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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Perder até a vergonha

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Nos útimos anos o Benfica tem vindo a perder a olhos vistos capacidade de contratação de jogadores no mercado de transferências. Houve um período em que o scouting funcionava, mas mais parecia levantar lebres para Pinto da Costa caçar. Foi assim, entre muitos outros, com Danilo, Falcão e James Rodriguez. Quando, mais tarde, até parecia que a mira tinha sido acertada, percebemos que, afinal, o que aconteceu foi que o Porto caiu em dificuldades financeiras, e deixou de poder dar tiros.

Depois, já mais recentemente, percebemos que o Benfica já nem scouting tinha. Não precisava, tinha Jorge Mendes... E deu no que deu, na desgraça das contratações do último mercado de Verão, que não renderam um único jogador para a equipa, para amostra que fosse.

Às portas de nova abertura do mercado, Luís Filipe Vieira não quis esperar mais para mostrar aos benfiqusitas como tudo pode ser ainda pior. Nunca se tinha visto, e era de todo inimaginável, que um jogador de tostões, do Santa Clara, entrasse no Estádio da Luz para assinar o contrato e de lá saísse para ir assinar pelo Porto. 

Nestes últimos anos de decadência da gestão de Luís Filipe Vieira, o Benfica, tendo scouting, perdeu a capacidade de fechar os negócios. Depois, perdeu o scouting, e deixou fugir as melhores oportunidades de negócio. Acabou ,agora, a perder até a vergonha!

 

 

 

 

 

 

Que grande cartão de apresentação!

 

Resultado de imagem para ebuehi benfica youtube

 

O Benfica começou a apresentar as primeiras contratações para a próxima época. O guarda-redes Vlachodimos estava há muito anunciado, mas o jovem (22 anos) lateral direito nigeriano, Hebuhei é uma enorme surpresa.

Diz-se que faz lembrar o Nelson Semedo, e isso já é bom. Mas bom, extraordinário mesmo e nunca visto, é o fluente e escorreito português com que se apresentou. Não faço ideia onde, nem como, aprendeu português. Sei que vem da Holanda e que não precisou nada daqueles toques na bola que, em "jeans" e camisola da equipa, constituem o estereotipo da apresentação das novas contratações. Expressar-se tão clara e correctamente na língua de Camões vale mais que milhões de toques sem deixar cair a bola!

Benvindo Hebuhei, e toda a sorte. De certeza que o manto glorioso te assenta muito bem!

 

Contratos com história. Ou com estórias?

Por Eduardo Louro

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A notícia chegou logo a seguir à derrota na supertaça, ainda não se sabia que o treinador do Sporting andava a mandar sms aos jogadores do Benfica: o Benfica contratou ao Atlético de Madrid "meio" Raul Jimenez (a outra metade é de Jorge Mendes, e ficara já tratada no casamento) por 9 milhões de euros, o que projecta o valor do passe para 18 milhões de euros, e assim na contratação mais cara de sempre do Benfica.

O ponta de lança mexicano fora contratado há um ano pelos colchoneros por 10 milhões de euros. Jogou pouco mais de meia dúzia de jogos - foi titular em cinco - e marcou um golo, pelo que o clube com que Luís Filipe Vieira gosta de negociar decidiu prescindir dos seus serviços. Chegou a ser anunciado no West Ham, por empréstimo, por 2 milhões de euros... Mas para LFV valorizou-se, e o seu passe passou a valer quase o dobro. Daí que se tenha chegado à frente, impedido o empréstimo ao clube inglês, e rematado mais um sensacional negócio com o Atlético de Madrid. Depois de ter retirado Simão a Fernando Santos já com o campeonato a arrancar, para vender em saldo, com a garantia de que viriam não sei quantos jogadores, que se devem ter perdido pelo caminho, porque nunca ninguém os viu... Depois de Reyes, que vinha por 2 milhões de euros e que depois de cá passar uma época já eram afinal 10 milhões... Depois de Salvio por cá ter passado, regressado, e tendo que ser dispensado por excesso de extra-comunitários, voltar como a contratação mais cara de sempre, por 14 milhões de euros... Depois dos sensacionais, duas vezes sensacionais, quase 9 milhões de euros por Roberto,  e depois de Oblak - das duas, uma: ou foi hostil, como se quis fazer crer, e não podia haver mais negócios; ou foi apenas mais um negócio favorável aos espanhóis disfarçado de TINA (there is no alternative) -   há apenas um ano, eis mais um misterioso negócio. De um jogador que, sem jogar, se valoriza praticamente para o dobro!

