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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Que Giro!

 

O fantástico Stelvio - não, não é de automóveis que estou a falar - do alto dos seus 2.700 metros de altitude, tirara-lhe a camisola rosa, na quinta feira, e empurrara-o para o quinto lugar da classificação geral, mas não abatera o nosso espectacular João Almeida. Seguiram-se mais duas etapas de alta montanha, onde continuou a mostrar que era dos melhores, sempre na frente, reduzindo ainda alguma da desvantagem que trouxera daquele dia.

A camisola rosa, perdida no Stelvio para Kelderman que o seguia no segundo lugar, apenas se manteve um dia no dorso do holandês. Ontem mudou para o seu companheiro de equipa, o também jovem Jai Hindley, da Sunweb, com o mesmo tempo do também britânico Geoghen Hart, da Ineos.

Hoje, no contra-relógio final, decidia-se a vitória final. Mas decidia-se também o quarto lugar, onde o campeão espanhol de contra-relógio, Pello Bilbao, dispunha de 23 segundos de vantagem para João Almeida. Com prestações de alguma forma modestas dos dois primeiros, a menos modesta foi a de Geoghen Hart, que assim venceu o Giro. Com mais uma excelente prestação, João Almeida foi o quarto, e o melhor entre os dez primeiros do Giro. Superou a desvantagem para o espanhol, ganhou-lhe ainda mais 12 segundos, e alcançou um brilhante quarto lugar final, a apenas 2 minutos e 57 segundos de Geoghegan Hart. O melhor de sempre de um português em Itália. E o terceiro melhor nas grandes competições mundiais, depois do segundo lugar na Vuelta, e do terceiro no Tour, do saudoso Joaquim Agostinho.

Notável também a prestação de Rúben Guerreiro, que ganhou uma etapa e foi ainda o primeiro na classificação da montanha. 

 

João Almeida - um campeão!

 

O desporto nacional tem um novo ídolo. É ciclista, é cá da região, e chama-se João Almeida. Mantém a camisola rosa, símbolo da liderança do Giro de Itália, ao fim da segunda semana da competição. E vai passar com ela o último dia de descanso, que é amanhã.

Depois de um contra-relógio sensacional, ontem, em que, com o sexto lugar, ganhou tempo a toda a concorrência, hoje foi dia de sofrimento, do sofrimento dos campeões, na 15.ª etapa, uma duríssima etapa de montanha, entre Rivolto e Piancavallo, na distância de185 km. Hoje, foi de campeão!

No momento decisivo da etapa, a mais de 15 quilómetros da meta, sempre a subir, João Almeida ficou sozinho, sem colegas de equipa para a sempre necessária ajuda, no grupo da frente. A Sunweb, de Wilco Kelderman, um dos candidatos e segundo na geral, atacou a corrida, endureceu-a e construiu um grupo reduzido na frente. Irremediavelmente para trás ficaram todos os grandes nomes do Giro.

O corredor português seguiu montanha acima, agarrado ao grupo, mas sem protecção de qualquer espécie. O grupo acaba reduzido a quatro, Hindley e Kelderman, ambos da Sunweb, e Geoghegan Hart, da Ineos, com João Almeida a acabar por ceder, a cerca de 9 km da meta. A partir daí foi uma luta de campeão contra o tempo. Sozinho, escalada a cima, a ver os segundos a fugir, ora de dentes cerrados, ora de língua de fora.

Sofreu como têm de saber sofrer os campeões. E foi como um grande campeão que chegou à meta, em quarto lugar. Atrás Geoghegan Hart, que ganhou, e de Kelderman, a quem Hindley ofereceu as bonificações da segunda posição, segurando a maglia rosa por 15 segundos.

Aconteça o que acontecer na terceira e última semana, João Almeida é, aos 22 anos, um campeão. Nada apaga o que já fez na sua estreia na elite mundial do ciclismo!

 

Tour de France 2020 III

Tadej Pogacar vence nona etapa e Roglic veste camisola amarela

 

Bem lá no alto das montanhas do Jura, onde o Tour nunca tinha chegado, a provar que nem só de Pirinéus e Alpes se fazem as grandes montanhas da Volta a França, conclui-se hoje com a 15ª etapa, entre Lyon e o Grand Colombier.

