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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Vitória decisiva

Di María:

O jogo era despedida da Champions, já se sabia.  Em jogo, nesta partida na Áustria, com o Red Bull Salzburgo, estava a fuga ao último lugar no grupo, e a discussão do acesso ao "play off" da Liga Europa através do terceiro lugar.

A equipa austríaca gozava da vantagem de ter ganhado por 2-0 na Luz, no arranque da competição, num jogo cheio de incidentes, que acabaria por ser determinante naquilo que foi a tragédia da Champions. E de jogar em casa. O Benfica tinha essas desvantagens, e ainda a de não ter adeptos no Estádio. Pela segunda vez, em três jogos fora. Na verdade teve. Chegou a ouvir-se gritar Benfica no Estádio. Poucos, mas houve quem tivesse conseguido encontrar forma de obter o bilhete de ingresso.

Para continuar a competir internacionalmente, agora na Liga Europa, o Benfica precisava de ganhar por um mínimo de dois golos de diferença, para anular a desvantagem da Luz. Não importa agora se seria ou não mais vantajoso ficar desde já fora das competições europeias, com total disponibilidade para as competições internas.

Importa que o Benfica fez, para além de uma muito boa exibição de futebol, uma extraordinária demonstração de espírito de equipa, de união, e de vontade de jogar bem e ganhar. É certo que voltou a desperdiçar uma enormidade de ocasiões para marcar. Que voltou a demonstrar que não tem quem marque golos numa proporção aceitável das oportunidades que cria. E que voltou a confirmar os erros de casting das contratações para esta época, em particular nas  laterais. Jurásek continuou no banco, e Morato continuou a fazer de defesa esquerdo. Aursenes não sabe jogar mal. Faz falta no lado esquerdo do ataque, mas não se limitou a cumprir na lateral direita. Foi, ainda assim, dos melhores em campo, apenas superado por Di Maria, claramente hoje o melhor, e por João Neves, lá muito próximo.

No jogo, o Benfica foi sempre melhor. Esteve, primeiro, muito bem a anular o ponto mais forte da equipa austríaca: a pressão alta, com que já havia impressionado na Luz, e a capacidade física dos seus jogadores - jovens, parte integrante do modelo de negócio do clube. E, depois, a impor o seu futebol bem mais trabalhado.

Poderia ter resolvido tudo o que havia para resolver ainda na primeira parte, não fosse a incrível dificuldade em marcar golos feitos. Quando à meia hora Di Maria marcou o primeiro, de canto directo - espectacular - já devia dois golos ao placard (Rafa e o mesmo Di Maria). Para apimentar o sofrimento o árbitro demorou mais de três minutos para confirmar o golo. Não se percebia qualquer razão para não confirmar o golo, mas essa confirmação tadou uma infinidade. Ficou a ideia - até porque o árbitro deslocou-se ao local do monitor mas não utilizou outra coisa que uns auscultadores - que se teria tratado apenas de dificuldades de comunicação áudio.

No primeiro dos quatro de compensação da primeira parte Rafa acertou finalmente com a baliza, numa jogada que começou em mais uma recuperação de João Neves, seguida de mais uma grande abertura para Di Maria, para assistir o mais desafortunado dos jogadores do Benfica nos últimos tempos. Era o 2-0, o tal resultado necessário. Mais necessário para deixarem de fustigar a equipa, do que propriamente pelo real interesse em prosseguir pela Liga Europa.

No recomeço Roger Schmidt deixou Tengstedt no balneário e fez entrar Musa. O Benfica reentrou a tomar conta do jogo, à procura do terceiro golo. Foram 10 minutos avassaladores, em que Rafa, Musa (incrível, como a bola não entrou), Di Maria e Rafa, de novo (com a baliza toda à mercê acertou precisamente no guarda-redes) desperdiçaram quatro golos cantados.

