Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Porto 1 - Benfica 0

As reações à derrota do Benfica: «É o reflexo do estado anímico, o lance do Pavlidis mostra isso»

A maré negra continua, o Benfica está já também fora da Taça e, em Janeiro, já não há com que salvar a época. 

O sorteio não quis nada com o Benfica nesta edição da Taça de Portugal, a segunda mais importante competição do calendário nacional. Foi obrigado a disputar todos os jogo fora de casa, e o dos quartos de final no Dragão. 

Mas, com bolas quentes ou bolas frias, sorteio é sorteio e o Benfica, depois da primeira derrota interna, no inqualificável jogo das meias finais da Taça da Liga com o Braga (que logo a seguir perdeu a final para o Vitória de Guimarães, e hoje foi igualmente eliminado da Taça pelo Fafe, da Liga 3), surgiu no Dragão sem medos, nem complexos.

Deixou isso claro logo que o árbitro Fábio Veríssimo - mais uma provocação do Conselho de Arbitragem, e nem é pela sua história contra o Benfica, é por ser o árbitro que denunciou que as práticas do Porto continuam à maneira antiga, e de daí decorrerem processos ainda em curso - apitou para o início do jogo. 

Pelos recentes impedimentos de Enzo e Otamendi, que se juntaram aos antigos, mas não só, o Benfica surgiu com alterações significativas no onze. António Silva recuperou para alinhar ao lado do Tomás Araújo no centro da defesa, Lopes Cabral estreou-se a titular, na ala esquerda, e Prestiani regressou ao onze inicial para a ala direita, daí saindo, respectivamente, Sudakov, para o banco, e Aursnes, para o meio, ao lado de Rios. 

Justificadas estas alterações: Sudakov não tem intensidade para para, num jogo destes, jogar na ala, como - erradamente, a meu ver - tem vindo a acontecer. E o jogo com o Braga demonstrou que, depois da lesão de há um ano, Manu não está em condições de jogar no lugar do Enzo.

O Porto não surpreendeu, e foi igual ao que tem sido ao longo da época. Uma equipa intensa, com jogadores que correm sem parar, que disputam cada bola como se fosse a última, usando e abusando do confronto físico. Não sei se é este o futebol de Farioli, não tenho dúvidas é que é este o futebol que percebeu que assenta que nem uma luva no Porto. No tal ADN Porto!

E o Benfica não fugiu aos desafios que esse "futebol" lhe apresentava. Teve esse mérito. Não teve medo, e foi se superiorizando. Aos 10 minutos, logo depois da primeira interrupção da partida (choque de cabeças entre Martim Fernandes e Lopes Cabral) criava a primeira oportunidade clara para marcar, num lance antecedido por um penálti, num corte com a mão do Pablo Rosário dentro da área. Só que, como também faz parte da receita deste Porto, há sempre uma oferta qualquer para, à primeira, marcarem.

Assim foi, mais uma vez. Na primeira vez que chegaram perto da baliza de Trubin, o Tomás Araújo cortou o lance com aparente facilidade. Tinha toda a linha lateral à frente, mas a bola acabou a sair pela final. Canto. Até pareceu que, se fosse de alguma forma possível, a bola acabaria até para ir para a baliza, como já aconteceu. Do canto saiu uma bola rasteira que Rios, ao primeiro poste, à vontade, com tudo para a chutar para a frente, com uma rosca, conseguiu voltar a mandá-la para canto. O segundo consecutivo. Marcado desta vez ao segundo poste, onde Aursnes corta novamente para canto. O terceiro, para a marca de penálti, onde o Bednarek, marcado pelo Barreiro, nem teve que saltar para marcar o golo que tudo decidiu.

O Benfica sentiu o golo, e o Porto conseguiu até, logo a seguir, a sua segunda oportunidade de golo de todo o jogo. Valeu Trubin. Mas reagiu rapidamente, e voltou a assumir o domínio do jogo. Frisson, só na baliza de Diogo Costa que, na fase de maior assédio benfiquista, fora de pequena área, abalroou o António Silva.

Quando se esperava pela repetição, a realização da Sport TV preferiu voltar a mostrar o golo do Porto. É assim!

Entretanto o jogo começava a endurecer. Os jogadores do Porto puxavam pelo confronto físico e activavam o lado quezilento do jogo, onde se sentem como peixe na água. É neste quadro que surge a lesão de Rios, que saiu em maca, à beira do intervalo.

Entrou então Sudakov, para o seu verdadeiro lugar, donde saiu o Barreiro, para se juntar a Aursnes. O Benfica melhorou, ainda. E voltaria a estar perto do golo ainda antes do apito para o intervalo, naquele remate do Barreiro, que o Diogo Costa defendeu com o pé, aflitíssimo, para a frente. Em vez de recarregar para dentro da baliza, Dedic chutou para a bancada.

E assim regressou toda a gente aos balneários, onde Fábio Veríssimo teria certamente a passar em loop na televisão a mão do Pablo Rosário na bola, dentro da sua área, ou ataque do Diogo Costa ao António Silva. 

A segunda parte não mudou nada ao jogo. Continuou a dar Benfica, que continuou a somar ataques e remates. Alguns, como os de Tomás Araújo, aos 10  e aos 20 minutos, poderiam ter acabado em golo. A maior, e a derradeira oportunidade que o Benfica teve para marcar, não chegou a ter remate. Corria o minuto 90, e Pavlidis falhou - o remate e o golo - a um metro da baliza.

O Benfica não merecia ter perdido este jogo. Merecia ter passado à meia final da Taça, e ter o privilégio de disputar um jogo em casa. Mas não há vitórias morais. E, se houvesse, nem essas já nos conseguiriam animar.

Porto 0 - Benfica 0

Foi "Dia de Clássico". De clássicos, porque o Sporting-Braga também é um clássico. E não correu mal: empataram, e bem. Mesmo que o Sporting continue com as bênçãos da vaca, como se fosse na Índia, e ... da arbitragem, como se voltou a ver.