Foi uma segunda semana intensa, e com muita histórias, que fará a História do Tour deste ano.Foram seis etapas, onde apenas as duas primeiras foram decididas ao sprint, e ganhas por dois dos melhores desta edição: Sam Bennet, na primeira, a décima, e Cabel Ewan na seguinte. No resto foram fugas bem sucedidas, com vitória dos suíços Mark Hirschi (12ª) e Kragh Andersen (ontem, que se adiantou já muito próximo da meta); ou montanha, anteontem (13ª, ganha pelo colombiano Daniel Martinez) e hoje, provavelmente a etapa-rainha da prova, que deixou muita coisa para contar.

A etapa 13, anteontem, entre Châtel-Guyon e Puy Mary Cantal, já mexeu bem na tabela classificativa, com o miúdo Pogacar, o esloveno da Emirates, a subir do 7º lugar que trouxera dos Pirinéus para segundo. E com Romain Bardet, que era quarto, a sair dos 10 primeiros. Saber-se-ia depois que o francês fora mais uma vítima das incontornáveis quedas, sendo-lhe diagnosticada uma comoção cerebral já depois de concluir a etapa, pelo que já não alinhou à partida para a de ontem. Mais uma grande baixa no Tour.

A etapa de hoje, de grande dureza, foi de confirmação das suspeitas que andavam no ar. Suspeitava-se que os dois eslovenos, Pogacar, da Emirates, e Roglic, da Jumbo, eram os corredores mais fortes do pelotão. Que o colombiano Bernal estava longe de capaz de capaz de igualar os grandes feitos do ano passado, e que o também colombiano Quintana não estava muito melhor do que nos últimos anos, e longe, portanto, de poder recuperar tudo o que prometera em meados da última década.

Pogacar voltou a ganhar, seguido do seu compatriota Roglic, como há precisamente uma semana, na despedida dos Pirinéus. E Bernal "estoirou", e caiu pela classificação abaixo com grande estrondo. É agora 14º, a oito minutos e meio de Roglic. Quintana, dos corredores em prova a vítima maior das quedas, com pensos e ligaduras por todo o lado, também cedeu. Mas bem menos que o seu jovem compatriota, e é agora 9º, a cinco minutos do esloveno que vai de amarelo.

Vamos entrar da última semana, com os Alpes e o contra-relógio (também com uma subida acentuada), e ninguém aposta as fichas noutros que não os dois eslovenos. Roglic tem a seu favor o facto de estar num grande momento de forma. O problema é que esses momentos passam - por isso se lhes chamam momentos - e este já se prolonga há algum tempo.

E isso pode jogar a favor do miúdo de 20 anos. Inacreditável!

Tour de France 2020 II

Bikemagazine – Tour de France: Pogacar vence 9ª etapa; Roglic é o novo líder

 

Com a despedida dos Pirinéus, à nona etapa, despediu-se também o Tour da sua primeira semana da edição deste ano.

Uma primeira semana que começou morna, com algumas etapas meio pasmaceiras, talvez consequência das quedas do primeiro dia, que deixaram toda a gente assustada.

O francês Alaphilippe conquistou a amarela logo na segunda etapa, que venceu, faz hoje precisamente uma semana, ainda com partida de Nice, e já a passar por algumas montanhas dos Alpes. Reeditando o Tour do ano passado, segurou-a por uns dias, e só não a trouxe vestida até à chegada, ontem, aos Pirinéus porque reabasteceu em zona proibida e foi penalizado com 20 segundos, tendo de a despir no final da quinta etapa para a entregar a Adam Yates, que apenas a perdeu hoje, no segundo e último dia dos Pirinéus. 

Na semana mais propícia aos sprinters brilharam o belga Van Aert (na quinta e na sexta etapas) e o australiano Caleb Ewans (na terceira e na sétima) com duas vitórias cada. 

A montanha, que para além do programa de fim-de-semana nos Pirinéus, interrompeu logo na quarta etapa, ganha por Roglic na sua primeira demonstração de força, o reinado dos sprinters e, se não deixou nada definido, confirmou as expectativas para a competição. 

