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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Diálogos curtos

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- O Verão já chegou, e hoje é o maior dia do ano.

- Então? E é por isso que o gasóleo vai aumentar?

- Não, não. Os jornais dizem que "fontes do sector" explicam que os mercados internacionais ficaram hoje muito nervosos quando viram o Trump a gritar: "agarrem-me se não eu vou-me ao Irão"...

- Ah... Percebo... As "fontes do sector" gostam de levar depressa as más notícias às bombas de gasolina...

 

 

O país numa selfie

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Dificilmente encontraremos melhores fotografias do país que somos que estas que desde ontem podemos captar nas imediações dos postos de abastecimento de combustíveis. Se olharmos com atenção, no caos que se instalou nas bombas de gasolina estão lá as imagens do país que vivemos.

Uma greve convocada por um sindicato com três ou quatro meses de vida, com um universo de 800 associados, na leva de um novo sindicalismo que passa ao lado das velhas estruturas, ou a imagem que mostra com toda a nitidez que, para garantir paz social, hoje, ao governo, já não basta ter o PCP no bolso. Sim, há profissões com 800 profissionais que contam. Que podem parar o país, e ninguém sabia disso.

Profissionais com salários de 650 euros mensais. Que chegam aos 1.400 ou 1.500 líquidos, dizem os respectivos patrões. O triplo do vencimento base, por força dos subsídios de refeição, dois por dia, porque a tanto o obrigam as horas que se esticam pela jornada de trabalho, dos subsídios de risco, e todo o tipo de ajudas de custo geridas à medida de cada um, na imagem de um país "uberizado".

A imagem de um governo de calças na mão, à beira de eleições, a perguntar pelo que mais lhe irá acontecer...

E finalmente a imagem do velho espírito tuga, captado no seu melhor num dos infinitos directos das televisões: "já estive ontem na fila e atestei, mas como ontem ainda acabei por gastar uns 20 euros, hoje venho atestar outra vez"...  

 

 

 

Só nos faltava esta: subirem o preço dos combustíveis em dois dias seguidos!

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Quem, ontem, chegou a um posto de abastecimento de combustíveis e olhou para o preço na bomba, notou que aquilo tinha dado mais um grande pulo. Quem se tivesse limitado à constação e abafado o desabafo, lembrava-se da passagem de ano, uma horas atrás, apontava o dedo para Orçamento Geral do Estado e seguia em frente. Quem se fizesse de desentendido e não resistisse ao desabafo acabaria por ouvir:"e amanhã há mais, e ainda vai ser pior"... E lembrava-se então que hoje é segunda-feira, que já não é só o primeiro dia da semana, é o dia em que o cartel dos combustíveis lhes aumenta o preço...

 

 

 

Medo

 

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A decisão do governo de baixar, por via dos impostos, o preço do gasóleo para as transportadoras nos postos de abastecimento fronteiriços - deixando desde já o anúncio Imagem relacionadaque a ideia será aplicá-la à totalidade do território no espaço de um ano - poderá até ter alguma racionalidade orçamental, no plano da receita fiscal. Não tem é nenhuma racionalidade económica... E é, politicamente, um monstro. 

Sustenta-se no medo. E o medo não é apenas mau conselheiro: é o epicentro da implosão do poder!

 

Coisas parvas

 

O  ministro Caldeira Cabral veio agora desculpar-se da recomendação que deixara aos portugueses para que que se abstivessem de abastecer combustível em Espanha. Não percebe a indignação - diz ele - porque não acusou ninguém de falta de patriotismo, de menos amor à pátria ou de menor fervor nacionalista. 

Mas o que afinal não percebe, e o que é grave que não perceba, é que a única coisa que indignou os portugueses foi mesmo a parvoíce da coisa. E que, com esta emenda, deixou o soneto ainda mais parvo!

E pronto...

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... Chegou a vez do PI. Hoje é o dia do PI, daquele número que nunca mais acaba a que, para facilitar, arranjamos  um diminutivo. Nada de Pizinho, e muito menos Pilinho (masculino, e não o feminino que é sinal de masculino) : simplesmente 3,14!

Hoje podia ser o dia em que os combustíveis voltam a subir. Mas não é, até porque é já a terceira vez que sobem em apenas um mês. Ou o dia em que os portugueses se riem da anedota do ministro Caldeira Cabral, e correm para a fronteira a atestar o depósito, deixando por lá mais um milhão de euros em impostos. Mas também não é, porque isso acontece todos os dias. Todos os dias os portugueses vão a Espanha buscar gasolina - e gasóleo - e lá deixar um mihão de euros em impostos, que estranhamente parece preocupar mais o ministro da economia que o das finanças.

