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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

DANOS COLATERAIS

Por Eduardo Louro

                                                                      

O desemprego – os absurdos recordes de desemprego que atingimos e continuaremos a atingir por mais uns anos – não esgota o seu impacto nos dramas económicos e socais que todos conhecemos. Não se limita a lançar na miséria centenas de cidadãos e de famílias, faz muito mais que isso: corrompe e destrói toda uma sociedade!

Alimenta gente sem escrúpulos, autênticas máfias de um submundo que prospera e floresce à custa das mais abomináveis práticas, grosseiros e inaceitáveis atentados à dignidade humana. São muitos os casos que se vão conhecendo de autêntico esclavagismo. São frequentes os relatos chocantes de pessoas que, à procura de condições mínimas de subsistência, acabam arrastadas para circunstâncias da mais absoluta exploração, dentro e fora do país, às mãos de estrangeiros ou de compatriotas sem escrúpulos. De gente que não tem uma pontinha de vergonha de viver da miséria que alastra e de a aprofundar, que não tem nome nem cara, sempre escondidos nas teias secretas do crime.

O que não sabíamos era que já tínhamos entrado noutra dimensão. O que não sabíamos era que os danos colaterais já tinham rompido com essa barreira, que hoje já há gente que não sente necessidade de se esconder para exercer essas abomináveis práticas. Que anda por aí de cara descoberta, que coloca anúncios de emprego como quaisquer outros, que tem escritórios abertos e, pasme-se, que até recorre à Justiça para defender o seu bom nome quando é desmascarada. 

O caso corre a blogosfera*, nasceu aqui e conta-se em poucas palavras. Uma empresa que se dá pelo nome de Axes Market - mas também pode ser Ambição Internacional Marketing ou mais não sei quantos nomes, com escritórios na Rua Barata Salgueiro, mas também na dos Fanqueiros, em Lisboa, mas também em Aveiro, no Porto ou em Faro – dedica-se precisamente à exploração do filão do desemprego. Uma vítima dessa exploração fez a denúncia (link acima) num blogue, seguindo-se umas centenas de comentários de outras tantas vítimas. Perante isto a empresa apresenta queixa em tribunal e requer que sejam eliminados todos os comentários do blogue, a que o tribunal rapidamente deu provimento, mandando apagar, não todos, mas muitos desses comentários.

Não é a decisão do tribunal que, para o caso, releva. Não é aí que pretendo colocar ênfase, até porque sei que os tribunais se pronunciam estritamente sobre a peça processual em causa e não sobre o que, sendo-lhe marginal, constitua a sua envolvente. O que verdadeiramente me choca é perceber que chegamos a um ponto em que esta gente até já acha que tem bom nome. Um bom nome a defender!

O desemprego mede-se, vai-se medindo. Ainda hoje se soube que o número de casais desempregados (com ambos os membros em situação de desemprego) subiu de 70% no último ano. Mas, efeitos colaterais como estes, não!

 

*Aqui aqui, aqui ou aqui.

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