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Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Quinta Emenda

Tenho o direito de ficar calado. Mas não fico!

Vá lá... Vamos lá votar!*

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Estamos a dois dias das eleições europeias do próximo domingo. Hoje é o último dia de campanha, à meia-noite acaba esta lufa-lufa das últimas semanas, que trouxe os partidos e as suas caras mais conhecidas para a rua, para fazerem o mesmo de sempre, da maneira que sempre fizeram. Como se o tempo, que corre vertiginosamente, estivesse afinal há décadas parado. 

Amanhã é dia de reflexão. Como se do que para trás ficou sobrasse alguma coisa que mereça reflexão, em mais um sinal da forma como o tempo parou em todo o nosso sistema político. Não só nada ficou para reflectir, como nada nos tempos de hoje impede a difusão do que quer que seja. Os jornais antecipam as suas edições para tratar do tema eleitoral como entendem. Os semanários que saem ao sábado, saem hoje. E não consta que à meia-noite sejamos obrigados a destrui-los. Nem que as páginas da internet se apaguem. Nem que das redes sociais desapareça tudo o que lá foi deixado… Para não falar dos cartazes, que se perpetuam.

No domingo, depois de tudo reflectido, vamos votar. Alguns de nós. Poucos, como se sabe. E se lamenta. Mas só isso, apenas se lamenta. Porque, pelo que atrás acabou de ser dito, parece que não se faz muito para que seja de outra maneira. Posso estar enganado, mas não me parece que o combate à abstenção se faça continuando a fazer tudo na mesma, como se tudo estivesse exactamente na mesma.

Com todo este imobilismo é difícil contrariar esta tendência galopante de abstenção.

Só que – e é esse verdadeiramente o drama – não é abstendo-nos da nossa participação cívica e democrática que mudamos nada disso. Quantos mais nos abstivermos menos são os que podem inverter a degradação do sistema de representação democrática. E, não tenhamos dúvidas, quando este sistema se esgotar, não restam boas alternativas. Tudo o que há disponível é muito pior!

E na Europa, que é o que desta vez está em causa, e onde esta é a única oportunidade de eleitoralmente nos expressarmos, esse pior é ainda pior.

Por isso, importa mesmo votar. Primeiro votemos, e depois exijamos. Como referiu Bruno Lage com aquela autêntica pedrada no charco em plena festa do título do Benfica no passado fim-de-semana. Depois sejamos exigentes. Com tudo e sempre!

 

* A minha crónica de hoje na Cister FM

Israel: uma escolha sem escolha!

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Hoje há eleições em Israel, uma democracia que ... tem dias. E de que nunca se espera mais que eleições, de quatro em quatro anos. De que nunca se espera grande coisa...

Hoje voltará a ser assim. Os israelitas voltarão a votar, mas da sua votação não pode resultar nada de novo. Limitar-se-ão simplesmente a escolher entre assegurar o quinto mandato a Benjamin Netanyahu, apoiado externamente por Bosonaro e Trump, mas também por Putin e, internamente, pela extrema-direita ultra-ortodoxa, com promessas de anexar territórios da Cisjordânia; ou eleger Benny Gantz, um general de extrema-direita que por falta de espaço tenta passar por moderado, enquanto se vai gabando do número de palestinianos que matou na Faixa de Gaza.

Muito provavelmente a única diferença é que, um, ao fim de quatro mandatos, já está acusado de corrupção. O outro, ainda não!

 

Brunismo sem Bruno

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Começam a ser divulgados os primeiros resultados das sondagens às eleições no Sporting. E Pedro Madeira Rodrigues - o único que enfrentou Bruno de Carvalho, denunciando-o e opondo-se-lhe em eleições -, fica-se por 1% das intenções de voto, ao nível do desconhecido Fernando Tavares Pereira.

Todos os outros candidatos, que representam no conjunto mais de 98% das intenções de voto dos sportingustas, apoiaram o desastrado presidente destituído, e alguns deles defenderam-no até com unhas e dentes. Poderia dizer-se que há aqui qualquer coisa que não bate certo, e que Madeira Rodrigues nem se enxerga. Mas o que parece certo concluir é que os sportinguistas querem de volta o brunismo. Mas sem Bruno... Por enquanto, dirá o próprio...

 

Eleições à vista*

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Já se percebeu que as eleições do próximo ano, que toda a gente anda já a cheirar, vão correr sob dois temas inevitáveis: incêndios e Sócrates.

Não há volta a dar, e os dados estão lançados.

António Costa, tal como há um ano, andava feliz da vida. Tudo lhe corria bem, o sol brilhava e não havia nuvens. Foi tanto assim que, de início, nem ligou muito aos incêndios de Junho; já então foi preciso que o presidente Marcelo lhe chamasse a atenção.

Era uma grande injustiça, sentia o primeiro-ministro: estava tudo a correr tão bem, e logo tinha que aparecer esta chatice…

Um ano passou, e tudo voltava a estar a correr bem. Os incêndios faziam parte do passado, agora limpavam-se as matas, em festa. Já só faltava um ano para as eleições, e as contas não se faziam por menos – maioria absoluta, limpinho!