O clássico do Dragão é sempre especial. Desta vez vinha em boa altura para o Porto, e má para o Benfica. O Porto só ganhava, só marcava, sem sofrer. Era um balão cheio, tudo lhe corria bem. O Benfica ... pelo contrário. Ao Benfica tudo acontece. Desta vez até uma virose, a afectar o plantel até à véspera do jogo, ao que se diz apanhada em Londres ...

O clássico teria que ter muito a ver com tudo isso. Era impossível que não fosse marcado por essa assimetria de desempenho das duas equipas. E por isso o Benfica surgiu no relvado do Dragão preparado para jogar um jogo de xadrez. E jogou-o bem.

Um jogo de xadrez é como o tango. Precisa de dois. Um precisa de dois para ser jogado, o outro para ser dançado. E o Porto, claro, também jogou xadrez. Mesmo que muitas vezes lhe acrescentasse outras nouances, mais de circo que de outra coisa. Muita fita, muita palhaçada, mas também muita traulitada.

O Benfica jogou melhor xadrez, Mourinho é especialista. Para o bem, e para o mal, o Benfica teve muito sangue frio, e pouco sangue quente. Mas lá está, o xadrez joga-se com sangue frio. Quem se permitir ferver acrescenta dificuldades.

Teve tanto de xadrez, e tão pouco de futebol, que o primeiro remate só apareceu já depois da meia-hora de jogo. E ainda assim num livre, por falta de Pêpê sobre Sudakov (que por ser claramente uma jogada promissora, ficando o 10 do Benfica em boas condições para atingir com êxito a baliza adversária, deveria ter sido punido com cartão amarelo, que teria consequências para o jogo, pouco tempo depois) cobrado pelo próprio. Isto já depois de Gabri Veiga ter agredido Rios, a meio da primeira parte, na altura em que finalmente os adeptos do  Benfica começavam a conseguir entrar para as bancadas do Dragão.

O primeiro remate do Porto tardaria ainda mais 5 minutos. O primeiro canto - se o primeiro remate foi para o Benfica, o primeiro canto foi para o Porto - surgiu apenas em cima do intervalo. E foi o único da primeira parte. Não houve um fora de jogo, em toda a partida.

Para melhor se perceber o jogo de xadrez, como foi jogado pelas duas equipas, e até o sangue frio e quente que correu nos jogadores de cada uma, veja-se que o Benfica cometeu apenas 6 faltas, três em cada metade. Contra 16 do Porto (6 na primeira e 10 na segunda). E que, mesmo com a discrepância de critérios do árbitro Miguel Nogueira, o Porto foi admoestado com 6 amarelos, e o Benfica com dois. O primeiro, na primeira vez do árbitro, a Rios (por, quando já três ou quatro do Porto tinham feito tudo para o justificarem, ter chegado com o pé perto do ombro de um adversário, que se baixara em prática de jogo perigoso), e o segundo, na última vez de Miguel Nogueira, mesmo no fim do jogo, a Dedic. Um daqueles cartões salomónicos, dividido com o provocador, no caso Borja Sainz. Os restantes cinco - e mais quantas passaram em claro? - decorreram de entradas duras, a roçar a violência, de jogadores portistas.

Ou repare-se que, em termos de desempenho individual, provavelmente os três ou quatro melhores serão jogadores do Benfica: Dudic (o homem do jogo, para a insuspeita Sport TV), Sudakov, Rios e, Enzo. Ou que o melhor do Porto, o central Bednarek, não foi melhor que António Silva, hoje a alto nível.

Quando fugiu ao xadrez, quando arriscou um bocadinho, o Benfica esteve perto do golo. Foi à entrada do segundo quarto de hora da segunda parte, quando um corte de Kiwior levou a bola à barra da baliza de Diogo Costa. Para que tudo fosse igual, também, quando o Porto arriscou um bocadinho, já ao minuto 90, com a entrada do seu puto maravilha, na primeira vez que tocou na bola, o Rodrigo Mora rematou também à barra da baliza de Trubin.

Como desabafou Mourinho, o Benfica sobreviveu. E está aí, bem vivo. Esperemos que sim, até porque isso de já "não dependermos apenas de nós próprios", não é conversa para agora.

Equipa, família, tropa

O Benfica já ganhou muitas vezes no Porto, quer nas Antas quer no Dragão. Nunca, no entanto, ganhou em cima de um banho de bola colossal, como este!

Hoje o Benfica simplesmente não deu qualquer hipótese. Nem ao Porto, nem ... ao João Pinheiro. Tentaram ambos fazer pela vida, mas não tiveram hipótese.

Mais cedo não podia João Pinheiro começar. Foi logo no início, a anular o golo de Pavlidis, por um fora de jogo que mais ninguém viu. Teve de "engolir o apito".

O Porto também não esperou para reagir, e atirou-se logo à bola, e às canelas dos adversários, como se não houvesse amanhã. A agressividade foi depressa engolida pelo souplesse, e pela arte da tropa.

O golo do Benfica no minuto inicial, no pontapé de saída, importou. Claro. Um golo a abrir o jogo é como o tamanho. Importa sempre!

A equipa deu a bola ao Porto, e depois esperou em família, com a tropa recuada. Evidentemente que esta estratégia não foi desenhada em cima do golo no primeiro minuto. Era a estratégia para o jogo, trabalhada a partir de quarta-feira, depois de despachado o assunto Farense: entregar a bola ao Porto, deixar que fizesse com ela o que bem entendesse, no seu meio campo, e em vez de correr atrás dela, e dos adversários, esperar que fossem eles a entregar-lha quando já não soubessem mais o que fazer com ela. A partir daí, com a bola nos pés, procurar a profundidade para chegar depressa, e bem, à baliza de Diogo Costa.