O colombiano Bernal continua favorito, é segundo atrás do esloveno Roglic, que hoje vestiu a amarela, e dá ares de lhe estar a roubar o papel principal. Tal como o também esloveno Pogacar, o debutante miúdo de 21 anos, que hoje (ontem venceu, isolado, um francês - Nans Peters - com nome pouco francês) ganhou nos Pirinéus à frente do seu compatriota. E que, não tivesse na sétima etapa sido vítima de mais uma daquelas partidas dos ventos laterais, que tão frequentes são nas etapas mais tranquílas do Tour, estaria hoje na liderança da corrida, a dar expressão ao seu extraordinário desempenho. Surpreendente, mas não com muita surpresa. Tinha aqui chamado a atenção para o seu nome no início da prova.

A surpresa nesta altura, na véspera do primeiro dia de descanso, é mesmo a exuberância dos dois eslovenos, a ofuscar o super-favoritismo de Bernal, que os Alpes lhe poderão devolver. E o renascimento de Quintana, que mostra agora estar bem vivo. Surpresa é ainda o francês Guillaume Martin, no terceiro lugar, a apenas 28 segundos de Roglic, provavelmente o único intruso no lote de favoritos ditado pelos Pirinéus.

Sabe-se que não se pode falar de condições normais - normalidade não é palavra normal nos dias que correm - para apostar em favoritos, e apenas 44 segundos separam o primeiro, Roglic, do sétimo, o seu compatriota Pogacar. Por isso, o melhor é esperar para ver o que aí vem.

Depois cá voltarei para contar!

Tour de France 2020 I

Tour de France 2020 já se encontra disponível | Future Behind

 

Arrancou hoje, em Nice, a 107ª Volta a França em bicicleta. Fora de época, já que ocorre normalmente durante o mês de Julho. Deveria ter decorrido entre 27 de Junho e 19 de Julho mas, como tudo, também foi adiada pela pandemia, e é a primeira grande Volta a ser disputada esta temporada.

Atípica, também, como tudo nos dias que correm. E não é só por ser corrida em tempo de vindimas, que era o tempo da Vuelta. Está lá o vencedor do ano passado, o colombiano Egan Bernal (INEOS), que é naturalmente o principal favorito. Atípico é que não tenha a participação de qualquer outro ciclista em actividade que já a tenha vencido. 

A INEOS, que continua a mais forte equipa do ciclismo mundial, não quis que Bernal tivesse concorrência interna, e deixou de fora os seus dois nomes mais sonantes, e que são os únicos vencedores do Tour em actividade: Chris Froome, vencedor  em 2017, 2016, 2015 e 2013, Geraint Thomas, vencedor de 2018, e segundo classificado do ano passado.

Daí que, entre os 176 concorrentes, onde se inclui um único português, Nelson Oliveira,  não seja fácil encontrar quem possa ameaçar o esperado domínio do jovem Bernal, provavelmente a iniciar um novo reinado. Poderá falar-se de Nairo Quintana, agora a solo como líder da Arkéa–Samsic, mas parece que o também colombiano já deu o que tinha para dar. Poderá falar-se dos franceses Romain Bardet (AG2R La Mondiale) ou Thibaut Pinot (Groupama-FDJ), mas apenas para animar os gauleses. Ou dos espanhóis Mikel Landa (Bahrain-McLaren) e do veterano Alejandro Valverde (Movistar), mas apenas para animar uma ou outra fase da corrida. Ou das esperanças de jovens como o colombiano Miguel Ángel López (Astana) ou o esloveno Tadej Pogacar (UAE Emirates). Ou das capacidades do também esloveno Primoz Roglic e do holandês Tom Dumoulin, ambos da Jumbo-Visma.

São muitos nomes, mesmo assim, mas todos bem menos candidatos que Bernal.

Não são muitas as etapas para os sprinters, como a de hoje. Corrida debaixo de penosas condições climatéricas, e já com muitas quedas. A última, à entrada dos últimos três quilómetros (por essas condições a direcção da prova acatou a pretensão dos ciclistas - parecia que estavam a adivinhar - e decidiu que os tempos da etapa fossem registados justamente a essa distância da meta)  envolveu Pinot e Quintana.

Ganhou o norueguês Alexander Kristoff (UAE Emirates), batendo ao ‘sprint’ o campeão mundial, o dinamarquês Mads Pedersen (Trek-Segafredo), e o holandês Cees Bol (Sunweb). E é o primeiro camisola amarela do Tour deste estranho ano 2020.

