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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

A decisiva questão da confiança

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É nestas alturas, quando os desafios do desenvolvimento ficam perante encruzilhadas, que mais sentimos a falta que faz a confiança no Estado.

A prospecção e a exploração de gás natural, ou de lítio, agora na ordem do dia, representam sem qualquer dúvida duas grandes oportunidades para o desenvolvimento do país. Se o gás natural é uma das principais fontes de energia limpa, com impacto importantíssimo na urgente e imperativa descarbonização, o lítio é, à luz do conhecimento actual, provavelmente o mais importante metal da economia do futuro.  

Portugal dispõe da sexta maior reserva mundial de lítio. E, tudo o indica, de importantes reservas de gás natural. Ninguém achará que os deva desperdiçar, de todo. Como provavelmente ninguém achará que devam ser explorados a qualquer preço. E ninguém tem dúvidas, nem ilusões, sobre os interesses que se movimentam entre estas opções.

A falta de confiança dos cidadãos nas instituições - no Estado, que uma vez dizemos ser todos nós, mas noutra apenas nos representa - leva-nos a suspeitar que as decisões serão sempre tomadas em favor dos mais fortes desses interesses. E que todos os estudos, de impacto ambiental ou de quaisquer outros, em vez de isentos, sérios e independentes, terão apenas como objectivo almofadar essas decisões.

Pode nem sempre ser assim. Mas é assim que tendemos a ver estas coisas. Por falta de confiança. Porque desconfiamos sempre...

A confiança e a credibilidade são o verdadeiro cimento das sociedades. É nestas alturas, quando sabemos que há opções fundamentais a fazer, e oportunidades de futuro a não desperdiçar, que mais sentimos falta de um Estado em que possamos cegamente confiar. Sem qualquer tipo de reservas!

Indicador de democracia

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A notícia dá-a o Jornal de Notícias, e conta que o Laboratório da Universidade de Évora, chamado a efectuar um estudo para analisar a água depois de um derrame de fuelóleo no Porto de Sines, em Outubro de 2016, concluiu que não estava em causa a sua boa qualidade e que, por isso, não eram exigíveis quaisquer responsabilidades quer à Administração do Porto de Sines quer à empresa responsável pelo derrame.

Alguém - a notícia não esclarece quem - desconfiou dessa conclusão, e outro estudo posterior concluiu exactamente o contrário, e a empresa responsável pelo derrame foi acusada de crime ambiental. 

Poderia tratar-se apenas de dois estudos diferentes chegarem a conclusões diferentes. Acontece... Mas não é isso, são dois estudos sobre a mesma coisa que chegam a conclusões opostas. Já não é assim tão comum... E a coisa muda de figura quando se passa a saber que o Laboratório de Ciências do Mar (CIEMAR) da Universidade de Évora é financiado pela Administração do Porto de Sines...

É por estas e por outras que as instituições se desacreditam. Notícias destas podem não ser notícia todos os dias, mas já é como se fossem. E quando se perde a confiança nas instituições perdem-se todas as referências da democracia!

A qualidade da democracia mede-se, como se mede a qualidade do ar. Ou da água. E não há melhor indicador para a medir que a confiança dos cidadãos nas instituições!

 

 

Comparações que importam

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Por mais forte e inicisiva que seja a agenda da direita para descredibilizar o governo da gerigonça, não faltam motivos e oportunidades para salientar a abissal diferença de senso e de credibilidade entre as iniciativas que este governo vai apresentando e as congéneres do anterior.

O Aventar dá hoje expressão a uma dessas gritantes diferenças ao comparar o discurso e as iniciativas deste governo sobre o empreendedorismo com as do anterior. Comparar o programa "Start Up Portugal", ontem apresentado por António Costa no Porto, com o equivalente "Impulso Jovem" apresentado por Relvas com aquele rapaz a bater punho, como o Bruno Santos faz no Aventar, é a melhor forma de responder ao inqualificável discurso que Passos Coelho anda a passar sobre confiança.  

É a confiança, estúpido...

Por Eduardo Louro

 

A Bolsa caiu para mínimos de 2013 e a Comissão Europeia volta a colocar o país no ponto mira. O governo está de férias, que só interrompeu para mandar mais uns foguetes sobre a brilhante solução encontrada para o BES, com as caras de Portas e de Maria Luís Albuquerque, mais ou menos a assobiar para o lado, se descontarmos aquela aparição de Passos, a caminho da praia, em circunstâncias dificilmente coadonáveis com a gravidade da situação.

Finalmente lá apareceu hoje o ministro da Economia, já sem canas nem foguetes na mão, a manifestar-se preocupado com estas coisas. Diz Pires de Lima que o que se vive no mercado de capitais "espelha a grande desilusão com a situação do BES e também aquilo que é a desfaçatez verificada na PT". Que “os investidores, naturalmente depois de terem percebido ao longo dos últimos meses a evolução do caso do BES e terem verificado as atitudes que se verificaram ao nível da administração da PT, reagem negativamente". Ou que "os receios dos investidores estão lá, por isso é que os mercados caíram, porque houve, de facto, acontecimentos relevantes em Portugal, ao nível do BES como ao nível do comportamento da administração da PT que são inexplicáveis para qualquer investidor, nomeadamente investidores estrangeiros que investiram em Portugal e no mercado de capitais português convencidos que o mercado português não viveria situações como estas”. 

Nada do que diz é falso. Mas é falacioso, mais rigorosamente enganoso!

Porque tudo converge numa palavra mágica:confiança. Que simplesmente desapareceu!