Foi assim, com esta ideia de jogo, que na primeira parte o Benfica cilindrou o Porto. Com menos de 40% de posse bola o Benfica marcou os dois golos soberbos Pavlidis, no início e quase no fim e, num total de 8 remates, rematou três vezes à baliza, e outras tantas ao poste. O Porto, com mais de 60% de posse de bola, efectuou cinco remates, e nenhum à baliza. 

Foi assim, com a defesa unida em família, com Florentino sempre pronto para interceptar a bola, Kokçu mestre a distribuí-la, ora curtinho, ali ao lado, ora a romper vinte ou trinta metros para Akturkoglu, Pavlidis e Di Maria espalharem o pânico numa defesa portista que cada vez que era atacada tremia como varas verdes. 

Para que o banho de bola fosse ainda mais empolgante, o Benfica mudou de reportório para a segunda parte. Fez praticamente o contrário, e decidiu que, já que o Porto tinha feito tão pouco com a bola, não merecia tê-la. O Benfica foi então dono da bola e dono do jogo, não permitindo que nada sobrasse para o Porto.

Criou claríssimas oportunidades de golo sucessivas, umas atrás das outras. Di Maria ainda deve estar a ver se percebe como, aos 52 minutos, num cruzamento de excelência de Carreras, o seu remate foi parar ao lado de fora das redes . Cinco ou seis minutos depois, foi o instinto de Diogo Costa a negar o golo a Akturkoglu, a passe de Di Maria. No minuto seguinte, mais uma defesa soberba do guarda-redes do Porto, a negar o golo a Otamendi. Ao minuto 69 era finalmente quebrado o enguiço, com Pavlidis a assinar o hat-trick, respondendo com um excelente desvio de cabeça a um extraordinário cruzamento de Di Maria. Dez minutos depois foi Schjelderup, que entretanto havia entrado, com Belotti, por troca com Di Maria e Pavlidis, a enviar a bola a rasar o poste da baliza de Diogo Costa, batido ... e desesperado. 

Não marcou Schjelderup, na resposta marcou o Porto. Trubin defendeu o remate de Fábio Vieira, mas depois deixou fugir por entre as pernas a recarga de Samu.

O marcador, aberto no primeiro minuto, seria fechado por Otamendi, no último. Não é comum, mas quando o vendaval de futebol toma as proporções desta noite no Dragão, com tantas oportunidades de golo construídas, é normal que os golos surjam até nos momentos menos comuns.

Ficou ainda assim curto. Repetiu a goleada da primeira volta, na Luz. Mas foi mais curto. Se aos quatro golos somarmos as três bolas nos ferros, e as quatro oportunidades claríssimas atrás referidas, ficamos com a dimensão do escândalo que esteve à vista no placard do Dragão.

Na trilogia de Bruno Lage, a equipa está fortíssima. A família é feliz. E a tropa está na frente. Pode ser apenas por 24 horas. Mas, como há muito que isso não acontecia, é notícia.

 

Mais que três pontos. E muito mais que a imbecilidade das tochas!

Noite de festa, de verdadeira loucura na Luz, cheia - à beira dos 65 mil - para assistir ao mais desequilibrado dos clássicos dos últimos largos anos.

Foi festa porque o Benfica jogou à Benfica, como prometera Bruno Lage. Quando isso acontece há festa na Luz, mesmo que uns imbecis a queiram estragar.

O Benfica desta noite, na Luz, não foi apenas uma equipa a jogar bem, e a dominar claramente o Porto, que não é coisa a que estejamos muito habituados. Foi uma equipa inabalável, à prova de bala. E isso, depois do que aconteceu na passada quarta-feira, em Munique, é sensacional!

No fim, depois de um jogo em que o Benfica dispôs do Porto como bem entendeu, e goleou por 4-1, ninguém se lembra dos contratempos que atingiram a equipa. Não foram poucos, e a equipa passou por eles como se nada fosse.

O Benfica entrou bem no jogo, demonstrando que não estava ali com medo de nada, nem de ninguém. Só que logo os energúmenos das tochas fizeram parar o jogo, interrompendo aquela entrada.

Logo que a fumarada desanuviou, o jogo foi retomado, a equipa voltou a agarrar no jogo, e Di Maria poderia ter marcado. Pouco depois, pelos 18 minutos, o árbitro, João Pinheiro - pois, já não há Artur Soares Dias - resolveu apitar para assinalar uma falta sobre Aktürkoglu, já depois de ele se ter desembaraçado do adversário faltoso, se isolar na área portista e assistir Pavlidis para marcar. Um golo bonito, com o avançado grego a picar a bola sobre Diogo Costa. As leis do jogo mandam deixar seguir a jogada, até ao seu desfecho. Mas mandam também não beneficiar o infractor. João Pinheiro esteve-se nas tintas para isso tudo, e o golo não contou. Nem pôde sequer chegar ao VAR. No livre que João Pinheiro assinalou para evitar o primeiro golo do Benfica, foi Diogo Costa a evitá-lo, com uma grande defesa. Mas a equipa não descompensou, e continuou a jogar bem.

E lá chegou o golo, ainda antes da meia hora, por Carreras, que minutos antes parecia ter sido atirado para fora do jogo, com um pé em muito mau estado. E o Benfica continuou, cada vez mais a acentuar a sua superioridade no jogo. Mas o segundo golo não chegava. Aos 40 minutos o remate de Pavlidis levou a bola a bater no poste, e a sair para a frente, em vez de entrar.

Estávamos nisto quando os imbecis das tochas voltaram a aparecer, e a fazer voltar a parar o jogo. Ainda a fumarada estava no ar, e já em cima do intervalo, Otamendi cometeu uma hesitação de principiante, Trubin foi enganado - mas não o poderia ter sido - e ambos ofereceram o golo do empate ao Samu.

E o jogo, que poderia já estar resolvido no marcador, foi para intervalo empatado.

Poderia pensar-se que o Porto aproveitaria o empate que lhe caíra do céu para surgir na segunda parte a discutir o jogo, olhos nos olhos. Nada disso, o Benfica de hoje nunca se deixou abater, e arrancou ainda mais forte. E mais dominador.

