Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Rússia 2018#15 - A França, mas...

 Resultado de imagem para frança campeã do mundo 2018

 

A França é campeã mundial de futebol, vinte anos depois. Os franceses vieram à Rússia para ganhar e... ganharam!

O jogo da final de Moscovo confirmou isso mesmo, o pragmatismo do futebol da selecção francesa, cheia de grandes jogadores, dos melhores para cada posição, simplesmente programados para ganhar. Foi isso que mais se notou nesta final, num jogo disputado entre uma equipa preparada para jogar futebol, do bom, e outra para ganhar. Entre o futebol cínico e o futebol sexy,

Ganhou o futebol cínico. Ganha muitas vezes, ganha mais vezes ainda quando é servido por grandes jogadores. Pelos melhores!

 Ao intervalo a França ganhava por 2-1. Com um remate à baliza. Um único, e mesmo esse num pontapé de penalti. E com 31% de posse de bola. Na segunda parte não melhorou a posse de bola, mas rematou um pouco mais: fez quatro remates. Que lhe renderam mais dois golos.

Poderia dizer-se que foi esta a história do jogo, uma história de eficácia. E que, dito isto, fica a estória contada. Fica tudo dito sobre o jogo. Mas não, há mais qualquer coisa a dizer.

A Croácia surgia mais desgastada que a França. Porque se desgasta mais - o seu futebol de construção é mais desgastante - e porque, obrigada a jogar o prolongamento de 30 minutos em todos os jogos a eliminar, jogou mais 90 minutos, mais um jogo completo. E porque teve menos um dia de descanso. Mas isso não se notou, e os jogadores croatas depressa tomaram conta do jogo, com o seu futebol envolvente, de circulação pelos flancos e de cruzamentos a pedir conclusão na zona de golo.

Não lhe valeu de muito. Na primeira invasão francesa aos terrenos defensivos da Croácia, Griezmann fez uma das suas fitas e sacou um falta já próximo da área adversária, sobre a esquerda. Encarregou-se ele próprio da cobrança, e Mandzukic voltou a marcar. Só que desta vez na própria baliza, no décimo segundo auto-golo deste mundial - recordista na especialidade - mas o primeiro numa final do campeonato do mundo.

Sem rematar à baliza, pouco depois de esgotado o primeiro quarto de hora, a França já ganhava. E sabe-se no que isso costuma dar...

Mas não deu. A Croácia, qual formiguinha, não se deixou impressionar e voltou ao trabalhinho, como se nada se tivesse passado. Estava bem habituada a isso - em todos os jogos tinha começado a perder, e no entanto estava ali, na final a discutir o título mundial. Continuou a dominar o jogo, a jogar melhor, a mandar no ritmo e a ter a bola só para si. E apenas 10 minutos depois repunha o empate, num excelente golo de Perisic. A bola veio de um canto, é certo, mas não é justo dizer que foi mais um golo de bola parada...

Só que, mais 10 minutos, e um penalti do VAR voltaria a colocar a França na frente do marcador. Penalti de Perisic, na sequência de um canto, mas tão falso como o livre do primeiro golo. O VAR... tem destas coisas.

E lá voltou de novo a Croácia ao trabalhinho... Até ao intervalo, a deixar  incólume um resultado cheio de mentiras...

No início da segunda parte LLoris negou o golo do empate, e percebeu-se a importância do momento. Até porque a equipa francesa subia as linhas e o desgaste croata começava a vir ao de cima. Até chegarem aqueles cinco minutos fatais, depois de fechado o primeiro quarto de hora. Primeiro foi Pogba, aos 60 minutos, num contra ataque que acabaria no aproveitamento de um ressalto, em que Modric acabou ainda por perder a noção do espaço e da bola, a desferir um golpe decisivo no melhor futebol desta final. E aí acabou a resistência da Croácia, já sem capacidade física e mental para voltar mais uma vez ao trabalhinho.

Cinco minutos depois Mbappé, já em compelto aproveitamento das circunstâncias, desferia o golpe de misericórdia numa Croácia finalmente derrotada. O caricato golo de Mandzukic, 4 minutos depois (três golos em 14 minutos numa final de um mundial, é obra!) teve apenas o condão de pôr algum gelo na arrogância francesa.

A França sempre foi uma das favoritas, e não surpreende que tenha sido campeã. Mas, com os jogadores que tem, francamente... Tem que jogar muito mais.

