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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

O monstro autofágico

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Em 2013, há apenas dois anos, chocáva-nos que apenas trezentas e poucas pessoas, os trezentos e tal mais ricos, detivessem tanta riqueza quanto metade do mundo, a metade mais pobre. Um ano depois esse número baixava para menos de metade e em 2015, dois anos depois, para 62. Nem mais: hoje, os 62 mais ricos do mundo acumulam uma riqueza superior à de metade da população mundial. E, pelo vistos, isso já não choca ninguém. Pelos vistos, o mundo aceita que assim seja. Pelos vistos, o sistema transformou-se num monstro que conseguiu eliminar todos os obstáculos ao seu crescimento ilimitado e à ganância insaciável dos que o dominam. Mas esqueceu-se de um pequeno pormenor: a ganância tornou-o autofágico. É que a distribuição de riqueza  não é apenas um indicador de desenvolvimento. É também um factor central de crescimento económico. E o crescimento económico é o oxigénio do sistema...

Propagandistas

Por Eduardo Louro

 

 

Já passaram dois dias depois do Banco de Portugal ter mostrado ao país a aldrabice dos números do emprego e ainda não apareceu ninguém do governo a dizer o que quer que seja. Nem Paulo Portas... Nem Pires de Lima... Nem Passos Coelho, que não está cá e, de lá, só fala para dar mais uns recados à comissão de inquérito do BES... Nem nenhum dos inúmeros papagaios destacados para o comentário nas televisões, que por aí andam só por ver andar os outros...

Mas alguém haveria de aparecer ... É que a semana está mesmo a correr mal para a propaganda que Passos Coelho anda a espalhar pelo país fora. Ainda mal tinha acabado de vender banha da cobra do mexilhão e já a OCDE desmentia tudo... 

O que está em causa

Por Eduardo Louro

 

Como aqui referi na altura, o chamado manifesto dos 70, tinha o grande mérito de trazer para a discussão pública a questão da reestruturação da dívida. De, como então dizia, tirar o tema da clandestinidade, ou do gueto em que o tinham enfiado.

Constato agora que teve ainda outros méritos. Teve o mérito – que não é grande, diga-se – de mostrar que António José Seguro não existe. O que não sendo novidade nenhuma - já toda a gente o sabia - não deixa de ser relevante, porque revela a forte limitação estrutural do regime. Quando numa matéria destas, em que até um tal José Gomes Ferreira faz figura de (parvo) gente grande, e não se ouve o líder do maior partido da oposição, percebe-se o bloqueamento do regime!

Mas teve, acima de tudo, o mérito de desmontar o grande trunfo deste governo e de toda a sua vasta entourage: a tese da inevitabilidade. O governo e todo o seu regimento mediático introduziram e exploraram até ao tutano a tese da inevitabilidade. Tudo o que fazia era inevitável, nunca havia alternativa, era assim e só assim podia ser… Viesse quem viesse, não havia volta a dar… Tudo estava escrito (no programa) nas estrelas, nada a fazer…

Pedro Passos Coelho, sendo ou não o mentor da tese, era o seu maior intérprete. Todos os dias, em todas as circunstâncias, lá estava ele com a bandeira da inevitabilidade bem erguida. Daí que tenha acusado o toque. E reagiu mal, se bem que depressa, na tentativa desesperada de salvar aquele que era o seu maior, se não único, trunfo. A seu cargo, e a cargo das principais figuras do seu governo, com Pires de Lima à cabeça, ficou o ataque à credibilidade da ideia. Reestruturar a dívida já não era exactamente uma coisa de perigosos e irresponsáveis radicais de esquerda, mas era um enorme disparate, especialmente nesta altura, a dois meses do fim do programa de resgate… A cargo do seu exército mediático ficou, mais uma vez, o trabalho sujo. Simples: para descredibilizar a ideia, e como o memorando era subscrito por gente de todos os quadrantes políticos, incluindo os próximos do poder, uns mais respeitados que outros, mas tudo gente de peso, era preciso começar selectivamente a descredibilizar os subscritores.

A malta pôs mãos à obra e tem sido um ver se te avias, um fartar de vilanagem, com o já referido José Gomes Ferreira a salientar-se pelo esforço e dedicação!

A força deste memorando reside, em primeira análise, na forma como deixa claro de que há na sociedade portuguesa o entendimento que há alternativas a esta política de destruição económica e social. Que há opções a fazer, e que podem ser feitas. E que é esta a melhor altura para as fazer!

É evidente que ninguém de bom senso poderia esperar que o governo, este ou qualquer outro, viesse aplaudir o manifesto. É evidente que aquilo que o manifesto propõe não é matéria para, à partida, ser tratada na praça pública. Só que, como também é evidente, vem para a praça pública, e pelas mãos de quem vem, pela simples razão de, contra todas as evidências, não ser opção (recatada) do governo.

