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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Banha da cobra

Escola do século XXI, ou a banha da cobra educativa | Escola Portuguesa

Ficamos hoje a saber que nos Estado Unidos, e nos restantes países mais desenvolvidos, esta crise epidemiológica deverá chegar ao fim no terceiro ou no quarto trimestre do próximo ano, mas que é possível que regressemos à normalidade já no primeiro ou no segundo trimestre.

E quem é que nos vem dizer estas coisas, a apontar para a luz no fim do túnel?

Um grupo de cientistas de um conglomerado de universidades mundiais? A OMS? Um departamento especializado de uma estrutura europeia ou americana de que nunca tínhamos ouvido falar?

Não. Nada disso. Quem nos diz isto é uma consultora americana de negócios: a McKinsey!

Que explica - não fossemos nós duvidar - que, depois de desenvolvida a vacina, e da sua aplicação a parte suficiente da população, bastam seis meses para ser criada a imunidade de grupo. E que todos estes passos cabem no seu calendário se a produção da vacina permitir rapidamente a disponibilidade de milhões de doses, se as cadeias de distribuição forem eficazes e se milhões de pessoas se disponibilizarem para ser vacinadas logo na primeira metade de 2021.

Uma empresa de consultoria empresarial poderá intervir na capacidade de produção e na gestão da eficácia da distribuição. É aí que está o seu negócio. Já a descoberta e os testes da vacina, e o processo de vacinação, que é o que verdadeiramente está em causa, são tudo coisas que não lhe dizem respeito, e que extravasam completamente o seu campo de intervenção.

Mas isso não interessa nada, como diria a outra. O que interessa é que a mensagem passe e chegue onde terá de chegar. Nem que para isso se tenha de descer ao nível da banha da cobra. 

E depois não querem que os consultores tenham má fama...

 

 

Regresso às aulas*

Regresso às aulas: Vai ser complicado garantir que as regras são cumpridas  - Portugal - SÁBADO

 

Talvez nenhum sentimento se cole tanto ao regresso às aulas como a ansiedade. É certo que também lá cabem alegria, expectativa, sonhos e ilusões. Mas nada bate a ansiedade dos que entram pela primeira vez no mundo desconhecido da escola. E a dos pais que os deixam pela primeira vez à porta desse mundo novo.

É sempre assim a cada ano que passa. Primeiro é  a excitação das compras do material para a escola, do que é imprescindível e do que pouca ou nenhuma falta virá a fazer, porque há muito que o mercado potencia sem limites a oportunidade que aqui descobriu. Mas depois vem a angústia do fim das férias, a adaptação a novos ritmos, o adeus a zonas de conforto. E vêm as expectativas, as dúvidas e as inseguranças. De pais e de filhos…   

Este regresso às aulas, que teve no dia de ontem o seu ponto alto, e a data limite para que as escolas abrissem as portas aos seus alunos, tem tudo isso. Mas tem muito mais, com muita mais ansiedade.

As escolas abrem na fase da maior actividade da pandemia, aos níveis de Abril, mas num período de maior complexidade e de mais incerteza, com a (grande) probabilidade de terem de voltar a fechar transformada numa espada sobre a cabeça de todos nós. Mesmo dos que, não tendo filhos em idade escolar, acham que não têm a nada a ver com o assunto.

Têm. Temos todos. Os pais, que tiveram que lidar todos estes meses com os filhos em casa, com a vida virada do avesso, não vão conseguir passar por outra igual. E isso toca-nos a todos. As escolas fechadas aprofundam desigualdades e, a cada vez que a desigualdade cria mais desigualdade, nasce uma espiral de crescimento exponencial do número dos que ficam definitivamente para trás. 

E isso toca-nos ainda mais a todos…

* A minha crónica de hoje na Cister FM

Segunda vaga

Covid-19: Segunda vaga pode levar taxa de desemprego para os 17,6%

 

Poderemos não estar na segunda vaga da epidemia, mas já estamos numa segunda vaga do confinamento. É uma espécie de confinamento 2.0, o que o governo acabou de anunciar, com as medidas que entrarão em vigor a partir do próximo dia 15, já no início da próxima semana.