 

 

 

Rússia 2018#13 - A Croácia, pois claro!

 

É a Croácia quem vai discutir com a França o título mundial de futebol. E com toda a justiça, mesmo que lá chegue quase em modo "Portugal Europeu de França", ao fim de três prolongamentos consecutivos.

Foi assim, mas ainda nos penaltis, que afastou a Dinamarca, nos oitavos de final, e a Rússia, nos quartos. Foi assim, mas com vitória no prolongamento, que hoje garantiu pela primeira vez presença na final da maior competição de futebol, afastando a surpreendente jovem selecção inglesa. Foi assim, mas também com muito futebol.

A Croácia é uma das quatro melhores selecções (com o Brasil, a Bélgica e a França, todas diferentes mas todas iguais no mais alto patamar deste mundial) da competição, com um futebol atractivo, feito de ataque, sempre virado para a frente. Também ela a viver de uma grande geração de jogadores em plena maturidade...

À excepção da primeira parte, onde a Inglaterra esteve quase sempre por cima do jogo, a Croácia foi sempre melhor em todos os capítulos do jogo, sob a batuta do extraordinário Modric. Um jogador fabuloso, que encontra na selecção croata o espaço de luz para o brilho que o Real Madrid lhe esconde.

A selecção inglesa ultrapassou todas as expectativas, e deixou bem claro que, com a margem de crescimento que a sua juventude lhe garante, será no Qatar um fortíssimo candidato. Se aquilo vier a conseguir ser uma competição de futebol...

Missão cumprida. Sem brilho, mas cumprida!

Imagem relacionada

 

Fez-se o reset sobre tudo o que foi a fase de qualificação. Os jogos a eliminar são outra coisa e os adversários são também outros. De outro campeonato. Este jogo dos oitavos de final, com a Croácia, não teve nada a ver com o que foi a história dos três jogos anteriores, que a selecção não ganhou. Mas que também não perdeu.

Nesses jogos, nessa fase, a selecção nacional foi a equipa que mais rematou - perto de 30 remates por jogo. Que mais bola sempre teve e, como sempre aqui foi reconhecido, sem sentir o bafo da sorte. Por ligeiro que fosse.

Hoje, com aquela que foi unanimemente a melhor equipa da fase anterior, cheia de estrelas - a Croácia tem mais jogadores de puro talento que a selecção portuguesa - , com mais tempo de recuperação em relação ao último jogo (não há igualdade de condições quando uma equipa - a da casa, por exemplo - tem oito dias de intervalo para o jogo dos oitavos de final, e outra - a portuguesa - tem apenas três), fez apenas cinco remates, teve muito menos bola que o adversário, teve sorte - teve a sorte do jogo - e ganhou. Na única verdadeira oportunidade de golo que criou, já no mesmo no fim do prolongamento. Mas também terá de se dizer que poderia ter sido mais cedo, se o árbitro tivesse assinalado um penalti do tamanho da Torre Eiffel sobre o Nani.

Mas não foi só a sorte, a mesma que nos trouxera para este quadro da competição que, ultrapassada a Croácia, abre uma avenida para a final, que hoje se mudou para dentro do relvado. Nunca explica tudo, nem nada que se pareça. Mas houve sorte quando por três ou quatro vezes a bola não entrou na baliza de Rui Patrício, e uma delas acabou até no golo de Quaresma. Houve sorte quando Fernando Santos, com os penaltis à vista, retira do campo o melhor especialista que lá tinha. E depois escapa, mesmo por um fio, a essa forma de desempate.

Não. A selecção ganhou à Croácia porque foi concentrada e rigorosa. Porque foi humilde. Porque, no fim e como sempre, quando não olha para o adversário de cima, quando o respeita, encara os jogos com mais probabilidade de sucesso.

Claro que pôr a jogar os melhores - os que estão melhor - também ajuda. E hoje Fernando Santos esteve mais perto disso. Na defesa, do último jogo só ficou Pepe. Um dos piores no último jogo, e o melhor em campo hoje. Mas o que ajudava mesmo, e continua arredado da equipa, era umas ideias para o futebol da selecção. 

Mas essas já não vêm. E mesmo que se ponham a caminho já não chegam a tempo. Se não vamos lá com um futebol que se recomende, que ao menos não larguemos o rigor e a concentração. Talvez dê para arrumar com a Polónia, na quinta-feira, e seguir para as meias... Mesmo que nunca tivesse sido legítimo exigir mais a esta selecção que justamente estes quartos de final!