E não o é por razões ideológicas e por objectivos de agenda. O governo não desconhece, como de resto a União Europeia também não, que a dívida não é pagável nestas condições. Que a economia não só nunca crescerá em termos de responder ao seu pagamento como nunca resistirá à asfixia dos juros, que são já a primeira despesa do Estado. O governo não desconhece que a manutenção ilimitada de políticas de austeridade, durante décadas e décadas, destrói todo o tecido social.

O governo e esta direita no poder sabem tudo isso. Mas também sabem que foi tudo isso que permitiu baixar salários de forma generalizada, degradar serviços públicos para abrir espaço para interesses privados, destruir a classe média e engrossar as camadas mais frágeis e mais dependentes da sociedade… Resumindo: subverter a política distribuição de rendimentos. Afinal, com o PIB a cair todos estes anos, os mais ricos ficaram mais ricos. O país produziu menos riqueza, mas isso não impediu que os mais ricos ficassem ainda com mais…

É isto que está em causa!

 

Teorias do empobrecimento

 Convidada: Clarisse Louro *

 

Começamos por ouvir dizer que, com a globalização, iríamos ter que nos habituar a empobrecer um bocadinho. A sociedade de bem-estar do norte teria que abrir mão de um bocadinho desse conforto, para retirar da miséria e da fome a maior parte da humanidade que ainda vive em condições infra-humanas.

Quando as empresas, depois da queda do muro de Berlim, agora a fazer 24 anos, começaram a deslocar as indústrias para a Ásia sabíamos que iam à procura de mão-de-obra barata, de mais baixos custos de produção. Mas acreditávamos também que esse era um fenómeno que viria a melhorar as condições de vida a largos milhões de pessoas, para quem aqueles salários, para nós miseráveis, eram a chave que lhes abria a porta, se não do desenvolvimento, pelo menos de qualquer coisa melhor.

A adesão da China à Organização Mundial de Comércio, apesar das muitas voltas trocadas, tem ainda um pouco desse princípio, até porque ninguém ignorava que, nas suas condições económicas, políticas e sociais, a China era um concorrente forte, mas também fortemente desleal. A opinião pública ocidental estava disponível para perder alguma coisa para garantir o acesso a padrões mínimos de consumo a largas centenas de milhões de chineses…

Hoje olhamos para o mundo e conseguimos notar alguns desses efeitos. Quando há países emergentes com crescimentos anuais de dois dígitos alguma coisa por lá há-de ficar melhor, mesmo que, Brasil e China á parte, cada caso com a sua realidade e com os seus problemas, o balanço do desenvolvimento social não seja particularmente brilhante.

Também cá em Portugal, ao longo de todos estes anos de crise, fomo-nos habituando à ideia de que tínhamos que empobrecer. Esta teoria do empobrecimento era-nos sistematicamente martelada de forma a entrar pelas nossas cabeças dentro, fosse lá da forma que fosse.

Enquanto na teoria anterior era deixado perceber que havia ali vasos comunicantes, nós empobreceríamos para que outros pudessem ter qualquer coisinha, nesta não tínhamos nada assim de tão claro. Temos de empobrecer, mas para onde é que vai? Quem é que ganha com isso?

Aqui não havia vasos comunicantes, tínhamos de empobrecer pela simples razão de que tínhamos vivido acima das nossas possibilidades. Esta não era uma teoria, era um axioma. E foi como tal que fez carreira ao longo destes anos - o axioma do empobrecimento!

Começamos agora a perceber que não seria bem assim. Começamos a perceber que, quando nós empobrecemos, o país empobrece também. Mas que não empobrecemos todos: um Relatório da UBS – o Relatório de Ultra-Riqueza no Mundo – diz que em 2013 há em Portugal mais 85 multimilionários, passando para 870, cujas fortunas cresceram mais de 11%. Mesmo assim menos que na Grécia onde, pasme-se, a fortuna dos mais ricos cresceu 20%! 

E começamos a perceber que quanto mais pobres estão os países do sul da União mais ricos estão os do Norte. E que a Alemanha atingiu excedentes comercias inaceitáveis. Tão inaceitáveis que já nem Durão Barroso consegue ignorar!

O que sai de um lado entra noutro qualquer. Quando isso é rendimento, chama-se distribuição e é o maior instrumento político para a construção de sociedades justas, desenvolvidas, estruturadas e equilibradas.

 E a distribuição de rendimento não está a correr da melhor maneira. O mundo está cada vez mais desigual!

 

* Publicado hoje no Jornal de Leiria

Coisas da crise... e não só!

Por Eduardo Louro

 

A crise não está a impedir o enriquecimentos de alguns portugueses: há mais milionários em Portugal!

Esta é uma boa notícia. Pena é que o aumento dos pobres seja muito maior. A má notícia é que todos os dias há mais pobres, muitos mais pobres, muito abaixo do limiar da pobreza. Sem comer...

Uma coisa não tem que ver com a outra? Se calhar não tem... Mas, se calhar, tem!

Boa, mesmo boa, seria a notícia de que há mais ricos mas também menos pobres em Portugal... E muito mais saudável!

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