Da oposição vinham boas notícias, e Rui Rio era fixe. A esquerda da geringonça podia ser, se não descartada, reduzida à sua insignificância.

A 25 de Abril o presidente Marcelo começou a dizer umas coisas. Nada de importante, nada que António Costa não arrumasse em dois tempos: aquilo era como a “arte moderna”, que não é fácil de entender. E então o presidente passou a tornar-se mais fácil de entender, a ponto de, hoje, pouco mais de duas semanas depois, já toda a gente o perceber bem.

Tudo mudou, e hoje já ninguém brinca em serviço. A seguir a Sócrates veio Manuel Pinho, e a seguir Mário Lino. E Paulo Campos e António Mendonça… E sabe-se lá que mais…

E já nada está preparado para a época de incêndios que aí vem, de pouco valendo se as matas foram ou não foram limpas. O topo da pirâmide da Protecção Civil continua nas mãos de boys, que continuam a cair que nem tordos, uns atrás dos outros, viciados em licenciaturas manhosas. E toda a gente grita que não há meios. Não há aviões nem há coisa nenhuma…

E, estocada final, o presidente diz que não se recandidata se a tragédia se repetir!

Mas – a tragédia, meus amigos – já aí está. Até aqui havia “N” motivações para criminosos e pirómanos acenderem fogos. Agora há “N” e mais uma, mais clara que nunca: derrubar um governo!

Não é coisa pouca. E não há inocentes nesta história…

 

* A minha crónica de hoje na Cister FM

"Arriverdeci"!

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A Alemanha tem finalmente, cinco meses depois das eleições, condições para formar governo. Ontem os mlitantes social-democratas do SPD confirmaram em referendo o "bloco central", e com isso o novo fôlego de Merkel. E a União Europeia mais ou menos no mesmo tom, mesmo que Macron o queira um bocadinho mais carregado.

Coisa em que, pelos vistos, a Itália não está interessada. Nas eleições de ontem, os italianos não adiantaram lá grande coisa à governação do país - aquilo parece ingovernável - , mas não deixaram grandes dúvidas que não vão em cantigas - isto é ainda efeito do festival - europeias. Se aqueles resultados não dão para governar, já dão bem para perceber um "arriverdeci" à União Europeia, bem claro no pontapé no rabo de Matteo Renzi, o primeiro-ministro que fora uma espécie de comissário político designado pela União Europeia.

 

As eleições que já não interessam

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No próximo domingo os alemães vão a votos, e ninguém dá por isso. Não se ouve falar das eleições alemãs...

E no entanto a Alemanha é o mais determinante país das nossas vidas. Na Europa nada se faz sem a Alemanha, e muito menos contra a Alemanha.

Há um ano eram as eleições na América, e não se falava noutra coisa. Há pouco tempo foram as eleições em França, e o tema estava na ordem do dia. Até as eleições na Holanda, há pouco mais de um ano, mereceram muito mais interesse do que, agora, as alemãs. 

Há dois ou três anos que andamos a deixar temas pendurados, sempre com o pretexto das eleições na Alemanha. Isto só depois das eleições na Alemanha. Aquilo nunca seria objecto de discussão anes das eleições. Fosse isto e aquilo o que quer que fosse: imigração, refugiados, dívida, etc. E agora que aí estão, ninguém fala nelas...

Estranho? Não, Merkel! 

Angela Merkel vai voltar a ganhar as eleições na Alemanha, sem qualquer sombra de dúvida. E Angela Merkel é hoje uma líder europeia bem mais consensual que há dois ou três anos. Mais que consensual, é indiscutível. Tudo à sua volta é tão volátil, tão cabeça no ar, tão desprovido, que acabou por emergir com o estatuto do grande estadista que a Europa há muito não tinha.

Por isso não há notícia. Por isso as eleições alemãs já não têm qualquer interesse.

Proíba-se! *

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Depois da Comissão Nacional de Eleições – a CNE – ter emitido uma recomendação desaconselhando a realização de jogos de futebol no dia das eleições autárquicas, corre por aí que o governo se prepara mesmo para proibir, por lei, os jogos de futebol em dia de eleições.

Como, pela tecnicidade da lei, ela tem que ser geral e abstrata, irá certamente encontrar uma abrangência que vá para além do futebol e que nem deixe escapar os sempre bem regados jogos entre solteiros e casados, que acontecem pelo país fora. Nem sei se museus, cinemas e teatros escapam…

O governo poderá até vir a recuar nesta intenção - acredito até que venha -, mas confesso que ela não me surpreende. Está-lhes na massa do sangue. A primeira coisa que vem à cabeça desta gente é legislar: faça-se uma lei. A segunda é proibir: proíba-se! É assim que, de há muito, as coisas se resolvem em Portugal.

Vemos que em boa parte dos países, na Europa, mas não só, se vota durante a semana, num normalíssimo e corrente dia de trabalho. Começamos a ver surgir o voto electrónico, que agiliza todo o processo, e facilita a vida a toda a gente. Mas nada disso se aplica a nós, aqui neste cantinho da Europa, que o Senhor Juncker já não enxerga.

