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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Coisas intragáveis

Por Eduardo Louro

 

Legisla-se por tudo e por nada. E para tudo e para nada, engordando a burocracia e o funcionalismo, cada vez mais zeloso da coisa. Nascem e crescem interesses ilegítimos, que alimentam poderes obscuros. Que tecem as teias que capturam nobres iniciativas e se enchem de boas intenções.

Algumas (iniciativas) fogem da teia e avançam. Dê por onde der, e já que estão na clandestinidade, não encontram limites nem barreiras. Acabam a crescer à margem de tudo, e ao arrepio do interesse colectivo. Justamente do que as leis, a burocracia e os funcionários zelosos, em vão, se dizem guardiões…

É sempre assim. O Estado penaliza sempre os que se dispõem a cumprir … E acaba sempre por beneficiar quem não hesita em passar ao lado das dificuldades que ele próprio cria. Acaba sempre por regularizar o irregular, sempre em benefício do infractor… 

É também disto, ou fundamentalmente disto, que se faz o endémico atraso do país…

COISAS INTRAGÁVEIS IX

Por Eduardo Louro

                                                                      

Ouvir o comentário do editor de economia da RTP - Paulo Ferreira de seu nome – é de arrepiar. Acabei de o ouvir na Antena 1, pouco depois das 8 da manhã, e ainda estou de pêlos em pé!

Compreende-se – e é até desejável – que, particularmente na comunicação para o grande público, como é o caso do auditório da Antena 1 e da RTP, se utilize uma linguagem simples e aberta, longe dos palavrões do economês. Mas uma coisa é utilizar linguagem simples, que toda a gente perceba. Outra, como é o caso, é a completa ausência de rigor, a total subversão dos conceitos, a distorção da realidade e o atropelo à inteligência do público que o ouve.

Explicar, como hoje o fez, a propósito das taxas de juro negativas de que a Alemanha está a usufruir, que os credores lhe emprestam hoje 1000 para virem a receber 900 no final do período, sem sequer falar de inflação é, mais que simplificar, enganar. Acrescentar que é como as pessoas não quererem ter o dinheiro debaixo do colchão e estarem dispostas a pagar para o guardar num cofre seguro, é, mais que simplificar, distorcer

Uma falta de rigor inaceitável!

COISAS INTRAGÁVEIS XII

Por Eduardo Louro

                                                                      

A Alemanha está a financiar-se a taxas de juro negativas.

É verdade, os credores ainda pagam para lhes emprestar dinheiro! Pedem-lhes por favor para lhes guardarem o dinheiro, que não querem guardar debaixo do colchão.

Ainda há alguém à espera que a Srª Merkel seja a chave da solução? Se há, bem pode esperar sentado…

Mas isto também se paga. Ai paga, paga!

COISAS INTRAGÁVEIS XI

Por Eduardo Louro

                                                    Correio da Manhã                  

O Bispo D. Januário Torgal Ferreira fez críticas ao governo. Não é a primeira vez que altas figuras da Igreja o fazem, isso sucede de quando em vez. Eventualmente menos vezes do que se justificaria!

É natural que a guarda pretoriana de Passos Coelho e Vítor Gaspar não goste. Que a Maria João Avilez, a Helena Matos e mais uns quantos saltem violentamente sobre o Bispo é natural e, evidentemente, aceitável. A sua liberdade de expressão é exactamente a mesma do Bispo. Que seja usada com exagero de decibéis e de veemência é lá com eles. Não é por isso que passam a ter razão, e muito menos que as coisas deixam de ser o que são.

Mas fazer isto que faz o Correio da Manhã é desprezível: ir vasculhar a pensão do Bispo e fazer disso primeira página não é argumento. Nem liberdade de expressão! 

COISAS INTRAGÁVEIS VIII

Por Eduardo Louro

 

Para o que lhes havia de dar! Uma marca Salazar… 

Não sei se isto é mau gosto, se é saloiice ou parvoíce. Não sei se isto é ignorância ou chico-espertismo.

Sei que deixou este país muito marcado, não precisa de deixar mais marcas.

Mas, se insistirem, aqui fica uma sugestão para o rótulo...

Não é lá muito sugestivo? Pois... a ideia também não!


 

COISAS INTRAGÁVEIS VII

Por Eduardo Louro

 

Álvaro Santos Pereira - o ainda ministro da economia mas já ex-superministro da economia – está na berlinda de onde apenas sairá, já se percebeu, quando regressar a Vancouver.

E aqui abro um parêntesis para uma notícia que, a exemplo da que circulou ontem por todo o lado com a sua demissão, não é notícia. Mas que será quando o for! Regressar ao local de onde veio quando se deixa de ser ministro não é comum neste país. Em Portugal, quando se deixa de ser ministro, vai-se para um banco ou para uma das grandes empresas das que vivem directa ou indirectamente à conta do Estado. E por isso é notícia. Há-de ser, não tenho dúvidas!

Um a zero, para o Álvaro!

Quando o governo foi apresentado, como por aqui já referi várias vezes, a opinião pública reagiu de uma maneira geral favoravelmente. O ponto era que havia muita gente vinda de fora da política. Gente nova e sem experiência política não era tido como negativo, antes pelo contrário! Álvaro Santos Pereira – com um super ministério – e Vítor Gaspar – por força da força das Finanças, muito maior dadas as circunstâncias - eram as estrelas.

