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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Bons exemplos

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É porque há notícias destas que temos que acreditar que nem tudo está perdido. No futebol, como é o caso, como na vida. Nas nossas vidas ...

A notícia anda aí, e corre depressa: num jogo de futebol a contar para o campeonato distrital de juvenis de Castelo Branco, entre os miúdos do Vila Velha de Ródão e do Sporting da Covilhã, a equipa da casa, por razões diversas, que vão  da dificuldade de recrutamento a lesões e gripes, apenas conseguiu apresentar-se com oito jogadores. Então o treinador dos leões da Serra decidiu que a sua equipa alinharia igualmente com oito jogadores.

Tem 27 anos, e acha que mais importante que ganhar é dar bons exemplos. É bom que haja quem pense assim. E é fantástico que haja gente que pensa assim a trabalhar com miúdos, e logo naquilo que eles mais gostam de fazer!

Dantes chamavam-lhe "bons exemplos". Agora já não há. Hoje fala-se de "boas práticas", que não é bem a mesma coisa. Nem pouco mais ou menos! 

 

 

Coisas dramáticas

Capa Jornal de NotíciasCapa Público

 

Os jornais fazem hoje eco, dois deles com destaque de capa, de um estudo que conclui que os alunos provenientes das famílias mais desfavorecidas são os que menos acesso têm aos cursos que exigem as notas mais altas. 

Ninguém se surpreende com a notícia. Quase se poderia dizer que estranho é que seja notícia. Ou que há estudos que não servem para mais do que para nos dizerem aquilo que já sabemos. Num país, como o mundo, cada vez mais desigual é inevitável que cada vez mais seja assim.

O que não podemos achar inevitável é que cada vez mais se feche os olhos a esta realidade, que não só destrói a principal alavanca do sistema como as suas vias respiratórias. A educação é o factor crítico da mobilidade social, e o elevador social a base do sucesso do sistema. 

Acentuar as estratificações no acesso à educação é deixar o elevador fora de serviço, é acentuar desigualdades, e é pôr a História a andar para trás. Chamem-lhe o que lhe quiserem chamar...

Ventos de Norte*

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Quando pensamos em direitos, liberdades e garantias, educação cívica ou boas práticas sociais, lembramo-nos do norte da Europa, e em particular da Escandinávia. É de lá que há muito nos habituamos a receber boas notícias, basta lembrar que a Suécia foi o primeiro país a dizer ao mundo, na década de 70 do século passado, que bater não é educar. Nem na escola, nem em casa. E para que isso ficasse claro, as palmadas ficaram desde então criminalizadas no seu Código Penal.

Desta vez a novidade vem da Dinamarca, com um pacote legislativo que acabou de entrar em vigor, mais precisamente no passado dia 1 de Abril, que integra no complexo processual do divórcio um curso de “cooperação após o divórcio”. Que cada elemento do casal, com filhos até aos 18 anos de idade, fica obrigado a frequentar, presumo que com aproveitamento.

O curso aborda a vida em separado, mas foca-se em especial nas situações de maior potencial de frustração, para as crianças, e de conflitualidade, para os pais. Como a organização das férias, dos aniversários ou até dos passeios escolares...    

Dado que a separação dos pais não é um exclusivo de casais casados, também os pais não casados podem aceder gratuitamente ao programa. Só que, nesse caso, já não há como obriga-los. Terão que ser os próprios a solicitá-lo.

Por cá, ainda com a violência familiar na ordem do dia, dificilmente sentimos a saudável brisa destes ventos frescos do norte.

 

* A minha crónica de ontem na Cister FM

Educador sem educação

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Já poucos se lembravam dele. Vivera os seus tempos de glória e há muito que tinha desaparecido, pese uma bicada aqui e ali. Regressou agora para nos encher de saudades do António Garcia Pereira, e para nos lembrar da esquizofrenia política que faz de um partido uma seita apocalíptica. Fala-se de Arnaldo Matos, evidentemente.

O grande educador da classe operária nunca teve educação para dar nem vender. Pelos vistos ficou pior. Parece até que a educação é o único dos luxos burgueses que despreza...

