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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Um clássico dentro do clássico

A expectativa dos benfiquistas em alargar a extraordinária série de vitórias no campeonato, e a ainda mais extraordinária sequência de vitórias fora de casa, e consequentemente a vantagem pontual na tabela classificativa, que praticamente garantiria o título, esbatia-se na degradação do nível exibicional da equipa que se vinha constatando desde o início deste ano, depois da paragem de Dezembro. Mas esbatia-se, acima de tudo, na sequência de golos sofridos nos úlltimos jogos. E esfumou-se na constituição da equipa, sem Cervi, hoje por hoje indispensável no equilíbrio defensivo da ala esquerda.

Por isso o Benfica nunca esteve perto de responder afirmativamente a essa expectativa. Mas poderia não ter perdido este clássico, e pelo menos ter saído hoje do Dragão com a mesma confortável vantagem dos sete pontos com que entrara.

Mas não aconteceu assim e o Benfica perdeu o jogo. Perdeu porque está longe do seu melhor. Porque quase todos os jogadores estão muito abaixo da forma técnica que evidenciavam há mês e meio. Porque, mantendo-se os problemas de organização defensiva, em particular no lado esquerdo, Bruno Lage prescindira de Cervi, que é uma espécie de paracetamol para esse problema. E porque não conseguiu igualar a agressividade competitiva do adversário, perdendo praticamente todas as bolas divididas, quase todos os ressaltos e quase sempre as segundas bolas. 

Mas o jogo não se pode resumir nestas justificações. Tudo isso se passou e influenciou o resultado final, mas o jogo teve mais que contar.

Até pareceu que o Benfica entrou bem no jogo, trocando a bola e fazendo-a circular com rigor e competência. Só que isso durou três ou quatro minutos, e depois a equipa permitiu que o Porto agarrasse o jogo, e chegasse ao golo logo aos 10 minutos. Um golo feliz, já que o remate de Sérgio Oliveira saiu nas orelhas da bola e tornou-se indefensável para Vlachodimos.

O Benfica reagiu bem ao golo, voltou para cima do jogo e oito minutos depois chegou ao empate, por Vinícius, depois de uma excelente jogada de futebol, que teve pelo meio um grande remate de cabeça de Chiquinho e uma grande defesa de Marchesin. Antes, o mesmo Chiquinho já tinha desperdiçado outra oportunidade, que fizera lembrar as circunstâncias do golo do Porto. A diferença foi que a bola espirrou em Pepe, e desviou para as mãos do guarda-redes.

Chegado tão rapidamente ao empate, o  Benfica voltou a entregar o jogo ao Porto. Que voltou a ser feliz, fazendo dois golos em cinco minutos, mesmo no final da primeira parte. Primeiro, o segundo, num penalti de "bola na mão" de Ferro, quando o penalti é para penalizar a "mão na bola". E logo a seguir, o terceiro, num auto-golo de Rúben Dias, em que a bola até nem iria para a baliza se não fosse a infeliz intervenção de Vlachodimos.

Sim, faltou sorte ao Benfica nos três golos sofridos. Mesmo que se possa admitir que o Porto tenha feito por merecer a que lhe calhou.

O Benfica voltou a entrar bem na segunda parte, e a mandar no jogo. Cinco minutos bastaram para Vinícius marcar o segundo, e relançar a discussão do resultado, com mais de 40 minutos para jogar. Mas, mesmo que sempre melhor que na maioria da segunda parte, a equipa não conseguiu prolongar a qualidade desses cinco minutos iniciais.

