Será certamente consensual que foi o maior líder político da democracia portuguesa, mas nunca Mário Soares foi consensual. Até hoje, ao dia do seu centésimo aniversário!
Aos 100 anos - que hoje passam, mas ontem se assinalaram - ao ler os jornais, ouvir a rádio, ou ver a televisão, Mário Soares é consensual. À direita e à esquerda. E não é que o seja. É porque todos, situem-se lá onde for no espaço político, encontram hoje o seu Mário Soares. Excepto o taberneiro de serviço na Assembleia da República, mas esse não entra nestas contas.
Mário Soares não é apenas um herói da democracia, com todas as suas virtudes e defeitos. É também alguém que, na sua longa vida pública, em alguma altura, encontrou o momento para agradar a cada metro quadrado do espaço político.
Sophia faria hoje 100 anos. E o país, de norte a sul, por todo o lado, nas mais diversas iniciativas, assinala este centenário e celebra o génio e a arte de Sophia de Mello Brayner Andresen.
Assinalam-se hoje 100 anos sobre a morte de Sidónio Pais, o quarto Presidente da República, assassinado a tiro na estação do Rossio, no segundo de dois atentados no espaço de poucos dias.
Tinha então 46 anos e, não sendo o de hoje o conceito de juventude era, ainda assim, o mais jovem presidente da I República, e é o segundo mais jovem presidente da República da nossa História, logo atrás de Ramalho Eanes, eleito aos 41 anos.
Se fosse hoje não seria apenas um presidente jovem. Seria também, como o actual, o presidente dos afectos. Gostava da rua, do contacto e da proximidade com as pessoas ... Popular, mas acima de tudo populista, quando ainda se não falava de populismo. E, mais que autoritário, autocrático.
Fernando Pessoa chamou-lhe o "Presidente - Rei". A História chamou ditadura à (pouco mais de) meia dúzia de meses do seu "reinado" - a ditadura sidonista!