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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

EURO 2012 (VII) - O EURO A DUAS VELOCIDADES

Por Eduardo Louro

                                                  Velhos são os trapos! (SAPO)                    

Com os jogos do grupo D concluiu-se hoje a primeira ronda desta fase de grupos do Euro.

Um clássico a abrir: França – Inglaterra!

Um jogo sempre de expectativa alta, mas que saíram completamente frustradas. Uma selecção inglesa desfalcada que, ao que pareceu, não tem mais para dar… Deu pouco - muito pouco – mas, lá diz o povo: quem dá o que tem a mais não é obrigado! Les bleus – que têm muito mais para dar – apesar de superiores aos ingleses, é que ficaram a dever muito!

As estrelas da selecção francesa não brilharam, à excepção de Nasri mas, mesmo assim, apenas na primeira parte, que não foi só o tempo dos golos, foi também a parte melhor – menos má – do jogo. Pouco Bemzema e pouco Ribery. E nada, absolutamente nada, de Malouda, um jogador que não tem como justificar a sua presença no onze. Tem duas velocidades: parado e passo lento. Se a bola lhe passar a um palmo do pé já não é para ele!

Foi mesmo daqueles jogos típicos desta fase da prova, mesmo enfadonho e pastoso. Com um ou outro safanão, mas não mais que isso. Onde a Inglaterra cometeu a proeza de, num jogo inteiro, fazer três remates. Que lástima, esta selecção inglesa!

Ouviram-se assobios e muitos, daqueles que os nossos jogadores e o staff da nossa selecção não gostam. Justificados, porque aquilo não prestava mesmo!

O resultado foi o de maior frequência nesta primeira ronda:1-1.

No outro jogo, duas selecções com menos responsabilidade - a da casa, a Ucrânia, e a Suécia – ofereceram outro espectáculo, de outro nível. Um jogo de grande intensidade, sempre em alto ritmo, quase que apetece dizer sempre em excesso de velocidade. Claramente um euro a duas velocidades. Que diferença!

Quando se presencia um jogo desta intensidade é costume dizer-se que é impossível manter aquele ritmo durante muito tempo. Até isso este jogo contrariou! Se a primeira parte foi intensa, a segunda parte não o foi menos. E deu os golos!

Começou a Ucrânia por impor esse ritmo alto, logo no início. A Suécia ainda tentou pôr água na fervura, baixando-o. Mas logo acabou por aderir àquele ritmo maluco e associar-se sem reservas à festa.

Foi um daqueles jogos em que se está sempre à espera do golo. Apareceram três, em apenas dez minutos (dos 51 aos 61 minutos) e ficamos até ao fim à espera de mais. Não foi por falta de oportunidades que não surgiram! Foi também um daqueles jogos que, mais que ninguém merecer perder, ambos mereciam ganhar. O que, como se sabe, não é possível!

Ganhou (2-1) a equipa da casa - apoiada por um público incansável - a equipa de Blokhin, um extraordinário jogador da selecção soviética e daquele fantástico Dínamo de Kiev de meados da década de 70, e a equipa de Shevchenco que, aos 36 anos e no fim de uma época em que, fustigado por lesões, quase não jogou, surgiu a altíssimo nível, fazendo os dois golos que fizeram a cambalhota do marcador. À ponta de lança, como se diz. Mas de grande categoria!

Schevchenco foi por isso o homem do jogo. Mas a Ucrânia tem muitos outros bons jogadores. Entre outros ficou-me na retina um miúdo com o número 19, Konoplianka, um ala esquerda de grande qualidade!

A Suécia teve até mais oportunidades de golo, abriu mesmo o marcador pela sua figura maior – Ibrahomovic - que teve ainda um remate ao poste e outro, de grande categoria, que saiu à figura do guarda-redes ucraniano. Lutou até ao fim pela vitória, criando ocasiões suficientes para isso e, embora tenha deixado a ideia de ser muito dependente da sua estrela – momentos houve do jogo em que víamos Ibrahomovic no meio campo a organizar jogo -, se continuar a jogar assim, e os burgueses franceses e ingleses a não fazerem mais do que hoje fizeram, as contas do grupo estão por fazer.

Não são favas contadas para Inglaterra e França, como à partida parecia. Nem nada que se pareça!

A DUAS VELOCIDADES

Por Eduardo Louro 

 

Há muito que se ouve falar na Europa a duas velocidades. Ou, numa linguagem ciclística, no pelotão da frente, deixando perceber que para trás vão ficando outros.  

Sempre percebemos que era assim, que havia uma Europa rica, uma outra assim-assim, e a pobre. Onde sempre soubemos que estávamos e de onde chegamos a pensar que iríamos sair, não por qualquer esforço de recolagem mas porque, aquando do alargamento a leste, olhámos para trás e vimos que estava achegar um novo pelotão que nos deixava aquele conforto ilusório de não ser último. Mas, sem pernas para aquela pedalada, limitamo-nos a, um a um, vê-los passar todos.

Com a chegada do euro, e com o estatuto de fundador, voltamos a encher o peito e a sentirmo-nos lá à frente. Essa poderia até ter sido uma boa oportunidade para um último esforço de recolagem, como acontece àqueles ciclistas que, de repente e depois de uma curva, avistam o pelotão da frente e, indo buscar forças onde nem imaginam que existam, se lançam num esforço gigantesco para se lhes juntar. Mas não a aproveitamos! Em vez disso relaxamos ainda mais, convencidos que seriam eles a esperar por nós para depois nos rebocarem.

Esta situação de corrida deixou agora de ser circunstancial para passar a ser irreversível. Merkel e Sarkozy – e acredito mesmo que mais Sarkozy, preocupado que está em manter o periclitante triple A da França, vital para as suas aspirações eleitorais – estão a preparar-se para se livrarem dos grupos atrasados, restringindo o euro ao pelotão da frente, para o qual convidarão um restrito grupo dos seus melhores aguadeiros. Nove ao todo, onde parece que a Espanha será o único corpo estranho. Talvez pelo peso do seu ciclismo, quem sabe?

É sintomático que sejam os responsáveis institucionais da Europa – os presidentes da comissão (Barroso), do eurogrupo (Junker, que ainda ontem cá em Lisboa jurava que o euro não existia sem Portugal) e do conselho (Von Rompuy) – a negar a constituição deste clube do euro. Logo eles que foram os primeiros a ser engolidos pela dupla que veio para a frente tomar conta da corrida…

 

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