Decididamente o poder europeu apontou as baterias para Portugal. A Grécia já era... Agora a chantagem virou-se para cá. Ultrapassa a chantagem, é bullying o que os extremistas que mandam na Europa estão a fazer.
Tão surreal quanto as ameaças europeias, é que Passos Coelho e Maria Luís aproveitem esta escalada de prepotência para fazer prova de vida. Para, de bandeira portuguesa na lapela, mostrarem de que lado estão!
Se a semana havia sido negra, o fim-de-semana não foi melhor.
O ministro da saúde marcou uma conferência de imprensa para o ministério, onde acreditava que o sindicato dos médicos compareceria, mesmo que tivesse dito que não. Não apareceu, mas apareceram os jornalistas. Que tinham sido convocados, mas afinal deveria haver ali um mal entendido qualquer, concluiu o ministro entregando-lhes um simples comunicado!
O primeiro-ministro prosseguiu a sua cavalgada da onda levantada pelo Tribunal Constitucional, que acha que lhe permite tudo. Até a chantagem! Dizer – como o fez hoje Passos Coelho – que quem disser que a compensação dos cortes dos subsídios tem que ser feita no lado da despesa, tem de dizer que cortes é que pretende no Serviço Nacional de Saúde e na Educação, é chantagem sobre os portugueses. E chantagem é aquilo a que gente pouco recomendável recorre quando esgotou todos os argumentos. Acontece quando se perdeu o carácter. E a vergonha! É triste, muito triste, ter que retratar assim alguém que há apenas um ano mobilizava a esperança de tantos portugueses…