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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

É assim, no Brasil...

 

A votação que destituirá Dilma, a esta hora, ainda não aconteceu. Mas já são conhecidos os resultados: os senadores, um a um, comunicaram antes o seu voto ao “A Folha de São Paulo”. Mais tarde, lá para o final da manhã, Michel Temer será notificado para formar governo. Que já formou e que já está anunciado...

É assim, no Brasil...

Assustador

 

Deputados da oposição comemoram aprovação do processo de impeachment da Câmara.

 

Dilma vai aos Estados Unidos discursar na ONU e deixa a presidência entregue ao traidor-mor, o vice Michel Temer, antecipando - imagine-se - aquilo que está prestes a acontecer. Mas tudo aponta para que, ao impeachement de Dilma, se suceda o próprio impeachment de Temer. Não pelas acusações de corrupção que sobre ele pesam, mas porque a figura central de todo este processo, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha - o mais acusado dos acusados de corrupção, e com o seu processo na Comissão de Ética guardado numa gaveta do congelador - ou da geleira, como por lá lhe chamam - já ameaçou fazê-lo. A não ser que Temer se comprometa a protegê-lo...

É isto a política no Brasil. Isto e aquilo que se viu naquele pavoroso desfile de deputados que esconderam a sua insignificância atrás de um voto de raiva e ódio, invocando Deus, filhos, netos e primos, versículos bíblicos aprendidos nas igrejas do dízimo, ou circunstâncias das suas regiões, cidades, sindicatos ou corporações. E até a "memória do coronel Brilhante Ustra", um dos maiores torturadores da ditadura militar, o pavor de Dilma Rousseff, a quem teria chegado a introduzir ratos na vagina... E, no país do futebol, sempre ao pontapé. A mesas, cadeiras ... tudo. Mas acima de tudo na gramática. Não na bola.

 

Matar o futuro

Brasil

(Foto roubada daqui)

 

As escutas telefónicas entre Dilma e Lula, hoje reveladas, são o golpe final na sua credibilidade política, o golpe final no regime e, muito provavelmente, o golpe final na democracia no Brasil, que não irá conseguir resistir à mistura explosiva de uma crise económica sem precedentes com a maior crise institucional e de representação dos últimos 70 ou 80 anos.

Nunca o Brasil enfrentou um quadro político e económico de dimensão tão catastrófica. Nunca o Brasil sonhara  tão alto, para depois cair tão fundo, numa real tão dramática. Lula tirou o Brasil da miséria e acrescentou-lhe futuro, o futuro que parecia estar ali à mão mas que sempre fugia, cada vez mais inalcansável. Prometido, mas também sempre adiado. E agora negado...

Admitíamos que em dez anos Lula tivesse mudado o Brasil. Percebemos hoje que dez anos não chegaram para mudar o Brasil, mas que chegaram para mudar Lula. E é esse hoje o drama do Brasil, um país que não muda, mas que muda quem o quer mudar. Que mata a mudança pela raiz, para que a velha agenda nunca desapareça, e esteja sempre pronta a regressar às primeira filas...

 

De Tiririca a Jardel

Por Eduardo Louro

 

Afinal Marina - com 21% dos votos - ficou de fora, não se cumprindo o anunciado duelo feminino pelo melhor lugar no Planalto.

Dilma chegou aos 41%, número que poderá não esticar o suficiente na segunda volta se, como se especula, Marina der o seu apoio a Aécio Neves, permitindo ao candidato do PSD saltar dos seus actuais e surpreendentes 33% para a vitória, que colocará um ponto final em 12 anos de PTismo

A notícia no entanto é a eleição de Mário Jardel. Isso mesmo: Jardel é agora deputado estadual do Rio Grande do Sul. Jardel, o cara de direita porque com ele é tudo a direito, fez como o Tiririca e já tem ocupação. Antes de dar para rir, deve dar para pensar!

No Brasil há círculos uninominais... E o voto é obrigatório!

Simbologias

Por Eduardo Louro

 Cumprimento durou alguns segundos, durante os quais Obama e o Presidente cubano trocaram breves palavras, na presença de Dilma Rousseff

 

Também isto é obra de Mandela. O cumprimento entre os presidentes americano e cubano nunca teria existido sem Mandela…

Quando Obama se deslocava para a tribuna, para o seu discurso nas cerimónias fúnebres públicas de hoje em Joanesburgo, cruzou-se com Raul de Castro e … apertaram as mãos. Simbólico, não mais que isso. É mais um símbolo!

