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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Apresentações feitas

Mundial 2022: Ronaldo eleito o melhor em campo no Portugal-Gana |  MAISFUTEBOL

Com Marcelo a ver - e a cumprir a promessa de "partir a loiça toda", em privado, num encontro com o Presidente do Gana, Nana Akufo-Addo, sobre educação, numa iniciativa da fundação Education For All, em conjunto com as Nações Unidas, transmitida na Internet - a selecção portuguesa estreou-se neste último dia da primeira jornada do Mundial, num estádio feito de contentores e com nome de indicativo de número de telefone (974 - o indicativo internacional do Catar, o 351 deles).

Nos contentores da selecção não havia carga, apenas emoção, percebeu-se logo pela humidade nos olhos de Cristiano Ronaldo quando se iniciou o hino. O indicativo também facilitou a comunicação. A equipa não comunicou, e não foi só para Rúben Dias, no primeiro golo do Gana. Nem para Cancelo, no segundo. Nem ainda para Diogo Costa, no último segundo do jogo, no que esteve perto de ser o hara-kiri final desta selecção.

Na verdade pouco ou nada funcionou na selecção. Funcionou sim - isso nunca falha - o futebol pobrezinho de Fernando Santos. Sempre pobrezinho, e sempre mais pobrezinho ainda com Cristiano Ronaldo na equipa, como está mais que demonstrado. Como demonstrado está que Fernando Santos é mesmo capaz de transformar jogadores de classe mundial em meros jogadores banais.

Já não há paciência para o que dizem ser o futebol de paciência da selecção. Nem para o resto!

Por exemplo, Fernando Santos escolheu jogar com a Nigéria para preparar este jogo. O argumento é que seria a equipa mais parecida com a do Gana, para quem perdera a qualificação. Se era para isso, quem é que compreende que a equipa que hoje subiu ao relvado, quase nada tivesse a ver com a que passou, com distinção, no teste. E, sim, na boa exibição com a Nigéria não jogou Cristiano Ronaldo.

A sofrida vitória sobre a 61ª selecção do ranking da FIFA - sim é equipa menos qualificada que está no Catar - acabou por ser a única coisa positiva da estreia da selecção. E, se não caiu do céu, não faltou muito.

Na primeira parte foi o tal jogo de paciência, para que já não há paciência. A equipa portuguesa nunca mandou no jogo a sue bel-prazer. Nunca sufocou o adversário, nem nada de perto. Mas, na verdade, também nunca deixou que o Gana mostrasse qualquer tipo de ameaça.

Na segunda foi pior. Não dominou o adversário, nem sequer nunca controlou o jogo. E permitiu que o adversário ameaçasse.

Ameaçava já quando, já mais de metade da segunda parte se tinha esgotado, do céu, caiu um penálti. Que Cristiano Ronaldo converteu em golo, estabelecendo mais um recorde - o primeiro jogador a marcar em cinco campeonatos do mundo. E sabe-se como isso é o que mais importa.

Nem com um golo caído do céu a equipa serenou, e permitiu o empate poucos minutos depois, na primeira falha da defesa portuguesa. Falhou Rúben Dias, e  falhou, em acto contínuo, Danilo. 

A equipa do Gana mandou-se para cima da selecção portuguesa, com todos estes nomes. E foi isso, essa desenfreada busca pelo golo da vitória, que permitiu, em contra-ataque, que a equipa de Fernando Santos chegasse ao 3-1, com dois golos em dois minutos. 

Mas, nem ainda assim, e a 10 minutos do fim do jogo, tivemos equipa. João Cancelo, transformado num jogador banal, foi isso mesmo. E o Gana voltou a marcar, transformado os inacreditáveis 9 minutos de compensação num pesadelo. Que só não tenebroso porque, no último minuto, o IñaKi Wiliams, saído de dentro da baliza portuguesa, e nas costas de Digo Costa, escorregou quando lhe roubou a bola que ele tinha no chão, à sua frente, para fazer passar os últimos segundos.