 

Tour de France 2019 II

Foto 72799

 

Volto ao Tour, como prometido, agora no final da segunda das três semanas da prova. E no final da passagem pelos Pirinéus que, se não decide tudo, deixa sempre muito para contar.

Mas a história desta segunda semana do Tour não se esgota nestes dois dias de Pirinéus, ontem e hoje. Antes pelo contrário, foi uma semana cheia.

Tida à partida como uma etapa sem História, na véspera do dia descanso, a décima etapa, entre Saint-Flour e Albi, de 218 km, acabou por se transformar numa das estapas decisivas deste ano, graças ao vento, aos famosos ventos laterais, que sempre fazem estragos. Mais uma vez muitos foram os que ficaram desde logo irremediavelmente atrasados, ou os que, não tendo sido o caso, foram fortemente penalizados, como Thibaut Pinot (Groupama FDJ), Richie Porte (Trek-Segafredo), Rigoberto Uran (EF Education First) e Jakob Fuglsang (Astana), gente com fortes aspirações que logo ali perderam quase dois minutos, que não é coisa pouca na hora das decisões finais. 

Depois veio o único contra-relógio individual da prova, em Pau, ali na base dos Pirinèus, onde todos perspectivavam que Julian Alaphilippe fosse obrigado a entregar a camisola. Nada disso, e o francês não se limitou a resistir. Ganhou mesmo, foi surpreendentemente o melhor, numa especialidade que não era tida pelo seu ponto forte. Ganhou em toda a linha, e reforçou a liderança, aumentando bem para lá dos dois minutos a diferença para Geraint Thomas, o principal favorito.

E depois vieram os Pirinèus, com a subida ao Tourmalet logo no primeiro dia, ontem, com Alaphilippe a resistir e a acabar mesmo, com o segundo lugar na etapa, atrás de Pinault, o vencedor - dobradinha francesa - a voltar a reforçar a diferença para o britânico, ganhando-lhe mais 30 segundos, e ganhando-lhe claramente o duelo.

Mesmo sem o mítico Tourmalet, a etapa de hoje, a décima quarta, não era menos difícil. E se não teve uma história completamente diferente - já lá vamos - foi diferente o destino do duelo entre os ainda dois primeiros, já que o francês, que no final do dia de ontem era já apontado como o vencedor deste ano, talvez levado por essa onda, cometeu um erro grave: esqueceu-se que Thomas era ainda o principal adversário e, já sem protecção da equipa, repondeu a ataques a que não podia responder. Acabou por pagar a imprudência e perdeu tudo o que ganhara ao britânico nas duas vezes em que o batera, no contra-relógio e no Tourmalet, e por deixar tudo em aberto.

O vencedor dos Pirinéus, onde chegou em sétimo, a mais de 3 minutos, e donde parte no quarto lugar, mas a poucos segundos do sóbrio kruijswijk, o holandês da Jumbo-visma, terceiro, e de Thomas (Ineos), segundo, e como forte candidato ao triunfo em Paris, foi claramente Pinault, primeiro no Tourmalet e segundo hoje, em Foix Prat D’Albis, atrás de Simon Yates.

Os vencidos são muitos, especialmente o francês Romain Bardet (Ag2r-La Mondiale), um habitué do pódio, e quase dramaticamente o colombiano Nairo Quintana (Movistar), depois do notável trabalho que a sua equipa  desenvolveu nos Pirinéus em seu proveito. Na etapa de ontem o colombiano falhou rotundamente, depois da sua equipa ter destruído praticamente todo o pelotão, num esforço inglório que Quintana não soube respeitar (exigia-se, no mínimo, que informasse a equipa que não estava em condições de corresponder a todo aquele esforço dos colegas). Na de hoje ficou no grupo da frente, com o apoio de mais dois colegas de equipa, numa fuga que o chegou a deixar como líder virtual, e acabou em vigésimo, a 3 minutos de Simon Yates. Entrou nos Pirinéus como favorito, até porque, à excepção do contra-relógio, sempre o seu calcanhar de Aquiles, tudo lhe tinha corrido bem. E saiu na 13ª posição, a oito minutos e meio de Alaphilippe.