Não simbólico, apenas curioso que seja Dilma a testemunhar este cumprimento que poderia ser - mas que não será - histórico. Não creio que seja... 

Também simbólica - e preocupante - foi a manifestação pública de hostilidade ao presidente sul africano Jacob Zuma!

O Brasil na rua

Por Eduardo Louro

 

Os protestos começaram há uma semana, em S. Paulo, contra o aumento dos preços dos transportes. Rapidamente alastraram a várias outras cidades do Brasil e, rapidamente também, ganharam novas motivações. Um país há mais de uma década governado à esquerda, aproveitou invejáveis taxas de crescimento económico para traçar um novo mapa da sociedade brasileira, a partir de uma nova e florescente classe média. Mas acaba por não resistir ao fechar do portão do crescimento: quando tem que se limitar às taxas de crescimento anémico que hoje caracterizam a economia mundial, quando em vez dos sete e oito por cento passa a crescer apenas 1%, a economia deixa de manter os portões abertos que escoam toda aquela torrente social.

A contestação social não precisa de mais do que um simples argumento para quebrar a inércia. Uma vez em marcha vêm ao de cima todos os problemas que uma década de crescimento exponencial não resolveu, nem poderia resolver. E ficam à vista muito das fragilidades da grande potência que há-de ser!

E muitas contradições, algumas bem curiosas. O país do futebol, que supostamente suspiraria por um mundial em casa, revolta-se, não contra o futebol, mas por causa do futebol. Contra a organização da Copa do Mundo, contra os gastos exorbitantes em estádios e mais estádios - nada menos que dez - à vontade dessa organização pouco recomendável chamada FIFA. E contra a corrupção que alimenta, com derrapagens nos custos dos estádios - nada que não tenhamos conhecido bem por cá, há dez anos atrás - que chegam a multiplicar por seis o valor do orçamento inicial. E no entanto surgem nas manifestações, como ainda hoje se pôde ver em Lisboa, numa acção de apoio ao que lá se passa, vestindo as camisolas amarelas da selecção brasileira, com o número e o nome de Neymar nas costas.

E no entanto, quando a repressão policial ultrapassou todos os limites, quando a polícia não poupa ninguém à sua violência, a presidenta – como gosta que lhe chamem – Dilma surge do outro lado. Do contra poder, como Lula. Como se nada tivesse a ver com isso de gastar dinheiro em estádios de futebol em vez de em saúde ou educação. Como um casal que gasta o dinheiro em roupas de luxo em vez de comprar comida para os filhos, como passa num vídeo populista que por aí circula...

"O Brasil hoje acordou mais forte”…“Essas vozes das ruas precisam ser ouvidas. Elas ultrapassam, e isso ficou visível, os mecanismos tradicionais das instituições, dos partidos políticos, das entidades de classe e da própria mídia” … Quero dizer que o meu governo está ouvindo essas vozes pela mudança. O meu governo está empenhado e comprometido com a transformação social"- são frases que Dilma incluiu ontem em declaração pública!

MAU FEITIO

    

Por Eduardo Louro

 

A entrevista de Miguel Sousa Tavares (MST) à Presidenta – é assim que gosta de ser tratada – Dilma Roussef, passada na SIC na véspera da sua primeira visita oficial a Portugal e à Europa, teve, para mim, um ponto alto. O entrevistador – personagem que não é conhecido exactamente pelo seu bom feitio – a determinada altura da entrevista, focado na estratégia de combate ao crime organizado no Brasil, referiu o suposto mau feitio da entrevistada. A referência ao seu mau feitio era, na circunstância, aquilo que nós portugueses entendemos como um atributo decisivo para aquele combate: duro - no caso dura, ou mesmo durona –, determinada e implacável!

Dilma fez um silêncio (mais ou menos) prolongado e não conseguiu disfarçar o desconforto. O Miguel Sousa Tavares, afinal como todos os que assistíamos à entrevista deste lado de cá, percebeu que alguma coisa não tinha corrido bem, quando a entrevista até corria solta e na melhor das cordialidades – ele não tinha levado para ali o seu próprio mau feitio –, rapidamente compreendeu que a bronca estaria no mau feitio.

E estava!