Fechada a primeira jornada, com os jogos dos grupos G e H, estão apresentadas as equipas. E deixadas as primeiras impressões daquilo que podem ser as suas ambições.

O empate a zero - mais um - no Coreia do Sul - Uruguai, num jogo muito dividido, em que o futebol da selecção orientada por Paulo Bento foi mais interessante, acabou por ser um resultado interessante para a selecção portuguesa. O pior é o resto...

O grupo G, onde a Suíça ganhou aos Camarões (1-0), teve no Brasil - Sérvia (2-0) um dos melhores jogos desta primeira jornada. Começou por ser um grande jogo, e acabou num enorme jogo do Brasil, com aquele fabuloso golo - segundo dos dois do Richarlison - a ser, desde já, muito provavelmente o melhor deste Mundial. E um dos melhores de sempre. Melhor, será difícil!

Não se sabe o que aí virá, mas que os candidatos já estão apresentados, lá isso estão. O que esta primeira jornada disse é que, na primeira linha, estão o Brasil, a França e a Espanha. Por esta ordem, mesmo.

Depois, a Inglaterra e a Alemanha. Falar de Portugal, só por graça!

 

 

 

Missão impossível

Piers Morgan e a entrevista a Cristiano Ronaldo: «Foi ele que me pediu e  sabia que iria incendiar as coisas» - Man. United - Jornal Record

Cristiano Ronaldo tornou-se refém do seu ego. Um ego assim só poderia acabar refém de si próprio. No desespero, como sempre acontece com os desesperados, não quis ficar refém sozinho, e arrastou consigo mais uns tantos. Pelo menos mais 25. Os outros já há muito que eram reféns vestidos de fiéis escudeiros. 

Já não tem outro caminho para o fim de uma carreira, que não merecia este fim, que não seja o do Mundial que se vai iniciar.

Não lhe resta outra oportunidade para a despedida que não seja o momento em que se despedir do Catar. Sem se aperceber que lhe trancou todas as portas da glória, o seu ego apenas aceitará esse caminho impondo-lhe a última missão de uma saída em grande.

A missão impossível que tanta gente crê - ou quer fazer crer - possível!

É assim mesmo!

A selecção ganhou, e goleou (4-0) a da Chéquia, em Praga. O resultado é excelente, a que acresceu a surpreendente derrota da Espanha, em Saragoça, com a Suíça.

Cristiano Ronaldo foi titular, "arrastou-se pelo campo" o jogo todo e ... foi penoso de ver. Falhou remates, e até cometeu um penálti, daqueles sem ponta para se lhe pegar. Para Fernando Santos foi uma boa exibição. Falhar, acontece - é futebol. Mas esforçou-se e serviu a equipa. E se não fossem os espaços por ele criados, os outros não teriam marcado.

É assim mesmo!

A lenda

Quem sabe não esquece. Ronaldo bisa no regresso ao Manchester United

Claro que fui um dos milhões de humanos que não quis perder a (re)estreia (18 anos depois) de CR7 no Teatro dos Sonhos., transmitida em directo pelas televisões para todo o mundo (excepto três ou quatro países, entre eles o Afeganistão e ... o Reino Unido, por razões de concorrência com outros jogos à mesma hora). O acontecimento mundial do dia, ainda mais notável por ser precisamente neste dia 11 de Setembro, dos 20 anos do dia em que o mundo mudou.

É absolutamente extraordinário como a marca Cristiano Ronaldo, hoje bem mais que o jogador, consegue fazer  desta (re)estreia  um acontecimento mundial. E foi de sonho!

Dois golos, de ambas as vezes a desbloquear o resultado. O primeiro, em cima do intervalo, quando o nulo resistia, numa oferta irrecusável do guarda-redes do Newcastle (largou a bola para a frente, a sua, mas também a de Cristiano); e o segundo, a meio da segunda parte, quando o resultado já estava de novo empatado; com o keeper deixar passar a bola entre as pernas.

