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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Brasil 2014 XXIV - Quartos de final

Por Eduardo Louro

                                        

Foram-se os quartos, venham as meias!

Nos quartos de final, com menos espectacularidade e menos golos, imperou a lei do mais forte.

O Alemanha-França já foi aqui tratadoNão vi o Brasil-Colômbia, pelo que não sei se alguma coisa mais importante que a lesão do Neymar aí se passou. Que afastou aquele que era uma das grandes figuras deste mundial e talvez o maior pilar das aspirações brasileiras. A carga do jogador colombiana não terá certamente sido propositada. Não terá tido por objectivo partir-lhe as costelas, mas não é aceitável!

O Argentina-Bélgica teve bastantes semelhanças com o primeiro destes jogos, com os das pampas a fazerem de alemães, e os belgas de franceses. Os argentinos são, e foram sempre, melhores. Mas bem podiam não ter ganho, com os belgas a desfrutarem da sua melhor ocasião de golo nos últimos momentos do jogo.

A Argentina continua sem encantar, embora tenha vindo a melhorar a sua qualidade de jogo, continuando a ser levada às costas de Messi. E de Di Maria, que hoje se lesionou e que, tal como Neymar, está também fora do mundial.

A Bélgica voltou a confirmar que é uma equipa de compartimentos, com valores individuais de grande qualidade, atrás e à frente. A começar no guarda-redes, tem uma defesa de imensa categoria. E no entanto defende mal!

Na frente tem igualmente jogadores do melhor que se viu no Brasil. E nem por isso constrói muitas oportunidades de golo. Porque não tem – não teve – meio campo, e não tem sistema de jogo. Faz mal as transições ofensivas, e com isso não tira o melhor proveito da qualidade que tem no ataque. Mas é nas transições defensivas que é um verdadeiro desastre. Não se percebe quem fica, quem compensa nem quem transporta. E aquele Fellaini... Francamente! 

O último, mesmo sem golos, foi o mais emocionante de todos os jogos dos quartos de final. Encontravam-se a surpreendente e extraordinária Costa Rica e a Holanda que, ao contrário das restantes apuradas, vem de mais para menos. Começou espectacularmente com a goleada imposta à Espanha, mas depois disso foi sempre a descer. Pela simples razão de que é uma equipa – a exemplo da portuguesa, e salvo as devidas distâncias – talhada para o contra-ataque e para o ataque rápido. Quando enfrenta adversários que não tomam a iniciativa do jogo, e tem de jogar em ataque planeado, o rendimento é outro. E bem inferior!   

Esta Holanda é a capacidade de passe de Sjneider, a aceleração, velocidade, drible e diagonais de Robben, e capacidade de execução de Van Persie. Sem espaços nada feito, não funciona!

Se bem que haja sempre Robben: a alma de Robben, a encher o campo todo e… os mergulhos, às vezes a resolverem o que tudo o resto não resolveu!

Dá vontade de dizer que a selecção das Caraíbas mereceu toda s sorte que teve durante os 90 minutos do jogo e mais 30 de prolongamento, e não mereceu o azar que teve nos penaltis, acabando por morrer com os ferros com que matara a Grécia

Os holandeses tiveram três bolas na barra, mas só verdadeiramente tomaram conta do jogo nos últimos 10 minutos dos noventa e no prolongamento. Tivessem mais cedo posto em campo o empenho, e especialmente uma velocidade aceitável, e talvez não tivessem de se sujeitar aos penaltis que, pela história deste campeonato e pela extraordinária exibição – mais uma – do fantástico (será apenas guarda-redes de engate?) Navas, tinham tudo para não desejar.

Van Gaal não fez muito para alterar o curso dos acontecimentos. Fez duas alterações bastante tarde, a segunda (entrada do ponta de lança Huntelaar por saída do defesa português Bruno Martins, que está a caminho do Porto) já na segunda parte do prolongamento. E guardou a terceira para o último minuto do prolongamento. Insólito: trocou de guarda-redes, para os penaltis. Como já se percebia pelos exercícios de aquecimento que o guarda-redes Krul há minutos vinha fazendo à vista de toda a gente!