Ah... E o Renato Sanches foi o man of the match. Não precisa de ser titular...

 

Brasil 2014 I

Por Eduardo Louro

 

 

Aí está o Mundial, já com a bola a rolar … Brasil e Croácia deram em S. Paulo o pontapé de saída e foram os primeiros a apresentar credencias.

Os olhos estavam postos no Brasil, na canarinha, a equipa da casa e super favorita. Percebeu-se que confirmou esse favoritismo, mas as credenciais que apresentou não trazem muitas recomendações.

Quer isto dizer que faz pena que uma equipa com tantos tão bons jogadores não jogue mais à bola. E nem sequer se pode dizer que é normal em Scolari, até porque não é de agora que o Brasil tem bons jogadores sem jogar nada por aí além. Já vem sendo costume, há muitos, muitos anos, que o escrete não entusiasma. Desde Espanha 82, não?

Mas quer também dizer que não é por isso que é menos candidata à vitória final, que a acontecer lhe dará o hexa. Porque se revela uma equipa competitiva e porque tem muito peso no sistema da FIFA. Hoje notou-se esse peso. Mais, notou-se que foi esse peso a desequilibrar!

Na realidade a selecção brasileira não foi superior à croata. Foi mais feliz, mesmo que a Croácia se tenha adiantado no marcador através de um autogolo do Marcelo. Chegou ao empate na jogada saída de uma grande oportunidade para o segundo da Croácia, através de um remate feliz de Neymar. Virou para o 2-1 através de um penalti oferecido pelo árbitro japonês, com o guarda-redes croata a defender o remate de Neymar … mas para dentro da baliza. E chegou ao terceiro repetindo as condições do primeiro, depois dos croatas poderem ter feito o 2-2, agora num bico do Óscar, já na compensação.

Será este o mundial do Neymar? 

Pode bem ser que sim. Hoje fez dois golos, e amanhã já só isso contará. Ninguém mais se vai lembrar da sorte... Nem do árbitro... 

Truz...truz...

Por Eduardo Louro

 

- Quem é?

- É a Croácia!

- Faça favor de entrar. Não repare, está tudo desarrumado. Nota-se a confusão, não é?

- Pois, se calhar a altura não é a melhor…

- Que não seja por isso, ponha-se à vontade…

- Sim, não se incomodem, eu sei o que são estas coisas. Tive algum tempo – e cuidado, por que não dizê-lo – para não ser surpreendida. E trago até uma carta de recomendação, com uma taxa de desemprego superior a 18%, ao nível de Portugal, e só atrás da Grécia e da Espanha. E com uma taxa de desemprego jovem de vos fazer inveja, já nos 52%. E também já vimos habituados à pobreza: o nosso poder de compra está 40% abaixo da média cá da casa!

- Com certeza, por quem sois…

EURO 2012 (XVI) - AFINAL, POR ESPANHA TUDO CORRE BEM!

Por Eduardo Louro

                                                                      

Espanha e Itália, no grupo C, apuraram-se para os quartos de final. Dos PIIGS, apenas um saiu do Euro. Um I – a Irlanda – mas ficam, ainda assim, PIGS!

Espanha e Itália, como seria de esperar. Mas como podia muito bem não ter acontecido, porque a Croácia demonstrou que nada lhes devia. Não foi inferior à Itália, no jogo anterior, e arrisco a dizer que também não foi inferior à Espanha, no jogo de hoje. Com tudo o que isso possa ter de herético!

A verdade é que o jogo entre espanhóis e croatas não deixou de confirmar a ideia que aqui tinha ficado expressa antes do início da competição: “… não a coloco na primeira linha de favoritismo … porque … já há antídotos para o tiki-taka”. A Espanha não ganhou à Itália, mas aí até há a desculpa de ser o primeiro jogo, e logo com o suposto e confirmado parceiro de apuramento. Como depois goleou a Irlanda, exibindo o seu tiki-taka ao mais alto nível. A deixar a ideia enganadora de que tudo continua na mesma no reino do tiki-taka. Enganadora porque, como se percebeu, com a Irlanda aquilo resulta. Como resulta outra coisa qualquer, como o provaram italianos e croatas.