 

 

Aqui há gato *

 

O debate público à volta dos contratos de associação na Educação, no centro do espectro mediático vai já para umas semanas, suscita-me alguma reflexão sobre a forma como se faz informação em Portugal.

Ou, melhor dizendo, como se manipula a informação para, em vez de informar, desinformar. Para, em vez de esclarecer, em vez de contribuir para que as pessoas possam livremente formar a sua própria opinião, impingir. Impingir a ideia dominante do interesse dominante. Ou, quando isso se torna mais difícil, quiçá mais escandaloso, fazer como se fazem cogumelos: escuridão absoluta e muita porcaria para cima.

Neste debate temos visto de tudo. Temos visto escondê-lo atrás da discussão das virtudes e dos defeitos dos dois sistemas: as virtudes sempre um exclusivo do ensino privado e os defeitos invariavelmente todos no público. Temo-lo visto empurrado para o confronto com as liberdades: da liberdade de escolha e, pasme-se, até da liberdade religiosa. E temo-lo até visto encapuçado de algoz da iniciativa privada, tudo para esconder a simples realidade das coisas atrás de interesses pouco escondidos.

Numa sociedade moderna, desenvolvida, livre e democrática, estas coisas fazem-se à vista, sem truques: ao lobbying o que é lobby, aos jornalistas e aos analistas, o que é informação. Nas sociedades menos transparentes, menos democráticas e menos recomendáveis favorece-se esta confusão, fazendo dela o autêntico berço da corrupção.

Também aqui, também neste domínio, Portugal regrediu muito nos últimos anos. Com jornalistas em situação de grande precariedade profissional, na sua maioria anos a fio a recibos verdes, com vencimentos que não conseguem descolar do salário mínimo, a “informação” fica nas mãos de despudorados manipuladores, que enchem o prime time das televisões disfarçados de comentadores, que a torcem e distorcem ao sabor dos interesses que escondem. Como se escondem os gatos, sempre com o rabo de fora…

Os interesses instalados nos contratos de associação, ao cruzarem-se como se cruzam com a clientela dos partidos do arco do poder, não passam de enormes rabos de muitos gatos escondidos.

 

* Da minha crónica de hoje na Cister FM

Um debate falso. E falseado!

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O debate da Educação chega esta tarde ao Parlamento. Só que não é de Educação que se trata, é de negócios!

Quando o anterior governo alterou o Estatuto do Ensino Particular e Cooperativo, eliminando a obrigatoriedade de os contratos estarem dependentes da carência de oferta pública, permitindo assim que o ensino privado crescesse que nem cogumelos lado a lado com escola públicas, não estava a cuidar de Educação. Estava a cuidar de negócios. Quando Passos Coelho fala de "um produto de oferta educativa fechado” não está a falar de educação. Está a falar de negócios.

Está a falar de um negócio onde se movimenta uma grande parte da própria classe política da área do poder. O que serve para explicar como tão pouca gente - são no total 80 as escolas que recebem os oitenta e tal mil euros por turma, mas não serão muito mais de meia dúzia as empresas que as detêm - consegue fazer tanto barulho. 

Na realidade o governo não está fazer nada mais que repôr a mais simples condição higiénica do negócio, que o anterior cirurgicamente eliminou: o Estado contrata o que precisa, não pode estar obrigado a contratar o que não precisa. E não pode estar refém dos interesses particulares de quem quer que seja!  

 

Vale tudo!

Por Eduardo Louro

 

Os exames estão mais fáceis, diz-se por aí. Ontem, o de Matemática foi o mais acessível dos últimos anos, e é certo que as médias do bicho de sete cabeças vão subir.

A abertura das aulas, o eterno bicho de sete cabeças do Ministério, vai ser adiada.

Quem é que diz que a Educação se não pode cruzar com o curto prazo?

Em tempo de eleições pode-se tudo. Vale tudo!

