Um debate de mais duas horas - nem sei quanto mais, eu só aguentei uma -, com onze candidatos não é apenas uma "seca". É um intolerável absurdo. Se calhar é por isso que sobrou para a RTP.
Não sei quem é que ganha com isto. Nem o Manuel João Vieira consegue fazer nada daquilo.
Foi maçador e pouco edificante o "debate dos debates", ontem, entre aqueles dois donde sairá o próximo primeiro-ministro. O atributo-mor que os ditos analistas atribuem a estes debates é o adjectivo esclarecedor.
Pretende-se, ou deseja-se, que sejam esclarecedores. Normalmente nunca são. No que de ontem teve de esclarecedor só se deu por um esclarecido - sem ser esclarecido, ninguém consegue ser esclarecedor. Em apenas dois pequenos esclarecimentos, mas afinal grandes.
Pedro Nuno Santos foi esclarecido quando esclareceu que às forças de segurança compete cumprir e fazer cumprir a lei, e com isso defender a população. E que nenhum governo pode negociar sobre pressão. Voltou a ser esclarecedor quando, esclarecido, afirmou não inviabilizar a posse do governo do adversário no caso de não ganhar as eleições.
Foi pouco, mas não é pouco. Foi o suficiente para ficasse esclarecido que Montenegro não tem esclarecimento.
Não sei se Rui Rio ganhou o debate - e até tendo a achar que sim, na medida em que superou as expectativas gerais - mas não tenho dúvida que ganhou o pós-debate: "combinamos que não falaríamos no fim, e eu cumpro"!
António Costa veio depois e falou. E por isso perdeu. Não cumpriu!
Sabe-se que a nossa política não prima pela valorização do cumprimento. Mas, ao falar - rompendo um compromisso - sem dizer nada, Costa perdeu mesmo!
Acho eu... que valorizo estas pequenas coisas... Nem sempre assim tão pequenas, mas enfim...
Encerra-se hoje este ciclo de debates a dois na pré-campanha, uma espécie de "must" da política espectáculo. Cabe, evidentemente, a António Costa e a Rui Rio, no papel de cabeças de cartaz, fecharem este ciclo de entertainement, fazendo deste o momento mais alto da programação.
Não admira por isso que o espectáculo dobre em tempo, e tenha transmissão directa, em horário nobre, em todos os canais de televisão. Sempre que contracenaram com os restantes nomes em cartaz, ou estes entre si, o espectáculo teve a duração de meia-hora, e passou nos canais de cabo dos três principais operadores de televisão, incluindo o público. Hoje os espectáculo é de uma hora, e todas as televisões o querem transmitir, mesmo à hora da telenovela...
De tanto recorrer às técnicas de marketing, e por tanto procurar o foco dos media, não é estranho que a política tenha acabado num produto de marketing mediático.
Sem grandes novidades, o primeiro debate televisivo entre os candidatos às eleições presidenciais americanas de Novembro: Hillary Clinton - formal, institucional e conhecedora; Trump - mentiroso, arruaceiro e ignorante.
Nenhuma surpresa. A não ser que continuam empatados... Essa é que é essa!
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