Daí a necessidade de mais uma habilidade, para transformar mais um negócio manhoso num grande negócio, quase épico. E então arranjam-se umas dificuldades de última hora, à "Atlético de Madrid", só ultrapassáveis pela habitual mestria e sagacidade do grande timoneiro, sem qualquer substância mas que deixem bem clara a valorização da mercadoria.

E assim, quando o treinador do Sporting já dizia que os sms não contavam para nada, que o que contava era a supertaça no museu, não era mais um negócio manhoso, mas mais um grande negócio com o Atlético de Madrid & Jorge Mendes, já com "call options" mirabolantes que só revelam o desconforto dos madrilenos por tão grande perda. E, como não podia deixar de ser, com uma menção específica dos espanhóis ao duro que é sempre negociar com o Benfica...

Pronto. Pronto para a fotografia...

A partir de agora é que é a sério...

Por Eduardo Louro

 

Tal como ontem, frente ao Arsenal, o Benfica sofreu três golos em dez minutos e afundou. Depois de uma primeira parte que nem foi má de todo, e donde, através de um golo logo aos dois minutos – o primeiro de Derley –, até saiu a ganhar.

Logo no arranque da segunda parte entraram Rodrigo e André Gomes…para o Valência. Para o Benfica entrou uma invenção chamada Luís Filipe, e saiu João Cancelo. Pode parecer um pormenor, mas não é. O Valência começou a jogar à bola e o Benfica sem ninguém a defender o flanco direito. E o Artur regressou à sua verdadeira condição de guarda-redes sem ponta por onde se pegue, com dois frangos monumentais…

Para que a equipa voltasse minimamente a estabilizar e limitar os danos, Jesus teve de retirar do campo esse tal de Luís Filipe, uma contratação que é um verdadeiro atentado à inteligência dos benfiquistas, e de chamar André Almeida, que jogava a trinco, para o lado direito da defesa.

E assim se junta à destruição da equipa, a destruição de qualquer réstia de equilíbrio emocional aos jogadores, que saem da pré-época completamente de rastos. E de repente se dá cabo do prestígio internacional que tanto custou a recuperar…

Ah... E o Jara lá vai continuando a sua saga... E o Jesus o seu festival de comunicação!

E no meio disto tudo a BTV lá vai tentando lavar o cérebro a quem gosta de se deixar lavar… Ou levar!

E pronto, a partir de agora é a sério. Mesmo que até agora também devesse ter sido...

 

A solidariedade compensa. Sempre!

Por Eduardo Louro

 

Não sei se, por esta altura, há benfiquistas muito felizes. Não serei um deles, mas tenho de confessar que compenso muita da tristeza, e até da angústia que me invade, com a enorme onda de solidariedade que, mais que simplesmente notar-se, se sente na equipa.

Aquilo a que assistimos, e pudemos voltar hoje a ver na Suíça, no jogo com o Athletic de Bilbau, é a extraordinária solidariedade de todos jogadores com um colega que invariavelmente os visita em cada Verão, com quem partilham todos os anos os meses de Julho e Agosto. Não querem mais bulling, como aqui lhe chamei, sobre o pobre do Jara e, num gesto de solidariedade nunca visto, decidiram ser onze Jaras em campo!

Claro que, se como já lá diz o Jorge Jesus só trabalho não basta, é também preciso qualidade, também para tamanha campanha de solidariedade só os jogadores não bastam, é também precisa a administração. E é também preciso o próprio treinador!