E resultou, defendeu dois penaltis e assegurou a qualificação da Holanda para as meias finais. Para compensar o azar das três bolas no ferro, Van Gaal teve sorte! 

Com a Argentina, nas meias finais, a Holanda poderá voltar a encontrar as condições naturais ao desenvolvimento do seu jogo. Pode ser que se volte a sentir como peixe na água... Mas se há coisa que caracteriza esta Argentina de Sabella é a forma como não permite desiquilíbrios!

Brasil 2014 XX - Emoções fortes

Por Eduardo Louro

 

 

Holanda e Costa Rica formam já o próximo par para os quartos. Fala-se do mundial de futebol, bem entendido…

No terceiro jogo dos oitavos de final a Holanda afastou o México (2-1) num grande jogo de futebol, entre duas equipas que sabem jogar à bola, orientadas por gente que sabe do ofício. Especialmente do lado holandês!

Esta foi uma vitória da selecção holandesa, mas tem o dedo inconfundível do próximo treinador do Manchester United. A Holanda apresentou-se no seu novo formato, no 5-3-2 que fez moda neste mundial, mas foi o México, com idêntica disposição, que mandou no jogo, com o portista Herrera, seguramente merecedor do troféu – se não o houver podia criar-se – para o mais deselegante e inestético jogador do mundial, como motor.

Os mexicanos distribuíam-se bem pelo campo, roubaram todos os espaços aos holandeses, e impuseram a sua dinâmica, assente na tão inegável quanto insuspeita categoria de jogador do Porto. Tirar o espaço a Robben e Van Persie é como tirar-lhes o ar: sem ar não respiram, como qualquer um de nós, sem espaço não jogam. Pronto: jogam pouco, são - foram -peças perdidas lá na frente!

Foi assim durante mais de uma hora, – mesmo que pelo meio, mesmo no fim da primeira parte, o Pedro Proença tenha deixado por assinalar um penalti claríssimo sobre o Robben – o tempo que o México precisou para marcar, logo no arranque da segunda parte (3 minutos), mais o que Van Gaal terá demorado a preparar a mudança. 

Se não havia espaço para Van Persie, o melhor seria tirá-lo. E colocar alguém lá na área mais posicional e fisicamente forte. E mais fresco. Já para Robben, o melhor seria ele procurá-lo. É um jogador fundamental, e então foi para a ala direita procurar - e encontrar - o espaço que noutras zonas sempre lhe faltou. E abrir o jogo pela direita, porque para o abrir do lado contrário entrou o miúdo Depay. À medida que tudo isto ia acontecendo, e já dentro do quarto de hora final, De Kyut saiu da esquerda, desfazendo o cinco, e subiu para a área, para junto de Huntelaar, o tal que entrara para substituir Van Persie.

O resto é a emoção do futebol, com Sneijder a fazer o empate a dois minutos do 90, e Huntelaar, na conversão de um penalti - que o árbitro português assinalou para fazer a vontade a Robben - a consumar a reviravolta a outros dois minutos dos 6 de compensação.

O adversário da Holanda nos quartos de final saiu do confronto entre a Grécia e Costa Rica, duas das surpresas destes oitavos, com os centro-americanos na figura de surpresa maior deste mundial. E pode dizer-se que lhes calhou o pior adversário possível para reforçarem o estatuto!

Porque a Grécia é, como se sabe, um adversário matreiro, que nunca se expõe e que espera pela presa como o melhor dos caçadores. Mas acima de tudo porque eliminá-la não seria sequer surpresa!

O jogo foi fraquinho na primeira parte, se bem que com mais Costa Rica, mas muito intenso depois. Logo no início (7 minutos) da segunda parte a Costa Rica marcou - o árbitro negar-lhe-ia, no minuto seguinte, um penalti que poderia ter dado o 2-0 - mas já contra a chamada corrente do jogo. A Grécia, que já estava por cima, tomou notoriamente conta do jogo a partir do momento em que ficou em superioridade numérica (66 minutos) por expulsão – segundo amarelo – de um jogador centro-americano. Foi já no período de compensação que acabou por chegar ao golo. E ao empate. E ao prolongamento!

