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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Futebolês #95 CHICOTADA PSICOLÓGICA

Por Eduardo Louro

 

É uma das expressões do futebolês mais vulgarizadas. A chicotada psicológica é uma chicotada aplicada ao treinador na expectativa que produza efeitos psicológicos nos jogadores, que lhes dê a volta ao estado anímico.

Tem, como não podia deixar de ser – o futebol(ês) é isto mesmo – o seu lado anacrónico: o acto não produz os seus efeitos sobre o sujeito mas sim em terceiros. O treinador é que é chicoteado para que os jogadores emendem caminho. Ou os jogadores é que andam por maus caminhos mas o treinador é que leva o castigo.

Tem uma explicação simples: o treinador é só um; os jogadores são às dezenas. E outra, também pouco complicada: por cada treinador empregado há no mínimo dez à espreita, à espera e a fazer figas para que as coisas lhe corram mal. Mal surge a oportunidade e lá está um disposto as dar o seu cunho pessoal, a fazer crer que a equipa vai passar a ganhar os jogos todos e a injectar moral naqueles jogadores como se de penicilina se tratasse.

Uma vez por outra a coisa até resulta, e é isso que dá força à chicotada psicológica. Ninguém se lembra das vezes em que tudo fica na mesma, essas não contam para nada. Em memória ficam as que resultam!

Em menos de dois meses de competição muitas foram já as chicotadas. A primeira deu-se em Guimarães, logo na segunda das seis jornadas já cumpridas, quando o mestre do verbo – com uma linguagem própria, o já famoso machadês, que ameaça a hegemonia do futebolês – foi trocado pelo que estava em Paços de Ferreira donde, por causa de um boné ridículo que são obrigados a usar, estão todos doidinhos para fugir.

Esta mudança de Paços de Ferreira para Guimarães começa já a tornar-se um clássico. Não fosse o Sporting, entretanto e sem saber muito bem como, ter desatado a marcar golos no primeiro minuto e a conseguir aguentar-se nos restantes oitenta e muitos, e já começávamos a ver o tipo que veio da capital do móvel, sem aquecer o lugar na capital da cutelaria (será que ainda é ou já só sobra o mito?), a caminho de Alvalade…

Em Leiria mora – mas não joga – o campeão das chicotadas. Já vai no terceiro treinador, agora o velho Manuel Cajuda – dois regressos, o seu próprio regresso a Leiria e o regresso de Bartolomeu a treinadores feitos -, depois da chamada ao castigo (vingança antiga?) de um homem da casa - o pobre do Vítor Pontes - que viu o sonho de voltar ao trabalho depois de tantos anos de desemprego esfumar-se em apenas 17 dias.

Mas o chicote não pára, continua no ar, ameaçador. Agora que o Domingos Paciência parece tê-lo afastado para o lado, lá está ele bem à vista em Vila do Conde – o chicote não sabe o que é gratidão, não é Carlos Brito? – e, de novo, em Paços de Ferreira, onde o novo portador do boné (o boné – outro boné - era a imagem de marca do Pedroto, o Zé do Boné como, entre outras coisas, lhe chamavam) ainda não conseguiu um pontinho sequer. Mais escondido, mas nem por isso menos à mão de semear, está ele no Dragão.

Sim, sim! O Vítor Pereira já tem as costas a jeito, não vá a solidariedade portista de Coimbra falhar desta vez. E pode muito bem falhar, porque já se diz que na calha estará mesmo o rapaz de Coimbra. É que o Porto já lhe tomou o gosto, foi de lá que veio o último, o da cadeira de sonho… Que tão rapidamente deixaria vazia, e com tanto vazio à volta!

Creio que Vítor Pereira já pouco poderá fazer para fugir do chicote. Está perdido e sem Norte; o que o Norte não perdoa!