E a grande verdade é que não fugiram, não viraram a cara à missão… Foram também de uma solidariedade fantástica e trataram de arranjar mais e mais jogadores, cada um pior que o outro e todos ainda piores que o próprio Jara…   

Digam lá se não é bonito?

Confesso-me tocado, bem lá no fundo do meu coração benfiquista. Com este tão bonito e tocante acto de solidariedade, e com os apelos que os comentadores da BTV - sim, encurtou o nome, já não é Benfica, é apenas B - lançam ao meu melhor espírito de compreensão, e com as explicações que encontram para tudo isto, já me sinto outro. Qual angústia, qual carapuça...

UMA GRANDE CONFUSÃO

Por Eduardo Louro

                                 
  

O Benfica contratou o argentino Sálvio, mais um ala direito, que regressa – feliz, ao que diz - depois de por cá ter passado há duas épocas atrás, altura em que ficou no goto do terceiro anel.

É mais um ala para um plantel que já contava, que me lembre assim de repente, com Gaitan, Djaló, Enzo Perez, Bruno César, Melgarejo, Nolito e Ola John, contratado já neste defeso por qualquer coisa como 9 milhões de euros. Para duas posições, o Benfica conta contava já com sete jogadores. Gastou mais de vinte milhões de euros para passar a contar com oito!

Contratar o oitavo jogador para a mesma posição, num plantel que, no total, deverá contar com 23 a 25 jogadores – concentrando nessas duas posições um terço do plantel -, só poderá justificar-se por razões excepcionais: um jogador de excepcional qualidade, de topo mundial ou uma excepcional oportunidade de negócio, um jogador de elevado potencial por um preço excepcionalmente baixo – um achado, ou uma pechincha, como se costuma dizer!

Será Sálvio um jogador de excepção, de topo mundial? Não, se o fosse ter-se-ia afirmado no Atlético de Madrid, naturalmente. Em três anos não conseguiu sequer conquistar a titularidade numa equipa que pouco foge do meio da tabela da La Liga.

Quando passou pelo Benfica, na época 2010-2011, é certo que cativou os adeptos. Mas apenas começou a jogar no final da primeira volta – fez o primeiro jogo no final de Dezembro, com o Rio Ave – e esteve a bom nível até Março ou Abril, quando se lesionou e não mais voltou a jogar. Não, também não foi por cá que se mostrou como jogador de excepção!

Os jornais começaram por falar numa verba de 8 milhões de euros para a contratação. Passou para 11 e parece que, afinal, já passa dos 13 milhões de euros. Não, também não é uma pechincha. É apenas a maior contratação alguma vez feita pelo Benfica. Não faz sentido, é absurdo!

Mas entremos um pouco pelos caminhos da irracionalidade que, como sabemos, são, no futebol, autênticas auto-estradas. Juntemos as eleições que aí vêm - e que Luís Filipe Vieira quer voltar a ganhar - com a conhecida dívida do Atlético de Madrid ao FC Porto, pela venda do passe de Falcao na época passada (mais uma banhada a Pinto da Costa!). E admitamos que o clube madrileno tinha interesse em lá colocar o Salvio para abater ou mesmo liquidar a conta, numa operação que poderia voltar a colocar Vieira na posição de perdedor para Pinto da Costa. Mas então por que alimentar o folhetim da contratação do jogador pelo menos durante os últimos seis meses?

Não faz sentido, é também absurdo. Ou estúpido!

Não resta a mínima racionalidade nesta contratação. E, quando assim é, abre-se o espaço para a especulação e vêm-nos à memória os sucessivos negócios do Benfica de Vieira com este Atlético de Madrid: o negócio de Simão, que tinha contrapartidas em jogadores que nunca viram a luz do dia, o de Reyes – com a compra de uma percentagem do passe que ninguém consegue perceber para que pudesse servir, que se repetiria com este mesmo Salvio, também com a compra de 20% do passe, na altura do empréstimo – e o do célebre guarda-redes Roberto, que teve tanto de misterioso na compra como na venda.