Provavelmente porque Bruno Lage não terá tomado as melhores decisões nas substituições que foi obrigado a efectuar. E aqui terá que se falar de Soares Dias - um clássico dentro do clássico - o mais habilidoso dos árbitros habilidosos. Tão habilidoso que deixa sempre a ideia que arbitra bem quando, no fundo, influencia o jogo como quer. Hoje, para além do penalti - que não é pouco - foi com faltas e amarelos: um incrível amarelo a Taarabt (que, pela mão de Marega, sem falta nem amarelo, já tinha deixado uns dentes no relvado), a meio da primeira parte, repartido com Octávio, numa daquelas confusões em que o portista é especialista; outro logo a seguir a Weigl, com livre perigoso, numa circunstância em que nem sequer tocou no adversário (Corona mandou-se para o chão), outro para o Ferro, na "bola na mão" do penalti, e ainda outro a Vlachodimos sem que ninguém pecebesse por quê.

A partir daí, para além do condicionamento desses jogadores, centrais na cobertura defensiva, a pressão dos jogadores portistas e do público sobre qualquer falta, ou esboço disso, daqueles jogadores do Benfica foi em crescendo. Quando, por exemplo, Soares, já com amarelo, "mata" um slalom do Rafa, a sair para o ataque, com uma entrada às pernas do 27 sem dó nem piedade. E sem amarelo, o segundo.

Por isso as primeiras duas substituições de Bruno teriam obrigatoriamente que passar pelas saídas precisamente do marroquino e do alemão. Se a de Weigl, por Samaris, não mexeu na estrutura, a de Taarabt, por Seferovic, obrigou Chiquinho a baixar e desiquilibrou claramente a equipa.

Por último, com a lesão de André Almeida, num lace duvidoso dentro da área portista com Alex Telles, Bruno Lage decidiu trocá-lo pelo estreante Diego Souza, deixando a equipa com três pontas de lança ... e totalmente perdida em campo para o ataque final ao empate.

Assim, não!

E agora a liderança está presa por quatro pontos. Apenas dois empates. De que ninguém está livre nos catorze jogos que agora faltam. E o próximo é já com o Braga, de Rúben Amorim, com um futebol que parece geminado com o do Benfica. O do melhor. Escassos dias depois do de Famalicão, onde a equipa vai ter que dar tudo se quiser chegar à final do Jamor. Não é a mesma coisa que receber em casa o Académico de Viseu, até porque os famalicenses pouparam hoje todos os seus titulares, não se importando nada de ser  goleados (7-0) em casa pelo Vitória de Guimarães. 

 

O clássico confirmou um Benfica enorme

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Como se esperava - esta equipa é como o algodão, não engana - o Benfica foi ao Dragão confirmar que está, e que é, melhor que o Porto. 

Num grande jogo, intenso, muito disputado e na maior parte do tempo muito bem jogado, o Benfica foi enorme. A grande a expectativa para este jogo era a de saber como o Porto iria entrar. Se, aproveitando o ambiente do Dragão, iria entrar pressionante, a roubar todos os espaços ao Benfica e a disputar todas as bolas, e isso quereria dizer que acreditava que era melhor e que não temia o adversário. Não entrou assim, tentou apenas dividir o jogo, parecendo entender que isso seria correr riscos. E com isso mostrou receio do Benfica!

O Benfica entrou como tem entrado em todos os jogos, instalando logo no relvado do Dragão o seu futebol. E com isso apropriou-se  do melhor futebol que o jogo tinha para dar, e foi sempre superior. 

Nem o golo do Porto, logo aos 18 minutos e irregular - o Pepe, em fora de jogo, baixou-se para a bola seguir para dentro da baliza - , alterou os dados em que o jogo estava lançado. O Benfica já era superior, Casillas já tinha negado dois golos, e o árbitro Jorge de Sousa já tinha perdoado um penalti ao Porto, por falta clara sobre Pizzi, na área.

O empate, por João Félix, surgiu com toda a naturalidade apenas oito minutos depois do golo mentiroso do Porto. E os vinte minutos que tardaram até ao intervalo continuaram  a ser de clara superioridade técnica e táctica da equipa de Bruno Lage. Do Porto pouco mais se viu que pequenos detalhes, entre os quais o de Pepe fazer de Felipe um santinho...