Não marcou o Benfica, marcou o Salzburgo. Na primeira vez que, na segunda parte, chegou à baliza de Trubin, Sucic - o melhor jogador da equipa, que também já impressionara na Luz - rematou, a bola desviou em Tomás Araújo (que jogou - e bem, a grande nível - no lugar do António Silva, mal expulso no jogo com o Inter) e traiu Trubin.

O diabo está sempre atrás da porta. De uma possível vantagem de cinco golos, de repente, o Benfica passava à vantagem mínima. Mas não deixou de lutar contra o infortúnio, e essa é uma das boas notícias que chegaram de Salzburgo.

Cinco minutos depois já Otamendi poderia ter feito o terceiro, em mais um canto cobrado por Di Maria. Pouco depois entrou Gonçalo Guedes, e saiu Kokcu. E o Benfica continuava a jogar bem e a procurar o terceiro golo. Di Maria acertou no poste. Rafa voltou a errar a baliza, rematando por cima, na cara do golo. Logo a seguir, isolado por Di Maria, volta a falhar o golo, permitindo a defesa do guarda-redes. Musa segue-lhe as passadas. João Neves (fez tudo!) rematou mas, à  última da hora, a bola desviou-se da baliza.

O jogo chegava aos 90 minutos e, com o Benfica completamente lançado no ataque, onde já contava com Otamendi,  o Salzburgo, com a frente de ataque renovada, começava a sair em contra-ataques rápidos. Schmidt trocava João Mário por Arthur Cabral, já no primeiro dos cinco minutos de compensação. O normal, pensava-se!

João Neves faz um passe de 25 ou 30 metros a desmarcar Aursenes, na direita. Cruzou para dentro da área, onde surgiu Cabral para, de calcanhar, na primeira vez que tocava na bola, fazer o que ainda não havia sido feito. O terceiro, que repunha a tal diferença de dois golos.

Não sei se é ou não uma vitória épica. Com um golo épico, do mais desgastado dos jogadores do plantel. Mas sei que é a vitória de uma verdadeira equipa. Apenas possível porque os jogadores estão com o treinador, como já era possível perceber. É por isso que esta não é uma vitória importante por manter a equipa na Europa. É importante por manter a equipa. E é importante porque é decisiva para ganhar o que há para ganhar!

 

 

Do céu ao inferno

Do céu ao inferno. Foi esta a viagem que o Benfica fez, esta noite, na Luz. Do céu, da primeira parte, ao inferno, da segunda. 

O céu não foi tão celestial quanto o 3-0 ao intervalo poderia fazer crer. Foi uma boa exibição, mas não foi daquelas exibições arrebatadoras, de destroçar o adversário, de vertigem e magia. Mas foi a prova de que se podem fazer grandes exibições sem se ser avassalador. 

Sem grande exuberância, mas com uma equipa competente, o Benfica deixava a ideia de ter feito uma grande exibição, deixando no ar a sensação de ter chegado à Champions só depois de já ter visto a porta de saída. O Inter, com uma equipa inicial onde faltavam as maiores estrelas, teve mais bola, manteve as suas rotinas e nunca foi um adversário verdadeiramente submetido. A grande diferença, e a tal ilusão de ter chegado ao céu, foram os golos, os três de João Mário, em 45 minutos inesquecíveis. Não tem sucedido nada de parecido em termos de aproveitamento.

O intervalo mudou tudo. E aí vêem-se os treinadores. A perder por 3-0, Simeone mandou os mesmos jogadores para a segunda parte. Deve ter-lhes dito que, tendo sido eles a caírem no seu inferno, eram eles que de lá teriam de sair.

Não faço ideia do que terá dito Roger Schemidt aos seus jogadores. O que se viu é que, coisas que, antes, saíam bem, começaram logo a sair mal.

O passe de ruptura de João Neves, que na primeira parte teria chegado ao destino, foi interceptado e deu em contra-ataque, interrompido, em falta, pelo próprio João Neves, provocando um livre a pouco mais de 20 metros da baliza. O pontapé de Alexis Sánchez assustou de tal forma Trubin que, podendo perfeitamente agarrar a bola, desviou-a por cima da trave. Do canto surgiu o primeiro golo do Inter. A segunda parte ia apenas com 5 minutos e já se via que o jogo tinha mudado por completo. E o segundo golo veio logo a seguir.