O jogo foi de grande emoção. Porque ambas se poderiam qualificar – o empate a dois, que desde cedo se percebeu de todo improvável, deixava a Itália de fora – e qualquer delas poderia ficar de fora, cenário que esteve bem nítido até ao fim do jogo. Até ao minuto 88!

A primeira parte foi jogada sob o signo do medo, que é sempre a pior visita que um jogo de futebol pode ter (os árbitros não são visitas…). Repare-se que só aos 12 minutos a Espanha consegui ligar uma jogada e apenas aos 21 conseguiu o primeiro remate do jogo, por Torres. Mesmo assim sem qualquer ângulo, o que quer dizer sem qualquer hipótese de êxito. O primeiro remate da Croácia surgiu quatro minutos depois, com defesa de Casillas. Até ao intervalo poucos mais remates houve e, de oportunidades de golo, nem sombras. Mas aconteceu algo de relevante: no minuto seguinte ao do primeiro remate dos croatas, aos 26, Sérgio Ramos faz penalti sobre Manduzik, que o árbitro alemão (que já havia arbitrado e adulterado o resultado do Polónia - Rússia) resolveu ignorar, provavelmente para retribuir idêntico favor do árbitro espanhol, ontem, no jogo da selecção do seu país com a Dinamarca.

Com os resultados ao intervalo a Itália, que ganhava por um a zero - ainda antes do espectacular golo de Balotelli e de De Rossi lhe ter tapado a boca, para que não fizesse mais asneiras – ocupava o primeiro lugar do grupo.

Percebeu-se logo de entrada que a segunda parte seria diferente. A Croácia estendeu-se no campo e começou a impedir a equipa espanhola de compor o seu jogo. Aos 58 minutos criava a primeira verdadeira oportunidade de golo do jogo, através de uma grande jogada do seu génio criativo: Modric. E aos 65, com duas substituições em simultâneo para alargar a companhia de Mandzukic, Bilic – um grande treinador, a par de Fernando Santos, o melhor no banco - o jogo mudava definitivamente!

A equipa da Croácia tinha de marcar: um golo para ganhar o jogo, ou dois golos para, empatando-o, se qualificar. E o jogo tornou-se emocionante, com a Croácia a partir para a frente mas a dar o espaço que nunca dera aos espanhóis. Ao minuto 79 volta a estar perto do golo, com defesa de Casillas. A Espanha tremia e continuava sem conseguir criar perigo junto à baliza de Pletikosa e, aos 87 minutos, na sequência de um pontapé de canto, o árbitro alemão volta a não assinalar novo penalti contra a Espanha, quando Sergio agarrou Corluka, impedindo-o de dar o melhor destino à bola. No minuto seguinte, aos 88, já com os jogadores da selecção dos Balcãs sem capacidade de recuperação, Fabregas isola Iniesta e Navas, já dentro da área, à frente do pobre do Pletikosa. Dois para um, e o golo de Navas a decidir tudo.

A Croácia caía, mas de pé. A Espanha não ganhou para o susto, e poderia estar a esta hora a fazer as malas. Viu-se livre de um dos adversários mais incómodos (para aquele seu tipo de jogo) e, agora mais importante que isso, vê-se livre de outros que por lá estão. Até à final, se lá chegar! Porque Inglaterra ou Ucrãnia, para já, e Portugal, como espero, depois, – repito, para aquele seu tipo de jogo - são do melhor que lhes poderia calhar!

 

EURO 2012 (XI) - PORTA ABERTA PARA A ESPECULAÇÃO

Por Eduardo Louro

                                                                      

A Itália, fiel à sua história, vai no segundo empate. Quer dizer, não perdeu com nenhum dos dois adversários mais competentes para discutir o apuramento. Não perdeu com a Espanha, que terá visto mais como colega de apuramento do que como adversário de qualificação, mas também não ganhou, hoje, à Croácia, agora adversário claro na discussão por um dos dois lugares de apuramento.

Foi um bom jogo, mais um. A primeira parte foi mais bem jogada, e a azurri esteve melhor. Deu para dividir nos três quartos de hora que a compõem. No primeiro quarto de hora, no meio de algum equilíbrio, notou-se uma certa supremacia italiana, com três oportunidades para chegar ao golo: duas por Balotelli e uma por Marchisio. O segundo foi de clara superioridade croata, de que não resultou mais do que uma hipótese de chegar ao golo. O terceiro quarto de hora arrancou com nova oportunidade de golo – desta vez Cassano – para a Itália, que dominou claramente nesse período. Com nova grande oportunidade aos 37 minutos, agora por Marchisio, e com finalmente o golo, aos 39 minutos, na marcação de um livre directo sobre o lado esquerdo, por Pirlo, como só ele sabe fazer.