A segunda parte não abriu em moldes muito diferentes, mesmo que o Porto começasse a mostrar que pretendia equilibrar a contenda. Aconteceu que a primeira oportunidade da segunda parte pertenceu ao Benfica, numa jogada de grande qualidade concluída por Rafa, já a imagem de marca desta equipa. Estavam jogados apenas sete minutos neste período complementar.

O Porto reagiu à desvantagem, é certo, mas sem nunca assegurar o domínio do jogo. Só verdadeiramente incomodou, e criou uma ou duas oportunidades, nos últimos 15 dos 94 minutos do jogo, quando Jorge de Sousa expulsou o melhor jogador em campo. Gabriel nunca tinha jogado com o Porto, e provavelmente não sabia que neste jogos a mínima distracção é a morte do artista. Reagiu à provocação do Octávio - quem havia de ser? - e foi para a rua. Coisa que não aconteceu, nme nunca aconteceria, a Alex Telles, a Pepe ou a Brahimi...

Bruno Lage ("agradeço aos jogadores que estão a fazer de mim treinador" - é a frase que vai marcar este campeonato) tratou bem do assunto: trocou Pizzi por Gedson, Rafa por Corchia, para dispôr de André Almeida no meio, e João Félix por Cervi para ajudar a fechar nas alas  Em inferiorodade numérica nos de 15 minutos, o Benfica mostrou que, com 10 ou com 11, é sempre uma verdadeira equipa.

Em nove jogos, o Benfica de Bruno Lage e dos seus miúdos, ganhou 9 pontos ao súper Porto do súper Sérgio Conceição. De 7 de atraso, a 2 de vantagem. À média de 1 ponto por jogo. Notável e fora de todas as cogitações há dois meses atrás!

 

(V)AR da sua graça

Polémica no Benfica-FC Porto: Pizzi empatou mas golo foi anulado por fora de jogo

 

Foi um grande jgo de futebol, este clássico em versão meias finais da Taça da Liga. E, se não foi uma grande exibição do Benfica, também não andou lá muito longe. 

Não lhe valeu de muito, porque não evitou a derrota, a primeira de Bruno Lage. Injusta, e tão mais injusta por ter sido ditada pela inaceitável anulação do segundo golo do Benfica, por um fora de jogo inexistente que o árbitro assistente assinalou sem qualquer motivo, e que o VAR não quis contrariar. Vá lá saber-se por quê.

Estava então a primeira parte no fim, e o jogo teria ido para intervalo empatado a dois golos. Que seria o resultado justo para uma primeira parte jogada a alto nível, com uma intensidade rara no futebol que se joga em Portugal, se outras anormalidades não tivessem acontecido.

Não foi assim, e a segunda parte iniciou-se mesmo com o Porto a ganhar. Nada que levasse os jogadores do Benfica a desistir de ganhar o jogo. Logo no arranque Seferovic, isolado e com o guarda-redes do Porto batido, podia ter refeito o empate, mas a bola acabou por sair a milímetros do poste direito. Pouco depois seria João Félix a fazer o mesmo, ainda dentro dos primeiros cinco minutos da segunda parte.

Não foi por falta de oportunidades de golo que o Benfica não ganhou o jogo. Na segunda parte esteve sempre por cima do Porto, que passou largos períodos em cima da sua área, onde aglomerou todos os seus jogadores. Depois, nos minutos finais, quando o Bruno Lage apostou tudo, porque não tinha outra coisa a fazer, uma perda de bola resultou num lançamento, ainda no meio campo do Porto, que permitiria ao recem entrado Fernando correr sozinho até à baliza de Svilar e fechar o resultado num mentiroso 1-3.

Mentiroso pelo jogo jogado e mentiroso porque a arbitragem lhe roubou a verdade. Carlos Xistra é já um clássico. E o VAR, que se estreou nesta competição com muito ar da sua graça fez o resto: tentou levar Carlos Xistra a anular o primeiro o golo do Benfica, vendo o que se não via, e não o contrariou na anulação do segundo, sem ter visto qualquer razão para o fora de jogo (porque ningué vê), nem conseguiu ver as faltas (no primeiro, falta clara de Oliver sobre Gabriel e, no segundo, de Marega sobre Grimaldo) que precederam os dois golos do Porto. 