Exactamente como acontecera na primeira parte com os golos do Benfica: aos 5 e aos 13 minutos.

Simeone deu então por cumprida a tarefa dos seus rapazes. Tinham eles próprios saído do inferno, e fez então entrar as principais figuras para fazerem o resto. Fez as cinco substituições em tempo útil. Thuram, Cuadrado e Barella todos de uma vez, logo a seguir ao segundo golo. Lautaro e di Marco dois minutos depois.

No Benfica nada acontecia. Mas ao Benfica tudo acontecia. Os golos que na primeira parte aconteceram com toda a facilidade, e felicidade, passaram a oportunidades flagrantes perdidas. O guarda-redes do Inter, que na primeira parte praticamente não tocara na bola, passou a defender tudo. O central Bisseck , de andar de cabeça à roda, passou a cortar tudo. E quando Di Maria e Tengstedt poderiam ter feito o quarto e o quinto golos, a sorte já tinha sido toda esgotada por João Mário.

E como tudo acontecia, de um atropelamento a João Neves à entrada da área adversária, que a arbitragem - mais uma, desastrada, na linha do que também tem acontecido nesta Champions - não quis ver,  resultou um contra-ataque que acabou num penálti assinalado a Otamendi, sobre Thuram, e transformado por Alexis Sánchez no golo do empate.

Havia ainda muito tempo para jogar - na realidade houve ainda mais de meia hora - e o inferno ficaria ainda mais profundo com a expulsão de António Silva, ditada pelo VAR, e provavelmente exagerada. 

Com dez, durante perto de um quarto de hora, ainda que no inferno, o Benfica conseguiu apenas resistir e salvar o empate. Que, só por isso, pela resistência no inferno, não é ainda mais amargo.

Interessam pouco as contas para Sazburgo. Foi com esse adversário, logo no primeiro jogo, que o Benfica abriu as portas do inferno, de que já não tem salvação. Interessa é perceber como a equipa vai do céu ao inferno em apenas 45 minutos. Perceber a inconsistência sistemática desta época.

Quero crer que alguém responsável ande à procura dessas explicações. Espero que sejam dadas porque, explicar tudo por sorte e azar, e por arbitragens, valha o que valer, só pode servir para o exterior. Para a equipa não pode servir!

 

Desastre em San Sebastián

Na quarta derrota, em quatro jogos nesta Champions, o que menos envergonha é o resultado. Perder este jogo com a Real Sociedad por "apenas" 3-1 é o que menos nos envergonha nesta passagem do Benfica por San Sebastián !

Tudo o resto foi um desastre, que o Benfica vai pagar caro, e uma imensa vergonha. A começar pelos energúmenos - não são adeptos, e muito menos benfiquistas - que lá de cima, daquele topo por trás da baliza da equipa basca, desataram a lançar tochas. Para o relvado, mas também para cima de quem estava por baixo, na bancada inferior. E a acabar no que se passou no jogo, onde o Benfica foi simplesmente ridicularizado e humilhado.

Por responsabilidade do treinador, que não conhece nem os adversários nem os seus próprios jogadores. Dos jogadores, que não correm, não lutam, não querem, nem crêem. E da Direcção, que assiste a tudo isto como se tudo isto fosse fado. E fatalidade.

Parecia um jogo entre uma equipa de iniciados e outra de internacionais seniores. Em 10 minutos, nos primeiros dez do jogo, o Benfica sofreu dois golos. O terceiro demorou outros dez, mas na terceira vez que, nesses dez minutos seguintes, a bola entrou na baliza de Trubin. Antes da meia hora, antes dos terceiros dez minutos, os espanhóis falharam um penálti, com a bola a bater no poste. 

À meia hora de jogo o Benfica só não tinha encaixado seis golos simplesmente porque não calhou. E o espectro de Vigo, vai para perto de 30 anos, andou sempre no ar. Tudo isto num jogo que não podia perder. 