Dos portugueses não reza a História deste Tour. Nem tanto pela classificação geral: Rui Costa (UAE - Emirates) em 57º, Nelson Oliveira (Movistar) em 96º e José Gonçalves (Katusha) em 127º. Mas porque não têm feito nada que valha história. Rui Costa o melhor que fez foi o oitavo lugar na 12ª etapa, depois de finalmente conseguir entrar numa fuga (numerosa) mas de não acompanhar os que de lá sairam para a meta. Já o melhor de Nelson Oliveira foi o 11º lugar no contra-relógio, a sua especialidade, 13ª etapa.

Amanhã é dia de descanso. O segundo e último. Seguem-se duas etapas para roladores e sprinters e, depois, os Alpes, em três dias que tudo se decide. Se nada de anormal acontecer entre Pinault, kruijswijk, Thomas e Alaphilippe.

Há dois franceses que podem chegar a Paris de amarelo. Há muitos anos, mais de trinta, que os franceses não vêm uma coisa dessas! 

 

Tour de France 2019 I

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Com a chegada hoje a Saint Étienne cumpriu-se hoje a primeira semana desta edição do Tour. Para trás tinham ficado sete etapas, as três primeiras corridas em solo belga, entre as quais um contra-relógio por equipas, na segunda, onde a principal novidade terá sido o fraco desempenho da Movistar, fora das 10 primeiras, que só não penalizou Nairo Quintana, ainda e sempre na lista dos favoritos, bem como Mikel Landa, também um nome a ter em conta, porque as diferenças em apenas 30 quilómetros não dão para fazer grande diferença.

O primeiro cheirinho a montanha chegou na etapa 6, anteontem e, se não deu para "cavar" grandes diferenças, deu para afastar logo alguns nomes sonantes como Adam Yates e Dan Martin, que aí perderam mais de 14 minutos. Deu também para a amarela saltar do francês Julien Alaphillippe, a nova coqueluche dos gauleses, que hoje a reconquistaria em Saint Étienne, para o italiano Giulio Ciccone.

Sem Froome, vitima de queda e obrigado a uma intervenção cirúrgica a poucos dias do início da competição, o favoritismo cai todo, de novo, no seu colega e compatriota Geraint Thomas, o vencedor do ano passado, agora, que a poderosa Sky abandonou o ciclismo, na nova e igualmente poderosa Team Ineo. Mesmo que sejam enormes as expectativas que caem sobre a nova estrela espanhola, o jovem Enric Mas, da Deceuninck-QuickStep!

Vamos ver o que aí vem. E cá voltaremos para contar como foi, como habitualmente.

 

 

Vuelta 2018

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Termina hoje, em Madrid, a 73ª edição da Vuelta, com a vitória de Simon Yates. Voltou a ser inglês o vencedor da última grande prova do ano: Froome, ganhou o Giro, Thomas, o Tour, ambos da Sky, e agora Yates, da australiana Mitchelton-Scott.

É um justo vencedor, Simon Yates. Foi quem mais tempo andou de vermelho (a amarela da Vuelta), nunca se limitou a defender-se, atacou na alta montanha - e muita montanha, e da boa, teve esta Vuelta - e superiorizou-se quase sempre, e foi ainda o melhor dos da frente no contra-relógio. E nem sequer tinha a melhor equipa - muito longe disso - valendo-lhe apenas o seu irmão gémeo, Adam.

Todas estas grandes competições têm o seu lado dramático. No Giro, o drama foi até protagonizado pelo próprio Simon Yates, ao perder mais de meia hora numa das últimas etapas, quando seguia na frente (de rosa, a amarela na volta italiana) e apontado já como vencedor. Nesta Vuelta o protagonista é Alejandro Valverde, o veterano ciclista da Movistar (38 anos) que herdou a popularidade de Alberto Contador e a esperança dos espanhóis.

Chegou a Málaga, há três semanas e três mil e quinhentos quilómetros atrás, como segunda figura da equipa, com a liderança entregue ao colombiano Nairo Quintana, a grande desilusão da prova, mas revelou sempre grande consistênca. Serviu Quintana e teve ainda tempo para afirmar a sua própria candidatura, ganhando etapas, assegurando rapidamente a liderança da classificação por pontos, a camisola verde, que nunca mais largou, e permanecendo sempre nos lugares cimeiros da classifcação.