Foi pena que alguns benfiquistas tenham abandonado a Pedreira antes do fim do jogo, porque os jogadores mereciam os aplausos de todos, e não apenas dos que ficaram. Porque este jogo não deixou razão nenhuma para abalar o trajecto que está a ser feito. Este resultado, e as suas circunstâncias, não podem pôr nada em causa! 

 

Reconquista - agora sim, faz todo o sentido!

 

Com esta alma e com este coração, reconquista é muito mais que um mero slogan motivacional. É um estado de alma, uma crença inquebrável. É a chama imensa que nos guia!

Comecei pelo fim, por onde podia terminar, mas é isto, este sentimento, o que mais se tira deste clássico, com a Catedral esgotada, ao rubro. 

Pela intensidade, pelas incidências, e até, aqui e ali pelo bom futebol, este foi um jogo que não defraudou as expectativas de um grande clássico. No entanto começou morno, e mais morno ainda pela parte do Benfica. Que nos primeiros dez minutos não se conseguiu superiorizar ao Porto, permitindo-lhe adquirir alguma confiança. Depois sim, aos poucos o Benfica foi-se superiorizando, mas sem daí tirar grandes dividendos.

Foi assim a primeira parte, com um bocadinho mais de Benfica. Mas a nota mais saliente deste período foi a epidemia de impunidade que tomou conta da equipa do Porto. Depois dos clássicos Felipe e Maxi Pereira, chegou a vez de Octávio. Fez tudo, sempre com impunidade absoluta. De tal forma que, quando no início da segunda parte viu finalmente o cartão amarelo, o Sérgio Conceição teve de o tirar do jogo.

O árbitro - desta vez, finalmente, não veio do Porto, mas o penichense Fábio Veríssimo não fez diferente - foi lesto a mostrar o amarelo a Grimaldo, na primeira oportunidade fez o mesmo a Lema, mas nunca usou do mesmo critério com os jogadores do Porto. Limitou-se a Casillas, que desde muito cedo mostrou que, para além de defender a sua baliza, como lhe competia, estava ali para queimar todo o tempo que o árbitro lhe permitisse. Teve, por isso, muita influência no jogo, mais ainda quando expulsou o central Lema (grande estreia, a mostrar que é bem melhor que o seu compatriota que tem sido a opção de Rui Vitória, e que nem falta cometeu) e quando, pouco depois, nem sequer assinalou falta numa entrada do Herrera, de sola, sobre o Rafa. Só porque - e não ser outra a conclusão - se o fizesse, teria de lhe mostrar o amarelo, que seria o segundo. Nunca usou de critério igual, fosse na punição técnica das faltas fosse na desciplinar. Nos últimos minutos do jogo sucederam-se as faltas atacantes na grande área do Benfica, sem que uma sequer fosse assinalada.

Nenhuma novidade, portanto, quando, no fim, Sérgio Conceição elogiou o trabalho do árbitro. Nenhuma novidade também na omissão do VAR. Tão comum como a expulsão de centrais do Benfica - três, em três jogos consecutivos - é os lances que prejudicam o Benfica estarem fora do protocolo do VAR. Aí está: o Lema foi expulso, mas ... por amarelo.

Arbitragem à parte, na segunda parte o jogo tornou-se mais vivo, mais intenso e bem melhor. Muito por acção do Benfica, que melhorou bastante e partiu à procura do golo e que, mesmo sem ter conseguido muitas oportunidades para isso, fez o suficiente para lá chegar. Por Seferovic, que desta vez não falhou. Aos 62 minutos o Estádio da Luz veio abaixo!