Explicaria a Presidenta do país irmão que, no português de lá, mau feitio queria dizer que algo de errado se passava com a sua roupa. Mau feitio tem a ver com problema de costura!

Percebemos, evidentemente, o desconforto. Mesmo sendo uma ex-revolucionária, Dilma é mulher! E é presidenta da república!

Nem sequer coloco a remota hipótese da fama do mau feitio do MST ter chegado ao palácio do Planalto – ao que se diz ele até morre facilmente de amores lá pelas terras de Vera Cruz – e de, prevenida, Dilma Roussef ter reagido já condicionada. Não era necessário tanto para se justificar uma afronta digna de um grave problema diplomático!

O mal entendido seria entretanto e rapidamente esclarecido, acabando afinal por não provocar mais que uma boa rizada, na qual haveria também eu de participar. Mas fiquei a pensar como, afinal, eu entendia aquela interpretação. Como ela me remetia para velhos usos que deste lado de cá demos, em tempos, a esta nossa língua!

Há muito, muito tempo, antes de cá chegar o prête à porter, também era esse o sentido que dávamos ao feitio. Talvez porque então nem sequer tivéssemos direito ao mau feitio ou, quem sabe, porque pobretes mas alegretes!

Pois era. Nesse tempo as mulheres iam às modistas e os homens aos alfaiates, mandar fazer as suas roupas. Levavam-lhes os tecidos – as sedas, os linhos, a fazenda – e pagavam-lhes o feitio!

E aí está como, também por cá, o feitio era o trabalho de confecção da costureira, da modista, como se lhe chamava, e do alfaiate. E, naturalmente, um mau feitio seria mesmo o mau trabalho na confecção do vestuário. Como continua por lá, apesar do pronto-a-vestir!

Enfim, coisas que o mau feitio do acordo ortográfico nunca resolverá!

Político é que atrapalha...

Por Eduardo Louro

 

Os resultados das eleições presidenciais de ontem no Brasil determinaram uma poucas vezes prevista segunda volta. Confirmaram no entanto a ideia que eu de lá trouxera há duas semanas.

As eleições no Brasil começam a ter, na Europa e em particular em Portugal, alguns pontos de contacto com as americanas. Se fossem os europeus a votar nas eleições americanas provavelmente George W Bush nunca teria sido presidente dos Estados Unidos. No entanto foi eleito e reeleito!

Ora aqui está um desses pontos de contacto. Se fossem os europeus, ou no caso mesmo o resto do mundo, a votar nas eleições presidenciais de ontem a candidata de Lula – Dilma Roussef – teria vencido claramente e arrumado a questão. Mas foram, como não poderia deixar de ser, os brasileiros. E esses, apesar de tudo o que o Brasil conquistou nos últimos quinze anos, foram mais comedidos na hora de atribuir o crédito a Lula.

O Brasil é hoje uma grande potência com uma influência decisiva no xadrez mundial: estratégica, política, económica e, evidentemente, cultural. É uma potência eclética, e não meramente económica!

É, como hoje se diz, um player global. Um mero exemplo: enquanto, há duas ou três semanas atrás, no Rio de Janeiro se abriam as portas da Rio Oil & Gás, já com o estatuto de maior feira mundial do sector, no mesmo dia – evidentemente que não foi por acaso – em S. Paulo, abria na Bolsa o período de subscrição do aumento de capital da Petrobrás, a maior operação de capitalização de sempre em todo o mundo.

O Brasil eliminou uma enorme parte da imensa pobreza que lhe minava o desenvolvimento e criou uma classe média que integra hoje metade da população. Uma classe média que nunca teve e que hoje tem um papel na economia brasileira ao nível do das economias desenvolvidas. Uma classe média que não se vê apenas nas estatísticas mas que se sente na rua, nos restaurantes e nos hotéis!

Tudo isto em quinze anos e em duas presidências: Fernando Henrique Cardoso (FHC) e Lula da Silva. Sim, há méritos a distribuir também por FHC, que iniciou este percurso.

No entanto, chegada a hora de substituir Lula, a campanha eleitoral encarregou-se de esquecer FHC para transformar Lula no credor único deste sucesso. E Lula tomou conta da campanha: a sua participação foi inclusive superior à da sua candidata, numa atitude de intervenção directa sem paralelo. Parafraseando todos os seus discursos, nunca antes um presidente em exercício tinha intervindo tão activamente numa campanha.