Ginásios do pensamento

Convidado: Luís Fialho de Almeida

A “educação”, como um dos pilares fundamentais do funcionamento de uma sociedade, interessa a todo o cidadão, mas sofre de enorme turbulência, a ver: pela sempre tardia e errática colocação de professores; pelo encerramento de escolas; pelos métodos de ensino sempre em mutação; pelas incapacidades e desculpas do ministro. Nas minhas deambulações por estas matérias encontrei algo de original no nome: “ginásios do pensamento”, estes considerados como oficinas de pensamento crítico e criativo junto de crianças e jovens.

Joana Rita de Sousa, responsável do projecto “Filosofia e Criatividade”, utiliza a expressão em título para designar o trabalho de filosofia para crianças, orientado sobretudo para o questionamento, perpetuando a “idade dos porquês”, num processo de treinamento envolvendo também os pais e educadores. Esclarece que a filosofia para crianças “promove a existência de cidadãos incómodos, capazes de questionar o que se passa à sua volta, de criticar e sugerir alternativas. Este treino torna o pensamento mais forte, flexível e resistente, tal como pretendemos um corpo forte, flexível e resistente quando vamos ou inscrevemos as nossas crianças num ginásio”.

A importância que relevo desta matéria e as extrapolações que dela faço por minha conta e risco, advém da discussão ocorrida, há já algum tempo, em torno da eventual retirada da filosofia dos programas do ensino obrigatório. As ditaduras e as democracias decadentes favorecem todos os mecanismos de formação e informação que inibam os cidadãos de pensar, porque pensar é perigoso. Para Kant “uma filosofia é um por à prova, uma crítica, pensar é criticar, sempre…”

Para Bertrand Russel, a característica essencial da filosofia, que a torna um estudo diferente da ciência, é a crítica. “A filosofia examina criticamente os princípios usados na ciência e na vida quotidiana; procura inconsistências que possam existir nestes princípios, e só os aceita quando, em resultado de um inquérito crítico, não surgiu qualquer razão para os rejeitar…”

Com a deriva da democracia portuguesa, os políticos da nova geração procuram um certo regresso ao “passado” que não viveram, mas estão certos que lhes assegura melhor futuro. “Passado”, que dispensava a grande maioria das pessoas de se interrogarem sobre o que era realmente bem e o que era mal. Em regimes de natureza autocrática, nada melhor do que governar para uma massa popular ignara, que não questiona e se contenta com a massificação de entretenimentos televisivos e outros, que lhe estimulam apenas as emoções mais primárias.

Aldous Huxley, na sua interpretação da história, constata que grandes figuras na liderança dos povos não apelaram à razão: mas aos instintos, às paixões, exemplificando com Lutero - apaixonado, impetuoso, violento - em contraponto a Erasmo, homem sensato e de razão, mas sem a capacidade de manipular e conduzir as massas.

A nossa comunicação social, por orientação política naturalmente discreta ou por objectivos comerciais, tudo faz para - sem esforço e explorando as emoções - mobilizar a atenção das audiências, evitando que se despertem pensamentos, questionamentos, exigências e perturbações na estabilidade social.

Ao longo da nossa democracia assistimos a uma degradação na tolerância à livre opinião nos grandes meios da comunicação social, controlados pelo poder político, por grupos económicos, ou por ambos, procurando manipular a informação em função dos seus interesses. Jornalistas, analistas e comentadores mais ligados às áreas políticas e sociais, fora do jugo partidário ou de qualquer grande grupo de interesses, têm sido afastados dos meios de comunicação de maior audiência (televisão e rádio), remetendo-os para meios de menor visibilidade. O exercício da cidadania da razão que se recuse ao servilismo é sempre incómodo em qualquer organização pública ou privada.

O pensamento virado para as ideologias também já pouco interessa. Nada de fascismo, comunismo, socialismo ou social-democracia, porque hoje a ideologia é a dos mercados, é o dinheiro, e o pensamento único emana das orientações político-económicas da Alemanha, Banco Mundial, FMI, BCE, OMC e OCDE.

O livre pensamento é, talvez, o melhor exercício de liberdade, mas a sua expressão exterior colide com os exercícios e interesses de outros e daí os inevitáveis conflitos. Hoje, face aos tempos e ideologias correntes, é de enorme utilidade exercitar as técnicas do pensamento para a sobrevivência em meios dominados pelos espertalhaços que reduzem a ética e a moral à “lei” que se fabrica, que se manipula e contorna.