Ao contrário do que se poderia esperar, o Benfica não tirou o pé de cima do jogo. O segredo foi continuar a disputar cada lance como têm de ser discutidos, nunca ficando nada a dever àquilo que, nesse aspecto, são dados como atributos do Porto. Com o mesmo querer, e com o mesmo crer, os jogadores do Benfica foram, depois, sempre melhores.

Quando, com menos um, nos últimos 12 minutos, foi preciso, o Benfica uniu-se à volta de Rúben Dias, um grande campeão, e o grande capitão. A partir de hoje a braçadeira tem dono, entreguem-na quando quiserem. É ele o sucessor de Luisão!

E pronto, o Rui Vitória matou o borrego. Já não tem razão para acreditar em bruxas, e tem agora tudo para partir de peito feito para a reconquista!

Um clássico com várias caras

 

O Benfica entrou no clássico, no Dragão, personalizado, tranquílo e confiante. De tal forma que os primeiros cinco minutos foram praticamente jogados na grande área portista. Veio de resto daí a única oportunidade de golo da primeira parte, num remate de cabeça de Jonas, desviado atabalhoadamente pelo guarda-redes do Porto.

O Porto lançou mão do seu plano B, também conhecido por plano Champions, recolhendo-se lá atrás, para depois sair em contra-ataque, lançando os seus dois panzers - Marega e Aboubakar. Quando se vê o Sérgio Oliveira na equipa percebe-se logo que é esse o programa. A primeira meia hora foi assim, com o Benfica a dominar o jogo e o Porto a tentar sair, mas sem sucesso.

Nos últimos dez minutos o Porto passou a disputar o jogo no campo todo, e ganhou algum ascendente com isso, mesmo que não tivesse tirado daí grande coisa. O melhor que teve foi um remate de Herrera, muito bem defendido pelo Varela, mas já depois do lance estar invalidado, por um fora de jogo anterior.

Na segunda parte a história do jogo é outra. O Benfica até voltou a entrar melhor, mas foi sol de pouca dura. O Porto consolidou a alteração do plano de jogo - curiosamente é a substituição do Sérgio Oliveira pelo Octávio que dá expressão a essa alteração - e passou a disputar a bola sempre com grande pressão e intensidade. Foi meia hora de claro domínio portista, com o Benfica a ceder fisicamente e a perder quase todos os duelos.

As substituições de Pizzi, por Samaris, e de Cervi - também poderia ter sido Salvio - por Zivkovic foram eficazes, vieram foi tarde de mais. À entrada do último quarto de hora parecia que o Benfica tinha virado o jogo. Houve ali um período, logo a seguir à entrada de Zivkovic, em que voltou a ter bola, a dividir o jogo e a incomodar a defesa portista. Só que pouco depois, a 10 minutos dos 90, o árbitro Jorge de Sousa expulsou o sérvio, cinco mkinutos depois de ter entrado, e acabou com a reacção do Benfica. 

A expulsão, com dois amarelos em dois ou três minutos - o primeiro por se colocar à frente da bola na cobrança de um livre, e o segundo por agarrar um adversário, o quesilento Octávio -, pode até aceitar-se, o que não se aceita é a dualidade de critérios. Felipe, o central do Porto que deve estar abrangido por um protocolo qualquer que o torna impune, aos 10 minutos já não deveria estar em campo. Primeiro, uma entrada violenta por trás sobre Jonas ... e nada. Logo a seguir agarrou o mesmo Jonas, que lhe fugia para o ataque. E nada, de novo!

Com 10 (mais 4 de compensação) minutos pela frente, e a jogar com dez, o Benfica foi encostado lá atrás. Foi então tempo de sofrer, e de ter alguma sorte nas duas perdidas flagrantes do Marega. É claro que um jogador de outra não falharia aquelas duas bolas, mas não se pode ter tudo. Se tivesse a capacidade técnica para marcar aquelas bolas, com a força e a velocidade que tem, era um jogador de nível mundial. E toda a gente vê que não é.

