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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

A Europa dos muros

Por Eduardo Louro

 

Foi a este ponto que chegou a Europa unida e única. À Europa da moeda única, que passou a Europa do pensamento único. A que não admite desvios, torcendo e esmagando quem desalinhe: o camion a acelerar em direcção ao Mini. À Europa de Schengen, que depois de derrubar fronteiras ergue muros... Atrás do que esconde ideias que a civilização condenou há três quartos de século. 

É esta a Europa que demorou 50 anos a construir e apenas 5 a destruir. A Europa dos muros... A Europa do muro que caiu para que outros se reergam!

Acabou o Verão. Voltemos à realidade!

Por Eduardo Louro

 

Admito que já nem todos se lembrem, mas o grande objectivo do governo e a bandeira de Vítor Gaspar, o regresso aos mercados, estava marcado para 23 de Setembro. Bem sei que não é na próxima segunda feira, é na outra!

Falta uma semana, e em vez de vermos os mercados a fervilhar de expectativa à nossa espera, ansiosos por nos receberem de braços abertos, vemo-los de costas viradas, lá muito longe, afastados como há muito não víamos. É exactamente isso que quer dizer a taxa de juro já bem acima dos 7% nos mercados secundários, ao nível do pior de 2011, quando o resgate era inevitável!

Quer isto dizer que, ao contrário do que vinha sendo apregoado pela máquina de propaganda ao serviço do governo, o país não recuperou confiança nenhuma. Os credores não acreditam que Portugal possa alguma vez pagar o que deve, e não há regresso nenhum aos mercados. Nem na data marcada por Passos e Gaspar nem em qualquer outra!

Porque, como sempre se disse, o programa da troika não batia certo e, no que batia, não foi executado. Veja-se a paradigmática reforma do Estado: absolutamente indispensável (reforma administrativa, reforma da justiça, desburocratização, eliminação de serviços duplicados e triplicados, reforma da administração local, reforma do sistema eleitoral, etc.) foi transformada numa mal amanhada junção de umas freguesias e no corte cego funcionários públicos.

E, por isso, como Vítor Gaspar enunciou sem rodeios na sua carta de demissão que quis tornar pública, tudo falhou.

Os objectivos de controlo do défice falharam sucessivamente, como irão continuar a falhar. Paulo Portas e Maria Luís Albuquerque andaram toda a semana, em Bruxelas e em Washington, a tentar convencer a troika a mais uma flexibilização (de 4 para 4,5%). Sem êxito, ao que parece, mas também sem convicção, com a ministra das finanças já hoje a garantir que a meta estabelecida é para cumprir, que não há pedido nenhum de flexibilização, em conformidade com o seu chefe natural e em confrontação aberta com o chefe que lhe foi imposto. Bonito!

A dívida, que a máquina de propaganda do governo diz ser para pagar e estar a ser paga, não parou de subir e já passa dos 130% do PIB. Impagável, como toda a gente sabe. Se antes se falava da renegociação da dívida como condição sine qua non para o sucesso da recuperação económica e financeira do país, hoje já não há economista sério que não tenha que dizer que sem perdão de dívida, sem hair cut, não há recuperação possível.

É por isto que ninguém já acredita no chamado programa de ajustamento.  Mas, para Maria Luís Albuquerque, não é por nada disto. 

É pelo Tribunal Constitucional. Exactamente em conformidade com o seu chefe natural e, mais uma vez, em confrontação com o chefe imposto!

Dramático. Por cá ninguém põe ordem nisto: não há oposição, Seguro é cada vez mais uma anedota e Cavaco auto mutilou-se. E a União Europeia continua congelada pelo frio do norte, imobilizada, como se nada percebesse do que se está a passar, como se voltou a ver hoje na reunião do eurogrupo. Ou irresponsavelmente na lua, na pessoa do seu suposto responsável máximo...

 

Participação qualificada

Por Eduardo Louro

 

 

No Chipre, já está… Os depositantes vão passar a banqueiros. O Banco Central já decidiu que 47,5% dos depósitos no Banco do Chipre - acima dos 100 mil euros - voam directamente para o capital deste que é o maior banco privado cipriota!

Não sei se essa será uma participação qualificada. A participação do banco nos depósitos, essa é qualificada. Garante-lhe até maioria…

Seria bom que alguém se lembrasse que o resto da Europa não é o Chipre. Que isto não é replicável noutro lado, sob pena do estoiro ser total… De não restar pedra sobre pedra!

 

UM BOCADINHO MAIS DE SERIEDADE. PODE SER?

Por Eduardo Louro

  

Vítor Bento, o conselheiro de Estado, do presidente  e do governo, que hoje voltou a tomar conta do espaço mediático a pretexto, desta vez, do lançamento do seu novo livro - Euro forte, euro fraco -, considerou hoje que, perante a decisão do Tribunal Constitucional (TC), será mais difícil a Portugal renegociar com a troika as maturidades dos empréstimo. Hoje, exactamente o mesmo dia, sabe-se através da Reuters que a troika admite dar mais sete anos a Portugal e à Irlanda para pagar os empréstimos. Não é mais um ano ou dois: é mais sete!

Será que dá para acabar com a dramatização? E se passassem todos a ser um bocadinho mais sérios?

CAMIÕES DE MASSA

Por Eduardo Louro

 

Cinco mil milhões de euros, vivinhos, em notas, passearam hoje no Chipre. Não em carros blindados, mas em camiões vigiados por terra e ar por gente fortemente armada.

