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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Parasitas

 

STEPHEN DOUGLAS ATKINSON

 

Parasitas é o nome do filme coreano que arrancou os principais óscares de Hollywood deste ano, o que deixou Trump particularmente irritado. Onde é que já se viu um filme com legendas? - perguntou ele. Que passam tão depressa que nem dá para ler - acreditamos nós que não terá dito, mas terá pensado.

Esta semana tivemos conhecimento de uma publicação científica que dava conta da descoberta de um animal que não precisa de oxigénio para viver. Chama-se, diz a publicação, Henneguya salminicola e vive, como o nome quase deixa adivinhar, alojado no salmão. Mais concretamente nos músculos. É um parasita, com a elegância documentada na foto.. Mas um parasita de última geração: 5.0, para aí... Da geração que terá percebido que podia bem viver sem a maçada de ter que respirar, que será certamente a aspiração máxima de qualquer parasita. A perfeição!

E o que é que uma coisa tem a ver com a outra? - perguntarão. Nada, à excepção do nome, nada liga o filme à descoberta científica. 

E o que é que tem ver com Trump? Não sei. Mas não ficaria supreendido se ele viesse agora dizer que isto é que são parasitas a sério. Sem legendas. Americanos. Nascidos e descobertos na América. Great again! 

 

 

 

Abriu-se a porta que não deveria ser aberta*

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Quando há mais de 20 anos ouvimos falar da ovelha Dolly, e soubemos do primeiro mamífero clonado a partir de uma célula adulta, percebemos que, mais cedo ou mais tarde, viriam aí problemas.

Aquela ovelha simpática, entretanto já desaparecida, nascida e criada na Escócia abria uma porta que todos sabíamos onde acabaria por dar. Não sabemos quantos entretanto tenham tentado passar por essa porta, porque muitos certamente que o fizeram em silêncio. Sabemos agora que um cientista chinês, formado em universidades americanas e entretanto regressado à China, garante ter conseguido fazer nascer os primeiros bebés, dois gémeos, geneticamente manipulados em laboratório. E afirma estar já em curso uma terceira gravidez a partir de embriões alterados laboratorialmente.

A notícia surgiu no início da semana mas, estranhamente, não teve especial repercussão mediática. Mas sabe-se como é a agenda mediática nos dias que correm…

A ocorrência não está confirmada – nem negada – por qualquer entidade independente, e o resultado do estudo não foi publicado em qualquer revista científica. Mas isso não tem se não a ver com as reservas éticas da comunidade científica internacional. Isso não é mais que a mola de resistência que a comunidade científica aplicou à tal porta.

A modificação de genes de embriões humanos é proibida em muitas partes do mundo. Mas, nem isso garante nada, nem o é em muitas outras. Como na China… A ética tem fronteiras que nunca deveriam ser passadas e portas que nunca se deveriam abrir. Mas há sempre fronteiras fechadas à ética e de portas abertas a todos os horrores de que possam de alguma forma aproveitar.

Abriu-se na China – dá vontade de perguntar: onde mais poderia ter sido? - a porta que não se podia abrir, mas que há 20 anos se sabia poder vir a ser aberta. O que aí vem não cabe sequer na imensidão do cinismo do cientista chinês quando, no fim, afirma que, agora, cabe à sociedade “decidir o que fazer de seguida”.

 

* A minha crónica de hoje na Cister FM

Insólito

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Mais de dois mil cientistas de todo o país, num documento que designam de "Manifesto Ciência Portugal 2018", denunciam o estrangulamento imposto pelo governo à Ciência que se faz em Portugal. 

Entre outras debilidades, denunciam a incapacidade para atrair os melhores, cada vez mais fugas de cérebros, irregularidades nos concursos para projetos científicos e na contratação de investigadores, ou  bloqueios das carreiras baseadas no mérito científico... Nada que tenhamos por novidade, nada que nos apanhe de surpresa.

A surpresa surge quando, junto com todas aquelas largas centenas de assinaturas de protesto, ao lado de nomes como Maria Manuel Mota, Elvira Fortunato ou Marina Costa Lobo, para referir os mais conhecidos, surja o de Manuel Heitor. Exactamente. Esse: o ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior!

Insólito? Ou uma nova fórmula para o "somos todos Centeno"?

 

Novidades (e surpresas) da ciência*

 

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A notícia é nova, acabadinha de chegar. E surpreendente. Diria mesmo, inacreditável!

Uma bomba: acabou de ser descoberto um novo órgão no corpo humano!

Isso mesmo, quando julgávamos que sabíamos tudo do nosso corpo, que conhecíamos todas as células pelo nome, mesmo as mais remotas e disfarçadas, eis que todo um órgão novo se nos revela.