Para além da dualidade de critérios em matéria disciplinar, a arbitragem de Jorge de Sousa teve outra falha: assinalou, mal, um fora de jogo ao Porto. Daí resultou uma grande defesa do Varela - que fantástica exibição! - já com o jogo parado. E depois dessa defesa, uma recarga que levou a bola para a baliza. O Porto fala em golo anulado. E em penaltis. Mas isso não é novidade, é o costume ... 

 

 

O clássico da "fezada" no dia das mentiras

 

Em dia das mentiras, no clássico a mentira foi o resultado. Tudo o resto foi verdade!

Foi verdade que o Benfica foi melhor. Foi melhor quando foi melhor, quer dizer, o melhor do Benfica foi melhor que o melhor do Porto. E foi melhor durante muito mais tempo. Foi melhor porque teve muito mais domínio, e foi melhor em todas as variáveis que medem o jogo. E criou muito mais oportunidades de golo!

É esta verdade que faz a mentira do resultado. Só e apenas!

Foi verdade - é verdade - que o Porto festejou o empate como se fosse uma vitória que lhe desse o título. Mas a verdade é que não se percebe por quê. A única explicação é o alívio por não terem perdido o jogo!

Em matéria de festejos, nota máxima para Maxi Pereira. É verdade que, por respeito ao passado, há jogadores que não festejam os golos quando marcam aos seus antigos clubes. Maxi não é dado a esses sentimentos: festejou o golo que marcou, festejou os golos que Casillas negou, e festejou como ninguém o empate. E fez muito bem!

Os inusitados festejos do Porto, a terem explicação, trazem-nos à memória a época passada. O Benfica também estava a um ponto do Sporting, e à  partida para o jogo de Alvalade não havia benfiquista que não considerasse que o empate, nesse jogo, seria um bom resultado. Acreditavam no calendário, e o do Benfica era teoricamente bem mais fácil que o do Sporting. Que, recordo, teria de jogar no Dragão e em Braga. Provou-se que, tivesse o Benfica logrado o tal empate que era bom resultado, e não teria sido campeão. Porque, e faltavam então muito mais jogos que agora, nem um nem outro desperdiçaram um ponto que fosse.

Independentemente das verdades e das mentiras este jogo foi um bom espectáculo de futebol. Bem jogado, num estádio bonito e cheio que nem um ovo. O Porto mostrou algum medo, ao contrário do que vinha apregoando. Reforçou o meio campo, e como só podem jogar onze, jogou com um único ponta de lança, deixando o André Silva no banco. E quando entrou foi para Soares sair. Não admirou por isso que o Benfica tenha entrado dominador, e chegado bem cedo ao golo, na transformação de um penalti - indiscutível e indiscutido - assinalado logo aos cinco minutos.

O golo obrigou o Porto a alterar as ideias. E conseguiu reagir, equilibrando o jogo a partir do equlíbrio na disputa da bola, sempre com muito recurso à falta. O primeiro remate do Porto só chegou perto da meia hora, e o Benfica nunca perdeu o controlo do jogo.

Não deu para perceber se o Porto entrou melhor na segunda parte. Pela simples razão que o Benfica entrou desastradamente. Foram três minutos inacreditáveis, em que o Benfica não acertou um passe. Foram apenas três minutos, é certo. Mas foram o suficiente para sofrer o golo do empate. Um golo inacreditável, como inacreditáveis foram aqueles primeiros três minutos. Que o Benfica pagou bem caro!

Depois, de imediato, o Benfica voltou à mó de cima e partiu para uns restantes 42 minutos de muito bom nível. Com uma equipa a querer ganhar e a outra a não querer mais que não perder. Com uma equipa a somar oportunidades de golo e a outra a somar entradas duras para parar os adversários.

Os golos é que não voltaram. Porque Casillas repetiu a exibição do ano passado, porque Luisão - mais uma grande exibição do velho capitão - , Jonas, Pizzi e Mitroglou foram perdulários, e porque, quando não era nem uma coisa nem outra, lá esteve a pontinha de sorte. Que faz parte do jogo!