Depois aconteceu o grande golo de Bruno Fernandes. Tudo correu bem. Marcou, também, e não houve livres, nem penaltis para cobrar. O terceiro de Ronaldo foi esperado até ao fim, mas não surgiu. Nem sequer oportunidade para isso. Apareceu o quarto golo do United, mas foi marcado por Lingard. Bem bonito, e muito bem construído.

Tudo perfeito em Old Traford, agora o teatro da lenda.

 

Côrte, burgueses e milagres

Portugal consegue reviravolta frente à Irlanda com 'bis' de Ronaldo em cima do fim

Este jogo de hoje no Algarve, na quarta jornada do torneio de apuramento para o mundial do Qatar, no próximo ano, com a fraquinha selecção irlandesa, disse muito do que é a actual selecção nacional de futebol. A equipa das quinas salvou-se de um desaire comprometedor quase por milagre, numa reviravolta já inesperada, com os dois golos de Cristiano Ronaldo que ditaram a vitória a chegarem quando já ninguém os esperava.
 
Na realidade os irlandeses só não mereceram ganhar porque quem faz o anti-jogo que eles fizeram na segunda parte, não pode nunca merecer ganhar um jogo. Mas quem joga como a equipa nacional o fez, também não!
 
Na primeira parte a selecção nacional foi uma corte que, em vez de nobres, era constituída por burgueses. A corte de Cristiano Ronaldo, que a equipa voltou a ser, foi ocupada por jogadores aburguesados, de uma nobreza falida. Parece que só havia um objectivo, o tal que tomou conta da equipa de Fernando Santos de há uns tempos a esta parte - levar Cristiano Ronaldo a bater o já igualado recorde de melhor marcador de selecções!
 
A coisa até começou bem, nesse aspecto. Logo aos 8 minutos o árbitro assinalou, e confirmou, depois de convidado pelo VAR, um penalti, oportunidade que "o melhor do mundo" recebeu com visível ansiedade. E perturbação, fosse pela demora na sua confirmação, fosse pelas provocações a que foi sujeito e a que reagiu mal. Permitiu a defesa ao miúdo de 19 anos que estava na baliza da Irlanda - e que acabaria a fazer uma enorme exibição - e nunca mais em toda a primeira parte se libertou dessa perturbação. Foi sempre um jogador a menos na equipa, que apenas pôde contar com Diogo Jota. E Palhinha, mais ninguém!
 
Tudo o resto eram burgueses à espera que alguma coisa lhes caísse do céu. E ao minuto 45, em cima do intervalo, num canto, os irlandeses marcaram. Sem surpresa, de resto. A produção da equipa nacional tinha-se ficado por um remate de Diogo Jota, ao poste. No período de compensação, Jota ainda rematou para o único deslise do jovem guarda-redes Gavin Bazuru, que emendou de imediato e evitou o frango.
 
Para a segunda parte a equipa entrou com André Silva no lugar de Rafa, e isso fez bem … a Ronaldo. Ocupou um espaço na superpovoada área irlandesa, e isso libertou mais o capitão da selecção nacional, mais libertado também da frustração do penalti falhado, e porventura mais convencido que era mais importante ganhar este jogo que marcar, ele, o tal golo.
 
Paralelamente, os burgueses começaram a perceber que do céu não cairia nada, e a fazer alguma coisa pela vida. Ainda assim muito menos do que faziam os da Irlanda, todos dentro da sua área. Ou no chão, sempre que podiam. E como nunca víramos uma equipa britânica fazer.
 