Quando finalmente Quintana ficou afastado da possibilidade de ganhar, há apenas quatro dias, logo na etapa (de montanha, de novo) a seguir ao contra-relógio (onde, como se esperava, perdera muito tempo) não só não recuperou como perdeu ainda mais tempo, Valverde era segundo. E, então sim, a grande aposta da Movistar para atacar Yates nas duas decisivas etapas de alta montanha em Andorra, e ganhar a Vuelta, pela segunda vez, seis anos depois. 

Pois, na primeira, na sexta-feira, não conseguiu responder ao ataque de Yates e perdeu por completo a hipótese do primeiro lugar, que o britânico logo assegurou. E na segunda, ontem, no Coll de la Gallina, caiu do segundo para quinto da geral. Foi dramático ver, como viu, fugir o colombiano Miguel Angel Lopez; depois Enrique Mas - que se revelou a nova coqueluche do ciclismo espanhol -; depois o próprio Yates e, depois ainda, o holandês Steven Kruijswijk, que era terceiro, atrás de si. E, finalmente, como não conseguiu sequer responder ao apoio de Quintana, que o rebocou até à meta. Onde, ainda assim, chegou em 10º lugar. Mas com de mais de 3 minutos de atraso (perdidos em 4 quilómetros) - uma eternidade no ciclismo actual -, a valer-lhe um trambolhão do segundo para o quinto lugar da classificação geral. Longe do pódio e de um lugar consentãneo com o protagonismo que teve nesta Vuelta. 

Se foi, e terá provavelmente sido, a sua despedida da alta competição, ficou bem longe do que fora, no ano passado, a de Alberto Contador. Essa sim, brilhante, e a deixar saudade. Valverde não merecia sair com esta última imagem...

 

Volta a Portugal 2018 II

 

 

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Está concluída a 80ª Volta a Portugal em bicicleta, com o bis do espanhol Raúl Alarcón, que repetiu o triunfo do ano passado. E deve começar já por dizer-se que justo, e verdadeiramente inquestionável à luz do que é o ciclismo actual.

Em 10 etapas - tantas quantas a Volta tem (e pode ter) actualmente - Alárcon venceu três. E logo as três mais importantes. A primeira logo na terceira etapa, entre a Sertã e Olveira do Hospital, na primeira oportunidade para causar uma primeira boa impressão que, como se sabe, é única. E decisiva para se refestelar no poleiro, para onde havia muitos galos, como se viria a ver. Claramente visto!

A segunda, logo na etapa imediata, a da Serra da Estrela. Que mesmo sem Torre nunca deixa de ser a mais importante. E a última, ontem mesmo, na não menos mítica Senhora da Graça. Em todas ganhou de forma categórica, sem espinhas. Porque isto de ter a melhor equipa, de transformar os mais fortes adversários nos mais fortes aliados, não são espinhas. É assim, e daí a importãncia das "primárias" para decidir quem é o candidato, que Raúl Alarcón resolveu quando tinha que resolver - primeiro que qualquer colega de equipa, logo na tal primeira oportunidade, à terceira etapa.

Raúl Alarcón ganhou na Serra da Estrela e na Senhora da Graça a legitimidade para vencer a Volta pela segunda vez. Hoje, nos 17 quilómetros do contra-relógio final, em Fafe, confirmou-a com uma excelente prova, que lhe deu o terceiro lugar na etapa, logo atrás do excelente João Rodrigues, seu colega de equipa, apenas batido pelo sensacional contra-relógio do espanhol Vicente de Mateos, do Louletano, que quase lhe dava para chegar ao segundo lugar da geral.  Já não havia muita coisa para decidir, apenas coisas a confirmar, em particular a superioridade da W52 FCP que, com três ciclistas no top five e cinco no top ten, ultrapassou o Sporting/Tavira e ganhou também, naturalmente, a Volta por equipas.

O pódio acabou no desenho que começara na quarta etapa, a da Serra. Joni Brandão, quarto no contra-relógio de hoje, ficou em segundo, posição que ocupava desde então, quando foi batido pela primeria vez, e com a qual sempre se conformou. E Vicente de Mateos, o mais incoformado e o que mais fez por incomodar a liderança de Alárcon, em terceiro.

