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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

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Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Desumanidades*

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A notícia que nos chegou no início da semana, de um casal americano que mantinha os seus 13 filhos em cativeiro, dentro de casa, é um dos mais atrozes exemplos da desumanidade dos nossos dias.

Na Califórnia, não muito longe da capital do glamour e do mundo cor-de-rosa – Los Angeles, mesmo que agora com algumas assombrações e vestidos pretos, continua feita de cor-de-rosa sobre passadeiras vermelhas – uma menina de 17 anos conseguiu saltar por uma janela e fugir da casa que, em vez de lar, lhe servia de prisão. A ela e aos seus 12 irmãos, sete adultos – cinco raparigas e dois rapazes – e outras cinco crianças, a mais nova com 2 anos. Subnutridas, que vegetavam acorrentadas num ambiente pérfido sem sol, nem luz, nem sequer ar…

Não há maior exemplo de desumanidade que estes pais, capazes de manter nestas condições inumanas os seus próprios filhos. Que condição humana, que sentimentos, ou que dignidade podem ter este homem e esta mulher que, ao longo de uma vida, geraram e colocaram no mundo seres humanos para lhe negarem essa condição?

Não é porém menos significativa a “desumanidade social” revelada nesta trágica notícia. Que humanismo pode haver numa comunidade que não se apercebe de uma realidade destas?

De que forma nos socializamos? Que relações de vizinhança criamos quando, por mais nauseabundo que seja, nem “cheiramos” o que se passa ao nosso lado?

Quando parece que mais comunicamos, menos nos relacionamos. Quanto mais fácil é comunicar, parece que mais difícil é estabelecer relações. E a fragilização dos laços sociais é um sério obstáculo à construção da dignidade humana!

 

* A minha crónica de hoje na Cister FM

 

 

É uma questão de dignidade, sim senhor...

Por Eduardo Louro

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O governo português está chocado com as declarações de Juncker, que classifica de infelizes. “Nunca a dignidade de Portugal e dos portugueses foi beliscada quer pela troika quer por qualquer das suas instituições” – garantiu Marques Guedes, o porta-voz do governo português que quis ir para além da troika. Fica assim claro que, mais que a troika, é o governo de Passos Coelho que todos os dias ataca a dignidade de Portugal e dos portugueses. Empobrecendo-nos, primeiro, e humilhando-nos, depois!

 

ESPIRAL DE DEGRADAÇÃO

Convidada: Clarisse Louro *

 

O país entrou numa espiral de degradação de que não há memória. Tenho sérias dúvidas que encontremos na nossa História contemporânea outro momento onde tanto se tenha atentado contra o direito à dignidade.

Sim, sou do tempo da ditadura, vivi neste país amordaçado até à minha juventude… Sei do que então se passava, mas sei que, pelas condições da sociedade portuguesa nesses tempos – analfabetismo, acesso à cultura, níveis de consumo, etc. – a mancha social atingida pelos atentados de então era bem menos expressiva que a actual.

A coberto daquela ideia absurda de que andamos para aqui durante anos numa festança completa - a viver acima das nossas possibilidades, como os ideólogos do regime se encarregaram de propagandear, repetindo-o as vezes necessárias para tornar essa falácia numa verdade absoluta e indiscutível – criou-se na sociedade portuguesa um sentimento de aceitação da punição. Criou-se uma espécie de pecado original que, em vez de remível pelo baptismo, é expiado pelo sacrifício ilimitado e pela flagelação, que os mesmos ideólogos trataram logo de preparar. Sem a mínima preocupação com a dignidade de cada um!

As sucessivas revisões da legislação laboral – que, dizem-nos de Bruxelas, ainda não são suficientes – os sucessivos cortes nos salários da função pública, o crescimento acelerado do desemprego e a chegada permanente de milhares de jovens às portas fechadas do mercado de trabalho, quebraram qualquer sombra de equilíbrio entre capital e trabalho. Sem mínimas preocupações de dignidade!

Com o desemprego a galope, e já perto dos 40% nos jovens, o regime encontra duas soluções: a emigração – com indicação expressa do caminho, sem percepção do autêntico crime de desperdício que isso representa – e o empreendedorismo, a mais recente descoberta para afrontar a inteligência das pessoas. E nisso também a sua dignidade: como se a economia estivesse para isso, como se as oportunidades pairassem por aí, como se empreender – e seja lá isso o que for - seja coisa que dependa apenas da necessidade de cada um.

É por tudo isto que centros de saúde de Lisboa e Vale do Tejo contrataram enfermeiros a menos de quatro euros à hora. Profissionais altamente qualificados, formados em quatro anos de ensino superior - onde só entram os melhores, basta ver as respectivas notas de acesso - num dos cursos que mais recursos exige, que mais caro sai aos contribuintes. E que constituem o principal pilar dos serviços de saúde, porque são eles os únicos profissionais que, em saúde, estão presentes em todos os momentos. Isto não ofende apenas a dignidade dos enfermeiros e de quem os forma. Ofende a de todos: cidadãos e contribuintes!

Mas é o Estado que está a cometer este atentado? Não. Mas é o Estado que o promove!

Porque não contrata os quadros de que necessita, e prefere, perversamente, contratar serviços. Empreendedores dos sete costados apressam-se a concorrer, recrutando enfermeiros que não têm outra alternativa de mercado de trabalho, ao preço e como se tratasse de serviços de limpeza. Um “rentável proxenetismo de enfermagem”, como dizia Ricardo Araújo Pereira, na Visão.

É deste empreendedorismo que provavelmente se fala: sem risco e cheio de oportunidades. Do proxenetismo, que bem sabemos como lida com a dignidade!

 

 

* Publicado hoje no Jornal de Leiria

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