Uma única certeza: os negócios de Vieira com o Atlético de Madrid são sempre uma grande confusão. Chamemos-lhe assim!

É que o negócio imobiliário em Espanha … já era. Ou será que ainda há gente que não deu conta?

VERDE DE ROJO

Por Eduardo Louro

                                                                      

Percebi, por um spécimen que tenho na família – por intrusão, porque pelos genes é tudo encarnado – que é grande a euforia lá pelas bandas de Alvalade. Já são os campeões da pré-época!

E não é por serem nesta altura deste campeonato os maiores compradores. Não percebi grande entusiasmo com essas contratações todas a custo zero. Eles só verdadeiramente se excitam com compras a sério, daquelas em que é preciso largar dinheiro. Com a do tal Rojo – como gostam de rojos que ficam verdes – essa sim, a grande contratação dos últimos anos. Porque custou dinheiro – essa coisa que dizem não ter – mas acima de tudo porque, acham eles, roubaram-no ao Benfica!

E isso fá-los sentir grandes: roubar jogadores ao Benfica é coisa do Porto, agora mesmo eles … É o máximo!

Lamento ser desmancha-prazeres, mas tenho que os avisar que estão enganados. O Benfica andou a namorar um jogador com esse nome, também argentino, mas esse é lateral esquerdo. Abandonou o namoro logo que percebeu que não precisava de mais um lateral esquerdo: já lá estão o Luís Martins e o Luizinho. E o Jorge Jesus ainda está a enxertar o Fábio Coentrão no Melgarejo…

Ora, o Rojo que o Sporting contratou é defesa central. É o próprio que o confirma, e era disso que o Sporting andava à procura. Lamento, mas é melhor acalmarem-se!

Futebolês #82 PLANTEL

 

Por Eduardo Louro

 

Estamos em plena época alta no que ao tema de hoje respeita: plantel!

A chamada pré-época está a arrancar. Todas as equipas estão a iniciar os trabalhos de preparação de uma nova época onde tudo vai começar de novo, na casa de partida, com tudo a zeros. Todos ou quase todos os sonhos e todas ou quase todas as ambições são permitidos, mesmo aos que querem dar o passo maior que a perna.

Tudo começa precisamente no plantel: na constituição de um plantel adequado aos objectivos de cada um. Isto é, na constituição de um quadro de jogadores que permita legitimar as aspirações e os objectivos à partida.

Os treinadores gostam de dispor de um plantel à volta dos 23 jogadores: dois jogadores (de campo) para cada posição  e mais 3 guarda-redes. É, em termos de gestão de grupo, decisivo: permite gerir a motivação mas também a competitividade dentro do grupo, sem acomodações mas também sem desmobilizações. Ninguém está tapado e ninguém está seguro!

Esta é a dimensão quantitativa do chamado plantel equilibrado. Há, depois, a dimensão qualitativa desse equilíbrio: o equilíbrio entre a valia dos jogadores, com as diferentes opções para cada um dos lugares na equipa a garantirem, tanto quanto possível, o mesmo nível de rendimento.

Um plantel aproximar-se-á tanto mais do ideal quanto melhor consiga responder a estes requisitos. Porque permite ao treinador aquilo que em futebolês se designa de gestão do plantel, assegurada através do que em futebolês também se chama de rotação de jogadores.

O processo de construção do plantel conforme já vimos com as contratações – anima a maior parte do defeso. Ao Benfica cabe, naturalmente, a maior fatia da animação. Papel que, de resto, aceita de bom grado, contratando como se não houvesse amanhã e tendo ainda tempo para preparar contratações para outros. Porque, quem o afirma e, a fazer fé num dos já famosos comunicados do defeso (e não da defesa) do Benfica, quem o terá que provar em tribunal, é o jornalista Jorge Batista – o tal da cena de boxe no aeroporto com o Carlos Queirós -, há por lá bufos infiltrados que tudo vão contar ao amigo Pinto da Costa.