Claro que a confiança desaparece quando uma marca como centenária como a do BES, ela própria marca de confiança, de repente desaparece. Às mãos de quem mais a deveria defender, à conta de gestão criminosa, mas também pelas mãos de quem deveria ter velado pela sua defesa. Claro que a confiança se esvai quando numa empresa como a PT, a administração aplica uma parte significativa do seu valor em financiamento directo a uma outra empresa, por acaso de risco. 

Mas a confiança perde-se de forma dificilmente recuperável quando o país, quando os seus orgãos de regulação e supervisão, promovem a subscrição de um aumento de capital de um banco, do seu maior banco privado e, um mês depois, com a resolução - eufemismo de falência - do Banco se apropriam de todo o capital. Confiscam tudo!

A confiança perde-se, e dificilmente se recuperará, quando se percebe que o governo e o Banco de Portugal, como agora se percebe pela legislação publicada, estiveram a preparar a resolução do Banco sem disso dar conta à CMVM, permitindo que as acções continuassem a negociar em Bolsa, e permitindo com isso situações de inside trading, sobre o que hoje já ninguém tem grandes dúvidas.

E quando se não pode confiar num Presidente da República (que garante toda a confiança num Banco desaparece uma semana depois), num governo que nunca é claro, especialista em enganar o país, em que tudo lhe serve para festa, nem nos órgãos de regulação e de supervisão, não se pode confiar no país!

Lembrando aquela célebre expressão da campanha de Clinton, daria vontade de responder da mesma maneira a Pires de Lima: É a confiança, estúpido...

 

CONFIANÇA

Por Eduardo Louro 

 

Na sua mensagem de Natal o primeiro-ministro enfatizou duas ideias: reformas estruturais e confiança!

São – curiosamente, ou talvez não – dois dos grandes calcanhares de Aquiles que são apontados aos seus primeiros seis meses de governação. O governo tem sido acusado de procurar dinheiro e de cortar em tudo o que mexe, sem mexer em nada do que deveria cortar, sem tocar nos intocáveis – PPP, por exemplo – e sem limpar as famosas gorduras do Estado. Ainda recentemente, como aqui se deu nota, depois de criadas expectativas elevadas à volta daquele domingo de trabalho extraordinário, a montanha pariria mais um rato. E, de reformas, ficamos na mesma!

E de, com isso, dizimar a última gota de confiança que eventualmente pudesse resistir. Com isso e com um discurso realista, é certo, mas nada galvanizante, como a mais que badalada e recente tese da emigração. Em apenas seis meses o país passou de um primeiro-ministro que negava e escondia a dura realidade para inventar raios de sol e de esperança, que não olhava a meios para puxar pela auto-estima nacional, para um outro que, com uma narrativa de verdade, é certo, não encontrava outra cor que o preto carregado para pintar o seu discurso.

O país passou de um primeiro-ministro que puxava pelo país e o rebocava alegremente para o abismo, para outro que parecia nada mais  conseguir que observar, impotente, um país a desfazer-se em cacos pela ravina abaixo. A verdade que ambos minaram a confiança, a mola real do desenvolvimento. Um, porque não merecia o mínimo de crédito, nem sequer de respeito, e outro porque, apesar de respeitável, não dá mostras de um rasgo capaz de fazer alguém acreditar que encontre uma solução. Um, um líder desacreditado e ética e moralmente desautorizado. Outro, um líder respeitado mas sem espírito de liderança. Ambos a deixarem o país órfão de liderança. Ora, sem liderança não há confiança e, sem confiança, nem o mundo nem o país pula e avança!

 

 

Factos e interpretações

Por Eduardo Louro

   

Os nossos amigos e vizinhos assinam a requisição da encomenda dos serviços do FMI: hoje, o Der Spiegel e o El Mundo apontam-nos o caminho do fundo de estabilização europeu e do FMI. Assinam a requisição que há muito tempo está em cima da mesa!

A revista Der Spiegel, porque é alemã, diz que essa é a opinião dos chefes – da França e da Alemanha! O El Mundo, porque os espanhóis estão a sofer as consequências do fogo ao pé da porta, limita-se a dar-nos esse conselho!

Um facto e as suas interpretações. O facto: Portugal voltou a estender a mão esta semana – 500 milhões, apenas 500 milhões de dívida pública a seis meses colocada esta semana a uma taxa acima dos 3,6%, seis vezes a taxa de há apenas um ano (0,59%). E, no mercado secundário, a taxa a 10 anos a bater recordes, acima dos 7%. As interpretações: para o governo português … correu bem! Para o governo português a despesa desceu, a receita fiscal aumentou e o objectivo do deficit para 2010 foi alcançado.

Qualquer um vê que nada correu bem: paga-se o sêxtuplo dos juros de há um ano e a tal barreira dos 7% definida há dois meses por Teixeira dos Santos já lá vai. E alguma coisa está errada quando a despesa diminui, a receita fiscal aumenta (pudera: depois do agravamento de impostos com os sucessivos PEC´s), ainda se inventam receitas extraordinárias - 3,2 mil milhões do fundo de pensões da PT -, e o défice se mantém.

Mas o primeiro-ministro diz que está a passar um sinal de credibilidade e confiança aos mercados.

Pois... Vê-se!     

 

PS: Parabéns à SIC Notícias pelo 10º aniversário e as melhoras para Alberto João Jardim. Às vezes há males que vêm por bem, são apenas bons conselhos que devemos levar em conta: aproveite e vá descansar!

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