No Chipre, já está… Os depositantes vão passar a banqueiros. O Banco Central já decidiu que 47,5% dos depósitos no Banco do Chipre - acima dos 100 mil euros - voam directamente para o capital deste que é o maior banco privado cipriota!
Não sei se essa será uma participação qualificada. A participação do banco nos depósitos, essa é qualificada. Garante-lhe até maioria…
Seria bom que alguém se lembrasse que o resto da Europa não é o Chipre. Que isto não é replicável noutro lado, sob pena do estoiro ser total… De não restar pedra sobre pedra!
O Presidente do Chipre - Nicos Anastasiades – ignorando a pressão do BCE, prepara-se para substituir o presidente do Banco Central – Panicos Demitriades – acusado de defender os interesses da troika, que não os dos cipriotas. Por cá, Vítor Gaspar é, mais que irremodelável e insubstituível, intocável. Vaca sagrada!
Cinco mil milhões de euros, vivinhos, em notas, passearam hoje no Chipre. Não em carros blindados, mas em camiões vigiados por terra e ar por gente fortemente armada.
Chegaram de barco, provenientes da Alemanha – pois claro, eles é que são os donos da bola – e tinham por objectivo fazer com que não faltassem notas, hoje na reabertura dos bancos. Que estavam mesmo vazios!
Escrevia no post anterior que Vítor Gaspar nada dizia sobre a dita operação de resgaste do Chipre. Afinal acabou por dizer!
Hoje, no Parlamento, o ministro das finanças falou. E disse o que de pior podia ter dito: que está fora de questão aplicar em Portugal qualquer medida semelhante à do Chipre!
O ministro das finanças do Chipre é o mesmo que, precisamentena madrugada de sábado, aceitou a medida imposta pelo eurogrupo. E que hoje se demitiu, perante a oposição geral do seu Parlamento, que chumbou a medida...
O nosso ministro das finanças é, como se sabe, o mesmo que que falha todas as previsões e que incumpre com tudo o que garante...
Mais valia ter ficado calado. Ou ter mandado fechar os bancos!
Ainda não ouvimos uma palavra, seja da boca do primeiro-ministro seja da do ministro das finanças, sobre o dito resgate do Chipre. Sabemos que Vítor Gaspar foi um dos que, na madrugada de sábado, aprovou aquela decisão de confiscar os depósitos dos cipriotas. E não só, bem sei…
Por isso mesmo, porque fez parte da decisão que acabou de vez com a União Europeia, maior seria a sua obrigação de dizer qualquer coisa. Mas sabemos bem que poderemos esperar sentados. Nem ele está para se dar a essa maçada, nem nunca à sua mente chegaria a ideia de que pudéssemos merecer algum tipo de explicação.
Mas se do governo nada ouvimos, o mesmo se não passa do lado dos seus apoiantes. A legião de escribas ao seu serviço espalhada por todo o espaço mediático, resolveu propagandear que a situação é igual à da Islândia. E têm até o desplante de perguntar como é possível que os que apoiaram o processo islandês estejam agora revoltados com esta medida imposta ao Chipre.
O silêncio do governo é a prova de que já morreu, que já não está nem diz. Os seus indefectíveis apoiantes e ideólogos bem se esforçam por esconder o cadáver, mas não percebem que apenas acabam por espalhar ainda mais o mau cheiro!