A ideia que fica é que, não fossem os imperativos económicos e orçamentais, e teríamos o regresso do confinamento puro e duro da primeira versão. Simplesmente o país não aguenta uma segunda vaga de confinamento.

O governo está mesmo assustado, e fica também a ideia que, desta vez, está mais assustado que as pessoas. Que parece que já não querem saber...

Essa é que talvez seja a segunda vaga. Porque, dizem os entendidos, que o vírus se está a comportar exactamente como os cientistas previram que se comportasse... Mas o tempo da ciência nunca corre ao lado do tempo da política

 

 

Há sempre qualquer coisa que não bate certo!

Arquivo de Estado de contingência - Jornal o Interior

 

A declaração do estado de contingência para 15 de Setembro, ontem decidida em conselho de ministros, pareceu a mais non sense das medidas do governo ao longo desta crise pandémica. Poucos dias depois de o Reino Unido ter finalmente retirado Portugal da lista negra da Covid, medida incessantemente reclamada pelo Estado Português, quer através do governo, quer do Presidente da República, e recebida com um enorme suspiro de alívio pelos agentes económicos do sector do turístico, nada fazia menos sentido que esta "mensagem oficial de perigo" que o governo português espalhava pelo mundo.

Depois de semanas as fio a dizer às autoridades inglesas que estavam erradas, quando elas o reconheceram, o governo português diz-lhes que ... afinal, quem estava errado, era ele.

Os dados de hoje, com um dos maiores aumento de infectados de um dia para o outro, parecem querer dizer que o que parecia uma aberração é, afinal, capaz de ser prudente. Mas também sinal que têm sido mais os ventos a guiar a nau governativa do que propriamente o leme.

É que, enquanto se tratou de "puxar para cima", chegou à euforia, sem freios nem realismo. Agora, que vêm mais turistas, e que as aulas presenciais vão regressar, chega a prudência.

Para lá das contingências, há sempre qualquer coisa que não bate certo!

 

Vacina de confiança*

Rússia afirma ter registrado a primeira vacina do mundo contra o ...

 

Putin anunciou a vacina por que todo o planeta anseia, com o nome de Sputnik V, mas o mundo desconfiou.

Talvez comece por aqui, justamente pelo nome, a desconfiança do mundo na vacina russa. Há três boas razões para desconfiar. A primeira é que há apenas uma semana ainda não constava entre as seis que a Organização Mundial de Saúde garantia estarem mais avançadas. A segunda é a falta de acompanhamento de pares estrangeiros em relação à metodologia científica utilizada. E a terceira é o registo da vacina sem estar concluída a fase de testes. Putin anunciou que foi testada na filha, e que tudo está a correr bem. Não é bem a mesma coisa... 

Mas basta o Sputnik para desconfiar. Sputnik é a marca do programa espacial do início da segunda metade do século passado, com que os soviéticos chegaram primeiro ao espaço, ganhando essa batalha aos americanos. É a marca do poderio científico russo que Putin agora recupera para marcar superioridade face ao ocidente.

Putin é capaz de tudo. Para tudo e especialmente para marcar essa superioridade.

Confiar numa vacina não é uma questão de crença. É uma questão científica. E ninguém acredita que Putin queira arriscar o prestígio mundial da Rússia numa vacina feita exclusivamente de propaganda. Da mesma forma todos sabemos que, seja a que nível for, nunca se pode subestimar a Rússia. A História encarregou-se de nos ensinar que sempre que alguém o fez se saiu mal.

Mas nem isso faz com que, em vez de aplaudir esta vacina, o mundo continue desconfiado… É que, mais que de uma vacina contra o covid, Putin precisa de uma vacina de confiança. De credibilidade.