Mas não é. Hoje ó dia do PI. E a verdade é que sem ele - sem o PI, que não o dia, que esse não faz falta para coisa nenhuma - não conseguiríamos calcular a área do círculo. Nem a dimensão de muitos buracos. Pelo menos dos redondos...

Repor, o mesmo que recuperar...*

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Sempre nos fez muita confusão esta coisa dos preços dos combustíveis. Sempre suspeitamos de coisas estranhas: de cartelização de preços, de falta de transparência. De nos estarem constantemente a ir ao bolso...

Claro que, depois, haveria sempre de surgir qualquer coisa que nos tranquilizasse. Isto não é uma república das bananas nas mãos dos senhores das petrolíferas. Primeiro, e a bem da transparência, vieram uns painéis nas auto estradas com os preços afixados. Eram todos iguaizinhos, mas isso é concorrência. Da melhor... Depois vinha sempre um senhor explicar o pricing da coisa, que dava sempre as contas por certas. Por acaso era um senhor da respectiva associação empresarial, mas isso decorria certamente da complexidade do tema, que obrigava a recorrer a um verdadeiro especialista na coisa. E para explicar a coisa nada melhor que o dono da coisa.

Mesmo assim, depois de tantas vezes explicado que as petrolíferas não tinham nada a ver com os escandalosos preços que víamos estampados nas bombas de gasolina, ninguém percebia como é esses preços não caíam mais que uns meros 10% quando o preço do barril de petróleo caiu dos 130 para os 25 dólares. Há uns dias atrás, um senhor que também sabe muito de petróleo - e não só, até porque é um engenheiro economista -, Mira Amaral, explicava que as petrolíferas estavam a aproveitar os preços do petróleo para repôr margens. Decifrada a linguagem, percebemos que não andavamos muito enganados quando desconfiavamos que eles estavam a ir com toda a força aos nossos bolsos para encherem pornograficamente os deles. 

Ontem soubemos que em 2015 a Galp aumentou os lucros em 71,5%, de 373 para 639 milhões de euros. Ora aí está, concluirá apressadamente o leitor. Enganou-se, não é nada disso: este crescimento de lucros só foi possível - para além dos enormíssimos méritos dos seus gestores, que por isso irão moderadamente receber os mais que justíssimos prémios - graças ao aumento da produção de petróleo e gás natural no Brasil (mérito, muito mérito outra vez para os gestores, que conseguem que corra bem onde tudo corre mal). E claro, mas em muito menor expressão, pela "recuperação das margens de refinação europeias", que Mira Amaral já avisara. Repôr, dizia este. Recuperar, dia a administração da Galp. Nós, sempre distraídos, é que nunca tivemos oportunidade de perceber onde tinham perdido o que agora repuseram. Ou recuperaram...

Se calhar perderam-no num dos muitos aumentos dos impostos a que todos os governos têm lançado mão... Como agora, mais uma vez. Dizem-me aqui que não, que o presidente da Galp já veio dizer que ninguém pode contar com isso. Que impostos, são impostos. Têm mesmo de ser repercutidos no consumidor...

 

* Eu sei que o título é malandro

 

O esboço dos esboços

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Não passa de um esboço o esboço que temos do esboço do Orçamento. Tudo em draft, nada de difinitivo porque isto de quadrar o círculo é sempre muito "não me comprometam".

Diz-se que hoje teremos mais notícias. Vamos aguardar.... Para já sabe-se que, para Bruxelas ver, o défice será de 2,6 e não dos 2,8% das contas do governo. E que também o crescimento económico se retraiu dos dificilmente imagináveis 2,4% para os pouco menos inimagináveis 2,1.

Temos portanto menos crescimento, e por isso menos receita e, ao mesmo tempo, menos cerca de 400 milhões de euros de défice  Só a despesa é a mesma!

Parece que o governo quer resolver esta equação de difícil solução com os combustíveis, e deve ser isto que Mário Centeno acabará ainda hoje por dizer. Se,  com o petróleo a 25 ou a 100 dólares, os preços dos combustíveis são os mesmos, ao menos que dê para baixar o défice.  Depois - naturalmente - das petrolíferas terem reposto as suas margens, como ficamos a saber quando, há dias, Mira Amaral nos explicou que os preços dos combustíveis não acompanham os do crude porque as petrolíferas têm que repôr as suas margens. Que nós nunca percebemos que alguma vez tivessem perdido... Mas isso é problema nosso... E o resto também!

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