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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Preocupações

Continuamos, e iremos continuar, sem saber o que, no apagão de ontem, se passou em França e Espanha. Ao contrário, do que se passou em Portugal, sabemos tudo.

Sabemos que estavam desligadas centrais de produção porque é mais lucrativo importar de Espanha. Porque, e isso não sabíamos - valha-nos o Mira Amaral, que sabe da coisa, e não ganha nada do Estado Chinês -, a energia lá comprada custa menos que os custos variáveis da sua produção, cá.

E sabemos, se bem que já soubéssemos de outros carnavais, que somos uns imbecis que, à mínima oportunidade, corremos para os supermercados a limpar as prateleiras, a esgotar a água, as conservas e, claro - não podia faltar - o papel higiénico. Fazemos filas de quilómetros para os postos de abastecimento, para esgotar de pronto toda a gasolina e o gasóleo que por lá haja. Sempre a tentar passar a perna uns aos outros, até desatarmos todos à lambada. 

Uma coisa tenho por certa: é muito mais preocupante o que já sabemos do que aquilo que não sabemos. E dentro do que sabemos, é ainda mais preocupante o que já sabemos de nós, do nosso miserável comportamento, do que o ficamos a saber da electricidade que faz o nosso modo de vida.

É mais preocupante a selva em que transformamos Portugal, que a dependência a que as nossas elites condenaram o país.

Gente que não é gente

Covid-19: filas de ambulâncias à espera no Hospital de Torres Vedras e em  Santa Maria

Percebeu-se desde que foi anunciado que o actual confinamento era a brincar. Talvez pelas mesmas razões que a abertura dada para o Natal, que todos os partidos, e não só o governo, promoveram, mesmo que dias depois reclamassem contra a decisão. Mas não seria de esperar que os portugueses brincassem tanto com ele.

O que aconteceu no fim de semana, com os paredões das praias apinhados de gente, e as esplanadas cheias que nem um ovo com serviço ao postigo, como se não tivessem visto filas de ambulâncias à entrada dos hospitais, como se o país com mais infecções diárias da Europa, e o segundo do mundo, não fosse o nosso e fosse outro qualquer num outro recanto do planeta, é, no entanto e infelizmente, mais que de gente a brincar com o fogo.  É mais que de gente ignorante e irresponsável, é de gente feita apenas de umbigo, indiferente a tudo o que se passa à volta e a qualquer noção de comunidade. É gente desprezível que despreza toda a gente!

E quando assim é, quando assim somos, bem podemos culpar governos e instituições... Podemos até culpá-los por sermos assim... 

Nem a chuva os pára

Trânsito condicionado no acesso ao túnel do Grilo no sentido Odivelas

 

Voltamos este domingo a assistir ao degradante espectáculo de filas de automóveis, especialmente na capital. Que o movimento sincronizado dos limpa pára-brisas tornava ainda mais chocante.

Nos anteriores fins-de-semana, fosse há duas semanas nas marginais das praias do Norte fosse, no último, na ponte 25 de Abril, haveria a desculpa do apelo do sol. Grande em todo o lado, como se viu ontem em Inglaterra, mesmo que, aqui, o sol seja uma espécie de metal precioso, e não a comum vulgaridade que é para nós.

Ontem, por cá, em vez de sol havia chuva. E muita. Torrencial, muitas vezes. O que é poderia empurrar as pessoas para a rua?

Corre por aí que, para a Páscoa, já anda toda a gente a estudar percursos para os mais diversos destinos por estradas secundárias.

Está provavelmente aqui a resposta: a mola que faz saltar esta gente para os seus automóveis é a adrenalina da irreprimível sedução dos portugueses pela violação das normas. É aquela irreverência infantil a que se chama falta de educação!

O vírus da irresponsabilidade*

Resultado de imagem para conferencia de imprensa ministra da saude

 

Portugal foi dos últimos países a ser atingido pelo Covid -19. Já a epidemia, agora pandemia, ia avançada em muitos países do mundo, mas, diga-se também, controlada em alguns outros, quando cá chegou.

Quer isto dizer que nós, portugueses, tivemos mais oportunidades que outros para nos prepararmos para enfrentar esta calamidade. Parece-me que somos cada vez mais os que pensamos que não tiramos grande proveito disso. Que não aproveitamos, como devíamos, essas oportunidades.  

Tem sido notório que as autoridades portuguesas têm tido como principal objectivo evitar alarmismos. Seria normal que assim fosse. Manter a tranquilidade em circunstâncias altamente críticas, e evitar situações de alarme social, é prova de responsabilidade.

O problema está no tom com que isso tem sido feito, que não se adequa nada ao laxismo e à irresponsabilidade que nos caracteriza. E que caracteriza de uma forma geral toda esta gente cá do sul da Europa.

As pessoas continuam a achar que não têm nada a ver com isto, que é sempre com os outros, sem quererem perceber a dimensão colectiva do que está em causa, e a responsabilidade cívica, em primeiro lugar, mas também criminal, que lhes advém dos seus comportamentos.

As Universidades fecham para que as pessoas cumpram o isolamento social, mas os estudantes inundam as esplanadas. Criam-se condições de quarentena, mas as pessoas aproveitam-nas para no primeiro dia de sol encher as praias. Fecham-se os estádios de futebol, mas as pessoas vão apoiar o seu clube do lado de fora.

Discute-se o encerramento das escolas, mas chamam-lhe antecipar as férias da Páscoa. Não. As escolas não fecham para os alunos irem de férias. Fecham para evitar contacto social e reduzir as condições de propagação da doença.

Este é o momento de ganhar a batalha pela contenção do vírus, e não de outra coisa qualquer. É vital para todos nós ganhar, e depressa, essa batalha. Quem está informado e consciente da gravidade deste momento está profundamente alarmado. Os que não querem saber, os indigentes morais, têm que ser abanados para acordar para esta realidade. E isso não se faz sem alarme social. 

Percebemos ontem à noite que o primeiro-ministro já percebeu isto. E que percebeu que tinha de comunicar em aberta contramão com aquelas duas senhoras que andamos fartos de ouvir. 

 

* Da minha crónica de hoje na Cister FM

Ventos de Norte*

Resultado de imagem para curso de divorcio

 

Quando pensamos em direitos, liberdades e garantias, educação cívica ou boas práticas sociais, lembramo-nos do norte da Europa, e em particular da Escandinávia. É de lá que há muito nos habituamos a receber boas notícias, basta lembrar que a Suécia foi o primeiro país a dizer ao mundo, na década de 70 do século passado, que bater não é educar. Nem na escola, nem em casa. E para que isso ficasse claro, as palmadas ficaram desde então criminalizadas no seu Código Penal.

Desta vez a novidade vem da Dinamarca, com um pacote legislativo que acabou de entrar em vigor, mais precisamente no passado dia 1 de Abril, que integra no complexo processual do divórcio um curso de “cooperação após o divórcio”. Que cada elemento do casal, com filhos até aos 18 anos de idade, fica obrigado a frequentar, presumo que com aproveitamento.

O curso aborda a vida em separado, mas foca-se em especial nas situações de maior potencial de frustração, para as crianças, e de conflitualidade, para os pais. Como a organização das férias, dos aniversários ou até dos passeios escolares...    

Dado que a separação dos pais não é um exclusivo de casais casados, também os pais não casados podem aceder gratuitamente ao programa. Só que, nesse caso, já não há como obriga-los. Terão que ser os próprios a solicitá-lo.

Por cá, ainda com a violência familiar na ordem do dia, dificilmente sentimos a saudável brisa destes ventos frescos do norte.

 

* A minha crónica de ontem na Cister FM

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