Que foi de um enorme sofrimento para os jogadores de ambas as equipas. Mais penoso para os da Costa Rica, mais de uma hora com um jogador a menos... A Grécia foi então ainda mais dona do jogo, mas não marcou. E lá vieram os penaltis!

Ao contrário do que sucedera no desempate entre o Chile e o Brasil foi um festival da arte de bem marcar penaltis. Falhou um, o grego Gekas. Melhor: defendeu, muito bem, o guarda-redes Navas, o homem do jogo (na foto) que, diz-se por aí, está a caminho de Portugal. E Fernando Santos, que foi expulso no intervalo para a marcção dos penaltis, também vem para casa. Mas com o dever cumprido!

Brasil 2014 X - A sensação

Por Eduardo Louro

 

 

É a sensação deste mundial. Saída directamente do pote dos mais fracos, inocente para ser emolado em oferenda de sacrifício aos três deuses campeões do mundo, feitos para mandar no grupo D, também chamado da morte, a Costa Rica, surpreendendo tudo e todos, já está apurada para os oitavos.

Feita para estar agora a acompanhar um desses campeões do mundo no regresso a casa, acaba de mandar embora um deles, e logo a excitante Inglaterra. Que era, por razões diferentes, parte tão interessada quanto o Uruguai na esperada vitória da Itália. Que não ganhou, perdeu (0-1) e perdeu bem - ainda com um penalti por assinalar, sobre o excelente Campbell - perante uma equipa que é, antes mais, uma equipa. Mas que, depois, é uma equipa com uma clara ideia de jogo, com jogadores que tratam muito bem a bola, que faz circulação quase tão bem como o tiki-taka dos bons velhos tempos, que pressiona alto e que joga com a defesa a cinco – ou a três, para quem entende assim – que tão bem sucedida está a ser neste mundial. No caso uma defesa muito subida que, com uma organização soberba, nunca é apanhada em falso. Raramente é surpreendida, com as costas bem protegidas … pelo fora de jogo.

Se já o tinha mostrado frente ao Uruguai, no primeiro jogo, hoje confirmou – mais, refinou ainda – todos esses atributos, dando um banho de bola à Itália. Que nunca (uma única vez é a excepção que confirma a regra) conseguiu entrar naquela defesa, e que deve ter batido o recorde dos fora de jogo!

O mais estranho desta Costa Rica sem tradição nem história no futebol é que não é composta por talentosos jovens desconhecidos. À excepção do avançado Joel Campbell (na foto), o jovem de 21 anos - completa dentro de dias 22 - que pertence aos quadros do Arsenal mas onde ainda nem sequer jogou, e para já a revelação deste campeonato do mundo, as suas principais figuras são jogadores que não são exactamente jovens e que actuam na Europa. Não na Europa de primeira mas, no que a futebol diz respeito, na de segunda linha. A estrela, o 10 Brian Ruiz, tem 28 anos e joga na Holanda, no PSV. Chrisitian Bolaños, um ala, tem 30 e joga no Copenhague, da Dinamarca. Celso Borges, pivot defensivo, tem 27 anos e joga na Suécia, no AIK. E poderíamos falar de Gambôa, Tejeda ou do espectacular lateral direito Júnior Diaz, que já vai nos 31 anos e joga na Alemanha, no desconhecido Mainz. Conhecemos o guarda-redes Navas (27 anos) porque joga no campeonato espanhol, no Levante.

Também o treinador – o colombiano Jorge Luís Pinto – desconhecido, não é um jovem. É já sexagenário e, para além de saber do ofício, sabe estar neste mundo cão. Veja-se como ele soube aproveitar, no momento certo, o mediatismo de Mourinho!

Aconteça o que acontecer, a Costa Rica é já a grande selecção deste mundial. Despachou já dois campeões mundiais, e o mandou o terceiro embora ainda sem sequer o ter defrontado. E, porque já se percebeu que a continentalidade conta, e porque a própria carreira da Costa Rica se encarregou de limpar a feia imagem do Uruguai da primeira jornada, ninguém ficará muito surpreendido se for a Itália a acompanhar a Inglaterra… 

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