O ministro da economia, é certo, teve as suas gafes. Faltou-lhe o que sobra aos políticos: matreirice e capacidade de comunicação. E nunca lhe conseguiu vestir a pele o que o diminuiu perante os seus pares e, especialmente, perante o implacável poder dos media. Foi aos poucos sendo trucidado, autêntica vítima de bulling!

O ministro das finanças, ao invés, vestiu o fato de político, que lhe assentou como se há muito lhe tivesse sido moldado. Feito à medida! Rapidamente aprendeu os truques da matreirice e da manipulação, que passou a manejar como um mestre. Nem a sua desajeitada forma de comunicação constitui óbice. Antes pelo contrário, fez dessa ameaça uma oportunidade, transformando aquela forma pausada e martelada de comunicar num must.

E a sua popularidade subiu em flecha. Todos os inquéritos de opinião o colocam no topo das preferências dos portugueses, ao contrário do que seria natural nestas circunstâncias. O ministro que é a cara primeira da austeridade, e de mais austeridade, dos impostos insuportáveis, dos cortes nos serviços públicos e do orçamento que não se cumpre, está em alta na opinião dos portugueses. Surreal!

De super ministro, Álvaro Santos Pereira passou a subministro, processo que culminou com a recente transferência da responsabilidade de execução do QREN para Vítor Gaspar entretanto, mais que super ministro, o verdadeiro primeiro-ministro. E, de facto, o grande responsável pelo processo de achincalhamento em curso (PRAC), que passa já as fronteiras da dignidade, de Álvaro Santos Pereira. Consta que logo nos primeiros meses do governo, perante uma exposição do ministro da economia em conselho de ministros, Vítor Gaspar terá secamente cortado: “não há dinheiro”. Tendo Álvaro Santos Pereira retomado a sua exposição, dinamitou: “qual das três palavras não percebeu”?

Claro que se percebe que fazer de Álvaro Santos Pereira o bobo da corte dá muito jeito ao novo primeiro-ministro em funções. Claro que retirar-lhe o QREN, com o que minimamente poderia intervir na economia, poderá dar um jeitão quando a execução orçamental começa a rebentar por todos os lados, a começar pela receita.

E assim se enterra o Álvaro e se põe o Vítor no pedestal. A quem tudo se perdoa. Imaginem o que se não teria dito se, entre outras preciosidades naquela visita a Manteigas, este título do DN de domingo, tivesse sido atribuído ao Álvaro? Mas, como foi o Vítor, no pasa nada

Já agora, francamente: se tivesse que comprar um carro usado a um deles, a quem compraria o leitor o carro?

Arrisco: dois a zero para o Álvaro!

COISAS INTRAGÁVEIS VI

Por Eduardo Louro

 

Os hospitais têm os armazéns vazios. Tão vazios quanto os cofres de boa parte dos seus fornecedores!

Os cortes de fornecimento sucedem-se, uns atrás dos outros, e estendem-se a quase todos os hospitais. O Hospital Garcia de Orta foi pedir compressas emprestadas ao Hospital Amadora-Sintra, como uma vizinha pedia a outra um raminho de salsa ou um pacotinho de açúcar porque já tinha o tacho ao lume quando deu pela falta. Se tivesse dado, ou à segunda vez que dê pela falta, já não teria lata para pedir à vizinha e não chegaria a pôr o tacho no lume, isto se ainda tivesse gás para o acender…

Estão a morrer no nosso país mais 500 pessoas por semana. Começo a ter muita dificuldade em separar este dado daquelas dificuldades. Quero dizer, quer-me parecer que, como a vizinha naquela condição de reincidência, começa a morrer gente porque já se está a deixar de pôr o tacho ao lume!

Também as esquadras de polícia, sem carros para fazer as suas patrulhas, irremediavelmente parados por falta de manutenção – alguns mesmo parados a arder – quando não mesmo de combustível, vão bater à porta da vizinha a pedir um chaço emprestado. Se lá tiverem um que ainda ande!

Nos Estaleiros Navais de Viana do Castelo umas centenas de trabalhadores estão sem trabalhar vai para um ano. Não, não estão em greve: estão lá todos os dias para trabalhar mas não têm trabalho para fazer. Há encomendas – algumas, as da Venezuela, talvez não sejam das mais fiáveis - mas há outras, incluindo para o mercado interno. Mas não há aço para arrancar com a produção. Claro que há aço, não há é dinheiro para o comprar. Nem vizinha a quem pedir uma pitadinha!

Nos Estaleiros Navais de Alfeite passa-se mais ou menos a mesma coisa: seis centenas de trabalhadores comparecem todos os dias para trabalhar, mas não há trabalho. Não há barcos para reparar!

Mas aqui há uma vizinha: a Marinha Portuguesa, que tem lá a corveta João Roby, há muito a precisar de reparação. Que o governo, numa decisão certamente difícil de tomar, acaba de autorizar. Decidir entre a pagar os salários aos trabalhadores sem fazer nada, e pagar-lhes o mesmo para reparar um barco da Marinha que precisa de ser reparado, é muito difícil …

Os Estaleiros Navais de Viana do Castelo e os Estaleiros Navais de Alfeite integram-se na EMPORDEF, a holding do Estado para as indústrias de defesa que não ata nem desata.

Muitos outros exemplos se poderiam dar do deprimente estado do país. Mais deprimente só ver o governo entretido a tirar o QREN ao Álvaro para o entregar ao Vítor. E ver o Álvaro deprimido e amuado a não querer brincar mais. A ameaçar ir embora, mesmo não sendo o dono da bola!

 

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