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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

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Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

O rei vai nu ... e outras nudezas

Por Eduardo Louro

 

Foi uma noite de insónias, sempre à procura de uma luzinha que explicasse como é que, quando já a dois se não entendem, Cavaco consegue ver estabilidade num compromisso de governação a três. Já quase vencido pelo sono, dei um salto na cama com um grito de eureka que se ouvia pela casa toda.

Só depois percebi que o grito era meu. Que se me tinha feito luz. Que descobrira a chave do enigma de uma noite inteira. De repente senti-me invadido por uma felicidade imensa, senti-me inteligente como nunca antes. Afinal, enquanto o país inteiro ainda anda à procura de perceber o que o presidente dissera, quando os maiores cérebros deste país ainda se acotovelam em interpretações das palavras de Cavaco, eu, o mais comum dos comuns humanos, de quem o Criador se esqueceu completamente na hora de distribuir o que de melhor tinha para espalhar por esta categoria animal, tinha conseguido chegar primeiro e mais longe que todos. Eu tinha conseguido ir além daquelas palavras esfíngicas de um presidente que teima em testar permanentemente a inteligência dos seus súbditos, ao mesmo tempo que exibe os superiores dotes das suas meninges que o levam para bem próximo daquele rei da famosa história (“a roupa nova do rei”) do dinamarquês Hans Chistian Andersen

As comunicações de Cavaco constituem, de resto, excelentes réplicas desta história do rei que vai nu. Foi precisamente quando os meus pensamentos me trouxeram até aqui que refreei o meu entusiasmo, já quase narcisista. Era isso: afinal eu não estava a ser mais que o miúdo da história do escritor dinamarquês que gritava que o rei ia nu!

Regressei então à minha condição de comum entre os comuns, ainda a tempo de me resgatar a mim próprio a uma noite de insónias que já ia longa.

Ah! E já me esquecia de partilhar convosco a minha descoberta. O meu grito eureka que acabou n`o rei vai nu. É simples – o rei vai mesmo nu – é que, em coligação com o PSD, o CDS tenta-se pelo PS. Poderá não cometer adultério, mas está em permanente pecado de pensamento; o corpo está ali, no leito conjugal, mas o pensamento voa para o PS. Ora, com os três partidos envolvidos na solução governativa, o CDS fica sem ninguém para flirtar. Muito mais calmo, sem devaneios… É a estabilidade do menage à trois, porque a coisa não dá para swing!

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