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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Entre a patetice e a loucura

Por Eduardo Louro

 

O primeiro-ministro resolveu assinalar os dois anos da sua vitória eleitoral com uma série de patetices. Dir-se-ia que dois anos destes não poderiam ser assinalados se não com patetices, mas não era preciso tanto.

Na Amadora, numa reunião partidária e de apresentação de uma candidatura autárquica da coligação no governo, Passos Coelho apresentou-se e falou como primeiro-ministro. Num discurso patético disse não ter medo de eleições nem dos portugueses, ele que não aparece em sítio nenhum senão protegido por um exército de seguranças. Falou de transformação nacional – e essa percebemo-la todos os dias – e de transformação local. Que as eleições são distintas, mas também interligadas, porque não há compartimentos estanques na política.

Disparates, coisas sem nexo. Patetices, mas nenhuma com a dimensão da que faria – que não fez - capa de jornal:  "Hoje Portugal e os portugueses são vistos como gente trabalhadora, cumpridora e honrada".

Choca que nos diga que não éramos cumpridores nem honrados, mas uma cambada de calões e preguiçosos. Choca a arrogância de tal transformação, da parte de quem destruiu o pouco que ainda havia para destruir. Choca que, depois de condenados à pobreza e à miséria, tenhamos passado a ser gente séria e cumpridora. Choca que, depois de destruído o trabalho de centenas de milhares de portugueses, lhes passe a chamar gente trabalhadora.

Mas choca muito mais a intolerável ideia de regeneração pela pobreza. A honra na pobreza, pobrezinhos mas honrados. A ideia que estes dois anos mais não são que a penitência a que fomos condenados por todos os pecados cometidos. O castigo implacável, mas merecido, de quem nunca quis trabalhar, sempre foi rebelde e incumpridor, desonesto e desonrado, de quem sempre viveu acima das possibilidades. A ideia que o governo impôs aos portugueses estes dois anos de privação para remissão de todos estes pecados. Que Passos, o bom pastor, em apenas dois anos nos redimiu. Libertou-nos. Regenerou em apenas dois anos um povo e uma nação com quase nove séculos de História!

Mais do que patético, isto é loucura!

Dois anos... é muito tempo!

Por Eduardo Louro

 

No dia em que passam dois anos sobre as eleições que levaram Passos Coelho ao poder, a própria efeméride já era dada a avaliações, a olhar para o que ficou para trás, a olhar para resultados. Maus, como se sabe.

Já não bastava que hoje nos lembrássemos das expectativas criadas com as eleições de 5 de Junho de 2011. E falhadas, todas, umas atrás das outras. Do apoio que este governo chegou a ter, e que foi desbaratando. Dos aliados que foi perdendo, uns atrás dos outros… Está hoje, ao fim de dois anos, isolado, com um único aliado, não menos isolado também ele!

Já não bastava que nos lembrássemos das promessas falhadas – invertidas mesmo - de Passos Coelho. Das reformas sempre adiadas que viriam agarradas à intervenção externa e que ficaram na gaveta. Que, sempre que mexiam com interesses instalados e protegidos, continuaram adiadas. Poderá hoje desconfiar-se se a própria reforma laboral resulta de uma concepção reformista, se de mera muleta ideológica de sustentação da política austeritária e de empobrecimento do país. E no entanto ainda ontem ouvi em Leiria Álvaro Santos Pereira dizer, com o ar mais convencido deste mundo, que este governo implementou nos últimos dois anos o programa de reforma mais ambicioso na Europa desde a era Thatcher.

Como se tudo isso não bastasse, o INE divulga hoje os números do primeiro trimestre. E diz que, num ano, o PIB caiu 4%. Quer dizer, em termos homólogos, comparando o primeiro trimestre deste ano com o do ano passado, esta foi a maior queda no PIB dos últimos quatro anos.

Se não haveria pior maneira de comemorar os dois anos da vitória eleitoral de Passos Coelho, também não havia forma mais irónica de o fazer!

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