Mas nem mesmo assim consegue saciar a comunicação social – e aqui os jornais ganham em toda a linha – que, no mínimo e para animar ainda mais a festa, as decuplicam. Mesmo sem contratar todos os que diariamente surgem nos jornais, o Benfica – melhor, Jorge Jesus – tem agora em mãos perto de 50 jogadores.

Constituir o plantel a partir daqui e em tão pouco tempo é obra. Por sorte conta com a ajuda do Prof. Manuel Sérgio! Ah... e do António Carraça!

Tanto mais que, como se sabe, Jorge Jesus não gosta de plantéis numerosos. Para ele 13 – no máximo 14 jogadores – é quanto basta, como se tem visto. São os 11 titulares e mais o César Peixoto e o Jara. Se há lesões, castigos, ou se simplesmente os titulares rebentam, é que é um problema…

O Porto, por enquanto, está foi comedido nas contratações. Quem sabe se não cortaram a garganta à tal garganta funda da Luz … Bom, já se fala por aí de um tal Danilo, um craque de 19 anos com que o Santos está a fazer a vida negra ao Benfica …

Em equipa – ou em plantel - que ganha não se mexe, não é? Se o André Villas-Boas encher aquilo de libras é que poderá ser um problema: lá terão de procurar os jornais todos de Maio e Junho para contratar os que ainda cheirem a Benfica!

Quem está a fazer uma grande revolução no plantel é o Sporting: este ano é que é vê-los a esfregar as mãos. Mas há um problema. Vejam só: Oguchialu Chilioke Goma Lambu Onyewu, Stjin Schaars ou Van Wolfswinkel! Com nomes destes, ou o Domingos lhes arranja umas alcunhas rapidamente ou nem os consegue chamar à convocatória. E os relatores da rádio e da televisão, como é que vão dizer esses nomes? Não dizem e, daqui a pouco tempo, anda toda a gente a dizer que nunca ouviu falar deles!

O plantel do Braga - quarto grande, pois claro - é feito de restos. Do que os outros três não querem: dos que o Sporting lá deixa ficar e dos que o Sporting põe a andar.  De resto o Braga não precisa de fazer contratações: quando a época arranca vai ali ao lado, ao Dragão, e traz o carrinho das compras cheio.

Apesar disso fez a contratação do ano:  Nuno Gomes! Que - não tenho dúvidas - para além do dedo do Jesus tem dedo de Pinto da Costa!

Mas que grande contratação fez o Braga!  O Nuno vai fazer uma grande época e não vai deixar dormir o Jesus. Já Paulo Bento pode dormir descansado: ele estará pronto para Euro 2012! Afinal a concorrência é Helder Postiga e... João Tomás!

Futebolês #79 CONTRATAÇÕES

Eduardo Louro

Hoje o futebolês vai partir à procura das contratações: a palavra mágica que tudo agita - mercados, media e adeptos. É uma bandeira que, bem agitada, faz verdadeiros milagres: vende jornais que não se vendiam, promove cambalhotas em disputas de poder e transforma derrotas em vitórias.

A sua força é tal que o futebolês decidiu apropriar-se dela em regime de exclusividade. Não ouvimos praticamente falar de contratações fora do futebolês. No mundo dos negócios – dos outros negócios – fazem-se contratos e contratualiza-se, não se fazem contratações. Até os sinónimos são completamente diferentes. Repare-se: no futebolês, o sinónimo de contratações é transferências. Lá fora é recrutamento que nada tem a ver com transferências!

Mas há mais demonstrações claras da importância das contratações: só se podem efectuar em duas alturas do ano: no defeso de Verão e em Janeiro. Em férias: nas grandes e nas de Natal! E não se fazem sem um empresário, essa entidade misteriosa que se enche de dinheiro e que vai e vem como as ondas do mar. Como no surf - já que a conversa foi à água - uns aguentam-se mais tempo que outros na crista da onda e nunca mais do que um em simultâneo. Aí a onda já se parece mais com um poleiro: só lá cabe um galo de cada vez. Foi o Manuel Barbosa, o José Veiga … Agora é o Jorge Mendes, vamos lá ver até quando…

Mas quem está sempre na crista da onda das contratações é o Benfica. Os jornais não querem outra coisa: todos os dias vêm charters de jogadores para o Benfica. Porque vende, é certo! Mas também porque há por lá gente que alimenta essas coisas!