Se Balotelli é o vedetismo, Pirlo é a verdadeira vedeta. À boa maneira italiana, onde os jogadores de topo duram mais que em qualquer outro país, Pirlo está cada vez melhor. Dá gosto ver jogar a selecção italiana só para apreciar a qualidade de jogo de Pirlo!

Basta dizer que, em todo o jogo, falhou um passe. Um único. Foi aos 58 minutos, e quase apetece dizer que não foi ele a falhar o passe, que foi o colega a quem endossou a bola que não fez tudo para a receber!

Do outro lado estava Modric, que fez igualmente um jogo notável. Regressou à segunda parte em grande nível – dois remates nos primeiros três minutos – e durou em alto nível até à hora de jogo. A partir daí caiu um pouco, mas outros cresciam!

Na segunda parte a Itália viveu em permanente visita à sua história. A ganhar por 1-0 quis especular com o jogo, como sabe fazer melhor que ninguém. Metendo-lhe alguma quezília e cortando o jogo com frequência, o lado feio do futebol italiano, mas tantas vezes eficaz.

A selecção croata, de grande capacidade física e técnica e com dois avançados poderosíssimos, tomou conta do jogo e aos 72 minutos chegava ao empate: cruzamento da esquerda, grande recepção de Mandzukic, com excepcional remate de violência e colocação, já quase sem ângulo, depois de fugir à marcação de Chiellini, um defesa italiano típico, de grande categoria e praticamente inultrapassável.

Um resultado que se ajusta ao que se passou nos 90 minutos, a deixar sugerir que serão os resultados com a selecção irlandesa a desbloquear as contas deste grupo dos PIIGS, como aqui lhe chamei. E nisso a Itália parte com a vantagem de saber que a Croácia ganhou por 3-1. O que poderá nem valer de muito. È que não admiraria que nenhuma das três equipas ganhasse apenas um jogo: com a Irlanda, a confirmar-se - contrariando as opiniões dos que chegaram a dizer que as selecções dos países organizadores não tinham qualidade para ali estar, e que nunca lá teriam chegado se tivessem de disputar o apuramento, coisa que qualquer delas já desmentiu em campo - como a equipa mais fraca da competição. Que, acontecer, não vale de nada!

Nessa eventualidade ficar-se-ia perante um ameaçador cenário de especulação, com a Espanha e a Croácia a poderem cozinhar o resultado conveniente para ambas. O 2-2 bastaria!

Para já a Espanha fez o que lhe competia no outro jogo, arbitrado sem brilho por Pedro Proença. Ganhou à Irlanda e goleou por 4-0!

Num jogo em que marcou cedo, aos 4 minutos – já com a Croácia, a Irlanda começara a perder aos 3 –, em que se apresentou com um ponta de lança - Fernando Torres, o autor do golo - e em que o tiki-taka funcionou como habitualmente. Mas sem mais golos ao longo dos restantes quarenta e tal minutos de sufoco.

Voltaria a marcar de novo logo aos 4 minutos da segunda parte, por David Silva. Uma segunda parte que foi mais do mesmo, a roçar o enfadonho. O tiki-taka também enfadonha!

Viriam mais dois golos, com Torres em contra ataque a bisar, aos 70 minutos e, aos 82, por Fabregas que, ficando de fora para Del Bosque lançar o ponta de lança, tinha entretanto entrado. Que não deixou passar a oportunidade do festejo para se mostrar zangado com a situação!

No próximo jogo com a Croácia creio que outro galo cantará. Há a possibilidade de gestão a dois do resultado, mas também a da disputa aberta do jogo!

EURO 2012 (VI) - PIIGS

Por Eduardo Louro

                                                                      

A jornada número 3 ocupou-se do grupo C.

Neste Euro, onde todos queriam entrar, estão todos os PIIGS. Nem todos lá se aguentarão por muito tempo, mas estão lá. E estão em força neste grupo C. Só lá faltam Portugal e a Grécia, e só a Croácia destoa. Mas nem muito!