Escapou a isso. Escapou até a sofrer mais golos até ao fim. E teve até a oportunidade de marcar - aquele que é o único golo marcado nestes quatro jogos de quatro derrotas - logo no início da segunda parte. Mas nem isso, nem esse golo de Rafa que acabaria por fixar o resultado final, foi suficiente para dar alento aos jogadores para, pelo menos, deixarem uma imagem digna das camisolas que vestiam.

Roger Schemidt é um líder completamente perdido. Bloqueado, e isolado. De tudo. Só, abandonado. Os jogadores arrastam-se em campo, na descrença e na desconfiança. E, de Rui Costa, não há notícias.

 

 

 

Como tudo era diferente há um ano...

O Benfica fechou a primeira volta da fase de grupos da Champions esta noite na Luz, com os espanhóis da Real Sociedad. Nem tão cheia como se dizia, nem tão cheia, nem vibrante como é habitual.

Que não havia realmente muitos motivos para grandes entusiasmos provou-o o jogo praticamente desde o apito inicial. Quando, há boa maneira portuguesa, depois do desastre na primeira jornada com o Salzburgo, e daquela segunda parte em Milão, alguns diziam que a chave do apuramento estava na dupla jornada com a equipa basca, e na possibilidade de aí somar os 6 pontos em discussão, entrava-se no domínio do sonho.

Quem minimamente acompanhe, e aprecie, o futebol percebia que esta Real Sociedade é a melhor equipa do grupo. A que tem melhor qualidade de jogo, a que joga mais e melhor, a que tem mais automatismos instalados na equipa e, a par da do Inter, a que melhor sabe controlar os ritmos do jogo. E percebia que os seis pontos não estavam ao alcance deste Benfica, desta época.

O que a equipa basca mostrou esta noite na Luz não surpreendeu ninguém. A surpresa é que tenha surpreendido  os jogadores e a equipa técnica do Benfica. A não ser que Roger Schemidt não tenha sido surpreendido, mas apenas incompetente.

O Benfica do ano passado tinha condições para discutir o jogo de igual para igual com este adversário. Este, não!

Quando uma equipa não tem argumentos para discutir o jogo com a adversário na mesma toada de resposta, tem de encontrar uma estratégica para contrariar essa inferioridade. Para isso, primeiro, tem de haver a humildade de a reconhecer. Depois, tem de encontrar outros argumentos que anulem, ou compensem, aquilo em que o adversário é melhor. Chama-se "organização". Às vezes, e nem sequer é assim tão raro, com uma boa organização, que contrarie os pontos fortes do adversário, acaba até por ser melhor quem não é o melhor.

A ideia que ficamos deste jogo é que, em vez de procurar contrariar aquilo em que o adversário era melhor, Roger Schemidt preferiu simplesmente ignorar que o adversário era melhor. Chama-se a isto enfiar a cabeça na areia. E começa a ser demasiado frequente não ver a cabeça de Schemidt. 

O resultado não poderia ser outro que não o "banho de bola" da Real Sociedade. E o Benfica não poderia ser outra coisa que não uma equipa desorganizada, com os jogadores perdidos em campo a correrem atrás da bola.

Apenas episodicamente assim não aconteceu. Mas foram simples e momentãneos episódios, nunca uma estratégia de abordagem ao jogo. O mais duradouro foi naqueles cerca de 10 minutos, depois dos 5 iniciais, em que o Benfica marcou um golo - anulado por fora de jogo milimétrico de Rafa no arranque da jogada - e construiu uma única oportunidade, que Musa não soube aproveitar, com um remate por alto. Os outros - poucos - aconteceram pelo inconformismo, pela vitalidade - e diria até pelo benfiquismo - de Tiago Gouveia, que entrou a 20 minutos do fim, a substituir Neres.

Três jogos, três derrotas. Zero pontos e nem um golo marcado. Tudo isso com dois jogos em casa, e apenas um fora. Os oitavos da Champions nem miragem já são. E, muito provavelmente, nem para o play-off de acesso à Liga Europa já vai dar. 