O segundo golo não tardou muito. Nem 10 minutos. Grande passe de Aursenes, e desmarcação e finalização sublime de Di Maria. E o Benfica continuou a não deixar Diogo Costa em paz. Cinco minutos depois marcou o terceiro, em mais um lance de compêndio: Tomás Araújo, num grande passe em profundidade lançou Bah, que cruzou para Pavlidis surgir desmarcado na cara de Diogo Costa, a desviar para o funda da baliza. Há quem diga que foi Nehuén Pérez que introduziu a bola dentro da própria baliza, para tirar o golo ao avançado grego.

O quarto foi sendo adiado por mais vinte minutos. Surgiu aos 80 minutos quando, aflito, o Varela acertou com um pontapé no pescoço do Otamendi. Penálti - apenas o segundo do Benfica no campeonato - cobrado magistralmente por Di Maria. João Pinheiro esqueceu-se do segundo amarelo a Varela, que o punha na rua.

Não foram poucos os contratempos, como vimos. E o mais frequente nestes clássicos é vermos a equipa sossobrar-lhes. É por isso que esta vitória, com esta exibição, com esta demonstração de personalidade, e com esta goleada, vale mais que os três pontos de qualquer das outras. 

O que não vale - não pode mesmo valer - é a impunidade dos imbecis das tochas. É da maior urgência resolver isso. E começa a não ser aceitável que não se resolva!

 

Assim, não!

Claro que foi "cada tiro cada melro", neste clássico do Dragão. Claro que, nas circunstâncias do jogo, em cada uma delas, os astros estiveram sempre todos alinhados para o Porto. Mas nada disso relativiza aquilo que foi a absoluta nulidade da exibição do Benfica, e a estrondosa goleada (0-5) com que saiu esta noite do Dragão.

Não sei se foi o "adeus" definitivo ao campeonato. Mas sei que, a jogar assim - nunca caiu tão baixo como hoje, mas há muito que a equipa não dá garantias - o bi-campeonato nunca passará de sonho. E, francamente, cada vez mais me convenço que, se um treinador, com os melhores jogadores não for capaz de construir a melhor equipa, alguma coisa está errada.

É que a derrota dói. E a goleada dói ainda mais. Mas a recorrente incapcidade do Benfica em se superiorizar aos principais rivais em algum dia haveria de acabar desta forma. Que tudo isto aconteça em cima do 120º aniversário do Glorioso apenas dá mais cor à dor. 

 

Soube bem, mas a pouco!

Luz cheia - mais de 62 mil - como é já habitual. A transbordar. De festa, fervor e paixão!

Sem medos, nem tremideiras. Roger Schemidt deu o mote, como que a anunciar que isso é passado. "Neres e Di Maria são compatíveis" - tinha anunciado. Se são compatíveis, é para já. Sem medo!

A Luz gostou. Gostou dos dois desequilibradores nas duas alas, e gostou da mensagem de coragem que se lia na constituição da equipa. Com Neres e Di Maria no onze, Schemidt dizia que não tinha medo. E a mensagem parecia passar para o relvado, transportada pelos jogadores.

Mas esgotou-se rapidamente. Em poucos minutos. Foi "sol de pouca dura". Nem cinco minutos durou. Devia ser muito pesada, os jogadores não a conseguiram carregar mais tempo. E o Porto começou a parecer que queria mandar naquilo tudo. E como quando uns mandam os outros baixam as orelhas, os jogadores do Benfica começaram a baixá-las. Não deu bem para perceber se chegaram a ficar assustados, mas lá que deu para perceber que "baixaram as orelhas", deu.

Aproximava-se a primeira parte do meio quando o Fábio Cardoso, aspirante a Pepe, mas ainda sem a sua impunidade, foi (bem, indiscutivelmente!) expulso por, sem pernas para Neres, a caminho da baliza do Diogo Costa, o mandar abaixo, sem dó nem piedade. 

Só por isso, por passarem a jogar contra 10, se não chegou a perceber se os jogadores do Benfica estavam mesmo a ficar assustados. Mas percebeu-se que não estavam inspirados. A equipa poderia não ter medo, o problema é que não tinha mais nada. Não tinha velocidade. Não tinha intensidade. Não tinha coragem. E parecia até não ter lá grande vontade. A expulsão galvanizou mais (ainda mais!) as bancadas que os jogadores. A inspiração, essa, sobrou apenas para Trubin.

E que bem-vinda que é!

Não é que o guarda-redes do Benfica - a quem impuseram a necessidade de ter de provar tudo - estivesse a ser sujeito a muito trabalho. Mas fez - e bem - o que teve para fazer. Com duas intervenções - uma arrojada e corajosa saída aos pés do Taremi; e uma grande defesa a desviar o remate de Pepê, já perto do intervalo, quando o Porto já deveria estar reduzido a nove jogadores - impediu que corresse mal o que realmente poderia ter corrido mal.

Do lado do Benfica apenas uma oportunidade e meia de golo. A meia de Di Maria, quando o chapéu ao guarda-redes do Porto saiu ligeiramente por cima, logo no primeiro minuto, quando os jogadores ainda carregavam a coragem que Roger Shemidt lhe tinha posto às costas; e aquele lance pouco depois da meia hora, quando Neres fugiu pela esquerda, e o Diogo Costa defendeu o remate prensado, na mancha, para se levantar e afastar, com uma vistosa palmada, a bola que, no ressalto, ia a pingar para dentro da baliza. E, logo a seguir, uma escapada de Rafa pela direita, depois de ganhar em velocidade a David Carmo, acabando travado em falta quando se isolava. Num lance muito idêntico ao que acabara na expulsão do Fábio Cardoso. Tanto que o Soares Dias, desta vez no VAR, não teve dúvidas em dizê-lo ao árbitro João Pinheiro, que apenas sancionara com livre e amarelo. Que confirmaria, contrariando a opinião do insuspeito Soares Dias, depois de consultar as imagens.

