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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Batida forte

Discotecas saúdam apoios "tardios" e garantem ter condições para reabertura  | TVI24

Primeiro de Outubro, o dia da libertação - dizem. Talvez por isso a sua chegada tivesse sido comemorada pela noite fora, logo a partir da meia noite. Ou não tivessem reaberto os bares e discotecas, com longas filas à entrada, ano e meio depois. Os que conseguiram reabrir, dos quais não se sabe quantos irão conseguir manter-se abertos por mais tempo.

Mas esta noite não se pensou nisso. Nem na próxima, nem na próxima... Até porque o fim de semana, com uma ponte que o prolongará até meio da próxima, parece desenhado à medida da folia, dos copos e da batida. Forte.

Como uma moeda, este 1 de Outubro tem duas faces. Se numa está a festa do regresso da noite, na outra está o desespero do regresso das contas a pagar. Abrem bares e discotecas, mas encerram as moratórias, o mesmo tempo depois. E aí a batida é outra. E não é menos forte!

Palavras à toa

Oh Marcelo, meu amor, és o maior”. Cinco anos depois, Marcelo voltou ao  Bairro do Cerco, no Porto - Atualidade - SAPO 24

 

Palavras:

- "Não há volta a trás no desconfinamento".

- "Ninguém pode garantir que não se volta atrás no desconfinamento".

- "Por definição, o Presidente nunca é desautorizado pelo primeiro-ministro"

Factos:

Face aos valores em crescendo da incidência pandémica na capital e nalguns concelhos limítrofes, e ouvindo a pressão de muitos especialistas para se decretarem de imediato medidas de retrocesso no desconfinamento, o Executivo impõe uma espécie de cerca sanitária a Lisboa aos fins de semana, que começa já hoje, às 15:30, e se prolonga até às 6:00 horas de segunda feira 

Conclusão:

Quando se fala à toa o problema não é ser desautorizado pelo primeiro-ministro, é sê-lo pelos factos.

 

Caldo entornado

SIC Notícias | Costa e as relações com Marcelo: "É um não-caso"

O Presidente Marcelo garantiu que o país não voltaria atrás no desconfinamento. Não deu a pandemia por terminada, como muitos quiseram dizer, mas disse que o país "não é governado por especialistas".

"Sabemos que não somos nós que governamos, mas também não é o Senhor Presidente que vai aos hospitais tratar dos doentes" - respondeu um deles. 

António Costa também não acolheu bem o statement do Presidente e, lá fora, não perdeu tempo na resposta: "Ninguém pode garantir que não se volta atrás no desconfinamento". Marcelo não gostou e, também lá fora (Onde? Onde? - Na Hungria, pois claro) puxou pelos galões; "Por definição, o Presidente nunca é desautorizado pelo primeiro-ministro". E a lembrar o menino que é o dono da bola, ou não estivesse na Hungria, rematou que "quem nomeia o primeiro-ministro é o Presidente, não é o primeiro-ministro que nomeia o Presidente".

Está o caldo entornado. Até parece que o país não tem nada de importante para tratar. Como o jogo de hoje, por exemplo...

"Passo em frente"

Estado de Calamidade | PASC-CC

 

Termina hoje o "estado de emergência", ou melhor, o 15º "estado de emergência". Vigorava ininterruptamente desde 9 de Novembro do ano passado, e é agora substituído pelo "estado de calamidade" que, apesar do nome pouco simpático, é menos calamitoso. E entramos na quarta fase de desconfinamento, que ainda não é o retorno à normalidade, nem o regresso das nossas vidas, mas é um "passo em frente", para utilizar as palavras de António Costa no anúncio desta boa nova.

Não é, no entanto, um "passo em frente" todos os portugueses. Há oito concelhos que ainda ficam de fora desse passo e, num deles, Odemira, há até duas freguesias peadas em cerca sanitária. 

Que ninguém dê o passo mais largo que a perna. E que "ninguém cegue com a luz ao fundo do túnel", nas palavras de  Marcelo. Dá mau resultado, e para calamidade já basta!

 

 

Desconfinar sem desconfiar

SIC Notícias | Desconfinamento: o que reabre esta segunda-feira

O dia é de sol, e ainda cheira a Páscoa. O equinócio e a lua cheia fazem a natureza transbordar de energia, e chamam-nos à rua. As esplanadas estão abertas, e porventura cheias. Quatro a quatro. As escolas abriram, e os recreios encheram-se de vida. As lojas - com menos de 200 m2 e com porta para a rua - abriram, e as pessoas podem entrar, não têm que ficar ao postigo.

A máscara, essa é que tem de continuar. A esconder caras bonitas dos beijos do sol. 

Mais do que mudou neste primeiro dia de desconfinamento tremido é o que queremos que continue a mudar. Que ao 5 de Abril suceda o 19, com mais uma fresta na porta. E o 3 de Maio, com a porta já meio aberta.  Que não se volte a fechar. Que não se feche mais, e nos deixe viver, mesmo com as dificuldades todas que aí estão.