Não basta querer parecer. Se fosse assim - como ele afinal pensava que era - haveria mais Mourinhos e mesmo Vilas Boas. Há realmente muita coisa que o ainda treinador do Porto não sabe. A começar pelo princípio de Peter, tão simples e tão velho…

 

 

 

 

Futebolês #60 CHICOTADA PSICOLÓGICA

Por Eduardo Louro

 

Embora às vezes possa parecer, isto não tem nada a ver com tortura. Nem com nada de psicológico!

Não significa isto que, para o chicoteado, a coisa não represente um castigo sério. Mas nada que se compare com coisas que ainda se vêem por esse mundo fora, ainda cheio de chicotes e de chicoteadas. Ou mesmo com o que se passa para aí com uns jogos meio esquisitos ligados a um tal Marquês de Sade!

Chicotada psicológica é a expressão que o futebolês encontrou e consagrou para se referir ao despedimento – que, curiosamente, também prefere chamar de afastamento: no futebol as pessoas não são despedidas, são afastadas como se sofressem de um mal altamente contagioso – do treinador. Quando os resultados não aparecem, seja lá pelo que for, quem paga é o treinador. Torna-se rapidamente numa figura peçonhenta que há que afastar quanto antes, na esperança de que chegue outro que vire tudo de pernas para o ar. Que ponha os jogadores a correr, que transforme jogadores medíocres em grandes craques e derrotas em vitórias. Como se fosse o rei Midas!

Às vezes até resulta. Mas só raras vezes!   

Tratando-se de um despedimento, mesmo que tratado por afastamento, e sendo o treinador o sujeito passivo, evidentemente que quem despede – o sujeito activo – é o patrão. Seja lá quem for!

É o presidente – não o que se vai agora eleger – o do clube! Mas também pode ser o patrão da equipa. Quantas vezes são os jogadores – este ou aquele – a afastar o treinador. Ou os adeptos que, apesar de se limitarem a pagar uma quota que não dá nem para pagar a água do duche dos jogadores no fim de cada jogo, se acham sempre os donos do clube. E, portanto, o patrão que pode despedir.

Tem-se visto de tudo: quando o Luís Filipe Vieira afastou Fernando Santos, não foi ele. Foram os adeptos do Benfica que, apesar de benfiquista, nunca lhe perdoaram que antes tivesse andado pelo inimigo. Pelo Porto, onde atingiria o cognome de engenheiro do penta, e pelo Sporting, onde teve a sorte de quase todos os outros. Achavam que o Camacho era o D. Sebastião e deu no que deu…

Aprendeu o presidente do Benfica. Ao ponto deste ano ter sabido segurar o Jesus!

No Porto … bem, no Porto manda Pinto da Costa e pronto! Manda e manda-os embora quando lhe apetece. Aqui há uns anitos foram três numa só época. Depois veio o Jesualdo e, por muito que o pessoal não gostasse dele, lá o aguentou uns 4 anos. Enquanto ganhou, claro. Logo que, pela primeira vez, não ganhou…

Mas onde a chicotada psicológica atinge o rubro – ironia das ironias: atinge o rubro atingindo o verde – é no Sporting. E aí não há dúvidas: desde Sousa Sintra que, esse sim, não deixava os seus créditos por mãos alheias (foi Robson, Carlos Queirós, então ainda dentro do prazo de validade, e sei lá mais quem), que quem manda são os adeptos. É um clube diferente, como bem sabemos!

Bem diferente: umas vezes é a malta mais nova da Juve Leo a fazer o trabalho. Outras é o pessoal mais maduro! Por isso é que as coisas dão para o torto: às vezes uns afastam o que outros querem manter para sempre: forever!

Mas a provar que diferente mais diferente não há, aí está a chicotada no próprio presidente. Pois é, agora afastaram o José Eduardo Bettencourt. Que não só não resistiu à sua falta de jeito para estas coisas da bola – três treinadores e cinco responsáveis pelo futebol em apenas ano e meio, transformou o melhor jogador dos últimos (largos) anos numa maçã podre e, depois, num profissional muito competente e multiplicou os tiros no pé – mas, principalmente, não resistiu à vocação de presidente adepto.

Muito adepto e pouco presidente!

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