Jogar bem, é que não. A bola circulava mais pelos jogadores portugueses, é certo. Com João Mário (na vez de Bruno Fernandes) e Moutinho (na do esgotado Palhinha) passou a circular melhor. Mas sempre para o lado e para trás, como gosta Fernando Santos. E cruzamentos e mais cruzamentos, invariavelmente anulados pelos dez ou onze irlandeses dentro da área, sempre de frente para a bola. Apenas por duas vezes a bola foi cruzada da linha de fundo. Na segunda, aos 90 minutos, levada pelo Gonçalo Guedes (que substituíra João Cancelo) deu no golo do empate.
 
Um golo naturalmente muito festejado. Por tudo, também por ser o do empate. Depois dos festejos a bola foi ao centro, mas foram os irlandeses a reagir. Só não marcaram de imediato … por milagre. E ensaiaram até passar a defender muito alto, mesmo em cima da área de Rui Patrício. Tudo ao contrário do que teria de acontecer. Mas havia outro milagre para acontecer, ao sexto dos 5 minutos de compensação, na última jogada da partida, quando Ronaldo voltou a cabecear - como só ele consegue - aquela bola centrada por João Mário.
 
Claro que foi Cristiano Ronaldo que resolveu este jogo. Esse é um facto. Mais ninguém poderia marcar aqueles dois golos. Poderá dizer-se que resolveu os problemas que criou, e que, sem ele, talvez fossem criadas outras oportunidades, e marcados outros golos. Mas isso já não é factual.
 
Facto é também que cada vez ganha mais forma a ideia que a selecção nacional tem no seu seleccionador o principal problema. E com ele, fazendo dois em um, o de Cristiano Ronaldo. Por muito injusto que isso seja, e por muito difícil que seja hoje de dizer!

Até parece que o futebol ainda é o que era

How Manchester United will line up with Cristiano Ronaldo |  FootballTransfers.com

 

Ontem falava-se de Manchester. Que Cristiano Ronaldo estava a caminho do City. A explicação parecia simples - CR 7 não queria arrumar as botas sem voltar a ser campeão europeu, mais a mais depois de dois anos de tentativa falhada em Turim - e o City, de Guardiola, que ainda persegue o mais importante troféu do futebol mundial de clubes, apresentaria boas possibilidades de servir esse desejo. Mas não convencia os históricos do histórico United. 

Para eles Cristiano é red devil, e nunca poderia ser anjo com as cores do rival, que libras das arábias resgataram à subalternidade. Seria inaceitável traição, e CR7 não é para isso - garantiam-no Rooney, Rio Ferdinand e tantos outros, do seu tempo, ou de tempos mais remotos. 

E assim foi. O jacto privado que descolou de Turim aterrou em Manchester, mas desviou depois o destino para Old Traford, o Teatro dos Sonhos. Acredito que terá sido com isto que Cristiano Ronaldo sonhou - quando as luzes se começam a querer apagar, voltar a vestir a camisola vermelha que o projectou como estrela maior da galáxia do futebol! 

Torço para que corra bem. Se não correr, ainda assim é bonito. Mais bonito do que ganhar mais uma Champions, e na condição inédita de o fazer por um terceiro clube.

O futebol já não é o que era, nem nunca mais será. Até pareceu que é, e sabe muito bem mesmo quando só parece.

 

O paradoxo

Suécia 0-2 Portugal | À lei de CR101, o insaciável - ZAP

 

A selecção nacional de futebol ganhou na Suécia, e lidera o grupo à frente da França, mesmo que ambas  com o pleno da pontuação no fim da segunda jornada. Com os mesmos adversários, e nas mesmas circunstâncias, a selecção nacional sofreu menos um golo no jogo em casa, com a Croácia (4-1, contra 4-2, ontem, dos franceses) e tem mais um golo marcado no jogo fora, com a Suécia (2-0, contra 1-0 dos gauleses no passado sábado).

Ganhar fora numa competição tão apertada como esta, é sempre um bom resultado. Ganhar na Suécia por 2-0 é por isso um bom resultado. Ganhar claramente, sem deixar espaço para dúvidas na justeza do resultado, é mesmo muito bom. No entanto a qualidade da exibição da selecção nacional não teve nada a ver com o que tinha acontecido no sábado passado, frente à Croácia.