Por cá tem de se votar ao domingo, e na agenda de cada um nada mais pode constar que a deslocação à assembleia de voto, de manhã, o regresso a casa para almoço com a família, e o aconchego do sofá para fazer contas à vida enquanto as urnas não fecham.

Enquanto se pensar assim, não se pensa que os cidadãos não vão votar porque a sociedade não está virada para promover a consciência cívica e os valores da cidadania. Porque a pobreza de ideias, o mau gosto, os dislates e os disparates das campanhas eleitorais conseguem destruir qualquer réstia de consciência cívica que possa ter resistido. Ou porque, cansados de falsas promessas, de abusos, de comportamentos à margem da ética, muitas vezes irresponsáveis, ou mesmo delituosos, muitos desistiram da democracia.

Ah… Já agora recomendaria que se pedisse ao resto da Europa para também não jogar à bola, nesse dia. É que a malta não vai à bola, mas também não sai de frente da televisão para ir votar.

 

* Da minha crónica de hoje na Cister FM

Ser e parecer

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Se Fernando Medina comprou o seu apartamento (a uma familiar próxima da administração da Teixeira Duarte) com um desconto de 200 mil euros sobre o preço de mercado (seiscentos e tal mil euros, contra mais de 800 mil de valor de mercado), pode simplesmente ter feito um bom negócio. O que não tem nada de errado.

Ou pode ter fugido com a diferença à escrituração. O que está errado.

Se a Teixeira Duarte não tinha negócios com a C.M. de Lisboa, e passou depois da data dessa transacção a ter, pode até não ser simples coincidência, mas pode nem assim não ter nada de errado. Se todos esses negócios eram de valor inferior a 5 milhões de euros, e por isso dentro dos limites da adjudicação directa, não tem nada de errado.

Mas que, tudo junto, e tudo sendo verdade, tem tudo para parecer errado, lá isso tem. E quando assim é, lá vem a mulher de César para a conversa... Por isso, quando assim é, dizer que é tudo uma cabala da oposição escondida atrás de uma denúncia anónima, e que quando comprou a casa não fazia ideia nenhuma da ligação da vendedora à Teixeira Duarte, é pouco. Pode ser verdade, mas não chega.

E Fernando  Medina sabe bem que não chega. Mesmo que chegue para ganhar as eleições...

 

Fim de semana quente

 

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Em contraste com o tempo frio e chuvoso do inverno que começa a apertar, este era um fim de semana de alta temperatura política aqui pela Europa.

Na Àustria, que antecipou em quase duas décadas o esgotamento do centrão que serviu de forma de governo à Europa do pós-guerra, e o reforço da extrema-direita, votava-se para as presidenciais. E temia-se pela eleição de Norbert Hofler, o candidato da expressiva extrema-direita austríaca, naquilo que vinha sendo prognosticado como a primeira presidência engolida pelo tsunami nacionalista e xenófobo que está previsto assolar a Europa neste ciclo eleitoral que se está a iniciar. Para já, e pela Áustria, não se confirmaram essas premonições: o novo presidente austríaco é Alexender Van der Bellen - que já havia sido o mais votado na primeira volta, em Maio -, um ecologista e um progressista.

Em Itália votava-se num referendo  (mal estruturado) para uma complexa revisão constitucional (não deve ser fácil conceber um modelo simples e eficaz de referendar alterações que mexem com mais de 40 artigos da Constituição) que o primeiro-ministro italiano resolveu simplificar transformando-o num simples plebiscito ao seu governo. Quando Renzi, há mais de quatro meses, anunciou que se demitiria se o "não" ganhasse, deixou tudo mais simples: afinal os italianos já não tinham que se preocupar muito se faz sentido (que não faz) que o Senado e a Câmara dos Deputados tenham o mesmo poder e façam a mesma coisa; ou se o sistema eleitoral deve facilitar a constituição de governos, favorecendo os grandes partidos (que, com 40% dos votos garantiam 54% dos lugares) para reduzir o incómodo dos pequenos - só tinham que dizer se queriam ou não aquele governo. 

E não quiseram... Tão claramente que Renzi nem precisou de muito tempo para declarar finito o seu governo.

Também aqui estamos perante o copo meio cheio. Está meio cheio se entendermos que os italianos simplesmente disseram que querem outro governo, e que acham que vivem bem com o sistema político com que sempre viveram. Isso é normal em Itália, habituada a mudar de governo como quem muda de camisa, sem que daí venha mal ao mundo. E a eles próprios, a oitava economia do mundo...

Mas o copo  já poderá estar meio vazio se a este se seguir outro, já colocado na agenda política pela maior parte da forças agora vitoriosas, para decidir a continuidade na União Europeia.

A Europa está de cabelos em pé. Será bom que respire fundo, reflita e corrija o rumo. Mesmo que se saiba que em Itália tudo é diferente. Que a Itália é diferente, tão diferente que nenhum outro país sobreviveria às condições em que tem crescido. E afirmado!

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