Não está tudo nas nossas mãos, mas está muita coisa!

Plano de desconfinamento

Anda aí à solta a febre do desconfinamento. Toda a gente clama pela abertura ... das escola. Curiosamente como há pouco clamava pelo seu encerramento. Se não é esquizofrénico, não anda lá muito longe.
 
Percebe-se, falar das escolas é fofinho, como se a abertura das escolas quisesse dizer que só as crianças desconfinam. Não quer, como se sabe. Os pais vão levar os meninos, mas ninguém acredita muito que não saiam do carro e regressem a casa. Depois vêm os cafés, as pastelarias e os restaurantes (na realidade os sectores mais atingidos, com a hotelaria, a sua irmã gémea). E depois vem o que já todos percebemos, por experiência bem recente. Como veio depois do início do ano lectivo. E como veio depois do Natal... E voltamos ao mesmo.
 
Não. Não podemos voltar mais ao mesmo. E isto tem que ser claro.
 
Outra coisa é estarmos todos fartos disto. Cansados desta porcaria de vida. E é precisarmos todos de ver luzinhas ao fundo deste buraco em que estamos metidos. É aqui que entra o tal plano de desconfinamento, de que fala o Presidente  Marcelo, com António Costa a assobiar para o lado.
 
Percebe-se que o governo nem queira ouvir falar disso. Por ser este governo, e por ter esta oposição. É simples - não me comprometam... É o costume. O governo, este governo, não existe para servir o país. Existe para se gerir a si próprio. E por isso não quer ouvir falar de apresentar um plano de desconfinamento que lhe seria atirado à cara ao primeiro incumprimento. 
 
Mas devia, porque é hoje uma verdadeira prioridade ver a tal luz lá ao fundo. E podia. Um plano de descofinamento, como qualquer plano, teria que ser calendarizado. Obviamente que é aí que está o problema. Mas não teria obrigatoriamente que dar prioridade ao calendário. Nem sequer deveria. Teria que dar prioridade a critérios. Seria simples: quando o país atingir o valor x, y e z nos critérios a, b e c, abrem-se os sectores k,l e m. Pela evolução actual, mantendo as actuais regras de confinamento, poderemos atingir esses valores em x semanas. 
 
Claro, com esses resultados suportados por testes a sério. 
 
Penso eu, mas se calhar estou errado...

Os números. Ou para além deles…*

Os contactos sociais devem ser reduzidos ao mínimo mais que nunca"

 

O país vai-se abrindo e as quarentenas fechando-se. Entramos já na terceira fase de desconfinamento, e são residuais as actividades ainda canceladas. Já há espectáculos culturais, e até o futebol já regressou, para gáudio de uns – muitos, imagino - e desassossego de outros. Menos, talvez.

E no entanto os números com que se escreve a história desta pandemia não melhoram. O número dos mortalmente atingidos pela doença mantém-se estável há algumas semanas, mas o de novos infectados não. Esse tem vindo a subir. E a concentrar-se na região de Lisboa e Vale do Tejo, aqui à porta.

Nos últimos dias mais de 90% das novas infecções acontecem nesta região do país.

É um novo paradigma nas transmissões do vírus. Agora já não atinge idosos em lares, como maioritariamente acontecia. Agora atinge pessoas mais novas e em idade activa. E pessoas com condições sócio-económicas mais débeis e vulneráveis, em ambientes sociais mais degradados e com condições profissionais mais precárias. É sempre assim que se fecham os ciclos de miséria…

Muitos são imigrantes ilegais, no topo da precariedade laboral. Fugiram das obras encerradas por surtos da pandemia, e partiram de Lisboa à procura do único trabalho que podem procurar: o informal, o precário... Que, por cá, encontram na construção civil, mas também na campanha da fruta, que começa a iniciar-se.

Vêm entregues ao seu destino. Sem papéis e sem suporte familiar. Sozinhos. Entregues a si próprios e ao medo que os aprisiona. Muitos fogem, de medo. Não do medo, que esse nunca os larga.

Não é uma segunda vaga. É um novo problema, que não é sequer um problema novo, e que vai muito para além dos números das conferências de imprensa das autoridades de saúde.

 

* A minha crónica de hoje na Cister FM

Diário do regresso à vida

Registados 27 novos casos suspeitos de coronavírus nas últimas 24 ...

 

O país vai-se abrindo. Entramos ontem na terceira fase de desconfinamento, e a malha vai esticando. Já não há praticamente sectores fechados - os centros comerciais na área da grande Lisboa são a excepção, que não sei se faz a regra se a ponta do icebergue.

Os voos começam a aterrar nos aeroportos e, ao que se diz, sem grandes constrangimentos restritivos. À vontade, à vontadinha... Mas também a levantar voo e, ao contrário de tudo o resto, sem quaisquer restrições de lotação, sem distâncias entre os passageiros. Distâncias indispensáveis ao ar livre, nas praias e parques, mas desnecessárias dentro de um avião. Os espectáculos já recomeçaram, e até o futebol já não quer regressar sem público. Ontem, com o primeiro-ministro na plateia, Bruno Nogueira abriu a temporada no Campo Pequeno, com um espectáculo esgotado em 11 minutos. Hoje repete a dose, desta vez com a presença garantida do Presidente da República.