Surpreendente foi a reacção de José Serra que, em vez de salientar o papel de FHC – seu companheiro de partido, o PSDB – e de o puxar também para a campanha, adoptou uma atitude que mais parecia de ciúme. Muitas das vezes ficou mais a ideia de que tinha ciúmes de Vilma por ser ela, e não ele, a receber o apoio do presidente feito Deus, do que propriamente a denunciar os excessos do empenho do presidente numa sucessão dinástica.

A campanha de Vilma Roussef foi de facto a campanha de Lula da Silva. Com tudo a favor, incluindo os erros do seu principal adversário. Mas não foi suficiente para ganhar (46,88%) e agora tudo fica a depender do que vier a acontecer na segunda volta com os votos (quase 20%) de Marina Silva, a ecologista saída também não só do PT de Lula como do seu governo.

Aos nossos olhos europeus parece difícil de entender como é que, nestas circunstâncias, Lula – é claro que este resultado de Vilma é um resultado de Lula – não consegue ganhar as eleições. Mas quem olhar com atenção para o Brasil percebe a debilidade do sistema político brasileiro e percebe que Lula não conseguiu passar entre os pingos da chuva.

Não me esqueço da resposta de um taxista quando eu lhe manifestava o meu entusiasmo por ver o país entre as maiores potências mundiais: “É… o Brasil tem tudo, político é que atrapalha”!

Nunca antes

Por Eduardo Louro

 

 

Acabei de regressar do Brasil, onde voltei precisamente dez anos depois. Por mera coincidência, de novo em tempo de campanha eleitoral!

Voltei pois a encontrar um país em campanha eleitoral. Encontrei um país com algumas diferenças mas uma campanha eleitoral bem diferente.

Sempre um Brasil de dupla face – sinais de desenvolvimento próprios de uma potência mundial convivem, lado a lado, com os mais evidentes sinais de terceiro-mundismo –, mas agora um país que todo o mundo cobiça. Qual garota de Ipanema, filha adoptiva do talento de Vinícius (…olha que coisa mais linda, mais cheia de graça…) que todos querem para namoradinha!

Nunca antes o mundo olhou para o Brasil deste jeito!

Um país que todos os dias atinge novos máximos nos mais diversos índices, a fazer lembrar aquelas semanas loucas das bolsas. Batem-se sucessivos recordes e cria-se a ideia que o limite é o céu. Depois cai tudo, mas isso é outra estória! Esperemos que seja!

Foi este país que vim encontrar, mas … em campanha eleitoral.

A primeira sensação foi que não tinha chegado a sair de Portugal. Sucesso atrás de sucesso, cada indicador melhor que o outro. Os milagres do Estado Social… Estava ali tudo, não faltava nada: aquilo era o discurso que eu ainda levava nos ouvidos. E, no entanto, estava do outro lado do oceano! O país era outro mas o discurso era o mesmo. Fantástico! Nunca antes tinha visto uma coisa assim!

Depois do choque inicial comecei então a perceber as nuances do discurso. Comecei por perceber que os dados e os indicadores que sustentavam o discurso faziam sentido. São produzidos pelo INE lá do sítio – o IBGE, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – variam a sério, não em cagésimos, são lidos correctamente e impressionam mesmo!

Mas era um discurso cheio de “nunca antes”. Nunca antes de Lula, claro!

Todos aqueles dados e indicadores impressionantes têm uma única referência: o Presidente Lula. O mérito por tudo o que de bom se passa hoje no país é dele. E só dele! Há já quem diga que se eliminará Pedro Álvares Cabral para entregar a Lula o mérito do descobrimento do Brasil!

É este o registo de uma campanha eleitoral onde o presidente se sobrepõe ao candidato. Destinada a assegurar uma continuidade dinástica, bem mais própria da velha linha latino-americana que das democracias modernas do mundo que hoje namora o Brasil, e onde o presidente não se comporta de forma condizente com o seu prestígio pessoal. Bem maior no exterior do que internamente!

É preocupante, e bastante questionado em sectores insuspeitos da sociedade brasileira, este envolvimento e esta personalização meio chavista da campanha. Tão mais preocupante quanto se sabe que nunca foi desmantelada a rede de corrupção com epicentro na sua Casa Civil. Que todos os dias faz prova de vida.

Parece-me que nem o Brasil nem a senhora Dilma Roussef mereciam isto. Nem, acima de tudo, Lula!

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