A selecção jogou bem menos. E bem menos bem, expondo o paradoxo da presença de Cristiano Ronaldo na equipa. Fernando Santos manteve 10 jogadores que tinham iniciado o jogo com a Croácia. Não mudou mais nada, acrescentou-lhes apenas "o melhor do mundo".

Cristiano Ronaldo respondeu, e fez o que se lhe pedia: golos. E dos bons. Dois golaços, o primeiro num espectacular livre directo, e o segundo, mais espectacular ainda, numa execução soberba a finalizar uma das poucas bem sucedidas jogadas de futebol corrido da equipa. Teve mais uma noite de glória, chegou aos 100 golos pela selecção. E passou aos 101, a oito de um tal iraquiano de que ninguém sabe o nome (não vale ir cabular ao Google) que, com 109, é quem mais golos marcou por uma selecção. E no entanto a equipa não jogou bem...

A pergunta já é se será possível encaixar uma grande exibição de Cristiano Ronaldo numa grande exibição da selecção nacional. Estranhamente a resposta parece que é - não! E é por isso que Fernando Santos repete até à exaustão que "com o melhor do mundo qualquer equipa é mais forte".

As equipas que jogam melhor nem sempre são as mais fortes, é verdade. Mas as que jogam melhor estão sempre mais perto de ser as mais fortes. 

Nada disto pretende pôr em causa a presença de Cristiano Ronaldo na selecção. Nem quer dizer que a selecção nacional deveria descartá-lo, impedindo-o de bater o último recorde que tem pela frente. Mas apenas que a incompatibilidade entre a qualidade de Cristiano Ronaldo e a do colectivo da selecção é o grande paradoxo desta selecção.

Não sei como se resolve. Mas não tenho dúvidas que não se resolve com a espécie de "regime de vassalagem ao melhor do mundo" que Fernando Santos lançou.

 

Formalidades

(Foto AFP/Getty Images)

Está cumprida a formalidade. Cristiano Ronaldo entrou no tribunal pela porta da frente, como o meritíssimo decidiu, e não pela garagem, como pretendia. Sentou-se no banco, coisa que não aprecia particularmente, e declarou-se culpado, como se tivesse acabado de sofrer uma entrada por trás, sem bola,  e se tivesse de levantar a pedir desculpa ao adversário... E saiu, poucos minutos depois, pela mesma porta da frente, com o mesmo bom ar com que entrara, porque a formalidade também tem cara ...

Entregues os 18,8 milhões de euros, já só dois anos de prisão de pena suspensa ligam Cristiano Ronaldo a Espanha. Vão ter muitas saudades dele... Muitos, já têm!

 

Tema da semana*

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Normalmente não se repete numa semana o tema da anterior. Mas não é assim tão raro que uma notícia permaneça na ordem do dia durante mais que uma simples semana, como inevitavelmente teria de acontecer com a acusação que caiu que nem um raio sobre Ronaldo. 

Na semana passada abordei o contexto. Nunca me referi ao que teria acontecido, porque disso não faço a mínima ideia, nem sequer ao que era dito que tinha acontecido, na altura apenas com a versão publicada pelo jornal alemão Der Spiegel.

Referi-me, apenas e só, à forma como o movimento me too exponenciava as dificuldades para Cristiano Ronaldo na situação que acabava de vir a público, e as consequências que potenciava.

Hoje são já conhecidos dados da defesa de Cristiano Ronaldo, bem construída pelo que vai percebendo – nem outra coisa seria de esperar -, e que tem já em vista - e bem - limitar os danos de reputação. Ou seja, começam agora a ser conhecidos dados, informação - que nunca factos, bem entendido - para que se comece a construir opinião com alguma sustentação.