Mas vamos a ele, sem mais demoras: chama-se interstício – não é bonito, mas deve ter sido o que se pôde arranjar – e, para maior surpresa, é até um dos maiores do corpo humano. Era anteriormente conhecido apenas como um espaço - um espaço entre células – já designado de espaço intersticial (daí o nome ter sido o que se pôde arranjar) ou de “terceiro espaço” – por vir depois do sistema cardiovascular e do linfático – e reveste o tubo digestivo, os pulmões e o sistema urinário. E daí o seu tamanho, como se percebe!

A primeira pergunta parece óbvia: “como é que, sendo tão grande, nunca ninguém tinha dado por ele?

A resposta não é menos surpreendente: porque, à imagem daqueles suportes das mensagens da “missão impossível”, se destrói ... em contacto com as lâminas microscópicas. Só que a diferença, faz mesmo diferença – enquanto o “livro de instruções” da “missão impossível” se destruía depois de fazer o seu papel, o interstício destruía-se antes, sem se dar a conhecer. 

Não estava no entanto preparado para resistir às novas técnicas de observação. E acabou surpreendido por novos materiais e equipamentos de investigação, como de surpresa apanhou os cientistas quando deram com uma coisa nunca vista em nenhum manual da anatomia. Como surpreendidos continuamos nós a ser todos os dias!

Ah… Faltava-me dizer que que esta descoberta traz um mundo novo à medicina, especialmente relevante no combate ao cancro. É que, o que a ciência acaba de revelar, é uma espécie de auto-estrada por onde circula 20% do volume de fluido que se movimenta no corpo humano. O que quer dizer que determina fortemente a mobilidade das células metastizadas… Por exemplo.

 Boa Páscoa!

* A minha crónica de hoje na Cister FM

 

Coisas da ciência*

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Não foi notícia de abertura de telejornais, nem capa de jornal. Mas foi notícia, num destes últimos dias, mesmo que possa ter passado despercebida à grande maioria das pessoas.

O título dificilmente poderia ser mais bombástico, ao dizer que “os homens vão acabar”. Logo a seguir, um subtítulo mais esclarecedor: “o sexo masculino tem os dias contados”.

Ninguém resistiria a isto. Tinha mesmo de se ler tudo. Falava de um estudo de investigadores da Universidade de Kent, no Reino Unido. Novo, novinho em folha, que conclui que está a ocorrer de forma notória uma crescente falta do cromossoma y. Que, como se sabe, é o que contém a genética masculina.

Não ficavam dúvidas a estes cientistas: se o cromossoma está a desaparecer, e se é dele que se fazem homens, os homens vão desaparecer. Até aqui, percebia-se. Não se percebia bem era como é que, desaparecendo os homens, não desapareceriam também as mulheres.

Era preciso chegar mesmo ao fim da notícia. No fim, bem no fim, lá estava a explicação que faltava: o estudo revelava que é um processo que vai demorar 4 milhões e meio de anos!

Notável!

Estes cientistas são fantásticos, as conclusões a que são capazes de chegar. Daqui a 4 milhões e meio de anos, não há mais cromossomas y. Por isso é que eles nem se preocuparam com as mulheres. Nem com ninguém que os possa desmentir!

Têm cada uma, estes cientistas…

 

* A minha crónica de hoje na Cister FM

Aurica*

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Provavelmente ninguém deu pela notícia, mas ela andou por aí. E dizia que dois cientistas portugueses e um australiano (vá lá, vale a pena dizer-vos os nomes, pelo menos dos portugueses – chamam-se João Duarte e Filipe Rosas, e são geólogos) tinham descoberto que está em formação um novo continente.

Um super continente que resultará do fecho simultâneo dos oceanos Atlântico e Pacífico, e que juntará a América e a Austrália. E, não fosse alguém apropriar-se da descoberta, deram-lhe logo um nome. Não se pode dizer que seja um prodígio de imaginação: chamaram-lhe Aurica – Au, de Austrália, e Rica, de América.

Como bons portugueses poderiam ter-lhe chamado Amália. Mas não, ficou Aurica.

Não sabemos se registaram a patente. Terão achado que não valia a pena: afinal isso é coisa para acontecer daqui por 300 milhões de anos. E nessa altura já ninguém se lembrará destes deles. Nem com patente!

A ciência tem destas coisas. Isto é que é visão de longo prazo… E as notícias são para isso mesmo, para nos dar conta dessa visão tão à frente. E dos nomes que as pessoas escolhem para as suas descobertas. Mas eu teria gostado mais de Amália!

Aurica?

 

* Da minha crónica de hoje na Cister FM

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