Chegaram de barco, provenientes da Alemanha – pois claro, eles é que são os donos da bola – e tinham por objectivo fazer com que não faltassem notas, hoje na reabertura dos bancos. Que estavam mesmo vazios!

MAU CHEIRO...

Por Eduardo Louro

 

Ainda não ouvimos uma palavra, seja da boca do primeiro-ministro seja da do ministro das finanças, sobre o dito resgate do Chipre. Sabemos que Vítor Gaspar foi um dos que, na madrugada de sábado, aprovou aquela decisão de confiscar os depósitos dos cipriotas. E não só, bem sei…

Por isso mesmo, porque fez parte da decisão que acabou de vez com a União Europeia, maior seria a sua obrigação de dizer qualquer coisa. Mas sabemos bem que poderemos esperar sentados. Nem ele está para se dar a essa maçada, nem nunca à sua mente chegaria a ideia de que pudéssemos merecer algum tipo de explicação.

Mas se do governo nada ouvimos, o mesmo se não passa do lado dos seus apoiantes. A legião de escribas ao seu serviço espalhada por todo o espaço mediático, resolveu propagandear que a situação é igual à da Islândia. E têm até o desplante de perguntar como é possível que os que apoiaram o processo islandês estejam agora revoltados com esta medida imposta ao Chipre.

O silêncio do governo é a prova de que já morreu, que já não está nem diz. Os seus indefectíveis apoiantes e ideólogos bem se esforçam por esconder o cadáver, mas não percebem que apenas acabam por espalhar ainda mais o mau cheiro!

DESASSOSSEGOS

Por Eduardo Louro

 

Como há poucos dizia a verdade começa a passar por aí. Os dogmas indiscutíveis de ontem vão caindo, um após outro.

A descoberta da verdade e o abandono de dogmas são, normalmente, boas notícias. Será que o são aqui e agora?

É sempre melhor conhecer a verdade que viver na mentira. É sempre melhor saber que já não há dogmas, e que é possível escolher outros caminhos.

Mas por que é que em vez disto aumentar a nossa tranquilidade aumenta o nosso desassossego?

Porque percebemos que isso é apenas a consequência de bater na parede. Na parede que sempre ali esteve, que sempre se disse que ali estava…

Porque vamos finalmente percebendo que tudo é muito mais complexo e difícil do que nos quiseram fazer crer. Que nada é tão simples como termos vivido acima das possibilidades. Que devíamos ter feito coisas que deixamos por fazer, e que continuamos a deixar de lado, como se não fossem os verdadeiros nós górdios que prendem o país…

Porque vamos percebendo que na Europa a coisa está também preta. Que a UE não é mais uma União, mas um safe-se quem puder. E que cada uma esta á fazer pela sua vida, sem que nós façamos nada pela nossa. Que o Ocidente precisa urgentemente de respostas novas e que é preciso estar à altura de as procurar…

Porque, à medida que vamos percebendo estas coisas, olhamos para quem nos comanda, a quem entregamos o leme nesta tempestade, e vemos Passos Coelho, Relvas, Vítor Gaspar, Álvaro Santos Pereira…

Porque, percebendo que com gente desta não temos qualquer hipótese, olhamos para as alternativas e vemos… António José Seguro… Porque percebemos que estamos condenados a não sair daqui…

Dramático!

OS AMIGOS DE GASPAR

Por Eduardo Louro

 
O nosso Vítor Gaspar, ao contrário do que muitos de nós possamos pensar, tem amigos. Poderá não ter muitos por cá, um ou outro banqueiro, talvez o António Borges, e pouco mais, mas lá por Bruxelas tem alguns. Terá obrigatoriamente de ter alguns por lá, de outro modo não seria ministro das finanças. Todos sabemos que em Portugal se governa para os amigos, portanto ele tem que ter amigos e só podem estar por lá…

E até já ouvimos o senhor Schauble – o ministro das finanças alemão, com quem  partilha grande cumplicidade – dizer que, mais que seu amigo, é um verdadeiro admirador. A senhora Merkl, embora bem mais efusiva com Passos Coelho, também não esconde que o tem em boa conta.

Que um senhor belga chamado Paul de Grauwe, economista de renome e conselheiro de Durão Barroso, seja mais um dos seus amigos de Bruxelas não pode surpreender por aí além. É ele próprio a fazer questão de o salientar!

O que é de admirar é que este seu até agora desconhecido amigo lhe venha publicamente aconselhar calma. Calma nesta sua azáfama austeritária que está a destruir isto tudo! O que mais surpreende é que lhe venha chamar burro, com todas as letras e para todos nós ouvirmos. Diz-lhe claramente: meu caro amigo Vìtor, não leves a mal, mas só os burros insistem no mesmo erro. Se já viste no que isto dá, insistir é burrice!

Já tínhamos ouvido isto a toda a gente. Mas dos amigos do Dr Vítor Gaspar é que não esperávamos ouvir coisas destas. Pelo menos para já!

E já agora, alguém acredita que este amigo deste nosso inimigo, venha para cá dizer coisas destas (vale a pena ouvir tudo) sem que as tenha já dito na Comissão Europeia e ao Presidente, o nosso Durão Barroso, de que é conselheiro?

Pois é! Não se percebe nada disto, pois não?

Como diria o outro: ai percebe-se, percebe-se… Percebe-se que nada funciona, que a União Europeia já morreu, que os seus órgãos entraram em falência completa. Que só a Alemanha vive, não percebendo que também está já bem doente…

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