Ali estão os II – Itália e Irlanda – e o S, de Spain. A Croácia não integra sigla, mas não está longe. E está lá depois de ser resgatada, como a Irlanda e Portugal. Não pelo FMI e pela União Europeia, mas pelo Play-off. Que reuniu os que não cumpriram os critérios de qualificação: simplesmente o primeiro lugar no grupo de apuramento e ainda o melhor segundo classificado de todos, que foi a Suécia, como nos lembramos.

E o grupo arrancou no dia seguinte ao resgate da Espanha, ou ao da abertura de uma linha de crédito, no inimaginável eufemismo de Rajoy!

Deixemo-nos destas coisas e passemos à bola, que é o que interessa. E aí, Itália e Espanha mostraram que este é um grupo a duas velocidades e com pouca coesão. E que sem eles não há Euro!

Foi o melhor de todos os jogos que já se disputaram, com boa parte dos melhores players deste mercado. A Espanha com o seu tiki-taka, que não sendo bem o que era, mantém a espectacularidade e garante a alta qualidade do seu jogo. Jogou sem avançados, sem ponta de lança, (quem é que sai para dar lugar a um ponta de lança?) mas nem isso é surpresa. Aqueles jogadores sabem fazer tudo, até marcar golos. Iniesta disse - sem falar, apenas a jogar – que está ali para fazer um grande Euro, e para ser uma das principais figuras da competição. E a jogada do golo, Xavi – David Silva – Fabregas, mostrou que não é preciso pontas de lança para marcar golos. E dos bonitos!

Não vai ser fácil expulsá-los do Euro. Porque são demasiado grandes! Mas também não vi razões para alterar o meu prognóstico inicial

A Itália confirmou as expectativas e parece querer confirmar a História, como aqui tinha referido na antevisão da prova. Quando rebentam broncas no calcio, a azurri aí está para as curvas, pronta a surpreender tudo e todos. Tem dedo táctico - surpreendeu com três centrais - e tem Pirlo – sempre em grande –, Baloteli e as suas excentricidades que não trazem muito ao jogo mas que o apimentam, Cassano… E Di Natale - para entrar quando deixa de haver paciência para Baloteli - cuja profissão é marcar golos. E que golo ele marcou!

Este era um jogo que tinha tudo para ser daqueles jogos fechados, rodeado de cuidados, jogado para não perder. E não foi nada disso. A azurri e a roja quiseram ganhar e jogaram para isso. Cada uma com as suas armas, que são muitas e boas!

O segundo jogo do dia e do grupo juntou os resgatados. A Irlanda, finalmente resgatada, muitos anos depois e apenas dois depois da anterior tentativa - na altura para o Mundial da África do Sul – escandalosamente negada por uma arbitragem (?) que decidiu que era a França que lá deveria estar, através daquele golo de Henry com a mão. De Trapatoni, o mais velho treinador da prova e a última das velhas raposas! E a Croácia, resgatada à custa da Turquia (a Europa deixa-a sempre de fora), que há uma semana nos deixou à beira de um ataque de nervos.

Não foi um mau jogo, mas esteve longe de ser bom. A Irlanda mostrou que não tem condições para se aguentar. É composta por jogadores actualmente de segunda linha da liga inglesa, alguns deles já apenas são nomes. A Croácia apresentou uma equipa fisicamente muito forte e com a qualidade técnica que lhe é reconhecida. Onde a estrela Modric, muito recuado, não brilhou tanto quanto seria de esperar.

O jogo ofereceu o golo mais madrugador de sempre em europeus, logo aos dois minutos, num frango de Given, o guarda-redes irlandês. Que voltaria a não ser feliz – mas dessa vez infelicidade pura – no terceiro e último golo croata, também logo aos três minutos da segunda parte. O resultado (3-1) é aquilo a que se pode chamar escrever direito por linhas tortas. A Croácia foi superior e ganhou bem – nunca vi uma equipa de Trapatoni defender tão mal – mas a arbitragem holandesa influenciou decisivamente o resultado, validando mal o segundo golo croata e negando um penalti – cometido mesmo à frente do árbitro – à Irlanda.

A Croácia segue na frente. Não lhe deverá servir de muito, porque não conseguiu mais do que certamente conseguirão Espanha e Itália frente à fraquinha Irlanda!

Acompanhe-nos

Pesquisar

 

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2019
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2018
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2017
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2016
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2015
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2014
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2013
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2012
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2011
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2010
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D

Mais sobre mim

foto do autor

Google Analytics