E no fim o Porto fez a festa.... Quando continua em segundo e já não depende de si próprio. Mas lá que há lá fezada, há!

 

O futebol é isto mesmo...

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O futebol é isto mesmo - diz em futebolês. Não sei se é isto mesmo, sei é que tem muito disto.

O Benfica estava imparável. O Porto de rastos. O Benfica respirava confiança, o Porto desconfiava até da própria sombra. O Benfica, para além de vir a jogar muito bem, evidenciava uma notável eficácia na hora de atirar ao golo. O Porto, mesmo não jogando muito bem, criava muitas oportunidades mas aproveitava poucas.

O início do jogo mostrou bem qual era o ponto de partida de cada uma das equipas. Bem por cima, e com o Porto amedrontado, o Benfica chegou cedo ao golo. Diz-se que, nos clássicos, marcar primeiro é um trunfo forte e, ao fazê-lo, o Benfica ficou com tudo para ganhar o clássico, e enterrrar de vez as aspirações do Porto neste campeonato.

Só que - lá está - o futebol tem muito disto. Na primeira vez que remata à baliza, num remate muito facilitado e onde, depois, Júlio César não fez tudo o que se exegia, o Porto empatou. Nada que assustasse ninguém, a superioridade do Benfica era evidente, mesmo que aquele golo tivesse ressuscitado os jogadores do Porto. E as oportunidades de golo iam-se sucedendo, todas para o lado do Benfica. No fim, contam-se dez!

Não me lembro de um clássico tão desnivelado, e com tantas oportunidades de golo. Só que o invulgar nível de desperdício do Benfica, e a memorável exibição de Casillas, que negou cinco golos em outras tantas defesas soberbas, não permitiram que o resultado traduzisse a enorme superioridade do Benfica neste jogo. 

E vem ao de cima outra velha máxima do futebolês: quem não marca sofre. E lá está outra vez: o futebol tem disto, e foi o Porto a fazer o segundo golo na terceira oportunidade que criou. A segunda tinha acontecido pouco antes, no mesmíssimo contexto de jogo.

E aí o jogo acabou. Os jogadores do Benfica sentiram a injustiça do resultado, e com o desperdício de mais duas oportunidades logo de seguida, deixaram de acreditar. Ao contrário do também habitual, as substituições correram todas mal. A de Salvio, mais do que à procura do milagre, foi apenas para puxar pelos adeptos na expectativa que fossem eles a levantar a equipa para o assalto final.

Nada resultou. Espero que não fiquem marcas. Nem dúvidas na cabeça dos jogadores. Nem na dos adeptos. Não adianta lembrar que com esta derrota o Benfica já só pode aspirar a fazer 25% dos pontos em disputa com os rivais na disputa do disputa do título. Todos os jogos têm a sua história, e essa é apenas a dos números!

Há clássicos a feijões?

Por Eduardo Louro

 

 

Quase não parecia, mas hoje foi dia de clássico. Um clássico, por definição, nunca é a feijões, tem sempre qualquer coisa em jogo. Mas este de hoje teria certamente sido o mais a feijões dos clássicos a feijões.

Para o Benfica, mesmo assim, estavam duas coisas em causa. Em primeiro lugar, marcar, para não interromper uma série enormíssima de jogos consecutivos sempre a fazer golos. E, em segundo, prolongar também a série de jogos sem derrota. Tinha perdido no primeiro jogo, não conseguiu evitar que voltasse a perder no último…

Mesmo a feijões, e mesmo perdendo, o Benfica fez uma exibição agradável, em especial na segunda parte. Creio que não poderei ser acusado de parcialidade se disser que os melhores nacos de futebol que o clássico apresentou foram servidos pelo Benfica, na segunda parte. Na primeira foi notória a superioridade do Porto, alimentada por um golo logo à entrada - com o guarda-redes Paulo Lopes mal batido -, que não pela juventude e pela novidade da equipa que, como se esperava, Jorge Jesus apresentou.