 

* A minha crónica de hoje na Cister FM

A coisa de cada um*

Na habitação e nos comboios Pedro Nuno Santos e Medina estão em ...

Temos assistido, nos últimos dias, a uma série de escaramuças no seio do governo e do partido a que pertence. Nada que fosse grave se não tivessem por objecto dois dos maiores problemas que neste momento afectam o país. Se em causa, como vêm agora dizer vozes do governo e do partido que o sustenta, estivessem meras questões de livre opinião, próprias – e até saudáveis, acrescentaria eu – da democracia, não viria mal ao mundo. Neste caso ao país.

Só que não é assim. Os desentendimentos e os “mosquitos por cordas” surgem a propósito do avanço de focos da pandemia em Lisboa, e da (falta de) resposta dos serviços de saúde. E da TAP, ou do impasse a que chegou, afogando a sua agonia latente no sufoco geral do sector da aviação comercial.

Parece brincadeira. Mas de franco mau gosto: se há alturas e temas que não dão para brincar, são justamente estes.

Curiosamente – ou talvez não, no quadro do jogo político a que estamos habituados – no epicentro destes dois focos de tensão estão, nem mais nem menos, que os dois delfins de António Costa – Fernando Medina e Pedro Nuno Santos. E uma particular guerra pela sucessão, com cada um mais interessado em ganhar pontos para reforçar a sua clientela que noutra coisa qualquer. Pode até não ser assim, mas é assim que parece. E em política, como se sabe, o que parece, é!  

É grave o que está em causa, seja pelas consequências do eventual descontrolo nos circuitos de contaminação em Lisboa, seja pelo que venha a acontecer na TAP (a decisão ontem anunciada não é solução nenhuma e apenas adia e engorda o problema), que certamente acabará em mais um pesadelo para os contribuintes. Mais grave é a leviandade com que se faz e se vai continuar a fazer política em Portugal. Que, sendo tão só tratar da coisa comum, por cá insiste-se em alimentar a perigosa ideia feita  que fazer política é, e vai continuar a ser, cada um a tratar da sua coisa. Sempre muito pouco mais que a sua própria vidinha!

* Da minha crónica de hoje na Cister FM

O vizinho de porta aberta

Em Elvas com Badajoz à vista: Portugal e Espanha reabrem ...

 

A reabertura das fronteiras com os nossos vizinhos juntou as duas maiores figuras dos dois Estados, como documenta a fotografia. 

Não se percebe para que apontam o primeiro-ministro português e o rei espanhol. Noutra altura poderia dizer-se que estavam a marcar território e fronteiras. Ou a apontar para Olivença. Não se percebe quem apontou primeiro, nem se se afinam ou desafinam na ponta do dedo. Pode perceber-se que o chefe do governo espanhol e o chefe de Estado português não querem contrariar ninguém. Mas o que se percebe bem é que os espanhóis estão mais bem servidos de altura...

Narrativas*

Vale de Chícharos: um bairro feito de precariedade | AbrilAbril

 

Não é muito frequente, mas numa ou noutra ocasião já todos demos com um belíssimo automóvel, daqueles que custam verdadeiras fortunas e nos deixam de queixo caído e vista turva, desfeitos contra um muro que um certo dia decidiu estorvar-lhe o caminho.

Acontece o mesmo, mas com muito mais frequência, com certas narrativas. É cada vez mais frequente encontrarmos excelentes narrativas espaparradas contra o duro muro da realidade. Para assistir em directo a mais um desses choques brutais entre a realidade, dura e inamovível, e o brilho incandescente de narrativas de última geração, basta-nos espreitar por trás dos números da pandemia que não desarmam na área metropolitana de Lisboa. E ver o que se passa com a habitação e com as miseráveis condições de vida de largos milhares de pessoas, maioritariamente imigrantes oriundos das ex-colónias, nos concelhos do Seixal, Almada, Loures ou Amadora.