O Porto poderia, e deveria - pareceu-me - ficar reduzido a nove jogadores a um pouco mais de 10 minutos do intervalo. Aí, ao intervalo, só havia uma certeza - não era esperança, era mesmo certeza: a segunda parte tinha de ser completamente diferente!

E foi. Roger Schemidt não mexeu no onze, mas foi outra equipa que regressou dos balneários. Foi o Benfica, a jogar à Benfica, sem permitir ao Porto disfarçar que estava a jogar com menos um. Foi para cima deles e não os largou. Empurrou o Porto lá para trás, e sufocou. 

As oportunidades de golo iam-se sucedendo. Claras, umas atrás das outras. O Porto não conseguia sair daqueles 20 metros à frente da baliza do Diogo Costa, que ia adiando o golo. Só nos primeiros 12 minutos da segunda parte, Musa falhou um golo feito, Kokçu atirou ao poste, Diogo Costa "roubou" o golo a Neres, isolado depois de  passar pelo João Mário (o defesa portista) e de deixar o Zé Pedro (o central que entrou com a expulsão, substituindo o Romário Baró (a surpresa do Sérgio Conceição) sentado na relva, e o remate de Otamendi à malha lateral.

Em pouco mais de 10 minutos, três grandes oportunidades de golo. O golo tardaria ainda mais 10 minutos. Obra de Neres e Di Maria, os dois. Juntos. E compatíveis. Já com Cabral em campo, acabadinho de entrar para substituir Musa.

A Luz explodiu em festa. E o Benfica não levantou o pé. Logo a seguir o (excelente) remate de Otamendi, com o guarda-redes batido, saiu a rasar o poste.  

O Porto, que na segunda parte fez um único remate, fraco e ao lado, tentou sair do sufoco e o Sérgio Conceição decidiu apostar nos últimos 10 minutos, lançando Ivan Jaime, o filho, Francisco e o Gonçalo Borges. Mas a circulação de bola do Benfica não lhes permitiu outra coisa que não fosse aumentar-lhes a frustração.

E sabe-se como aquela gente lida mal com a frustração ...

É uma vitória importante. É sempre importante ganhar. Mais ainda ganhar ao Porto. Mas é uma vitória que sabe a pouco. Um só golo, em seis ou sete oportunidades, é pouco!

Clássicos do clássico que não foi tão clássico assim

O Benfica ganhou a Supertaça. Dizem que é o primeiro título da época, e metem-no na contabilidade de "alhos e bugalhos" ao lado dos campeonatos nacionais. Se é assim, que assim seja. 

Mais importante que o título é, e continuará a ser a vitória sobre o Porto. Todas são importantes mas, estas, no arranque da época, são marcantes. Marcam muito do que aí há-de vir como, de resto, está demonstrado. Esta, neste início de época, depois de uma pré-época que não foi igual à última. E que na realidade, em particular pelos dois jogos perdidos, com o Burnley e com o Feyonoord, antagonistas com muitos pontos em comum com o que é o estilo do Porto, não augurava nada de bom para o confronto de hoje.

O onze escalado por Roger Schemidt para subir ao relvado do "elefante branco" de Aveiro, não ajudava muito a suplantar aquele estado de espírito meio depressivo que se apossara dos benfiquistas. Sem Gonçalo Ramos, o treinador do Benfica optou por entrar a jogar sem ponta de lança, e associou-se essa decisão ao "clássico" medo de defrontar o Porto. O medo que os portistas fazem gala de propagandear.

Depois do jogo, e depois daquela segunda parte em que o Benfica "engoliu" o Porto, a ideia de "medo" caiu por terra. Em boa verdade, já na primeira parte, houve razões para desfazer essa ideia. É certo que o Benfica abdicou então do seu futebol de circulação, de primeiro toque e velocidade. Mas os jogadores foram à luta, foram bravos e nunca revelaram medo. Não foram menos intensos, não fugiram aos duelos e nunca se esconderam do jogo. E só faz isso quem não tem medo! 

A primeira foi um "clássico", dentro do clássico. O Porto entrou com tudo para meter medo, no seu registo habitual nestes jogos do clássico. Intensidade, pressão em todas as zonas do campo, e sobre o árbitro, às vezes um pouco de bom futebol e, sempre, a manha. E os truques batoteiros.

O árbitro, Luís Godinho, foi o costume destes jogos. Também um clássico. Cedo começou a distribuir amarelos sobre os jogadores do Benfica, por dá cá aquela palha. Três seguidinhos. Para o outro lado ... nada. Zaidu entrava como queria às pernas de Bah (foi assistido pela equipa médica, e quase que teve ser substituído) e de Di Maria. E nem falta era assinalada. Curiosamente, só quando o árbitro começou também a brindar os jogadores do Porto com o cartão amarelo, o comentador da RTP passou a achar que ele estava a usar de critério muito apertado, e que poderia vir a estragar o jogo. Um "clássico", também!  

Mais escandaloso ainda seria aquele fora de jogo assinalado a Rafa quando já seguia isolado para a baliza de Diogo Costa. Mandam as regras que o árbitro deixe seguir a jogada, assinalando-o - bem ou mal - apenas quando ela for concluída. Se a conclusão resultar em golo, então a decisão caberá ao VAR. O árbitro assistente levantou logo a bandeira, e Luís Godinho apitou de imediato, matando ali a jogada. Rafa, viu-se pela repetição, estava em posição legal. Ou, já perto do intervalo, quando o Eustáquio domina a bola com a mão, mesmo de frente para o árbitro assistente do lado direito do ataque portista, e ... nada. Deu canto para o Porto.

O "clássico" nos seus clássicos. O que fugia ao "clássico" era a forma como o Benfica, mesmo fora do seu registo, ia revertendo o clássico. E, muito à custa da rotação e abnegação de João Neves, e da categoria extra de Di Maria, equilibrando um jogo que os portistas só verdadeiramente conseguiram desequilibrar nos primeiros quinze a vinte minutos.