“Ginásios do pensamento” ou quaisquer metodologias orientadas para a expressão livre do pensamento esclarecido, serão sempre projectos educacionais condicionados, na sua amplitude, aos ditames da tutela da educação que estará vigilante para punir todo o processo que promova a instabilidade do Sistema, ou seja: cidadãos criativos para a produtividade, sim! Incómodos, não!

Um país a arder...mesmo sem fogos*

Convidada: Clarisse Louro

 

À entrada da recta final do mandato, o governo dá mostras de uma exaustão que, se até poderia entender como normal no final de uma legislatura como esta, marcada por uma intervenção externa duríssima, que se encarregou de tornar ainda mais difícil, não deixa de causar alguma estranheza, e de revelar até alguns paradoxos.

Tanto mais que, depois da gravíssima crise da meia-idade, aquela que Paulo Portas desencadeou a meio do mandato, com a sua irreversível mas revertida demissão, do próprio governo emergiu um primeiro-ministro com algumas capacidades políticas escondidas, e até surpreendentes. E alguns sinais de insuspeitável coesão que lhe deram algum fôlego, muito reforçado por uma oposição inócua, e mesmo inexistente. Das inevitáveis derrotas eleitorais de permeio, nas autárquicas e nas europeias, não tirou a oposição quaisquer dividendos. Antes pelo contrário, como também inevitavelmente se viu no seu principal opositor!

A um governo supostamente reunificado sucederam-se dois governos: o do PSD e o do CDS. De um governo, passou-se a dois governos. Um de continuidade, mal ou bem fiel à sua estrutura ideológica e agarrado à sua matriz, e outro de rotura consigo próprio, decidido a marcar a sua actuação a partir de um marco histórico por ele próprio inventado, um tal 1640 inventado para Maio de 2014. Como rapidamente a realidade se encarregou de demonstrar essa invenção, também rapidamente o governo do CDS passou as fronteiras do ridículo, passando os seus protagonistas principais – Paulo Portas e Pires de Lima, evidentemente – a surgir frequentemente como verdadeiras caricaturas, ou mesmo autênticos cromos.

O governo ia no entanto fazendo o seu percurso, um percurso cada vez mais facilitado por um PS inoperante, e agora virado exclusivamente para si próprio, em processo autofágico. Inevitável, repito. Até que, na rentrée, surgem a abertura do ano lectivo e a do ano judicial, dois acontecimentos propícios a incidentes, e normalmente momentos quentes da governação.

O ano climático tratou de arrefecer o terceiro momento quente da governação desta altura do ano – os incêndios. O Verão não foi generoso para as férias dos portugueses, mas foi-o para o governo, poupando-o às agruras das faltas de meios e de políticas de prevenção que sempre fazem mossa. Só que, o que as condições climatéricas lhe deram, a inépcia e a incompetência de alguns ministros lhe tiraram. E logo dois dos três principais focos de incêndio que consomem os portugueses começaram a soltar labaredas de proporções gigantescas. Se na Saúde, com gente que morre à espera de intervenções cirúrgicas e greves de enfermeiros e médicos, ainda foi possível – porque mora por lá alguma competência, o que faz sempre a diferença – controlar os fogos, na Educação e na Justiça tudo está a arder sem qualquer tipo de controlo. E o país está verdadeiramente a arder, como se estivéssemos no pico de um Verão que não chegou a aparecer!

Num governo dado como arrogante e autoritário surgiram até os pedidos de desculpa. Com o Ministro da Educação, um especialista da Matemática, a pedir desculpa por fórmulas matemáticas erradas, e a Ministra da Justiça a pedir desculpa por não saber em que cítius se deixou a Justiça.

No meio disto tudo os ministros do CDS fazem-se agora de mortos, e só dão sinais de vida para falar em baixar impostos, e o primeiro-ministro faz por puxar a carroça sozinho, arranjando uns números bem preparados – o da Tecnoforma, em que levanta uma lebre para depois ser ele a caçá-la, é de mestre – para distrair o pagode

 

* Pubicado hoje no Jornal de Leiria

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