Convencidos que os bairros de lata faziam parte da História, e que essa chaga social era há muito definitivamente um problema resolvido, olhamos incrédulos para o Jamaica, para Santa Marta de Corroios, para o Segundo Torrão ou para a Urbanização Vale do Chicharro, a mais recente revelação. E vemos lá despedaçada num montão de lata, já não a sedutora e glamorosa Lisboa cheia de turistas, que essa já lá vai e nunca nos deixou ver nada, mas a não menos insinuante Lisboa da fase final da Liga dos Campeões que aí vem. Ou talvez não, sabe-se lá!

Sem a pandemia não chegaríamos lá. Continuariam a contar-nos que os bairros de lata há muitos tinham desaparecido, que somos um país de sucesso na primeira linha do desenvolvimento, que a todos garante as mesmas oportunidades. Que somos os melhores do mundo, que até passamos como referência mundial ao choque com a pandemia. E que não há segunda vaga nenhuma, o que estamos a fazer é mais testes. Como país de primeira que somos…


* A minha crónica de hoje na Cister FM

Passos atrás

SIC Notícias | Região de Lisboa dá um passo atrás no desconfinamento

 

Do Conselho de Ministros de hoje irão sair as orientações para o tal passo atrás dado por possível no anúncio do desconfinamento, há cerca de um mês. Os surtos que diariamente surgem por todo o lado, e mais insistentemente em Lisboa, onde as coisas estão longe de estar controladas, não deixam outra alternativa que não seja recuar.

Não será difícil de prever que o governo divulgue medidas de retoque na moldura penal para o crime de desobediência, particularmente em foco na alarmante onda de festas que se tem espalhado pelo país. E será fácil prever a conflitualidade aberta com a Constituição que vai encontrar. É que o "estado de emergência", que tudo permite, já passou.

E aí já não há como voltar atrás. Há, mas implicaria reconhecer a segunda vaga da pandemia, que todos negam. Todos, menos quem sabe: os epidemiologistas, que já o começaram a dizer.

 

Antes e depois

Costa diz que Champions em Portugal é um "prémio merecido aos ...

 

Se antes daquele anúncio, daquela forma e naquelas condições, da final a oito da Champions League deste ano em Lisboa, que deveria fazer corar de vergonha os seus intérpretes - mas não faz, porque Marcelo não tem vergonha de nada, e Costa terá prováveis problemas de ruborização de rosto - se percebia que muita coisa estava a mudar na relação dos portugueses com a pandemia, depois, essa mudança ficou ainda mais clara.

O ponto de viragem nem será exactamente o daquele acontecimento idiota, mas nunca deixará de ser esse o momento mais simbólico da viragem assinalada pelo ponteiro do medo. Antes, para os portugueses, mais importante que a doença era o medo.

O medo tinha sido o alfa e o ómega do chamado sucesso português, supostamente reconhecido na decisão da UEFA celebrada naquela patética sessão de propaganda. Fora por medo que os portugueses tinham até antecipado muitas das regras do confinamento. Fora por medo que tinham cumprido todas as indicações de protecção, e todas restrições que lhes tinham sido impostas. 

Depois perdeu-se o medo. E, perdido o medo, acabaram-se as preocupações de protecção, acabou-se o civismo, acabaram-se os bons exemplos, as lições de humanidade que todos os dias por aí  corriam e, por fim, todo o s tipo de restrições. 

O fim de semana encarregou-se de mostrar isso, com festas e mais festas de jovens inconscientes por todo o país. E com hospitais a serem inundados por adolescentes e jovens infectados. 

Antes, profissionais de saúde comoviam-se com os idosos infectados que lhes chegavam, mobilizavam-se para os salvar, com o que tinham e o que não tinham e, no fim, emocionavam-se e emocionavam-nos nas vitórias e nas derrotas que connosco partilhavam. Hoje, ao verem chegar estes jovens infectados, porventura ainda a tresandar a álcool, terão vontade é de lhes dar uns pares de estalos ou - vá lá - meter-lhes qualquer coisa pelo rabo acima. Ou pela garganta abaixo. 

 

 

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