Aos poucos o Benfica foi equilibrando o jogo, até passar para cima na segunda parte. Chegou ao empate na primeira jogada que criou com real perigo, que culminou num inédito penalti a favor no Dragão. Que só não quis dizer que também o árbitro Rui Costa já estaria a ser atingido pelos ventos de mudança que parece começarem a soprar porque pouco depois repôs tudo, inventando o penalti que definiria a vitória portista. De resto, ao não expulsar o Alex Sandro depois de uma inqualificável entrada – mais agressão que entrada violenta – sobre o Sálvio, e ao ver algumas curvas na linha (recta) final do Benfica, acaba por nos deixar perceber que, desses ventos de mudança, o árbitro do Porto não terá sentido mais que um simples bafo.

Durante toda a segunda parte se esperou que o golo acabasse por surgir, na sequência das muitas boas jogadas que se iam sucedendo. O Duricic esteve por duas vezes bem perto do golo, negado numa delas pela trave, e o resultado acabaria como acabara na primeira parte. Curiosamente o mesmo da primeira jornada. E do tal, de há um ano atrás...

Ainda bem que o Benfica ganhou ao Rio Ave na final da Taça da Liga. Não fosse isso e já hoje toda a gente diria que o Benfica não ganhava há três jogos… E sei lá se não começam por aí a dizer que só ganhou um dos últimos quatro!

"SÓ OS BURROS É QUE FALAM DE ARBITRAGEM"

Por Eduardo Louro

 

Esperei… esperei… Já passaram mais de 15 horas e nada. Nenhuma reacção. A máquina – altamente lubrificada, sempre operacional e tão rápida e eficaz a reagir, a que nem sequer uma suposta gafe de trinta segundos escapa – engasgou!

Ficou sem capacidade de resposta… Gripou!

Não. Não foi Luís Filipe Vieira que calou Pinto da Costa. Foi Pinto da Costa que se calou a si próprio: “pela boca morre o peixe”!

O presidente do Benfica limitou-se a usar a memória. Mesmo a recente. A lembrar… Coisa que mais ninguém faz e de que, pelos vistos, o vitalício presidente do Porto não gosta muito!

Penso eu de que… Sim, porque falar de arbitragens é ridículo e estúpido!

 

GRANDE JOGO. E DIGNO...

Por Eduardo Louro

 

Meia hora diabólica – com quatro golos em sete minutos, entre os 8 e os 15 – e, depois, um último quarto de hora de controlo. Do jogo e das emoções. Foi assim a primeira parte deste clássico.

E foi quase ao contrário na segunda: só no último quarto de hora regressou algum frenesim ao jogo. Foi tempo do Benfica procurar o golo – o jogo teve uma única oportunidade clara de golo, aos 77 minutos, com Cardozo, isolado, a permitir que o Helton desviasse a bola, que seguiria para o poste e deste para a linha final pelo lado de fora da baliza – e do Porto defender o empate e a fechar a porta, fazendo entrar mais um defesa e passando a jogar com três centrais.

Enquanto foi jogado em alta intensidade, com ambas as equipas a marcarem alto, logo à saída da defesa contrária, o jogo não foi sempre bem jogado. Foi sempre emotivo mas nem sempre teve alta qualidade.

E confesso que se notou mais a falta da qualidade do jogo do Benfica. Porque sendo maior nota-se mais, e porque o Porto esteve mais perto do seu padrão qualitativo. No entanto e curiosamente os dois golos do Benfica resultam de jogadas de construídas com grande qualidade de jogo, enquanto os dois do Porto são fortuitos. O segundo, então, apenas acontece porque é uma imperdoável oferta do Artur.

De resto as equipas foram dignas uma da outra, e mostraram pertencer, em Portugal, a outra galáxia. Apetece dizer que não perdem com ninguém. Nem entre elas …

O treinador do Porto, Vítor Pereira, é que uma vez mais não foi digno, nem do jogo nem das equipas. E mais não digo…

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