Como tudo era diferente há um ano. Sim, há um ano havia Enzo, Grimaldo e Gonçalo Ramos. Mas explica tudo?

Não. Há certamente outras explicações. 

 

 

 

 

Entre tantos equívocos, só uma certeza: o caminho na Champions está curto!

Ao somar, esta noite em Milão, a segunda derrota consecutiva, muito dificilmente o Benfica logrará assegurar um futuro na Champions desta época que vá além desta fase de grupos. O apuramento para os oitavos de final não é, hoje, uma miragem. Mas imensamente reduzida a probabilidade de ser outra coisa.

A derrota desta noite, frente ao Inter, no Giuseppe Meazza, sem adeptos do Benfica - à excepção das escassa dezenas dos que, pelas mais diversas formas, incluindo a de se fazerem sócios do clube italiano, pelo comportamento de uns poucos, precisamente lá, no jogo de despedida da passada edição - só tem tamanha consequência por se seguir à inesperada derrota na Luz, há duas semanas. Não fosse isso e, perder por 0-1 com o Inter, em Milão, seria um resultado desagradável, evidentemente, mas dentro de todos os cenários de apuramento.

Mas era essa a realidade. O Benfica já não podia alterar nada do primeiro jogo. Já só poderia, e deveria, fazer tudo para ganhar este jogo. Não seria fácil - nunca o é - porque não é fácil, a este Benfica, ganhar a este Inter. Muito melhor equipa, e com muito melhor futebol, que na época passada, em que chegou à final com o Manchester City. Mas mais difícil ficou com a declaração de Roger Schemidt que "o empate seria um bom resultado".

É que essa ideia transmitida pelo treinador foi transportada para a equipa. Desde logo na sua constituição, sem ponta de lança, com o ataque entregue à magia de Neres, Rafa e Di Maria. Também a estreia de Bernat, libertando Aursenes para o trio de meio campo, não terá sido grande ideia. Porque lateral espanhol ainda não está - nem de perto - pronto, mas também porque a equipa não está rotinada no 4X3x3 que daí resultava.

A primeira parte correu de feição (a lesão de Bah, aí a meio, é mais um contratempo, mas o Tomás Araújo até acabou por, como o jogo estava, revelar maior segurança) à ideia de que "o empate não era um mau resultado". O Benfica teve bola, muita mesmo. Mas era apenas para entreter. O Inter não se incomodava muito com isso. Estava claramente confortável naquele jogo, em que lhe bastava fechar espaços e espreitar o contra-ataque. É o seu habitat natural! 

A superioridade do Benfica era mais ilusória que real. Teve uma bola na barra, mas num canto (directo) de  Di Maria. Não se pode falar de uma oportunidade de golo, mas de um acidente de jogo. O mesmo não acontece com o penálti sobre Neres, à meia hora de jogo, que ficou por marcar. Mais um, a somar aos da Luz, há duas semanas. Já não são acidentes de jogo. Nem é acidental que em ambos os jogos o VAR não tenha intervido. 

Mesmo que a arbitragem holandesa (Danny Makkelie foi o árbitro principal) não tenha comparação com a daquela equipa turca que estivera na Luz na primeira derrota, voltou a ter influência directa no jogo e no resultado. Foi o penálti por assinalar, mas foi o próprio golo do Inter, que deveria ter sido invalidado, por falta - clara - sobre Otamendi, que não estava a disputar a bola, mas foi impedido de a poder inteceptar no caminho para a baliza. As arbitragens da UEFA estão a ficar muito parecidas com as de cá. Do burgo.

O que de melhor o Benfica podia tirar daquela estratégia do "empate é um bom resultado" morreu no apito do holandês. A estratégia, essa, também. Morreu no apito inicial para a segunda parte!

Aquele futebol de entreter da primeira parte, sem a esperada magia dos génios (Rafa, Di Maria e Neres nunca tiveram tempo nem espaço para a soltar) e com Kokçu desaparecido do jogo, tinha sido muito fácil para o Inter. Mas suficientemente desgastante para deixar mossa nos jogadores do Benfica: João Neves só há um!

