A vacinação e a espiral de demagogia e populismo

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O povo... Sempre o povo, em nome do povo e da sua vontade. Soberano, coitado... Não é só invocar o nome de Deus em vão que deve ser pecado. O invocar o nome do povo em vão também deveria ser pecado. Não diria mortal, daqueles que se resolvem numa confissão com meia dúzia de padres nossos, mas pecado político, cuja absolvição substituisse uns padres nossos e umas avé-Marias por uma penitência de prolongada abstinência de candidaturas eleitorais.
Foi talvez a pensar nisso que os mestres da demagogia política criaram a célebre retórica interrogativa: "Se isto não é o povo, onde é que está o povo"?.
A questão desarma qualquer um, e encontra sempre um povo à mão para tudo o que der jeito. Lembrei-me disto tudo ao ouvir Paulo Portas dizer que só sabe que não foi pela vontade do povo que "Assunção Cristas, ontem, era ministra da Agricultura e hoje é deputada da oposição, eu ontem era vice-primeiro-ministro e hoje sou deputado da oposição".
Por Eduardo Louro
Embalado pela demagogia pela rua da aldrabice abaixo, Passos não pára. Não consegue travar e, claro, dá em espalhanço. Dá malho, e dos grandes!
Mas Passos é isto, plástico. Oco. Um primeiro-ministro não pode desconhecer o que tem a pagar a quem. Não pode confundir uma obrigação de pagamento, na data de vencimento, com uma antecipação de um pagamento. Não pode achar que tudo o que o país deve, deve ao FMI, a quem tudo o que paga é antecipação...
A um primeiro-ministro exige-se mais que simplesmente aproveitar tudo para se lançar rua abaixo, sem travões nem tino!
Por Eduardo Louro
A propósito do novo mapa judiciário ouvi hoje, na Antena 1, Elina Fraga, a nova bastonária da Ordem dos Advogados (OA), dizer que fechar tribunais é afastar os cidadãos da Justiça e convidá-los à Justiça pelas próprias mãos.
Achei essa declaração deplorável e altamente demagógica. Tão demagógica que me lembrou logo o seu antecessor, numa afinidade que me remeteu inevitavelmente para uma ideia de sucessão dinástica. Marinho Pinto abriu uma dinastia na OA a que esta senhora simplesmente dá continuidade, pensei eu, sem deixar de lhe reconhecer alguma desenvoltura no discurso.
Desenvoltura, que não originalidade. É que, afinal, o sound byte que feriu a minha sensibilidade e me fez disparar o alarme da demagogia não é sequer original. Nem novo, já tem pelo menos dois anos!
Pois, há ali mais que uma simples linha de sucessão... Não é uma dinastia, é a mesma coisa por entreposta pessoa!
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