No entanto, o que vimos foi que não foi preciso esses dados, nem outros quaisquer, para que a semana fosse dominada pelo debate à volta de Cristiano Ronaldo, com a opinião pública a dividir-se rapidamente pelas duas partes em confronto.

Digamos que esta contenda se disputou em dois campeonatos. Um, que poderia chamar-se de segunda divisão, dominado pelos preconceitos mais básicos (“ela estava á espera de quê, quando subiu ao quarto?”; “acabou-se o dinheiro, e agora quer mais”, e outras do género), e outro, que poderíamos chamar-lhe de primeira divisão, com preconceitos politicamente correctos.

No campeonato da segunda divisão, Cristiano Ronaldo não ganhou de cabazada, ganhou por falta de comparência. Era o herói nacional, e no herói nacional ninguém toca. Sem competição, não teve grande interesse, como sempre acontece nos campeonatos pouco competitivos.

No da primeira divisão as coisas passaram-se de forma diferente. Foi um campeonato maioritariamente feminino, e não faltou competição, muitas vezes mesmo dentro das próprias equipas. E foi bonito de ver como tantas barricadas foram levantadas e com se puseram em lados opostos pessoas que sempre estiveram do mesmo lado, com evidentes fracturas no campo da causa da condição feminina.

No fim, é isto: a crítica simples, imediata e que não precisa de factos, ou mesmo os despreza, acaba sempre a extremar posições à volta de preconceitos. Acaba sempre num conflito que nunca é de ideias, num confronto que, em vez de opor quem concorda e quem discorda, opõe os que atacam aos que defendem o que quer que seja!

 

* Da minha crónica de hoje na Cister FM

 

Tema da semana*

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Cristiano Ronaldo é possivelmente o maior desportista português de todos os tempos, é certamente o mais mediático de sempre, é seguramente o português mais conhecido no mundo, e é uma das maiores marcas mundiais.

Tive a primeira noção da dimensão comercial de Cristiano Ronaldo há mais de uma dúzia de anos quando, na Primavera de 2006, em Paris, me deparei com os Campos Elísios literalmente forrados com a sua imagem. Loja sim, loja também, das mais diversas e das mais prestigiadas marcas mundiais. Assim mesmo, no mais emblemático centro comercial de uma das mais cosmopolitas capitais do mundo. E com 21 anos, acabados de fazer…

Nos doze anos que se seguiram tornou-se numa lenda mundial, num caso único de performance desportiva, num fenómeno de imbatível popularidade. A uma carreira de sucesso ao mais alto nível, Cristiano Ronaldo juntou uma gestão de excelência da sua imagem pública, tornando-se num ícone planetário.

O primeiro revés surgiu há pouco mais de um ano, com a acusação de um conjunto de crimes fiscais, que acabariam por lhe custar umas duas dezenas de milhões de euros, e por levá-lo a abandonar Madrid. Mas nada de irremediável: a Juventus recebeu-o em Turim de braços abertos, os milhões não são problema e, não sendo hoje em dia motivo de orgulho, as faltas fiscais também não são uma nódoa que nunca mais saia. E não passava pela cabeça de ninguém responsabilizar moralmente Cristiano Ronaldo por um pecado fiscal. De fiscalidade têm de perceber os seus assessores, ao que sabe principescamente pagos.

O que agora por aí corre – que, estranhamente, os media nacionais fizeram por ignorar, pegando-lhe apenas quando o seu silêncio já era ensurdecedor – tem outra dimensão. É outra coisa. O movimento “me too” tornou-se num furacão incontrolável, pronto a engolir Cristiano Ronaldo e capaz de acabar com uma carreira, com uma marca planetária e com uma lenda histórica!

Ache-se o que se achar deste terramoto com epicentro em Los Angeles, a verdade é que o fabuloso mundo das grandes estrelas do “show bizz” passou a dividir-se em duas eras: antes, e depois do “me too”.

* A minha crónica de hoje na Cister FM

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