Bastou ao Inter entrar com outra intensidade para acabar com a estratégia de Roger Schemidt. E transformar a segunda parte num pesadelo. Valeu Trubin, e a sorte que o Benfica não tem tido!

Trubin só não conseguiu evitar o golo - perdeu-se muita coisa em Milão, mas ganhou-se um guarda-redes, afinal a melhor contratação da época -, à entrada do segundo quarto de hora. E a sorte ... tem limites. 

A ganhar, o Inter ficou ainda mais com o jogo a seu jeito. A perder, o Benfica ficou ainda mais perdido no jogo. As substituições de Roger Schemidt limitaram-se a substituir os mais estourados, e a introduzir mais confusão na equipa. Que passou de nenhum ponta de lança, a dois: Musa e Arthur Cabral. Este ainda desfrutou da única oportunidade de golo criada. Mas seria sorte de mais que, um jogador que ainda não mostrou nada que justificasse a sua contratação, acabasse por, ao fim de tantos jogos, marcar pela primeira vez na única ocasião da equipa. E logo no jogo que não se podia perder!

 

Más sensações

Não sou muito dado a superstições, nem mesmo na bola. Mas, já dizem os espanhóis que não acreditam em bruxas, "pero que las hay, las hay". Ainda não tinha aquecido a cadeira e chegava a primeira sensação de que a coisa não ia correr bem: o voo da águia Vitória não acabou limpinho, e isso não dá boas sensações. Logo a seguir, à entrada dos jogadores, Trubin vestido de azul, também não.

A águia Vitória lá foi recolhida do relvado, e dela não se voltou a dar conta. Já de Trubin ... bem pelo contrário. E não há duas oportunidades para uma primeira boa impressão!

Cantámos "ser do Benfica ... "  até esgotar as gargantas naquele "saltitantes" final. Ouvimos o hino da Champions, e cumprimos, os 61 mil, o minuto de silêncio pelas vítimas do sismo em Marrocos, e das cheias na Líbia. Houve um que não teve paciência, nem civismo para tanto, e soltou um "Benfica, caralho" para cima daquele silêncio.

A bola de saída pertenceu ao Salzburgo, e naquele primeiro minuto apenas dois jogadores do Benfica tocaram na bola. Um para interceptar um cruzamento, e deixá-la para um adversário à entrada da área, e outro para levar com ela a desviá-la para canto. No canto, Turbin vai para socar a bola com as duas mãos (!) mas, em vez de acertar na bola, acertou num adversário. Penálti. Encarregado de o marcar, Karim Konaté atirou bem por cima da baliza.

Afinal poderia ser que as más premonições se não confirmassem. Não foi assim, e esse foi o único momento de sorte do Benfica no jogo. E viu-se de imediato que não seria mesmo assim. O Salzburgo trazia a lição bem estudada, e viu-se como tinha preparado bem o antídoto para o futebol do seu ex-treinador. Posicionamento táctico irrepreensível, a secar completamente a fonte do futebol benfiquista. Aquilo não era bem a mesma coisa que temos visto nos jogos desta época, quando os adversários entram em campo a pressionar e a correr como loucos para entupir o caudal de jogo do Benfica. O que já aqui tenho referido como o primeiro milho para os pardais, que  rapidamente enxotam. Não aquilo não era nem pressão alta, nem tinha correrias. Era posicionamento puro. Aquilo não rebentava os jogadores da equipa austríaca, engasgava colectivamente o Benfica, e baralhava individualmente boa parte dos jogadores, em especial Bah, esta época simplesmente desastrado.

