Faltou-lhe, ainda assim, no ponto 1, exigir a irradiação de toda aquela gente. Acrescentar a decisão de protestar do jogo, e a exigência da sua repetição. E acrescentar ainda, a complementar o sétimo e último ponto, que qualquer tentativa de retaliação da Federação Portuguesa de Futebol sobre a indisponibilidade do Estádio da Luz para as selecções, "enquanto a verdade desportiva não prevalecer nas competições nacionais", levaria o Clube a ponderar abdicar das competições nacionais.
Foi, por incompetência do Departamento de Comunicação - fez mais o João Gabriel num "twit" de ontem que toda a comunicação no mandato de Rui Costa -, e por falta de liderança e de rumo desta Direcção, tardia e incompleta a reacção que há muito se exigia. A ser mais oportuna, bem poderia ter evitado o assalto, decisivo e descarado, dos últimos dois meses. Quando tudo ainda havia para ganhar!
Dir-se-á que "mais vale tarde do que nunca". É bem capaz de ser mais acertado dizer que, não houvesse eleições em Outubro, e ainda nem seria desta.
O Gonçalo Ramos já partiu, com destino a um PSG a arder, como o país que acabou de deixar. Vai ganhar muito dinheiro, e provavelmente muitos títulos nacionais. Mas não terá certamente escolhido o melhor destino para a sua carreira desportiva.
Era uma partida anunciada. Com contrato até 2025, sabia-se que teria de sair neste início de época. O Benfica não está, nem provavelmente nunca virá a estar, em condições de segurar os seus melhores jogadores. Resta-lhe aproveitar o prestígio da marca "made in Seixal", e a partir dela procurar fazer os melhores negócios.
E foi o que fez!
Por mais ruído que se instale à sua volta, e por mais que os adversários lhe tentem injectar veneno, este foi um bom negócio. A oportunidade não foi a ideal. Com a pré-época concluída, e em cima de um jogo importante - não é a Supertaça que é importante, o jogo é que é importante pelo impacto que tem no arranque do campeonato, quase sempre decisivo para as contas finais -, esta não era a melhor altura para comunicar a saída de um jogador com o peso que Gonçalo Ramos já tinha no Benfica. Mas terá sido a possível, como curiosamente o próprio jogador fez notar na entrevista de despedida, na BTV.
O comunicado emitido pelo Benfica ontem ao final da tarde a confirmar a operação agitou o panorama da comunicação social desportiva, sempre no seu melhor. Entre a ignorância e a iliteracia que a caracteriza, e o veneno que a alimenta, foi um festival de incompetência. Inversamente proporcional à da estrutura do Benfica. No negócio, e no comunicado.
Não importa se o modelo do negócio foi aquele para ir de encontro aos interesses do PSG, apertado no "fair play" financeiro da UEFA. Importa o negócio, e os interesses do Benfica. E esses demonstram-se em poucas linhas:
- O contrato terminava em 2025 e o jogador ficaria livre no fim do próximo ano;
- A venda do passe nesta altura implicava comissões (de 10%) a dois intermediários: o inevitável Jorge Mendes, envolvido no negócio, e o anterior empresário do jogador, à sombra da bananeira;
- O negócio é um empréstimo por um ano, até 2024, como curiosamente documenta a própria camisola na apresentação de Gonçalo Ramos; a venda do passe ocorrerá depois, curiosamente já no ano em que o jogador passaria a ficar livre do contrato com o Benfica; curiosamente quando o anterior empresário já não tem nada a reclamar;
- O montante total do negócio pode atingir 80 milhões de euros: 65 milhões, mais 15, por objectivos.
O comunicado (imagem abaixo) é perfeito. Basta saber ler para o perceber. Só que isso parece que não é requisito nem para escrever nos jornais desportivos, nem para ganhar dinheiro a debitar patetices nas CMTV´s e CNN´s deste mundo.
Para que tudo seja mesmo perfeito é preciso que o Musa recomece já a marcar já depois de amanhã. E que o Arthur Cabral - não faço ideia se será a melhor das opções para substituir o Gonçalo, mas foi bonito de ver toda a comunicação social desportiva apanhada em fora de jogo - tenha que dar tudo para lhe ocupar o lugar no onze.
O Comunicado assinado pelo Presidente da Mesa da Assembleia Geral do Sport Lisboa e Benfica, António Pires de Andrade, no fim da reunião ordinária quadrimestral dos órgãos sociais que se realizou esta tarde no Estádio da Luz, entre inevitáveis banalidades, dá-nos conta de duas notícias.
Uma é boa, e inevitável - a realização de eleições. Mas peca por tardia. Essa era a notícia que teria de ter sido dada na passada sexta-feira, quando Rui Costa se anunciou Presidente do Benfica. Teria de ter sido a quarta frase da sua declaração: a primeira para dizer que tinha assumido a presidência, a segunda para o sustentar com a responsabilidade do momento, a terceira para particularizar as responsabilidades urgentes na emissão obrigacionista e no apuramento para a Liga dos Campeões.
Hoje apenas teria que ser comunicada a data marcada.
A outra consta logo no início do Comunicado é má - péssima - e deveras preocupante. A unanimidade em, nesta altura, a duas semanas do início das competições, classificar "a preparação da época desportiva no futebol" como "objetivo de curto prazo a que se torna imperativo dar resposta", é mais que preocupante. É surreal!
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