Ao intervalo Roger Schmidt mudou tudo, mudando apenas dois jogadores amarelados. Tirou João Mário, amarelado e atropelado pelo jogo, para entrar Musa. E Ristic por Jurasék, mudando Aursenes para a ala esquerda. E o Benfica passou a apresentar o seu modelo de futebol, e tomou conta do jogo. Pressão alta, circulação de bola em poucos toques, dinâmica e velocidade. E o Porto afundou-se naquela torrente de futebol, com largos minutos sem sequer conseguir sair do seu meio campo.

Os golos, de Di Maria, primeiro, ao esgotar o primeiro quarto de hora, e de Musa, sete minutos depois, resultaram desse futebol. E foram colheita parca para tamanha superioridade, e para tantas oportunidades criadas. 

Roger Schemidt foi mexendo na equipa, dando prioridade aos amarelados mais expostos - Kokçu e João Neves (por Florentino e Chiquinho) - mantendo-a no alto nível de qualidade atingido, que ia fazendo vibrar os adeptos nas bancadas, entoando os dispensáveis, mas compreensíveis, olés. 

Os restantes "clássicos" do jogo continuavam lá. Mas impotentes para travar a avalanche benfiquista. Luís Godinho continuou com a sua dualidade de critérios - então já nada apertados - poupando o segundo amarelo a Pepe, a Zaidu, a Grujich, a Marcano... E fazendo-se de morto quando Pepe - outro "clássico" - descarregou a raiva pelo joelho nas costas de Jurasék, ao minuto 90. Foi acordado pelo VAR, e lá teve de lhe mostrar o vermelho que há tanto tempo tardava.

Logo a seguir, mais um "clássico". Gonçalo Borges domina a bola com a mão e deixa-a para Galeno rematar para dentro da baliza (seria um grande golo!). Os quatro árbitros em campo, estavam todos a dormir, exactamente como no idêntico movimento de Eustáquio. O VAR teve de os acordar, e o Sérgio Conceição não gostou. Estava a gostar de os ver a dormir, e tomou para si o sobressalto. 

Foi expulso pela enésima vez. Mais um "clássico". Mas desta refinou a arruaça. Recusou sair. Que não saía dali de maneira nenhuma. Nunca visto! Como nunca visto acabar a obrigar Luís Godinho a ir falar com ele, ordem que enviou por Marcano. No fim, não falou. Nem deixou ninguém falar. O último "clássico"?

Não. Pepe e Sérgio Conceição fizeram questão de não sair do campo sem o fazerem a provocar os adeptos benfiquistas!

 

Eclipse total

Casa cheia na Luz para o clássico, à 27ª jornada. E cheia de crença, com mais de 60 mil a vibrar nas bancadas, convencidos que o 38 estava já ali, ao virar da esquina.

O jogo da passada semana em Vila do Conde não deixara de mostrar que a forma da equipa não era a mesma de há semanas atrás, antes da paragem para as selecções. Sempre de má memória nesta época de exibições empolgantes. Mas, na Luz, a memória que contava era a das últimas exibições que lá se tinham visto. E essas justificavam todo aquele entusiasmo, que desde bem cedo se sentia ao redor do Estádio. É que, antes de o encherem, os benfiquistas encheram tudo ali à volta.

Frente a frente estavam um Benfica demolidor, e um Porto titubeante, separados por 10 pontos na classificação. Um Benfica convincente, afirmativo e exuberante, e um Porto que vinha de exibições fraquinhas e resultados apertados, frequentemente melhores que as prestações dentro de campo. Mas um Porto que à custa da crença e do querer, mas também de estratégia competitiva, consegue quase sempre atingir níveis de extras de competitividade nos clássicos, e em especial nos jogos com o Benfica.

E, no apito, o inevitável Artur Soares Dias. Invariavelmente habilidoso, cedo incendiou a Luz. Começou logo aos 2 minutos, quando António Silva, depois de ser assistido após um "chapadão" de Taremi, teve de sair do campo e de esperar "uma eternidade" pela autorização para reentrar, enquanto o Porto ia construindo sucessivas jogadas de ataque. Depois foi o amarelo a Florentino, logo a seguir, condicionando-o logo de início.

O Porto entrou pressionante. Ao contrário, o Benfica abdicou da pressão e da decisão de mandar no jogo, para se deixar ficar a ver. E marcou na primeira vez que chegou à baliza de Diogo Costa,logo aos 9 minutos. Mas nem o golo - de Gonçalo Ramos, que acabou até creditado como auto-golo, porque a bola acabou de seguir da barra para dentro da baliza depois de bater na nuca do guarda-redes portista - disfarçou as primeiras indicações que o jogo ia dando. Na Luz, o golo era de Gonçalo Ramos, e catapultava-o para liderança dos marcadores. E era a confirmação de todo aquele ambiente de festa. O resto não interessava para nada.

Mas interessava. A jogar daquela forma, falhando nas decisões e falhando passes ia entregando o jogo ao Porto. Ao jogar daquela forma, com a desinspiração generalizada, mas mais acentuada ainda em Rafa e Grimaldo, e com Gonçalo Ramos muitas vezes atrás da linha da defesa adversária, a impedir melhores decisões ao portador da bola, a equipa não tinha dinâmica, empastava o jogo e permitia que facilmente os jogadores do Porto cortassem as linhas de passe. Como se tudo isso não fosse suficientemente mau, os jogadores faltavam aos duelos, e deixavam o Porto ganhar as todas as segundas bolas.

E foi assim ... Foi assim que o Porto chegou ao empate no golo de Uribe, em cima do minuto 45.  E que só não passou para a frente ainda antes do intervalo porque, nos últimos dos seis minutos de compensação da primeira parte, o golo foi anulado a Galeno por fora de jogo. De 6 centímetros. 