Mesmo que se percebesse que aquilo não exactamente "o primeiro milhos dos pardais", e ainda assim, poderia até ter sido. Bastaria que a sorte se não tivesse esgotado no penálti falhado, e que a arbitragem turca não tivesse sido à portuguesa. Aos 10 minutos não entendeu que era penálti o que realmente um corte com a mão de um defesa do Salzburgo dentro da área. E começou aí o autêntico festival de dualidade de critérios que durou o jogo todo. A incrível permissividade a tudo o que os jogadores da equipa austríaca fizessem. Faltas, perdas de tempo sucessivas, fosse a marcar cantos, desinteressados da bola, e a atravessar o campo a passo, fosse o guarda-redes a repôr a bola, fosse nas substituições, fosse no que fosse.

Aos 12 minutos, a bola rematada por João Mário poderia ter entrado. Mas o poste não deixou. No lance imediato Bah - sempre ele - falha mais um passe e entrega a bola a um adversário. Ao tentar cruzá-la para a área bate no próprio Bah, sobe, sobe e desce até cair sob a barra. Quando António Silva a tenta interceptar, o desvio na barra acaba a encaminhá-la para a mão do defesa do Benfica, em cima da linha de golo. Cartão vermelho, e penálti. Desta vez sem a sorte do outro, e o Benfica ficava a perder e com um jogador a menos.

Roger Schemidt entendeu tirar João Mário - não terá sido a melhor opção, mas nem nisso o treinador surpreende ninguém - para repôr a defesa, com Morato. Se já estava a ser difícil, mais ficava ainda.

Ainda assim os jogadores foram valentes, conseguiram jogar e ganhar ascendente no jogo. Depois daquele primeiro quarto de hora tenebroso, com 10, o Benfica chegou a jogar bem e chegou ao intervalo, com apenas 5 minutos de compensação depois de todo o tempo perdido pelos autríacos, e de dois penáltis, a justificar outro resultado, com três boas oportunidades de golo. Valeu aos austríacos o seu guarda-redes, que se revelou inspiradíssimo e inultrapassável. E a sorte. Quando estava batido havia sempre o poste, onde Di Maria voltaria a certar, aos 25 minutos.

Era evidentemente difícil, com 10, manter aquele domínio na segunda parte. E da sorte já nada havia para esperar. Mas o Benfica regressou, com os mesmos 10, e a dominar. Di Maria deixou morrer uma jogada em que esteve isolado, e gritou-se golo de Musa, depois de um grande trabalho na área. Schlager, é este o nome do guarda-redes que tinha dado jeito estar do outro lado, fez mais uma defesa impossível. Imediatamente a seguir, Morato, que tinha estado a alto nível, saiu a jogar sem qualquer protecção nas suas costas, e perdeu a bola. Aursenes teve ainda oportunidade de interceptar o primeiro passe, mas também falhou, e ficaram dois jogadores isolados frente ao sempre nervoso e intranquilo Trubin. 

De novo, depois de mais uma grande oportunidade para marcar, o Benfica sofria o segundo golo. O resto do jogo foi mais do mesmo. Os jogadores do Salzburgo a queimarem tempo, o guarda-redes a defender tudo (mais duas defesas de golo, uma negando-o a João Neveso, e outra a Otamendi (num espectacular remate de bicicleta); o árbitro a fazer vista grossa a faltas claras, a amarelar os jogadores do Benfica pelos protestos, e provavelmente a perdoar-lhes mais um penálti (aos 70 minutos).

Schemidt não mexia na equipa, e nas bancadas gritava-se por Neres. Que entraria já perto da entrada no quarto de hora final, com ... Chiquinho. Substituindo Di Maria, já há muito esgotado, e Kokçu. As duas restantes substituições chegariam já bem perto do final, com Tengsted (o Cabral, dos vinte e tal milhões, que vinha substituir o Gonçalo Ramos, é a última das três opções para ponta de lança!) e Tiago Gouveia (em estreia absoluta num jogo destes!), a substituírem os esgotadíssimos e massacrados Musa e Rafa.

E assim abriu o Benfica a Liga dos Campeões desta época. A perder, em casa, o jogo com o adversário menos cotado do grupo, que se sabe dos mais equilibrados. A perder, em casa, o jogo que não havia dúvidas que ganharia. Depois do que fez na passada!

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