COISAS QUE IRRITAM
Por Eduardo Louro
Passos Coelho e Miguel Relvas foram ontem, uma vez mais, objecto de apupos e de manifestações hostis. O primeiro-ministro, em Aveiro, onde se deslocou para participar numa conferência da “Global Compact Network”, e o seu ministro mais que tudo, em Gaia, onde o objecto da deslocação era a participação num encontro de um Clube dos Pensadores.
Acredito que a participação destes dois principais responsáveis do PSD e do governo seja importante para os organizadores daquelas conferências. Se não o fosse não os convidariam. Já para os próprios, não vejo, nesta altura do campeonato, qualquer ponta de interesse. Antes pelo contrário!
Mas, se vão, é porque certamente vêm algum interesse. E é isso que é preocupante, porque confirma o seu total afastamento da realidade do país. De Relvas já sabíamos que simplesmente não se enxerga. Acha que bastou passar três ou quatro meses em hibernação para regressar ao seu papel de eminência parda como se nada se tivesse passado. Depois, ambos - um e outro – estão-se nas tintas para o país, no conforto da presunção de que não têm que prestar contas a ninguém. Que se lixem as eleições!
Ninguém sabe – nem quer saber – o que é que Passos Coelho foi fazer a Aveiro. Ninguém sabe de que é que a conferência tratou, nem sequer o que é isso da “Global Compact Network”. A notícia são os protestos… A notícia é que Passos Coelho fugiu dos manifestantes!
Ninguém sabe o que é que Miguel Relvas foi fazer a Gaia. Nem o que é o Clube dos Pensadores. O que se sabe é que se cantou Grândola Vila Morena. O que se sabe é que ele, sem sentido de ridículo, tentou acompanhar o cântico. O que se sabe é que foi chamado de fascista, e que o pensador moderador da mesa se irritou profundamente… Provavelmente por não ter pensado que o pensamento de Relvas é a coisa que hoje mais irrita o pensamento dos portugueses!