JOGOS OLÍMPICOS LONDRES 2012 (VI)
Por Eduardo Louro
O atletismo, que chegou há poucos dias aos Jogos para passar a dominar as atenções, é a modalidade de maior expressão olímpica. Como os extremos se tocam, são as provas da máxima e de mínima distância em corrida que disputam os pontos mais altos do calendário olímpico: a maratona, com os seus terríveis 42.195 metros, e a corrida dos 100 metros, a prova máxima da velocidade.
Apareceram ambas neste domingo, a maratona feminina – a masculina fica sempre guardada para o encerramento dos Jogos – e os 100 metros masculinos.
A maratona foi em boa parte do percurso disputada à chuva. Logo que passou, as atletas africanas passaram ao ataque, e dominaram a corrida apesar da excelente resposta da russa Tatyana Petrova Arkhipova, que se soube intrometer e conquistar a medalha de bronze, atrás da queniana Priscah Jeptoo, que ficou com a de prata. A etíope Tiki Gelana conquistou o ouro, batendo o recorde olímpico, na posse da japonesa Naoko Takasashi desde Sydney 2000.
A participação portuguesa atingiu a melhor prestação neste Jogos, com a Jessica Augusto a obter um diploma olímpico, com o seu excelente sétimo lugar, e ainda com as duas restantes participantes em posições que não envergonham: Marisa Barros, em 13º e Ana Dulce Félix, que poderia ter feito melhor, no 21º lugar.
Os 100 metros, a prova rainha do Jogos, devolveu-nos o espectáculo Usain Bolt (na foto). Limitou-se a passear classe na fase de apuramento, deixando logo claro ao que vinha. Na final, praticamente reservada a americanos e jamaicanos, com três representantes de cada uma destas nacionalidades, bateu o seu jovem colega – e sucessor, sem qualquer dúvida – Yohan Blake, medalha de prata, e o americano Justin Gatlin - que ficou com o bronze – mas bateu também o recorde olímpico, com 9,63 segundos.
Se a semana passada foi de Michael Phelps, esta é de Usain Bolt. Não estabeleceu só o novo recorde olímpico, tornou-se ainda no primeiro atleta a ganhar (na pista, pois Carl Lewis ganhou em Los Angeles 84 mas, em Seul 88, ganhou por desclassificação por doping de Ben Johnson) os 100 metros em duas Olimpíadas consecutivas. E tem ainda os 200 metros para voltar a fazer história…Na História está já como o maior velocista de todos os tempos. Não figurará como o maior atleta de sempre porque Carl Lewis – 10 medalhas olímpicas, 9 de ouro - juntou ao ouro dos 100 metros o ouro do salto em comprimento, onde foi imbatível durante mais de uma dezena de anos!
Voltando à representação portuguesa, merece destaque a equipa de ténis de mesa, constituída por Tiago Apolónia, Marcos Freitas e João Pedro Monteiro, que esteve à beira do apuramento para as meias-finais, acabando eliminada pela equipa da Coreia do Sul, na negra. Numa modalidade dominada pelos asiáticos, ao cair nos quartos de final, Portugal, que ocupa o oitavo lugar no ranking mundial, acaba por se ficar pelos seus limites. Quando a regra na delegação portuguesa tem sido ficar aquém desses limites!