a independência!

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