Vicente de Mateos ganhou três etapas (2ª, 8ª, e 10ª), tantas quantas Raúl Alarcón, que ganhou também e ainda a montanha, os dois protagonistas maiores da Volta. Ambos ficaram com 60% das vitórias em etapas. E, para além deles, só mais três ciclistas ganharam etapas - Stacchiotti, da Mstina Focus, por duas vezes (o que quer dizer que 3 ciclistas, menos de 2% dos que disputaram a Volta, ganharam 80% das etapas, o que não abona muito a competitividade da prova), Domingos Gonçalves (Rádio Popular/Boavista, a 6ª) e Enrique Senz (Euskadi, a 7ª).

Isto é, apenas um ciclista português ganhou uma etapa!

Volta Portugal 2018 I

 

 

A 80ª Volta a Portugal em bicicleta está na estrada. E já praticamente resolvida, mas já lá vamos...

Começou em Setúbal, foi direita ao Algarve, subiu para Alentejo, passou pela região martirizada pelos incêndios do ano passado - este ano, como se está a ver, o país arde mais a sul -, e chegou à Serra da Estrela. Com polémica!

As três primeiras etapas foram corridas debaixo das temperaturas recorde destes dias, exactamente nas regiões onde esses recordes têm sido estabelecidos. Acresce que foram das mais longas, em particular as duas primeiras, que atravessaram o Alentejo nos dois sentidos, sempre na ordem dos 200 quilómetros. Isto é, em condições muitos difícieis para os ciclistas, que são pessoas de carne e osso.

Daí que, chegada à Serra da Estrela, logo ao quarto dia e com este histórico, a direcção da prova decidiu abolir da etapa a subida à Torre, e encurtar a etapa em cerca de 30 quilómetros. A intenção terá sido a melhor, mas não deixa de causar polémica, havendo logo quem dissesse que beneficiou uns e prejudicou outros.

Ontem, na etapa solidária que ligou a Sertã a Oliveira do Hospital, o vencedor do ano passado, o espanhol Raul Alarcon, provavelmente para marcar posição na equipa - a W52 FC Porto, cheia de "chefes de fila" - desferiu um ataque surpresa nos metros finais. Que resultou na vitória na etapa e na conquista da camisola amarela, até aí e desde o prólogo de Setúbal, no corpo do setubalense Rafael Reis, que fez parte da formação aqui em Alcobaça. Estabeleceu também as primeiras diferenças entre os da frente, algumas até já significativas.

Se ontem Alarcon provocou o primeiro abanão nas classifcação geral, hoje praticamente arrumou-a. 

Dos ditos favoritos, o primeiro a atacar depois da Covilhã, a caminho da meta nas Penhas da Saúde, foi Joni Brandão, do Sporting/Tavira. Era o terceiro da geral, um dos mais revoltados com a falta de resposta ao ataque do espanhol na véspera (como se não fosse competência sua responder-lhe), mas também com a supressão da subida à Torre, e fez questão de puxar dos galões. No grupo dos favoritos, ainda compacto, ninguém reagiu.

Depois de começar a ver ficarem pelo caminho, um a um, os seus colegas de equipa, mas também candidatos, Alarcon saltou à procura do Joni Brandão, que rapidamente alcançou. Quase tão rapidamente como, depois, o deixou para trás, numa demonstração de superioridade que não deixa muitas dúvidas para tudo o que ainda falta da Volta.

Ganhou pela segunda vez, e consecutiva, e acrescentou mais 12 segundos aos 40 que já tinha sobre o português, agora segundo. O anterior segundo, o também espanhol (nos 10 primeiros, 6 são portugueses e 4 são espanhois) Vicente de Mateos, do Louletano, é agora terceiro, já a perto de 2 minutos. Mas, acima de tudo, arrumou com a concorrência interna: Gustavo Veloso, perdeu 16 minutos, e é agora o 45º da classificação, e o colega de equipa mais próximo é Ricardo Mestre, na 12ª posição, a quase 5 minutos.

O que quer dizer que, com o exército agora totalmente ao seu dispor, e com a superioridade de que deu mostras, se nada de anormal acontecer, o vencedor da Volta está encontrado. À quarta etapa!

 

 

 

 

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