Não podia ser assim a segunda parte. Mas foi. E quando o Porto fez o que o Benfica havia feito na primeira parte, marcando no mesmo minuto 9 - numa jogada em que toda a defesa falhou, incluindo Odysseas que, apesar do remate de Taremi ter saído muito chegado ao seu poste direito,  pareceu que poderia ter feito melhor - percebeu-se que o Benfica de hoje não dava para ganhar ao Porto.

Poderia não haver muito a fazer para alterar esse cenário. Quem ainda não tinha percebido percebeu que o plantel não tem profundidade para alterações desse tipo. Mas na verdade Roger Schemidt também não fez nada para o alterar, e afundou-se com a equipa. 

Logo a seguir ao golo, trocou Florentino por Neres. Que começou por trazer alguma coisa ao jogo, mas pouco. Depressa foi engolido pela espiral de desacerto de toda a equipa. E só voltou a mexer muito tarde, aos 87 minutos, para trocar Rafa por Musa, para uns minutos finais de, finalmente, alguma agressividade. Que não deram para nada, a não ser para deixar a ideia que, se pelo menos essa intensidade final tivesse chegado bem mais cedo, o jogo poderia ser bem diferente. 

Quando as coisas não correm bem há que querer. Que lutar. Hoje, sem a qualidade e os automatismos de há poucas semanas, o Benfica - jogadores e treinador - conformou-se e abdicou de outras as armas para lutar pelo resultado. 

Não é fácil que esta derrota - e esta paupérrima exibição, ao nível, se não mesmo pior, da de Braga - não deixem marcas. Para já, para o jogo com o Inter. Se este eclipse não se der por "extinto" na próxima terça-feira, para que a equipa retome os padrões da época, tudo se pode complicar.

É que a margem de 7 pontos esgota-se numa derrota e dois empates. Bastam dois ou três jogos a este nível para se repetir a história que já conhecemos por duas vezes nos últimos anos.

Um clássico cheio de clássicos

 

O clássico de hoje. uma quinta-feira, às seis e meia da tarde - sem público e no actual contexto, todos os dias e todos os horários servem, desde que sirvam à televisão - arrancou com o Benfica já irremediavelmente afastado da luta pelo título pela soberana Matemática, a três jornadas do fim. 
 
Começou bem antes, como quase sempre, por cá. Ainda o Sporting não tinha jogado em Vila do Conde, e ainda a Matemática não era definitiva.
 
Sérgio Conceição, o treinador do Porto, estava castigado - suspenso por 21 dias. Mas cedo se percebeu que isso era coisa de fazer de conta, e que estaria hoje no banco, na Luz. Ontem, claro, chegou a confirmação oficial, e hoje lá esteve. No banco, na flash e na sala de imprensa, é que não. Para compor o ramalhete, o árbitro escolhido foi Artur Soares Dias, o tal. 
 
Um clássico!
 
Depois veio o jogo. E Soares Dias não quis deixar de justificar por que é sempre o escolhido para estes jogos. Manhoso e cínico, como sempre. E como ninguém. A ponto de até ter marcado dois penaltis a favor do Benfica, como que a dizer: "vejam bem que até marquei dois, quando ninguém assinala penaltis para o Benfica".
 
O jogo arrancou nos moldes habituais destes jogos. Sérgio Oliveira e Octávio distribuíam fruta a torto e a direito. O primeiro cedo foi amarelado, e … remédio santo. A partir daí ganhou carta branca - para lhe não voltar a mostrar o amarelo, o árbitro deixou de lhe assinalar faltas. O Octávio, não. Como nunca viu amarelo pôde ir acumulando faltas, umas atrás das outras. Quando começaram a ser de mais, Soares Dias começou também a deixar de as assinalar. 
 
Mas havia umas que assinalava sempre, não falhava uma. Sempre que, depois da falta, a bola sobrava para jogadores do Benfica, com possibilidade de saírem rapidamente para o ataque, lá saía o apito. Fosse a meio campo, fosse à saída da área portista. Chama-se a isso beneficiar o infractor, mas que importa? O que lhe importa é levar o barco a bom porto!
 
O Pepe, o Sérgio Oliveira, o Octávio lá continuaram, sempre na impunidade. Aos 80 minutos, com aquela entrada do Pepe sobre o Seferovic, e ao anular a marcação rápida do livre, que até acabou em golo, a coisa passou todas as marcas. E então não foi de meias medidas - de rajada, amarelou tudo o que mexia no Benfica. E até saiu vermelho para o Rui Costa.
 
E é esta a estória do jogo. Um clássico, também.
 
O resto é um jogo com pouca história, pouco bem jogado na sua maior parte. Um jogo levado para os despiques individuais, como é característico nestes jogos, onde os jogadores do Porto se sentem como peixe na água, e ganham normalmente a maior parte dos duelos, das bolas divididas e das segundas bolas. Enfadonho, que só se soltou, e ganhou verdadeira emoção nos últimos dez minutos, depois do Porto ter chegado ao empate. Até porque, naquelas circunstâncias, o futebol do Benfica dependia muito da explosão de Rafa que, depois de tanta pancada,  teve de abandonar por KO de Pepe, naquela entrada à Pepe. Um clássico.
 
O Benfica tinha-se adiantado no marcador, pelo Everton, a meio da primeira parte, mesmo sem ter conseguido contrariar aquele jogo do Porto, e sem se ter conseguido superiorizar. Já no fim da primeira parte surgiu o primeiro penalti, sobre o Rafa. Que não foi, dizem as tais linhas que o Rafa estava em fora de jogo, no início da jogada. Como não foi o segundo, sobre o Diogo Gonçalves, a meio da segunda parte.
 
Nos últimos minutos o Porto quis partir o jogo, e o Benfica, mesmo já sem Rafa, teve então oportunidade de se superiorizar e ganhar o jogo. A festa do golo chegou já no tempo de compensação, numa bela jogada de ataque excepcionalmente concluída por Pizzi, pouco depois de uma bola na barra, rematada pelo Taarabt. Mais uma vez as tais linhas descobriram que, no inico da jogada, o Darwin estava por não sei quantos centímetros em fora de jogo, e anularam a festa, e o golo.
 