É por isso que o Benfica é sempre o glosado (bem dito seria mesmo “gozado”) campeão da pré-época. E ultimamente gozado mesmo, quando, no fim de contas, as anunciadas contratações acabam por ir direitinhas lá mais para norte. E, como um mal nunca vem só, acabamos depois por, mais que vê-los brilhar por lá, vê-los cintilar transformados em raras estrelas cintilantes.

Este ano, porém e apesar de a procissão ainda estar no adro – estamos ainda a mais de três meses do fecho do mercado e já lá estão 40 jogadores – o Benfica apostou no lado da venda para realizar a sua quota de disparates. Falo, evidentemente, do caso Coentrão: um flagrante case study (pela negativa) de gestão desportiva. Servirá para ensinar nas escolas de gestão a melhor maneira de estragar um bom negócio: desvalorizar estupidamente o produto que quer vender!

Como se isso não fosse suficientemente grave e danoso, decidiram matar dois coelhos com uma única cajadada: matar o produto e o mercado!

Evidentemente que o Fábio Coentrão não tem culpa nenhuma disto. É apenas mais uma das muitas vítimas da incompetência da gestão do Benfica. E Mourinho e Cristiano Ronaldo apenas ajudaram: limitaram-se a valorizar o produto que o Benfica tinha para vender, e não têm culpa nenhuma que ninguém tenha sabido aproveitar isso. A uma gestão competente competia, à medida que a época se aproximava do fim -  sendo evidente o seu interesse na venda, e óbvias quer a pressão que os eventuais compradores iriam exercer quer a vulnerabilidade do Fábio Coentrão (evidente no episódio do apoio a Sócrates na recente campanha eleitoral), um acompanhamento cuidado e profissional do jogador, e não, como sucedeu, abandoná-lo, entregue a si próprio. Falhada essa oportunidade preventiva, o jogador lançou alertas e deu todos os sinais do que se estaria a passar. Dir-se-ia que pediu ajuda! Mas em vez de ir a correr blindar o jogador preferiram a negligência de nada fazer para evitar o pior. Aconteceu então o que era de esperar: a fatal entrevista a um jornal desportivo espanhol.

No fim de tanta asneira, o mínimo que se exigia agora era chamar o jogador e o empresário – Jorge Mendes, já cá faltava esta figura – e, a três, montar uma estratégia para remediar todo o mal que estava feito. Mas não. Ainda não estava esgotado o rol de incompetências: era preciso passar da gestão incompetente à danosa! É aí que cabe o inquérito disciplinar ao jogador. E atiram-lhe para cima com toda a lama que tinham à mão e destroem o que mais deveriam proteger: a ligação afectiva dos jogadores ao clube e a preservação, intacta, dos seus ídolos, a extensão natural do clube. Para que não subsista uma única hipótese de recuperar o jogador, de longe o melhor da equipa. E para que não subsista outra hipótese que não seja vender, agora, ao preço que o Real Madrid quiser pagar.

Um autêntico mimo de gestão. Como o do caso Nuno Gomes! Como foi possível?

A resposta é simples: pela mesma incompetência de gestão, que não faz ideia do que sejam as variáveis intangíveis que determinam o sucesso de um clube. Ouviram falar em mística, mas não fazem ideia do que seja, pensam que se resume ao nome da bonita revista que lá se edita. Aqui o problema não é saber que o responsável é o Jorge Jesus. O problema é mesmo que continue soberano em matérias para que, claramente, não está qualificado. E que a sua esfera de decisão não esteja reduzida às suas limitadas competências.

Péssimas notícias para a época que aí vem!

 

 

 

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