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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Revisita à lei de Gresham

Por Eduardo Louro

 

O Secretário de Estado Carlos Moedas deu hoje uma aula na Universidade de Verão do PSD, em Castelo de Vide, a lembrar Vítor Gaspar, que imitou quase na perfeição.

Falou, claro, sobre a dívida: que é para pagar - “as dívidas têm que ser todas pagas, os países têm que pagar as dívidas e é importantíssimo que isso fique claro, que o esforço que os portugueses estão a fazer é para termos essa credibilidade”, disse.

Mas não falou claro sobre a dívida, contra a qual nada tem. “Que é necessária”, que “sempre se trabalhou com dívida”, mas “não pode ser é uma dívida em excesso”. Rematando que, “como tudo na vida, nada em excesso é bom”.

Claro que isto não é falar claro, nem sobre a dívida nem sobre excessos. Até porque os excessos não estão só na dívida. Que é para pagar mas que, na prática, a teoria de Moedas (e de Gaspar, e de Albuquerque, e de Passos, e de tuti quanti) só tem feito aumentar. 

Bom, mas lá temos nós de revisitar a lei de Gresham: e este é apenas a má Moedas. A boa Moedas é que continua sem aparecer…

A LIÇÃO DE SÓCRATES

Por Eduardo Louro

 

 A entrevista de Sócrates à RTP confirma tudo o que já sabíamos, incluindo as suas dificuldades de convivência com a verdade, o seu divórcio da realidade e a sua capacidade manipuladora. E o TGV, evidentemente! Um erro, um mea culpa? Nada!

Tentou manipular a entrevista conforme tenta manipular a realidade, chegando ao ponto - em que é useiro e vezeiro – de hostilizar em particular a entrevistadora para, dessa maneira, controlar ele próprio toda a entrevista.

Eis alguns exemplos:

  • “… desculpe, essa pergunta não está correctamente formulada…”
  • “… essa pergunta que me faz não tem a mínima fundamentação …”
  • “… desculpe mas essa pergunta ofende-me …”
  • “…isto é fácil de entender para quem esteja de boa-fé e de espírito aberto…”
  • “… reconheça que não tem razão …”

De resto, porque a ajuda externa, a sua teimosa aposta para trunfo no jogo em que ele transformou a vida do país e de todos nós, e o chumbo do PEC IV, em que assenta a cartada da sua estratégia vitimização, também não são novidade, tomei nota da sua relação com a dívida - a nossa maior desgraça. Uma relação de assustadora irresponsabilidade!

Veja-se: O TGV não é problema porque o financiamento já está negociado com os bancos. E até com baixas taxas de juro, como enfatizou! Não há pois, do seu ponto de vista, nenhum problema em aumentar o endividamento e estamos em óptimas condições de o fazer. O que importa é que a taxa de juros até é boa…

A mesma irresponsabilidade com que, com a maior das naturalidades afirmou que era normal não ter dinheiro em cofre para pagar o serviço da dívida. Que o normal é, nestas circunstâncias, pedir emprestado.

Foi esta a maior lição que Sócrates hoje nos deixou: quando chega a hora de pagarmos as nossas dívidas não há qualquer problema em não ter dinheiro. Isso é normal, tão normal como ir pedir dinheiro emprestado para as pagar.

Sócrates, que disto fez prática ao longo destes seis anos da nossa desgraça, vem agora dizer-nos que assim é que é! E mais, que é isso que todos devemos fazer, porque isso é que é normal. Francamente…

 

 

 

QUESTÕES DE FUNDO(S)

Por Eduardo Louro

  

Por questões de fundos Sócrates anda aí pelo mundo fora a oferecer tudo e mais uma botas. Esperemos que seja contido - coisa que, como bem sabemos, não lhe é fácil!

Pensávamos que as bolsas dos nossos credores não tinham fundo. Que aquilo eram verdadeiros poços (de dinheiro) sem fundo! E, ainda por cima, barato! Daí que gastássemos cada vez mais, cavando buracos cada vez mais fundo.

Até eles começarem a perceber que dificilmente voltariam a ver a cor do dinheiro. Desse dinheiro sumido nesses buracos sem fundo! E deixaram de querer continuar a emprestar-nos, pelo menos com boa-vontade.

Deixaram-nos à beira de um ataque de nervos, desesperadamente à procura de fundos para um novo buraco sem fundo: agora a própria dívida! Fundos que – não, obrigado! – recusamos aceitar de dois Fundos: do Monetário Internacional e do de Estabilização Europeu!

À espera de uma luz no fundo do túnel – que é como quem diz, à espera das eleições na Alemanha e que, depois delas, a Srª Merkel (sem tarefa fácil, agora que os alemães começam a perceber que já se podem voltar a virar para a sua História, de que tiveram de andar décadas a fugir, e, quem sabe, vingar a subalternidade que lhe quiseram destinar no concerto europeu) possa então pensar em resolver algumas coisas da União – ao governo, agora, pouco mais restaria que esperar. Esperar que os mercados financeiros parem um bocadinho para respirar fundo. E para olhar para outro lado!

O problema é que não dá para esperar: nem pela luz lá ao fundo! Tem que se arranjar fundos praticamente todos os dias. E a única forma de fugir ao pedido de ajuda àqueles dois Fundos indesejados é procurar fundos noutros Fundos: os Fundos Soberanos de gente menos recomendável. Porque – à excepção da Noruega – são os únicos que têm fundos!

Percebemos que a China já deu uma mão. E que estará interessada no porto de Sines e num ou noutro banco. Pelo menos para já: para as primeiras impressões!

E percebemos que, na viagem da passada semana ao Golfo, supostamente destinada a desenvolver oportunidades de negócio para aquela região, a questão de fundo não foi essa. A questão de fundo foi captar os fundos dos Fundos Soberanos do Qatar e do Abu Dhabi. E deu ainda para perceber que as contrapartidas entram a fundo nas próximas privatizações: EDP, TAP, GALP, CTT…

Mais uma questão de fundo levantada por esta questão dos Fundos: a economia portuguesa precisa de crescer e só o pode fazer através das exportações; o governo parte mundo fora para dar uma mãozinha. Mas, logo que pisa terra, ainda no aeroporto, troca os objectivos. E em vez de lhes vender produtos e serviços, os tais bens transaccionáveis que alguns portugueses ainda vão conseguindo produzir com muita qualidade e capacidade competitiva, vende-lhe empresas. Não dessas empresas que, à custa do empenho e capacidade de empresários e trabalhadores, produzem bens que competem no mercado mundial. Mas das outras, das que operam em regime de absurda protecção, em autêntico monopólio, que vivem de bens e serviços essenciais à comunidade. Que nós cidadãos, sem alternativa, pagamos aos preços que eles que se limitam a impor. E que, por isso, dão os lucros que quiserem…

Sem ir ao fundo da questão, esta é a questão de fundo nestas questões dos fundos!

 

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