E lá fica mais um empate, num jogo que, porque teve mais e as melhores oportunidades de golo, o Benfica merecia ter ganhado. Mas em que, mais uma vez, ficou muito aquém do exigível. Também um clássico desta desastrada época, talhada exclusivamente à medida da reeleição de Vieira. Que não é para esquecer. É para nunca mais esquecer!

Tudo na mesma? Não!

Este foi um clássico diferente dos anteriores, e especialmente muito diferente do último, há menos de um mês. O Benfica está a melhorar, está a melhorar a sua qualidade de jogo, como se vinha tenuemente percebendo nos últimos dois jogos, melhorou a sua consistência e melhorou muito a atitude.

O Benfica hoje surgiu no Dragão sem medo, com vontade de lutar pelo jogo, com a agressividade que ainda se não tinha visto e, a espaços, com bom futebol. Igualando o Porto na competitividade e e na capacidade de disputar a bola e os espaços. E quando assim acontece, porque globalmente, em grande parte das posições tem melhores jogadores, é melhor que o Porto. E em grande parte do jogo foi muito melhor.

O Porto entrou à Porto, mas rapidamente o Benfica mostrou que é melhor. Logo aos 8 minutos, na primeira vez que contrariou a entrada à Porto do adversário, e chegou à baliza adversária, criou a primeira e clara oportunidade de golo, desperdiçada por Seferovic.

Perceberam-se então as surpresas de Jorge Jesus na constituição da equipa. A entrada de Nuno Tavares,  para o lado esquerdo em simultâneo com Grimaldo, e a própria inclusão de Seferovic. Ambos tinham sido titulares, e jogado praticamente o tempo todo, no jogo da Taça, com o Estrela. E, diziam os entendidos, quem tinha feito esse jogo, não seria hoje titular.

Percebeu-se que o poder físico de Nuno Tavares era importante para enfrentar Marega. Que a capacidade técnica de Grimaldo era importante para jogar em zonas mais interiores, como se viu no golo. E que a profundidade que Seferovic pode dar ao jogo era também importante para esta partida.

Desta vez Jesus não inventou. Acertou.

A partir desse minuto 8 a superioridade do Benfica foi sempre clara, e poderia ter-lhe permitido chegar ao intervalo claramente na frente do marcador. Para além do golo de Grimaldo, muito bem construído, e logo aos 17 minutos, o Benfica dispôs ainda de mais três claras ocasiões de golo. Uma delas numa jogada extraordinária, com a bola a sair de Vlachodimos, a passar por vários jogadores e pelo campo todo, sem que os jogadores do Porto a cheirassem, e a acabar, rematada pelo Darwin, no poste da baliza de Marchesin, já depois do golo do empate do Porto.

Que tardou apenas 8 minutos relativamente ao golo do Benfica. Um daqueles golos que não se podem sofrer, numa das raras oportunidades do Porto, num erro colectivo, de total desconcentração - resultou de um lançamento da linha lateral - mas também individual. De Gilberto que, primeiro, é passarinho dentro da área face a Corona e, depois, fica deitado no chão, colocando Marega em jogo, o que lhe permitiu desviar para o poste, e  daí para a baliza, o remate de Taremi que ia para fora. 

Nem se percebe como é que o golo foi atribuído ao iraniano.

O Porto atrasou o regresso para a segunda parte, deixando a equipa do Benfica à espera no relvado. E percebeu-se que, face ao que se tinha passado na primeira parte, trazia ideias de empurrar o jogo para a quezília, variante em que se sente como peixe na água. O primeiro quarto de hora foi passado assim, no meio do lamaçal da quezília. E da fita, tão cara aos seus jogadores.

Começou a poder-se jogar futebol, e mesmo assim a espaços, aos 60 minutos. E o Benfica jogou-o sempre que pôde, sempre melhor. O jogo pedia então Waldshmidt, mas Jorge Jesus achou melhor fazer entrar Chiquinho, deixando o avançado alemão apenas para os últimos minutos. Talvez o seu maior erro neste jogo.

Pouco mais de dez minutos depois, o árbitro Luís Godinho, que assinalava faltas e faltinhas aos jgadores do Benfica, mas sempre mais condescendente com os do Porto, não viu (o que toda gente viu) que Taremi teve uma entrada sobre Otamendi para vermelho directo. Era tão evidente que não podia passar despercebida ao VAR, e o jogador do Porto lá foi para a rua. E o domínio do Benfica acentuou-se ainda mais, com Sérgio Conceição a reforçar a defesa e, acantonado lá atrás, a refinar o seu futebol de pontapé para a frente e a estratégia de queimar tempo.

O árbitro deu 8 minutos de compensação, que não compensou nem com um segundo, nem com as substituições que o treinador do Porto efectuou nesse período. E assim acabou num empate um jogo que o Benfica poderia ter ganho por larga margem.

O mesmo resultado que o Sporting alcançou com o Rio Ave, em Alvalade. Pelo que, para os três primeiros, ficou tudo na mesma. Mesmo que a exibição personalizada e competitiva do Benfica deixe entender que nada está na mesma. 

Acompanhe-nos

Pesquisar

 

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2026
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2025
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2024
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2023
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2022
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2021
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2020
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2019
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2018
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2017
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2016
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2015
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2014
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2013
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D
  183. 2012
  184. J
  185. F
  186. M
  187. A
  188. M
  189. J
  190. J
  191. A
  192. S
  193. O
  194. N
  195. D
  196. 2011
  197. J
  198. F
  199. M
  200. A
  201. M
  202. J
  203. J
  204. A
  205. S
  206. O
  207. N
  208. D
  209. 2010
  210. J
  211. F
  212. M
  213. A
  214. M
  215. J
  216. J
  217. A
  218. S
  219. O
  220. N
  221. D

Mais sobre mim

foto do autor

Google Analytics