Entretanto nos hospitais as coisas vão-se complicando, sem que ninguém fale muito disso. As transmissões do vírus não baixam, estão mesmo claramente a subir. Na grande Lisboa, mas não só. Testa-se mais, muito mais agora que anteriormente, é certo. E sempre se soube que quantos mais se testassem mais positivos surgiriam. Como quanto maior for a abertura maior é o contágio, porque a "estória do civismo dos portugueses" está mal contada. O bom comportamento dos portugueses durou enquanto durou o medo. E esse acabou!

Acresce que, ao contrário do que se andou durante  muito tempo a dizer, o vírus não é democrático. Não toca a todos da mesma maneira. Bate muito mais nos mais desfavorecidos, e instala-se e circula com muito mais à vontade entre a pobreza e a miséria. Nos bairros mais degradados, nas casas mais insalubres, nos trabalhos mais precários... Entre aqueles que se deslocam para o trabalho em transportes públicos sobre-lotados, como sardinha em lata...

As urgências dos hospitais, até aqui vazias e a permitirem inteira afectação de recursos aos covidários, voltaram a encher-se. Injustificadamente, na maioria dos casos. E as mesmas estruturas têm agora, em vez de uma, duas frentes activas. Porque na propagação do vírus o planalto mantém-se, a altitude é que não. Essa é cada vez maior! 

 

 

Passos atrás?

COVID-19: o plano de desconfinamento para Portugal – Jornal ...

Chegados à terceira fase de desconfinamento as coisas parecem complicar-se. Os números dos novos casos de infecção na grande Lisboa activam sinais de alarme e sugerem passos atrás. Os números, mas também as circunstâncias da propagação do vírus. 

A taxa de transmissão da doença nas zonas suburbanas da grande Lisboa está fora de qualquer padrão nacional e o vírus está, final e claramente, a revelar a dinâmica de desigualdade social, de miséria e de pobreza que se sabia que arrastaria consigo. Situações de pobreza, de habitação degradada e de precariedade social aceleraram a taxa mas também o paradigma da transmissão da doença: aos idosos, em lares, do Norte há algumas semanas, sucedem-se agora, na grande Lisboa, adultos jovens em contexto laboral, como no concelho da Azambuja, ou de bairros degradados, como nos de Loures ou do Seixal.

Não são apenas realidades sócio-sanitárias muito diferentes, são realidades com riscos muito distintos. E esta é bem mais perigosa!  

As regras que o governo se prepara para anunciar para esta terceira fase de desconfinamento terão naturalmente isso em consideração. Poderão não dar alguns passos atrás, mas anularão certamente outros passos em frente. Sobre o aprofundamento das desigualdades sociais que se desenham a traço grosso é que não poderão fazer muito. Talvez os 26 mil milhões de euros que se espera que aí venham possam fazer alguma coisa...

Não se esqueçam!

Desconfinamento político

Rio sobre TGV: "O Dr. Costa ouviu a notícia, acreditou nela. Já ...

 

O desconfinamento chegou também à política. O André Ventura desconfinou do CM - jornal e TV - onde tão confortavelmente estava há anos confinado, tranquilamente a tecer a teia que teceu.

Há quem diga que esse chega para lá tem alguma coisa a ver com a ajuda do Estado aos media, a que o também desconfinado Rui Rio se atirou como gato a bofes, e com a fatia - a terceira maior do bolo, logo atrás da que calhou à Media Capital e à Impresa, a maior de todas - que chegou à Cofina, agora entretida em dar cabo do tipo dos cruzeiros do Douro, que se limitou a correr aos saldos que o Paulo Fernandes obrigou a Media Capital a abrir. Quem sabe?

Rui Rio, que em confinamento jurava, todo ele fervor patriótico, apoio ao governo para o que desse e viesse, saltou fora. E de repente, de político altamente responsável, dos interesses do país acima de tudo, concentrado no apoio ao governo no combate ao inimigo invasor, passa a vilão. A simples populista, a quem tudo serve para se abater sobre as instituições do país, algumas delas, como a Justiça e a Comunicação Social, velhos - e sempre suspeitos - ódios de estimação pessoal.

Poderá parecer que estes extremos estão demasiado esticados. Mas é apenas um zoom para melhorar a nitidez da imagem.

É certo que as coisas não estão nada fáceis para Rui Rio. As sondagens não ajudam nada, e até as presidenciais, donde nada de mal haveria a esperar, provam que, para que nos piores momentos as coisas corram mal basta que possam correr mal, como, para fazer lei, dizia o engenheiro Murphy, lá para meados do século passado. Mas, aproveitar o desconfinamento para logo começar a ziguezaguear por aí fora, não as melhora. E cada vez mais se sujeita a ser preso por ter e por não ter cão!

 

 

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